O site que está com o pé
na cova resolveu me dar espaço!!! Como presente de grego
e oportunidade de escrever de graça a gente não recusa,
vamos ver se consigo produzir algo de relevante.
Pra começo de conversa, vamos estabelecer
uma coisa: 2004 foi o ano do quê? Não foi o ano do
rock retrô, uma vez que a maioria das bandas hypadas que já
haviam bombado em 2003 não fizeram tanto estardalhaço
no ano passado (até porque é raro um segundo disco
de uma banda provocar o mesmo rebuliço). Talvez a resposta
pra essa pergunta esteja na grana gasta pelas majors na publicidade
das revistonas metidas a gringas (com a Zero
definhando, existe alguma outra além da Dynamite
que dá ibope pra essas bandas indies?). O grau de interesse
e destaque de uma revista sobre determinada banda está diretamente
ligado ao valor acertado com o departamento comercial pela gravadora.
Mas por que eu estou elaborando tanto sobre esse
assunto se eu sequer conheço ou escutei a vasta maioria das
bandas indies? Só esse ano eu fui escutar o tal The Hives
- achei chochão, por sinal. Eita banda sem pegada da porra!
Acho que o último hype que eu curti foi o Guitar Wolf...e
ainda assim, escutei os caras bem tarde e achei mongo o lance de
a gravação ser porca de propósito pra soar
lo-fi e ganhar pontos de cena com os reais roqueiros cervejeiros.
Um lance que seria fodido se bombasse por aqui é
o stoner. Apesar do esforço e do destaque que alguns sites
como o Planeta Stoner dão, não notei muito auê
em cima do estilo por aqui ainda. Talvez eu não esteja prestando
atenção. Em tempo: ouvi uns trechos sortidos do tributo
argentino ao Kyuss, Listen Without Distraction e ele parece
ser um tributo típico (leia-se: uma merda). Pra que é
que existem tributos, afinal?
Mas voltando ao lance do stoner ser popular, era
a cara. Aí, o Kid Vinil poderia assediar a Trama pra os caras
lançarem toda a discografia de um Boris
ou um Pentagram,
por exemplo. Quem sabe até - sim, eu vou exagerar agora -
rolasse de lançar os catálogos do Melvins
ou do Kyuss.
Quem sabe até os caras poderiam lançar tudo isso de
uma vez e não avisar ninguém, pra encalhar tudo nas
prateleiras de seis reais da Neto
Discos! Seria bom demais, seria como um sonho. E, como um sonho,
não vai se concretizar.
O fenômeno stoner pode ser entendido da seguinte
maneira: são roqueiros cervejeiros maconheiros que ouviram
Black Sabbath demais e resolveram fazer um som inspirado nessas
coisas, Sabbath, álcool/maconha ou o tóxico da sua
preferência e, principalmente, groove. Quem imaginaria que
dois caras que mais parecem irmãos do Olívio Dutra
como o Tony Iommi e o Geezer Butler teriam tanto suingue? O batera
e o vocal sempre foram meia boca (na minha humilde percepção),
mas o Sabbath sempre importou mais pelo instrumental mesmo. O Tony
Iommi pode ter desaprendido a fazer música lá pelo
começo da década de 80, mas quase tudo que ele fez
antes disso, que não é pouco, é fodão.
O problema do Sabbath é o mesmo mal que assolou a maioria
das bandas de 70, que foi parar de usar drogas desenfreadamente
e resolver fazer coisas mais maduras. Aí fodeu tudo.
Aproveitando o gancho do Sabbath: custei a acreditar,
mas existe uma banda que soa como o Trouble com o vocal do Ozzy.
Trouble com o vocal idêntico ao do Ozzy. Eu não
só juro como provo que essa banda existe: chama-se Hellfueled,
tem cd lançado no Brasil pela Hellion
(um selo eminentemente de bandas de metal verdadeiro) que o site
da Americanas vende. Em tempo, eu paguei cerca de 7 paus nesse cd
numa das promoções
do site. Quem estiver coçando muito, pague os 22 paus
mais o frete lá, mas talvez seja prudente esperar. O lance
é legal, mas é meio farofão (como o Trouble
era). O vocal imita os mesmos trejeitos do Ozzy, por sinal (“aww-right”,
“Oh yeah”), é mais descarado que tudo. Quem não
ligar muito pra originalidade, talvez curta. Quem quiser se aventurar,
tem uma faixa pra download aqui.
Tem uma outra banda que copia os vocais do Ozzy
chamada Witchfinder
General, mas os dois cd’s deles só existem lá
fora por enquanto - o que significa que, a menos que você
seja o El Jako, vai preferir gastar seu dinheiro suado com outras
coisas menos exorbitantes. Adianto que o segundo cd dos caras, Death
Penalty, é um pé nas bolas, porque eles tentaram
copiar o Sabbath acoplando os lances de NWOBHM (New Wave of British
Heavy Metal) da época e ficou uma desgraça. Já
o primeiro, Friends of Hell, é bacaninha.
As letras do WG são feias pra caralho, por
sinal, como a de “Music” (“When I was a young
boy/Rock became my life/Sixteen I married it/Then it was my wife”,
e o resto pode ser conferido aqui),
mas quem liga pra letras são dois tipos de pessoas: os fãs
do Renato Russo e os do Marcelo Camelo. Um real stoner se preocuparia
mais em saber se a cerveja no congelador já está boa.
Em tempo, o Cathedral,
no álbum Carnival bizarre, tem uma música com o nome
de “Witchfinder General”. Imagino que seja homenagem,
já que alguns discos do Cathedral dessa época têm
pouco de doom e muito de stoner rock...mas agora eles voltaram a
fazer doom, pelo que eu ouvi do último disco.
E na próxima semana, volto com a lista dos
melhores discos do ano passado que ninguém ouviu. |