Depois de tudo que a Menina Enciclopédia
escreveu no blog abacaxeiro sobre Mad Maria, bateu uma
vontade louca de assistir o bagulho. A descrição das
cenas me remete imediatamente ao cinema de Lucio Fulci, ou algo
assim, que é o que liga. Enfim, uma novela que vale a pena
acompanhar! Aposto que o programa vai liderar o ranking do mês
que vem do povo da campanha contra a baixaria e pela cidadania.
Pra alegria do João Kléber e Gugu, que costumam liderar
essa lista.
Como eu pude me esquecer de incluir o Black
Ox Orkestar na minha lista de melhores
discos do ano que ninguém ouviu em 2004? O álbum
Ver Tanzst? dos caras é legalzão. Tem
gente do Godspeeed you! Black emperor, Silver Mt. Zion e outras
bandas no B.O.O., e o som dos caras se propõe a ser um folk
judeu (o termo correto é “klezmer”) com uns lances
post-rock... Ou assim dizia um release que eu li em algum lugar.
Quem não gostar de GY!BE e bandas afins por
achar o cúmulo da pretensão, experimente ouvir o B.O.O.
sem esperar algo do Godspeed. Funcionou comigo, que não sou
o maior dos admiradores de GY!BE. O bagulho é tipo o volume
bastardo do projeto
Masada, do John Zorn, com vocais e partes menos trampadas. Cabe
ressaltar que um
mano que aparentemente reside em Israel detonou o disco e a proposta
dele, considerados pelo cara anti-semita. Como eu não
entendo um “a” das letras dessa banda, achei fodido
e me esqueci de incluir na minha lista. Fica valendo essa errata
porca.
Car****, o Cajabis escrevendo parece uma mistura
de George Romero com Surfista prateado!!! O texto
dele sobre o Big Brother tem crítica social
e isolacionismo. Ficou do car****, mas quando eu trombei o mano
em pessoa em BH, a impressão que tive do cara é que
ele fosse um mero beberrão fanfarrão. Minha opinião
sobre o BBB é que quanto mais a vida das pessoas
for uma merda, mais elas vão ter interesse em checar o que
as outras estão fazendo pra inconscientemente compararem
com as próprias existências, mas não vou elaborar
muito esse tema porque o CC já fez isso antes (e melhor).
Em tempo, ele me pediu pra escrever algo sobre o
rolê poser no Black
Jack, o qual eu e o Indiegesto (um broda meu bem antes desse
lance de site existir) somos fãs e freqüentadores de
carteirinha, e eu não tenho muitas palavras pra explicar
o bagulho, na verdade. Primeiro, porque é uma das coisas
mais fodas que existe deste lado do hemisfério. Segundo,
porque a idéia de falar a respeito do lance me desagrada
porque a tendência é encher de arrombados querendo
ver qual é a do auê e aí vai acontecer o mesmo
que aconteceu com o litoral norte ou a Vila Madalena no começo
de 90, que é encher de arrombados fazendo turismo no bagulho
e se aconchegando pra arruinar a porra toda. O que eu posso dizer
é que, na vez em que nós fomos com o Cajabis ao rolê
poser, os olhinhos dele brilharam, e não foi porque as lentes
dos óculos do cara refletiam a luz. Desconfio que ele tenha
achado a poseragem tão boa ou melhor que o show da PJ Harvey
que ele viu no Tim Fest naquela noite. Dava pra ver o estado de
êxtase do cara quando uma das bandas dedicou o cover de “Final
Countdown” pra ele, que aniversariava naquele dia. É
só isso que eu vou dizer. Dia 26 tem rolê poser lá,
mas digo isso só pra constar, espero que ninguém dê
muita importância a isso e esqueça de ir.
Pra continuar com as notas relacionadas ao tema
stoner, existe uma banda chamada Our
Survival Depends On Us que quem gostar de Crowbar vai curtir,
eu acho. O vocal é escandaloso ao extremo, mas não
achei ruim. Mal comparando, é como se o Pavarotti resolvesse
cantar sludge.
