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Beagá, 21 de fevereiro de 2005 d.C.
 
 
Por John Gracinha
 

Depois de tudo que a Menina Enciclopédia escreveu no blog abacaxeiro sobre Mad Maria, bateu uma vontade louca de assistir o bagulho. A descrição das cenas me remete imediatamente ao cinema de Lucio Fulci, ou algo assim, que é o que liga. Enfim, uma novela que vale a pena acompanhar! Aposto que o programa vai liderar o ranking do mês que vem do povo da campanha contra a baixaria e pela cidadania. Pra alegria do João Kléber e Gugu, que costumam liderar essa lista.

Como eu pude me esquecer de incluir o Black Ox Orkestar na minha lista de melhores discos do ano que ninguém ouviu em 2004? O álbum Ver Tanzst? dos caras é legalzão. Tem gente do Godspeeed you! Black emperor, Silver Mt. Zion e outras bandas no B.O.O., e o som dos caras se propõe a ser um folk judeu (o termo correto é “klezmer”) com uns lances post-rock... Ou assim dizia um release que eu li em algum lugar.

Quem não gostar de GY!BE e bandas afins por achar o cúmulo da pretensão, experimente ouvir o B.O.O. sem esperar algo do Godspeed. Funcionou comigo, que não sou o maior dos admiradores de GY!BE. O bagulho é tipo o volume bastardo do projeto Masada, do John Zorn, com vocais e partes menos trampadas. Cabe ressaltar que um mano que aparentemente reside em Israel detonou o disco e a proposta dele, considerados pelo cara anti-semita. Como eu não entendo um “a” das letras dessa banda, achei fodido e me esqueci de incluir na minha lista. Fica valendo essa errata porca.

Car****, o Cajabis escrevendo parece uma mistura de George Romero com Surfista prateado!!! O texto dele sobre o Big Brother tem crítica social e isolacionismo. Ficou do car****, mas quando eu trombei o mano em pessoa em BH, a impressão que tive do cara é que ele fosse um mero beberrão fanfarrão. Minha opinião sobre o BBB é que quanto mais a vida das pessoas for uma merda, mais elas vão ter interesse em checar o que as outras estão fazendo pra inconscientemente compararem com as próprias existências, mas não vou elaborar muito esse tema porque o CC já fez isso antes (e melhor).

Em tempo, ele me pediu pra escrever algo sobre o rolê poser no Black Jack, o qual eu e o Indiegesto (um broda meu bem antes desse lance de site existir) somos fãs e freqüentadores de carteirinha, e eu não tenho muitas palavras pra explicar o bagulho, na verdade. Primeiro, porque é uma das coisas mais fodas que existe deste lado do hemisfério. Segundo, porque a idéia de falar a respeito do lance me desagrada porque a tendência é encher de arrombados querendo ver qual é a do auê e aí vai acontecer o mesmo que aconteceu com o litoral norte ou a Vila Madalena no começo de 90, que é encher de arrombados fazendo turismo no bagulho e se aconchegando pra arruinar a porra toda. O que eu posso dizer é que, na vez em que nós fomos com o Cajabis ao rolê poser, os olhinhos dele brilharam, e não foi porque as lentes dos óculos do cara refletiam a luz. Desconfio que ele tenha achado a poseragem tão boa ou melhor que o show da PJ Harvey que ele viu no Tim Fest naquela noite. Dava pra ver o estado de êxtase do cara quando uma das bandas dedicou o cover de “Final Countdown” pra ele, que aniversariava naquele dia. É só isso que eu vou dizer. Dia 26 tem rolê poser lá, mas digo isso só pra constar, espero que ninguém dê muita importância a isso e esqueça de ir.

Pra continuar com as notas relacionadas ao tema stoner, existe uma banda chamada Our Survival Depends On Us que quem gostar de Crowbar vai curtir, eu acho. O vocal é escandaloso ao extremo, mas não achei ruim. Mal comparando, é como se o Pavarotti resolvesse cantar sludge.

