| Essa coluna é publicada às
quintas, então, existe a possibilidade de alguns temas citados
neste texto já estarem defasados, mas eu vou colocar links
pros textos originais sempre que possível. A maioria dos
assuntos rolou da última sexta-feira, 14/05, até o
domingo passado, 16. Talvez alguns assuntos não repercutam
mais ou tenham sofrido reviravoltas.
Não sei se sou o único a achar isso, mas esse fim
de semana que passou foi movimentado em termos de política.
A Veja
publicou denúncia sobre esquema de corrupção
nos Correios envolvendo o PTB (matéria da edição
desta semana), o Fantástico mostrou gravação
em que deputados estaduais de Rondônia negociam pagamento
de propina, o Garotinho
e a Rosinha foram considerados inelegíveis, o João
Stédile do MST quer “dar um pau” no Palocci,
aumentaram
as críticas contra o Gushiken, o Aldo
Rebelo continuou no cai-não-cai, o Lula pediu levantamento
dos cargos que o partido dele tem na administração
federal (matéria publicada n’O Estado de S. Paulo
de segunda-feira, 17/05)...
Aconteceu bastante coisa. A impressão (minha) é que
mais até do que o que seria considerado normal prum fim de
semana. Com relação aos assuntos mais quentes –
respectivamente, as denúncias da Veja e do Fantástico
–, é bom lembrar que 2006 é ano de eleição
a governador estadual. Não seria nenhuma teoria da conspiração
considerar a possibilidade de estouro estratégico desses
casos. Senão vejamos: o Garotinho é virtual candidato
à presidência em 2006. Li em algum jornal que, mesmo
que seja revertida, a cassação dos direitos políticos
dele deve causar um estrago e municiar adversários na eleição
do ano que vem. A matéria do Fantástico não
diz (pelo menos, eu não me lembro) se o governador de RO
é candidato à reeleição ou quem ele
apóia ano que vem (algum leitor rondoniense pode dar uma
mão aqui?). O pau do Stédile/MST no Palocci e o inventário
dos cargos do PT são política em estado bruto (eu
diria chucro, mas soaria maldoso).
Em tempo: não acredito em má-fé ou lobby por
parte da Veja ou da TV Globo em nenhum dos dois casos.
Mais especificamente no caso de RO, quem passou o vídeo à
emissora foi o próprio governador do estado, Ivo Cassol (PSDB),
e ainda assim porque a Assembléia de lá autorizou
o STJ a processá-lo por suspeitas de formação
de quadrilha e fraude em licitações. Para mim, tanto
a divulgação do vídeo quanto o surgimento das
denúncias contra a chefia dos Correios tinham um timing (no
caso do Cassol, é evidente). Na falta de termo melhor, eu
chamaria de vazamento sigiloso de informações estratégicas
que beneficiam determinados grupos.
É fato que a política em linhas gerais costuma seguir
menos a ética e mais a Lei de Darwin de sobrevivência
do mais ágil. Portanto, é bom suspeitar da origem
de tudo quanto é denúncia que aparecer nos próximos
tempos. Tradicionalmente, eleição é a época
do ano em que mais aumentam os investimentos em obras públicas
e pipocam histórias cabeludas envolvendo (pré-)candidatos
a cargos eletivos.
Em que isso importa ao leitor? Não muito em termos de efeito
prático. É sempre bom que apareçam denúncias
e que a imprensa e, por extensão, a sociedade cobrem e fiscalizem
os atos públicos. Mas não se pode ser ingênuo
a ponto de achar que as falcatruas que surgem no jornal são
fruto do acaso.

Falando de música, vou retomar o papo sobre o tal Asva,
porque ouvi mais coisas deles e achei bem legal. Aqui
tem trechos de sons do álbum deles, Futurists Against
the Ocean. Antes, tudo que eu havia escutado eram tecos de
música, e deu pra ter uma idéia rudimentar de como
era o som. Recentemente, consegui baixar umas músicas inteiras
(e grandes), ficou mais fácil ter uma opinião.
Um cara escreveu no StonerRock.com
que esse “é o disco de drone para aqueles que odeiam
drone”, e é por aí. Para quem tentou ouvir SunnO)))
e Fulci – já falei de todas essas bandas há
algumas colunas, tem mp3 do Fulci lá – e achou
as duas uma merda, talvez o Asva agrade. É bem menos abstrato,
tem uma tendência a ser musical, enquanto as outras duas eram
mais indicadas para fãs de experimental. O Asva tende a ser
menos angustiante, já que não tem o hábito
de se perder no feedback. Eu pretendo entrevistar os caras, vou
ver se rola.
Não sei há quanto tempo foi isso, mas o site
do Beatallica voltou ao ar. Mais importante, as mp3’s
de lá também. Não sei se existe alguém
que ainda não tenha escutado ou não esteja familiarizado
com os caras, mas o conceito é tocar músicas dos Beatles
misturadas com letras e alguns riffs do Metallica. No mínimo,
vale pela curiosidade, mas funcionou bem. Quem quiser saber porque
o site dos caras foi derrubado em primeiro lugar, leia
aqui.

Cinema: não sei se é novidade, mas há planos
de um remake d’O
Dia dos Mortos (ou Day of the Dead). O único
problema é que parece também que a
idéia subiu no telhado. A outra versão dá
conta de que um
estúdio grande estaria por trás do suposto cancelamento
do filme.
É esperar pra ver no que dá, mas não sei realmente
o que achar disso tudo. Em princípio, sou contra refilmagens,
até porque esse é pra mim o melhor filme da trilogia
dos mortos do George Romero. Com a recente onda de filmes de
zumbi que começou com Extermínio (28
Days Later) e gerou atrocidades como House
of the Dead (que eu não vi, mas não pelo
que li não perdi nada) e coisas bem-sacadas como Quase
Todos Mortos (Shaun
of the Dead), seria natural que algum gênio tivesse
a brilhante idéia de mexer no que já foi feito pra
fazer melhor (sic). Até porque A Noite dos Mortos-Vivos
(Night of the Living Dead) já tem um remake –
mas é antigo, e feito por Tom
Savini, que entende do riscado e curtia a parada antes de ser
cool fazê-lo – e, no ano passado, saiu a refilmagem
de Madrugada dos Mortos (Dawn
of the Dead).
Da minha parte, não estou ansioso pra ver Day of the
Dead: Contagium, apesar de ter gostado do que vi na galeria
de fotos (aviso aos incautos: imagens fortes). Em compensação,
mal posso esperar pelo Land
of the Dead, que é o filme que fecha a série
do Romero. Se for o mesmo filme, ele era originalmente chamado de
Requiem of the Dead, e não saiu do papel porque
nenhum estúdio quis bancar lá atrás. Se o boom
do cinema mortos-vivos teve algo de positivo, foi tirar esse filme
do ocaso. Embora tenham aparecido as partes 4 e 5 da franquia O
Retorno dos Mortos-Vivos (Return
of the Living Dead)... não dá pra comemorar.

Por ora, é isso. Obrigado a todos os e-mails (dois) que
eu recebi comentando a coluna anterior.
Continuo achando aquele texto horrível, mas teve mais feedback
que o meu normal. |