Houve questionamentos sobre o porquê do meu
pseudônimo enquanto colunista a nível de articulista
ser esse, e eu explico em parte a origem do nome. Na verdade, o
que rola é que o nome original era pra ser Josh Hommo, mas
por um instante fiquei meio encanado com o mau impacto que isso
poderia causar nas comunidades gay, lésbica e stoner. Como
eu não sou homofóbico nem nada do gênero, resolvi
optar por John Gracinha. Também não tem a ver com
a Hebe, como alguém especulou, mas sim se trata de uma corruptela
do nome de um mano da cena stoner.
A propósito de comunidades, ainda falta muito
pro Orkut deixar de ser a coqueluche do momento? Já é
hora, acho. O que o Big Brother é em termos de fermentação
do ego pra quem participa, o Orkut é no sentido de que a
pessoa que tem um ranking de mais amigos ou menos amigos se sente
mais ou menos importante. Imagino que isso deva causar um impacto
psicológico muito doido, do tipo se alguém que você
considera mandar você lá pra baixo no ranking da amizade
do Orkut (não sei se isso é uma escala de nota de
1 a 5 ou algo assim). Só pra esclarecer, odeio Orkut sem
nunca ter usado, do mesmo jeito que fotolog, por achar que as duas
coisas são a pior espécie de onanismo egotístico
que existe.
Soa até paradoxal que, na medida em que as
pessoas se envolvem mais com esse lance de Internet, mais isoladas
elas ficam num mundo alheio à realidade e mais amigos elas
querem buscar. Acho que foi o Diário de S. Paulo
ou o do Grande ABC que fez uma matéria enfocando
esse lance de que cada vez mais pessoas entram na Internet na esperança
de tentar entubar alguém. O sistema de busca dos sites dos
dois jornais são uma bosta e eu desisti de procurar a matéria
pra colocar o link aqui. De qualquer jeito, não acredito
que a crítica sobre esse povo orkuteiro chegue a algum lugar,
porque mesmo quem reconhece que o bagulho é uma merda não
vai deixar de usar só porque outra pessoa falou que é
ruim. Até porque essa discussão é tão
edificante e vai ter tanto efeito prático quanto criticar
o filho do Lula por levar os amigos pra passar as férias
no Alvorada. Aliás, ele próprio já escreveu
no Orkut que está cagando e andando pra essa polêmica
(ipsis literis, o que ele disse foi “vocês desabafam
e eu me divirto lendo”. Fonte:
Carlos Brickmann). Achei massa.
Voltando ao assunto de bandas stoner, tem uma chamada
16 cujo álbum Zoloft Smile, de 2003, tem uma música
muito foda dedicada a um dos personagens do filme Picardias
Estudantis (no original, Fast times at Ridgemont High
- pode haver alguma perda na grafia, a Lucie Multiplex me corrige
se eu estiver errado). O som se chama “Damone”, em homenagem
ao cambista presepeiro lá que engravida a mina no filme,
e a letra da música é inteira baseada em falas do
cara ao longo do filme. O mp3 desse som está aqui.
Não vou entregar o jogo, mas na parte que antecede o refrão
da música, o vocalista canta “Earth, Wind, Fire”.
Quantas bandas fazem uma ponte de música citando Earth, Wind
& Fire? No começo, o vocal cita também o disco
IV, do Led Zeppelin. Quem assistiu o filme vai sacar o
porquê.
Só por essas coisas o bagulho já vale
uma escutada. O som do 16 é um híbrido entre Helmet
do In The Meantime com stoner. Pros fãs de Picardias
Estudantis: sim, eu também gostaria de ouvir uma música
dedicada ao Jeff Spicoli. Aliás, o Spicoli era stoner antes
do termo sequer existir, se for ver. Vai ver, o Sean Penn já
espancava a Madonna e o elenco do filme nessa época e resolveram
queimar o cara. Por ora, é isso, senão o editor mutila
meu texto de novo.
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