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Beagá, 23 de maio de 2005 d.C.
 
Método Seinfeld (*) de se fazer coluna
Por John Gracinha
 

Rolou um puta branco sobre o que escrever aqui, porque uma outra parada que eu tinha preparado pra essa coluna ficou, de certa forma, embargada. O jeito seria pensar em alguma outra coisa, mas não me ocorreu nada. Sendo assim, vou escrever aleatoriamente e vamos ver no que é que dá. Na pior das hipóteses, sai algo melhor do que aquele texto que eu fiz ensinando o ofício do colunismo de graça.

A semana que passou - não sei mais que dia este texto vai ao ar, mas ele foi escrito na madrugada de domingo pra segunda - foi relativamente fraca em termos de notícias, na política e em linhas gerais. Tirando a história do pianista sem memória, o que se viu por aqui foi o acompanhamento e a repercussão dos casos que estouraram no fim de semana retrasado - entre eles, a segunda parte do vídeo da propina em RO, a suíte da denúncia da Veja sobre esquema de corrupção nos Correios, a cassação do casal Garotinho. Fora isso, não pintou nada muito bombástico, tirando a Istoé, que ganha menção honrosa por duas matérias que são novidade: uma sobre as contas no exterior de gente envolvida com a Igreja Universal, e outra sobre um senador envolvido em superfaturamento de obras.

A Carta Capital da semana eu deixo pro Cajabis comentar, mas pelo texto que eu li, o enfoque que eles deram ao escândalo dos Correios foi o de falar que não há crise alguma e que tudo isso não passa na verdade de jogo de cena oposicionista querendo tacar fogo na governabilidade. Tem um argumento que eu achei feio nessa matéria da Carta Capital, por sinal, tanto que parafraseio ele aqui ipsis literis: “O pessimismo alardeado pelos adversários - que apostam no caos para voltar ao poder mais cedo e de qualquer forma - esbarra em um muro intransponível: a sustentação do governo Lula manifestada pela sociedade em pesquisas de opinião.”

Resumo da ópera bufa: cada revista acha o que quer e o leitor que se vire (pra usar de eufemismo) na hora de formar a opinião dele. É comum e até necessário que as revistas do fim de semana tenham posicionamentos diferentes sobre os mesmos assuntos, mas do jeito que está, com cada uma querendo especificar o grau de importância a determinado assunto, fica difícil ter a real noção do quanto aquilo realmente importou. Pelo menos, não foram três capas sobre um novo best-seller ou uma matéria de denúncia sobre doação de verba baseada numa fonte que não quis ser identificada...

De tudo isso, o que fica é que o personagem político que mais se consolida no imaginário popular é o Severino Cavalcanti, que ameaçou fazer andar a CPI das privatizações no setor elétrico, em resposta à pressão da oposição pra que seja instaurada a CPI dos Correios. Se ele se candidatasse à Presidência com o Sargento Isidório como vice, não acho que seria absurdo imaginar que ele ganharia tantos votos de protesto quanto o Enéas na eleição de 2002.

Em tempo, tem uma entrevista legal nas “Páginas Amarelas” da Veja com um filósofo francês que defende o ateísmo e a filosofia como meio de vida. São posições extremas, e muitas das coisas que ele diz soam como se a frase tivesse sido bolada pra chocar, mas achei legal.

A entrevista que eu havia prometido com o Asva está feita, mas não sei qual o real interesse por parte dos leitores daqui nela. Como eu quase não recebo e-mails e não sei do que é que o povo gosta, resolvi segurar ela, por ora. Em breve, devo fazer um “Corra Atrás!” do cd dos caras, e aí veremos se algo muda.

Talvez eu não esteja prestando atenção, mas o Mastodon já começou a bombar por aqui? Há pouco tempo, só se falava nos caras lá fora. Chegou-se até a dizer que eles eram o novo Metallica. Achei exagerado, mas pro caso de alguém querer dar uma conferida, é só ir aqui. Quem se aventurar a baixar algum álbum dos caras, sugiro o Remission. Eles vão tocar no Ozzfest desse ano, mas acho que o Ozzfest não é referência pra muita coisa com as escalações dos últimos anos.

Agora, cá para nós e falando em teorias da conspiração: o Mastodon assinar com a Warner ao mesmo tempo em que todas as revistas gringas não se cansam de elogiar a banda é coincidência, timing correto de uma major ou profecia que se auto-realiza? Eu não arriscaria nenhum palpite com certeza, mas achei essa frase do guitarrista bacana: “Se você gosta de uma banda, quem se importa em que selo ela está a menos que seja um verdadeiro império do mal ou algo assim? (...) Você tem que ter dinheiro pra ganhar dinheiro, você não pode ser uma banda e não gerar lucro. Nós temos famílias, esse é o nosso trabalho.” A declaração é em resposta a eventuais críticas que a banda possa sofrer com a mudança de gravadora (eles assinaram recentemente com a Warner e saíram da Relapse). O Cypress Hill também tentou dizer que isso é trabalho lá atrás, com “(Rock) superstar”, mas foi ofuscado pelo histórico de presepadas deles.

Boa notícia pra quem parou de ouvir música em 1995 e gosta de industrial: o Fear Factory diz que já começou a compor pro disco novo e que ele até já tem nome, Trangression, e previsão de lançamento, 23 de agosto deste ano. Não vou entrar na discussão se Fear Factory é industrial ou outra coisa, mas, pra quem perdeu, eles lançaram um cd ano passado, Archetype. Parecia o Demanufacture Jr.. Foi o primeiro deles depois da saída (à força) do guitarrista Dino Cazares.

Como diria Russomanno, foi bom negócio pra ambas as partes, já que o Fear Factory ficou melhor que quando se meteram a virar new metal, e o outro projeto paralelo do Dino além do Brujeria, Asesino, que também conta com o baixista do Static-X, é legalzão. Agora é torcer pra cada um ir pro seu canto e eles não acharem que vão arrecadar rios de dinheiro com uma turnê de reunião. Aliás, o Billy Gould, ex-FNM e dono do selo que lançou o Asesino, está puto com o Dino por alguma razão e quer que a banda nova dele se foda. É isso aí.

Ainda no campo da música e da fofoca, alguns bastidores do mundo do metal: um amigo me cantou que pode estar próxima a saída do Igor do Sepultura. Segundo a mesma fonte, ele sequer foi aos dois últimos shows da banda, e eles tiveram que botar um outro cara pra tocar bateria (se não me engano, alguém do Pavilhão 9). Acho burrada do Igor isso, ele deveria ter acabado com a banda há pelo menos uns quatro anos. O Andreas deve seguir carreira solo, o Derrick deve virar barman e o Paulo Jr. ninguém vai saber o destino. A julgar pelo que eu leio a respeito das apresentações solo do Andréas e pelo (pouco) que eu ouvi na entrega do Prêmio Claro de Música Independente, vem aí um guitarrista talentoso tocando o melhor (sic) do rock em versões abrasileiradas. Aff.

Por ora, é isso.

(*) Eu não assisto esse programa, mas já vi a propaganda na Sony que dizia “o melhor show sobre o nada”, ou algo nesse sentido. Lembro de gostar do cara do Jurassic Park e do Kramer nas vezes em que vi essa série.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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