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Beagá, 07 de março de 2005 d.C.
 
O despertar do homem
Por John Gracinha
 

Ao longo de toda a história da humanidade, algumas invenções têm sido imprescindíveis para o progresso do mundo, enquanto que a utilidade de outras até hoje é discutível. Uma dos descobertas mais importantes do homem é, sem sombra de dúvida, o cowbell. Não precisa de muita explicação a respeito, porque acho que estamos de comum acordo quando se diz que tudo que tem cowbell é bom. Se tem alguém que não gosta do sino de sonoridade mais simpática da história da música, é batata: ou o cara é muito ruim de ouvido ou curte Dream theater.

Ninguém acertou o quiz da coluna anterior, por sinal. Pelo menos, o Cajabis não me repassou e-mail algum com respostas para qual era a frase errada (era a do cowbell). Aproveito o gancho pra dizer que agora meu e-mail é realmente funcional. Podem mandar feedback, poesia e quantias vultosas de dinheiro nesse e-mail.

Apesar da recomendação do Sukrilius, não ouvi ainda o novo do Queens of the Stone Age, banda que eu odeio de paixão. Não sei explicar direito porque tenho bloqueio com o som dos caras. Talvez tenha a ver com o fato de o Kyuss ter sido uma banda muito melhor... Alguém já disse que o QotSA é a banda pra quem foi devagar demais pra sacar que o Kyuss era foda, e é por aí, acho. As bandas que o vocal do Kyuss montou depois do fim da banda, Slo Burn e Unida (principalmente o Slo Burn) são melhores que as coisas pós-Kyuss do Josh Homme.

O rolê stoner do fim de semana foi etílico. No sábado e domingo, o Ludovic tocou com mais bandas do que eu vou me lembrar, mas a mais legal delas, sem dúvida, foi o tal Vincebuz. O som dos caras soa ao mesmo tempo como Cramps e Guitar Wolf, ou algo de Stooges... O show é realmente um negócio absurdo, metanol puro. A última vez que eu vi tanta violência foi quando a PM reprimiu manifestação de camelôs no centro de São Paulo. Não acredite em mim, confira.

Por que ninguém me avisou do quão legal é o blog do Fred Durst? A última postagem do cara lá é uma parábola esquisita, perguntando pros fãs se, caso houvesse uma invocação de todos os que botam fé no Limp (palavras dele), eles atenderiam ao chamado “sobre quaisquer circunstâncias e de todos os meios necessários”. Se nos próximos dias você ler algo sobre atentado terrorista contra lojas da Motorola, não se esqueça de ter lido isso. Em tempo: reparem em como é soturna a música ambiente no blog do Fred. Os comentários de alguns fãs são muito engraçados, se fossem forjados não soariam tão bons. O cara que escreve que o Limp encorajou ele a andar de skate e não dar a mínima pro que as pessoas pensam é animal.

E olha um vídeo de som novo do Life of Agony aí. Não é ruim, mas também não é nada de mais. A dúvida maior era saber se o novo dos caras, Broken Valley, ia ser um disco de grunge safado ou um disco de modernoso safado. Pelo visto, é os dois. O finalzinho pula-pula desse som é cruel, mas já tinha umas coisas assim no disco póstumo-de-antes-deles-acabarem-e-reformarem-oito-anos-depois. Não sei o porquê de eu insistir com essa banda. Provavelmente, é algo relacionado aos covers feios legais deles, como “Redemption Song” e “Don’t You (Forget About Me)”.

Ainda não escutei o Fantômas novo, Suspended Animation (capa aqui), apesar de ter baixado o disco. Pelos comentários a respeito, está mais para Amenaza Al Mundo que Delìrivm Còrdia, com uns lances de desenho animado no meio. Ainda não me animei a ouvir, mas não duvido que seja bom. Mesma coisa quanto ao 25 Ta Life novo - admito que tenho um fraco por hardcore burro e gangueiro...

Não sei se é novidade pra mais alguém, mas eu ainda não tinha escutado a versão do Minibosses pra música do Ninja Gaiden de Nintendinho. E, dando prosseguimento à campanha “Você já hypou o Sofa King Killer hoje?”, olha aqui um mp3 e mais outro deles.

Pra quem quiser tentar gostar de SunnO))), um bom começo são duas bandas que apareceram recentemente, Fulci e Asva. O mp3 de “Gallows of divorce”, do Fulci, dá pra baixar daqui, e tecos sortidos de músicas do disco do Asva, na parte inferior desse site. A primeira banda é totalmente inspirada em SunnO))) e Earth (foram eles, Earth, que começaram com todo esse lance de drone), e a segunda nem tanto, mas dá pra sacar uma influência no som dos caras.

Dessas duas, o Asva é a mais musical, acho, mas ainda assim não é de fácil assimilação pra quem não for experimentado. Fugindo um pouco do assunto, o Trey Spruance, que tocou no King for a Day, Fool for a Lifetime do Faith no More e tocou no Mr. Bungle (que acabou) também toca no Asva, com outros figurões da cena doom/stoner/drone. O som do Fulci e do Asva é arrastado e marcado pela repetição, e vai do gosto do ouvinte achar isso algo bom ou ruim. No caso do Fulci, eles são mais musicais e alguma coisa menos “etéreos” que o SunnO))).

Por ora, é isso, ou o editor aumenta o valor do meu pedágio pra continuar a escrever aqui.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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