Houve questionamentos sobre o porquê do meu pseudônimo enquanto colunista a nível de articulista ser esse, e eu explico em parte a origem do nome. Na verdade, o que rola é que o nome original era pra ser Josh Hommo, mas por um instante fiquei meio encanado com o mau impacto que isso poderia causar nas comunidades gay, lésbica e stoner. Como eu não sou homofóbico nem nada do gênero, resolvi optar por John Gracinha. Também não tem a ver com a Hebe, como alguém especulou, mas sim se trata de uma corruptela do nome de um mano da cena stoner.

A propósito de comunidades, ainda falta muito pro Orkut deixar de ser a coqueluche do momento? Já é hora, acho. O que o Big Brother é em termos de fermentação do ego pra quem participa, o Orkut é no sentido de que a pessoa que tem um ranking de mais amigos ou menos amigos se sente mais ou menos importante. Imagino que isso deva causar um impacto psicológico muito doido, do tipo se alguém que você considera mandar você lá pra baixo no ranking da amizade do Orkut (não sei se isso é uma escala de nota de 1 a 5 ou algo assim). Só pra esclarecer, odeio Orkut sem nunca ter usado, do mesmo jeito que fotolog, por achar que as duas coisas são a pior espécie de onanismo egotístico que existe.

Soa até paradoxal que, na medida em que as pessoas se envolvem mais com esse lance de Internet, mais isoladas elas ficam num mundo alheio à realidade e mais amigos elas querem buscar. Acho que foi o Diário de S. Paulo ou o do Grande ABC que fez uma matéria enfocando esse lance de que cada vez mais pessoas entram na Internet na esperança de tentar entubar alguém. O sistema de busca dos sites dos dois jornais são uma bosta e eu desisti de procurar a matéria pra colocar o link aqui. De qualquer jeito, não acredito que a crítica sobre esse povo orkuteiro chegue a algum lugar, porque mesmo quem reconhece que o bagulho é uma merda não vai deixar de usar só porque outra pessoa falou que é ruim. Até porque essa discussão é tão edificante e vai ter tanto efeito prático quanto criticar o filho do Lula por levar os amigos pra passar as férias no Alvorada. Aliás, ele próprio já escreveu no Orkut que está cagando e andando pra essa polêmica (ipsis literis, o que ele disse foi “vocês desabafam e eu me divirto lendo”. Fonte: Carlos Brickmann). Achei massa.

Voltando ao assunto de bandas stoner, tem uma chamada 16 cujo álbum Zoloft Smile, de 2003, tem uma música muito foda dedicada a um dos personagens do filme Picardias Estudantis (no original, Fast times at Ridgemont High - pode haver alguma perda na grafia, a Lucie Multiplex me corrige se eu estiver errado). O som se chama “Damone”, em homenagem ao cambista presepeiro lá que engravida a mina no filme, e a letra da música é inteira baseada em falas do cara ao longo do filme. O mp3 desse som está aqui. Não vou entregar o jogo, mas na parte que antecede o refrão da música, o vocalista canta “Earth, Wind, Fire”. Quantas bandas fazem uma ponte de música citando Earth, Wind & Fire? No começo, o vocal cita também o disco IV, do Led Zeppelin. Quem assistiu o filme vai sacar o porquê.

Só por essas coisas o bagulho já vale uma escutada. O som do 16 é um híbrido entre Helmet do In The Meantime com stoner. Pros fãs de Picardias Estudantis: sim, eu também gostaria de ouvir uma música dedicada ao Jeff Spicoli. Aliás, o Spicoli era stoner antes do termo sequer existir, se for ver. Vai ver, o Sean Penn já espancava a Madonna e o elenco do filme nessa época e resolveram queimar o cara. Por ora, é isso, senão o editor mutila meu texto de novo.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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