Paranóia Oeste
Música Para Crianças
O
Indiegesto já deve ter bombado eles bastante aqui, mas eu
reforço: todo o hype será pouco. Se fosse pra tentar
explicar, seria um Fantômas de antes do Mike Patton resolver
que o que liga agora são sons ambientes com uns toques de
Sepultura do Roots e algo de Melvins e Nomeansno... É
complicado descrever essa banda e fácil de achar ela foda.
Quem puder trocar a namorada pra ir num show dos caras, faça
isso. Sem pestanejar.
Sunn 0)))
White 2
Essa
é uma daquelas bandas que você pode mencionar numa
roda de amigos inteirados em música pra fazer cara de conteúdo
e todo mundo vai achar que você é um cara que manja
pra caralho de som. Isto é, a menos que alguém na
mesa já tenha escutado a banda. Aí, vai rolar um debate
fodido sobre como o som dos caras não é nada, nem
mesmo música, e as coisas podem esquentar. Na verdade, o
conceito do Sunn é simples: os caras gravam um monte de feedback
de guitarra e baixo e tocam uns riffs de vez em quando pra dar a
impressão de que algo está acontecendo. É isso.
Parece insosso, mas experimente ouvir essa bagaça com fones
de ouvido, ou num aparelho de som realmente bom. É meio meditativo-isolacionista,
ou talvez seja a resposta praqueles que curtem o som puro dos instrumentos...
Ou alguma outra viagem de ácido ruim dessas. O Sunn é
uma banda tributo ao Earth,
na verdade uma banda que eu particularmente acho um saco por ser
muito primária. Aliás, Earth também é
uma boa citar numa roda, porque tem uns detalhes bacanas: você
sabia que o guitarrista do Earth, Dylan Carlson, foi quem vendeu
a arma que estourou os miolos do Kurt Cobain? E que o Kurt Cobain
cantou num compacto do Earth que é a única coisa que
presta deles chamada Extra-Capsular
Extraction? Pois então.
Corrupted
Se Hace por los Suenos Asesinos
Doom!!!!!!
O Corrupted é uma versão mais lenta do Melvins sem
o mesmo senso de humor. Nesse cd deles, a primeira música
é uma balada de 17 minutos que tem uns cinco riffs e é
cantada em japonês (!). Odeio desperdiçar o adjetivo
desse jeito, mas é realmente muito bonito. É como
se fosse na seqüência final da versão do Akira
Kurosawa pro Shakespeare (Ran), em que o bobo lá
aparece lamentando o azar do rei, que tomou no c* pois a família
inteira botou no rabo do cara. Se essa parte tivesse uma trilha
sonora (confesso que não me lembro se tem), ela deveria soar
como essa música do Corrupted. Depois desse começo
melancólico, há outras duas músicas, que são
a meio-tempo e quase rápido (pros padrões dessa banda,
bem entendido). A banda é do Japão (terra de pessoas
com distúrbios por excelência) e as letras das músicas
são em espanhol. Sabe-se lá porquê, já
que os putos não dão entrevista. Esse disco é
uma das coisas mais agonizantes que tem pra se ouvir, altamente
recomendado pra quem curte o lento do lento.
Lair of the Minotaur
Carnage
Celtic
Frost com Slayer! Esse cd não traz nada de original, mas
pelo jeito com que os caras fizeram, ficou foda. É um thrash
como o das antigas, mas com uma produção limpa e sem
parecer que a bateria foi gravada dentro de um banheiro. E o vocal,
que lembra parte Tom Araya e parte Tom Warrior, se for realmente
um vocalista e não uma armação encharcada de
efeitos, é convincente. As músicas são um arregaço
do car****, e isso é uma definição e tanto.
Em suma, é um negócio que você já ouviu,
mas é tão bem-estruturado que não soa datado.
O LotM é um projeto de gente de bandas como Pelican e 7000
Dying Rats, e acabou tendo o mesmo efeito de soar melhor que as
bandas oficiais dos caras que o Down do Phil Anselmo tem de soar
melhor que o Pantera (ou o Superjoint Ritual ou o que quer que ele
esteja envolvido hoje em dia pra tentar faturar em cima).
The Hidden Hand
Mother Teacher Destroyer
Tem
o vocal do St. Vitus nessa banda (Wino). O cara não é
meu favorito, mas é o de muita gente. O THH é essencialmente
doom das antigas, mas não é só isso que rola
aqui. Tem uns lances psicodélicos no meio, mas sem descambar
pras firulas de um Yes ou algo do gênero. Não tem muito
que dizer desse disco, que não parece ter sido lançado
em 2004. Ele soa como se tivesse sido feito lá atrás...
O clima é das antigas, e o legal dele é justamente
isso.
Goatsnake
Trampled Under Hoof
Se
o Hidden Hand é um doom das antigas, o Goatsnake é
o stoner de agora. Bem entendido, o stoner de agora se o Josh Homme
desencanasse de tentar fazer uns lances mais acessíveis com
o Queens of the Stone Age e a franquia Desert Sessions
e voltasse a fazer um lance stoner mais honesto. As músicas
deste EP do Goatsnake (três sons próprios e dois covers,
do Saint Vitus e Black Oak Arkansas) têm a mesma velocidade
de “Thumb”, do Kyuss, só que sem aquela produção
suja. A velocidade e a morbidez de alguns riffs é culpa do
(sempre eles) Sabbath. Aposto que o Tony Iommi ligaria pros caras
puto e pediria os riffs de volta se alguém mostrasse isso
pra ele. Se o mundo fosse justo, o guitarrista do Goatsnake (que
também toca no Sunn) tomaria o lugar do Josh Homme. Como
não é, a tendência é o Goatsnake passar
batido.
Sofa King Killer
Midnight Magic
O
melhor cd de stoner do ano!!!! Eu insisto nesse lance de stoner,
mas é porque tem saído uns bagulhos realmente foda
do estilo. Esse mesmo é um dos melhores discos que eu escutei
em anos. É stoner, não tem vocal afetado, as guitarras
têm um punch absurdo, os riffs são inspirados por Sabbath
e Mississipi e as letras são bem sacadas, como a de “No
Other Path to Pursue” (“If only God had made a fourty-eight
hour day, I’d probably sit around and do nothing anyway/But
if I had you I’d be just fine”). Essa banda não
só não pode ser ignorada como merecia ganhar o coração
dos indies que se metem a ser stoners e curtem bandas como And You
Will Know us By the Trail of the Dead e Nebula. Não que esses
dois grupos sejam ruins ou algo do tipo, mas praticamente inexiste
competição com o SKK. E vou mandar o Luciorribeirismo
sem nenhum pudor pra cravar que foi o disco do ano de 2004 no departamento
stoner. E mantenho.
Cardigans
“A Good Horse”
Eu
realmente gosto de Cardigans e achei o último cd dos caras,
Long Gone Before Daylight, um saco, mas este som é
muito supimpa. Soa como se o AC/DC tocasse algo da Shania Twain...
Pode parecer insosso, mas funciona. Se este cd fosse um single ou
EP e tivesse essa música e versões acústicas,
ao vivo ou remixes de “Erase/Rewind” e “My Favorite
Game”, ia ser um dos únicos casos em que o clichêzão
“menos é mais” não ia parecer jogado.
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