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Beagá, 28 de fevereiro de 2005 d.C.
 
Bizarrices abundam
Por John Gracinha
 

A coluna desta semana quase não sai, por conta da minha exclusão digital. Como o risco de eu voltar a viver à margem da sociedade virtual não é pequeno, ficou um negócio escrito meio aos trancos e barrancos. O que dá pra adiantar é que eu pretendo, brevemente, escrever um Corra Atrás! com algumas coisas que saíram nos últimos tempos. Adianto que o novo do Ministry vai estar lá. A conferir.

E o Beatallica foi enfim enquadrado. Um fim melancólico, a banda e a idéia não eram ruins. O que surpreende nessa história é que o Lars Ulrich parece disposto a ajudar os caras! A Sony/ATV chiou com o lance das músicas dos Beatles serem regravadas pelo Beatallica, alegando que os mp3’s no site do Beatallica “sem a autorização ou licença expressa tem causado e continuam a provocar dano substancial e irreparável e constituem violação direta dos direitos da Sony/ATV”. Tudo isso é meio inacreditável demais, principalmente por não ter sido o Metallica quem embaçou na da banda, já que o Lars e o próprio J. Hetfield curtiram a iniciativa.

Tem um reggae no disco novo do Cypress Hill que é massa, chamado “What’s Your Number?”. A letra é feia, mas quando eles foram bons letristas e desde quando isso importou? Não dá pra entender porque esse tipo de som não bomba nos picos descolados. Vai ver, eu não estou saindo tanto. Ainda não ouvi o disco novo do Cypress Hill, mas uma fonte em cujo gosto musical eu confio me disse que os reggaes são legais e os raps um saco. Não deixa de ser engraçado. Parece que, a cada disco, o Cypress descobre um instrumento novo. No Black Sunday era o baixo, no IV, a orquestra, no Skull & Bonés, a guitarra com afinação baixa... Nesse novo, deve ter sido a guitarra com afinação padrão e as variações do acorde Fá.

Quem acha que o celular do Fred Durst foi mesmo hackeado e quem desconfia de golpe publicitário? Eu vou de alternativa “b” (em tempo: recomendo não entrar nessa página sem um firewall competente e muito menos em ambiente de trabalho).

A essa altura, alguém já comentou aqui sobre o lance do guitarrista do Korn ter encontrado Jesus e saído da banda. Aposto que todos os fãs da banda - os oito - ficaram tristes ao saber dessa notícia.

Brincadeira. O Korn ainda tem bastante fãs, principalmente se contar os que não admitem ter gostado da banda na época dos primeiros discos. Idem Slipknot e Limp Bizkit (admito que tenho vergonha de dizer que gosto de Limp hoje, mas continuo achando o primeiro disco fodão - a culpa é do Fred Durst). Vamos ver se o Korn escreve um disco metendo o pau no esquema Rodolfo que o mano que deixou a banda fez ou se continuam querendo ser o novo Rage Against the Machine e derrubar a indústria da música por ter subestimado (haha) eles.

A propósito de política, fala-se muito sobre o novo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, do PP de Pernambuco, pretender aumentar o salário dos deputados federais. Até aí, tudo bem, tem mais é que se falar mesmo, mas eu até agora não me lembro de ler uma matéria que disse que praticamente todos os outros concorrentes à vaga - a saber, Eduardo Greenhalgh (PT-SP), Virgílio Guimarães (PT-MG), Jair Bolsonaro (PFL-RJ) e José Carlos Aleluia (PFL-BA) - também defendiam a mesma plataforma, ou pelo menos, não diziam que não iam aumentar, o que é uma dupla negativa (e negativo com negativo dá positivo, ensina a matemática). Parece que o Aleluia foi o único que disse que não ia aumentar, então faço essa ressalva de que talvez ele não tenha prometido isso.

Enfim, seria legal alguma matéria ter isso, até pro leitor não ficar numas de “olha que cara sacana, se pelo menos fosse x ou y, isso não aconteceria”. Contextualizaria melhor o nível dos caras, acho eu, e diminuiriam as correntes pela Internet do tipo “vamos nos levantar contra isso” (pensando melhor, acho que não). Particularmente, me assustam mais as posições reacionárias do novo presidente da Câmara do que saber que o salário dos parlamentares em Brasília vai subir de R$ 12 mil pra R$ 21 mil. Eu não fiquei mais pobre com esse aumento, mas imagino o efeito que isso tenha nos gastos da União.

Eu disse que essa coluna ia ser feita aos trancos e barrancos. Por ora, é isso. Mas, pra deixar isso aqui mais interativo, identifique qual dessas afirmativas do mundo do roque é falsa (só uma não é verdadeira):

O The Police era melhor que o The Clash. Tudo bem que o Clash sabia acabar uma música e não recorria tanto ao fade-out (aquele lance de a música ir abaixando o volume até sumir), mas Sting & cia. faziam o lance do reggae branco melhor.

O Black Sabbath era melhor que o Deep purple e o Led Zeppelin. E as duas fases do Dio no Sabbath eram piores que a fase áurea do Ozzy, apesar do Dio cantar melhor.

Captain Beefheart é muito mais legal que Frank Zappa, por mais discos legais que o Zappa tenha lançado.

A chamada crítica especializada e os fãs (que abandonaram o barco) de new metal não falam mal de Deftones. Sabe-se lá porquê, mas simplesmente os caras têm muita moral. Desconfio que, do lado da crítica, tenha a ver com o fato de a banda curtir umas coisas do naipe de Weezer, Bad Brains e outros conceituados.

Dos três vocalistas do Planet Hemp que lançaram carreira solo, D2 é o mais fraco deles. Isso em termos musicais, não entro no mérito de exposição/marketing. O Black Alien e o BNegão lançaram solos muito mais legais.

Tudo que tem cowbell é sinônimo de coisa ruim e merece ser execrado.

Quem acertar qual a afirmativa falsa ganha uma noite de luxúria com o Cajabis. Mandem as respostas pro e-mail dele, já que eu não faço idéia de qual seja a senha do meu.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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