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Beagá, 16 de maio de 2005 d.C.
 
Observatório (capenga) da imprensa
Por John Gracinha
 

Essa coluna é publicada às quintas, então, existe a possibilidade de alguns temas citados neste texto já estarem defasados, mas eu vou colocar links pros textos originais sempre que possível. A maioria dos assuntos rolou da última sexta-feira, 14/05, até o domingo passado, 16. Talvez alguns assuntos não repercutam mais ou tenham sofrido reviravoltas.

Não sei se sou o único a achar isso, mas esse fim de semana que passou foi movimentado em termos de política. A Veja publicou denúncia sobre esquema de corrupção nos Correios envolvendo o PTB (matéria da edição desta semana), o Fantástico mostrou gravação em que deputados estaduais de Rondônia negociam pagamento de propina, o Garotinho e a Rosinha foram considerados inelegíveis, o João Stédile do MST quer “dar um pau” no Palocci, aumentaram as críticas contra o Gushiken, o Aldo Rebelo continuou no cai-não-cai, o Lula pediu levantamento dos cargos que o partido dele tem na administração federal (matéria publicada n’O Estado de S. Paulo de segunda-feira, 17/05)...

Aconteceu bastante coisa. A impressão (minha) é que mais até do que o que seria considerado normal prum fim de semana. Com relação aos assuntos mais quentes – respectivamente, as denúncias da Veja e do Fantástico –, é bom lembrar que 2006 é ano de eleição a governador estadual. Não seria nenhuma teoria da conspiração considerar a possibilidade de estouro estratégico desses casos. Senão vejamos: o Garotinho é virtual candidato à presidência em 2006. Li em algum jornal que, mesmo que seja revertida, a cassação dos direitos políticos dele deve causar um estrago e municiar adversários na eleição do ano que vem. A matéria do Fantástico não diz (pelo menos, eu não me lembro) se o governador de RO é candidato à reeleição ou quem ele apóia ano que vem (algum leitor rondoniense pode dar uma mão aqui?). O pau do Stédile/MST no Palocci e o inventário dos cargos do PT são política em estado bruto (eu diria chucro, mas soaria maldoso).

Em tempo: não acredito em má-fé ou lobby por parte da Veja ou da TV Globo em nenhum dos dois casos. Mais especificamente no caso de RO, quem passou o vídeo à emissora foi o próprio governador do estado, Ivo Cassol (PSDB), e ainda assim porque a Assembléia de lá autorizou o STJ a processá-lo por suspeitas de formação de quadrilha e fraude em licitações. Para mim, tanto a divulgação do vídeo quanto o surgimento das denúncias contra a chefia dos Correios tinham um timing (no caso do Cassol, é evidente). Na falta de termo melhor, eu chamaria de vazamento sigiloso de informações estratégicas que beneficiam determinados grupos.

É fato que a política em linhas gerais costuma seguir menos a ética e mais a Lei de Darwin de sobrevivência do mais ágil. Portanto, é bom suspeitar da origem de tudo quanto é denúncia que aparecer nos próximos tempos. Tradicionalmente, eleição é a época do ano em que mais aumentam os investimentos em obras públicas e pipocam histórias cabeludas envolvendo (pré-)candidatos a cargos eletivos.

Em que isso importa ao leitor? Não muito em termos de efeito prático. É sempre bom que apareçam denúncias e que a imprensa e, por extensão, a sociedade cobrem e fiscalizem os atos públicos. Mas não se pode ser ingênuo a ponto de achar que as falcatruas que surgem no jornal são fruto do acaso.

Falando de música, vou retomar o papo sobre o tal Asva, porque ouvi mais coisas deles e achei bem legal. Aqui tem trechos de sons do álbum deles, Futurists Against the Ocean. Antes, tudo que eu havia escutado eram tecos de música, e deu pra ter uma idéia rudimentar de como era o som. Recentemente, consegui baixar umas músicas inteiras (e grandes), ficou mais fácil ter uma opinião.

Um cara escreveu no StonerRock.com que esse “é o disco de drone para aqueles que odeiam drone”, e é por aí. Para quem tentou ouvir SunnO))) e Fulci – já falei de todas essas bandas há algumas colunas, tem mp3 do Fulci lá – e achou as duas uma merda, talvez o Asva agrade. É bem menos abstrato, tem uma tendência a ser musical, enquanto as outras duas eram mais indicadas para fãs de experimental. O Asva tende a ser menos angustiante, já que não tem o hábito de se perder no feedback. Eu pretendo entrevistar os caras, vou ver se rola.

Não sei há quanto tempo foi isso, mas o site do Beatallica voltou ao ar. Mais importante, as mp3’s de lá também. Não sei se existe alguém que ainda não tenha escutado ou não esteja familiarizado com os caras, mas o conceito é tocar músicas dos Beatles misturadas com letras e alguns riffs do Metallica. No mínimo, vale pela curiosidade, mas funcionou bem. Quem quiser saber porque o site dos caras foi derrubado em primeiro lugar, leia aqui.

Cinema: não sei se é novidade, mas há planos de um remake d’O Dia dos Mortos (ou Day of the Dead). O único problema é que parece também que a idéia subiu no telhado. A outra versão dá conta de que um estúdio grande estaria por trás do suposto cancelamento do filme.

É esperar pra ver no que dá, mas não sei realmente o que achar disso tudo. Em princípio, sou contra refilmagens, até porque esse é pra mim o melhor filme da trilogia dos mortos do George Romero. Com a recente onda de filmes de zumbi que começou com Extermínio (28 Days Later) e gerou atrocidades como House of the Dead (que eu não vi, mas não pelo que li não perdi nada) e coisas bem-sacadas como Quase Todos Mortos (Shaun of the Dead), seria natural que algum gênio tivesse a brilhante idéia de mexer no que já foi feito pra fazer melhor (sic). Até porque A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead) já tem um remake – mas é antigo, e feito por Tom Savini, que entende do riscado e curtia a parada antes de ser cool fazê-lo – e, no ano passado, saiu a refilmagem de Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead).

Da minha parte, não estou ansioso pra ver Day of the Dead: Contagium, apesar de ter gostado do que vi na galeria de fotos (aviso aos incautos: imagens fortes). Em compensação, mal posso esperar pelo Land of the Dead, que é o filme que fecha a série do Romero. Se for o mesmo filme, ele era originalmente chamado de Requiem of the Dead, e não saiu do papel porque nenhum estúdio quis bancar lá atrás. Se o boom do cinema mortos-vivos teve algo de positivo, foi tirar esse filme do ocaso. Embora tenham aparecido as partes 4 e 5 da franquia O Retorno dos Mortos-Vivos (Return of the Living Dead)... não dá pra comemorar.

Por ora, é isso. Obrigado a todos os e-mails (dois) que eu recebi comentando a coluna anterior. Continuo achando aquele texto horrível, mas teve mais feedback que o meu normal.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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