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Beagá, 25 de abril de 2005 d.C.
 
O dia em que a música morreu
Por John Gracinha
 

Começo a coluna pedindo desculpas pelo sumiço. Foi mal aí!

Dito isso, eu gostaria de fazer um texto mais pra cima, e coisa, e tal, mas simplesmente não vai rolar. A atual conjuntura é catastrófica, e isso não tem nada a ver com o Ratzinger ser o novo papa. Aviso: os cinco parágrafos seguintes a esse contêm alto teor de rancor e ressentimento. Quem não quiser ler, pule-os e comece a ler a coluna no trecho depois dos quadradinhos coloridos.

O rolê poser no Black Jack, que costumava ser a coisa mais legal do mundo, aparentemente subiu no telhado. Não vou me estender aqui sobre o fodismo do negócio - deixo isso pra gente como o Cajabis, os Ennes e os Moldests, que conferiram in loco o bagulho e podem atestar -, mas o lance é que o último show que teve, neste sábado que passou, foi fraquíssimo.

Tudo bem, rolou cover de altos hits farofa e o Steve Vai e o Lars Ulrich cover (respectivamente, batera e baixista oficiais da poseragem) estavam entrosados. Mas a mágica não estava lá. Acabou. Puft. Foi como descobrir que Papai Noel não existe aos 6 anos. Desencanto total.

Não sei se a aparição do Bon Jovi cover e do Skid Row cover têm algo a ver com o declínio do rolê poser. Pode até ter, mas não dá pra cravar. O fato é que ontem o clima estava terrível, e diminuiu muito a proporção de mulheres bacanas por lá (nos dois sentidos, de gente boa e de boazudas). Agora, eu não sou sexista, mas o nível do mulherio do rolê poser sempre se manteve em alto padrão.

No último sábado, nem isso rolou. Uma pá de mulheres parecia refugos de um disco da fase Sammy Haggar do Van Halen. Mais um revés pros posers, que por sinal tinham até um mano de gola rolê no último sábado! Aquilo era a síntese de tudo que estava errado com o rolê poser. Aliás, o John (ou Príncipe Adam, ou Bom Jovi cover) não compareceu ao rolê poser. Será que até ele sacou que o caldo desandou?

Talvez ainda seja cedo pra decretar a morte do rolê poser, mas o show do último sábado foi um balde de purpurina fria em quem, como eu, só queria saber de dar risada e admirar a paisagem. Resta saber se os posers promoverão um expurgo dos falsos posers e retomarão seu lugar de destaque no panteão da farofa ou se irão se tornar um pastiche de si próprios, assim como o Aerosmith. Em tempo: por conta da minha frustração poserística, vou partir pra uma nova empreitada em breve. Detalhes nas próximas colunas.

Como desgraça poser é bobagem, eu fiquei puto por saber que o Twisted Sister não vai mais tocar aqui de novo. Aparentemente, foram os caras quem deram pra trás, mas não seria prudente comprar a versão dos organizadores do show sem ouvir o outro lado. A coisa está feia pro lado de Dee Snider & cia., já que o remake de Stay Hungry nada mais é que um disco requentado, e nenhum show que os caras façam me tira isso da cabeça. O Johnny Rotten devia aprender com eles algumas lições sobre lucro sujo, os caras têm shows agendados até novembro!

Seja de quem for a culpa pelo segundo cancelamento do show do Twisted Sister no Brasil, o que eu sei é que o show do Hammerfall agora vai perder 80% da diversão (eu não iria a esse show nem de graça não fosse pelo Twisted Sister). Se alguém for, não me convide.

Lembram de quando o Fred Durst fez um chamado às armas aos fãs de Limp Bizkit? Desvendado o mistério: em postagem do dia 15 de abril, o Fred pediu pros fãs do Limp promoverem uma flash mob e gravarem quantas cópias eles conseguissem da música nova da banda, “The truth”, para divulgar aonde fosse possível. Em resumo, a montanha pariu um rato, mas não se pode negar que foi uma bela maneira de economizar com material promocional e, de quebra, capitalizar em cima de um factóide.

Antes que o El Jako reclame sobre eu postar as últimas notícias do Chorão gringo, privilegiemos a prata da casa. Alguém aí ficou triste em saber que o Charlie Brown Jr. virou a banda solo do Chorão? Não entendi direito isso, é como se fizessem um puta alarde caso o Ozzy despedisse o Zakk Wylde e o Mike Bordin. Mas enfim, vamos torcer pro Chorão manter essa cabeça legal que ele tem e a banda continuar compondo esses verdadeiros hinos que tão bem representam o biscoito fino do roque nacional.

A coluna termina com um consolo, ou melhor, dois: o novo do The haunted é animal. Eu pretendia escrever um “Corra Atrás!” a esse respeito, mas ainda não rolou por falta de tempo e preguiça no caso de sobra de tempo. Pra adiantar, é um dos melhores discos de thrash deste ano, e isso porque ainda estamos no primeiro semestre de 2005. O retorno do vocalista Peter Dolving fez um bem danado pros caras.

O segundo consolo é que hoje é domingo e o site do Fotolog, templo do onanismo do ego, continua fora do ar. É provavelmente uma situação temporária, já que se trata apenas de uma mudança de servidor, mas é como nos Alcoólicos Anônimos: um dia sem já é grande coisa.

Por ora, é isso.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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