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Beagá, 19 de julho de 2004 d.C.
 
Por Indiegesto
 

Estive na gravação do acústico do D2 e posso garantir: assistir à gravação é infinitamente mais chato do que ver pela TV. Fui no segundo dia, ou seja, não foi o dia em que o D2 estava na manguaça e cantou tudo errado. Apesar da produção estar bastante tranqüila, havia um temor no ar de que ele voltasse a encher a cara, e o goró no backstage estava sendo controlado. D2 matou quase tudo de primeira, só errou a última música, que teve que repetir (ainda fez piada com o fato de no dia anterior estar bem louco e ter errado quase tudo). Um dos caras do Black Eyed Peas (uma figura, por sinal) participou em uma música e o B Negão cantou Contexto, do Planet Hemp (um dos pontos altos do acústico). D2 usou tudo o que tinha direito: naipe de metais, piano, percussão, backing vocals femininos, cordas e um cara que fazia beat box.

O que funcionou: o cara do beat box, que simplesmente rouba a cena, e o naipe de metais que deu um peso na coisa toda. O que não funcionou: o quarteto de cordas usado em “Eu tive um sonho” que ficou brega pra cacete.

Teve hora que o show virou uma roda de samba, e o filho do D2 se lança na frente do Troféu Abacaxi 2005 como pior participação em disco. O engraçado é que ele parece se sentir constrangido na hora de cantar, o que pelo menos indica que ele tem autocrítica (menos mal). Em tempo: o arranjo reggae da música que ele canta ficou legal pra caramba.

Se o show tivesse mais músicas do primeiro disco solo do D2, seria mais legal, mas não foi dos piores acústicos. Gustavo Black Alien fez uma falta danada.

Minha sincera opinião sobre a briga Chorão e Marcelo Camelo é: HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ!!!

Meio mundo reclama que o pop/rock/mpb nacional é essa bolha amorfa em que todo mundo é amigo de todo mundo, que o corporativismo come solto bem como a política do tapinha nas costas etc. Daí, quando o pau come entre dois artistas, o pessoal fica “chocado”, “revoltado” e pipocam textos e mais textos contra a “barbárie”, a “ignorância”, a “falta de diálogo” e por aí vai. Quando o tempo fechou entre um grupo de pagode e o LS Jack, o que se viu foi uma tonelada de ironias, mas o que aconteceu? Peraí, a vítima foi Marcelo Camelo e o agressor, Chorão. O símbolo da suposta tosquice desceu o cacete no símbolo da suposta intelectualidade jovem que agrada do indie weezerzeiro à Maria Rita. Parem o mundo! Aposto que, se o Chorão tivesse levado a pior nessa treta, não haveria um décimo da comoção que esse episódio causou.

Que role o conflito e o pau coma. Se isso fizer com que a música dê uma chacoalhada e deixe de ser inofensiva, ótimo, caso o contrário (o que é bem provável), eu tenho motivo para dar risada.

Falando em dar risada com a desgraça dos outros, é ou não é cômico ver o Glen Danzing tomar um couro?

O cruel é que, depois dessa, um monte de gente esperta que não suporta Los Hermanos acaba simpatizando com o Chorão.

Aliás, o Chorão desenterrar um jingle do “Ana Jullia” para uma propaganda de celular no maior esquema “o porco falando do toucinho” foi classe A.

No final das contas, ficou bonito para as duas bandas, já que os fãs de Los Hermanos (e 110% da imprensa) passaram a venerar mais a banda, e os fãs do Charlie Brown acharam super rebelde a atitude do seu líder. O pessoal do departamento de marketing das gravadoras das duas bandas deve estar contente.

Mas realmente gostaria de saber o que foi que o Camelo falou para o Chorão. Questionou o fato dele fazer propaganda da Coca-Cola ou quis tirar onda de que o Chorão não sabe fazer poesia e ele sabe?

Essa briga besta acabou ofuscando a coisa mais bisonha do mês. O vocalista do LS Jack em coma após uma lipoaspiração. Na boa, se esse cara morrer, terá uma morte mais imbecil que o cara do Catedral.

Para quem não sabe, o guitarrista do Catedral foi atingido por um pneu que havia se desprendido de um carro que vinha na direção contrária ao seu. Sinal de que nem Deus devia gostar da banda.

Deixa eu ver se eu entendi direito. Primeiro os Doors montam uma banda com o vocalista do The Cult. Depois o Rage Against the Machine monta uma banda com o vocalista do Soundgarden e o Guns n’ Roses chama o cara do Stone Temple Pilots. Agora me vem o Jerry Cantrel e diz que tem feito jams com os integrantes remanescentes do Alice in Chains e de que há a possibilidade deles procurarem um vocalista para montar uma banda. Por favor, alguém tome uma providência.

Assisti pela primeira vez ao show do Ludovic. É intenso pra caramba e, apesar de ter rolado muito problema técnico, foi bom. Nos melhores momentos eles soam como uma mistura de Joy Division com Ramones, e nos piores soam como o Titãs em Cabeça Dinossauro. Só não entendi porquê o vocalista deu chilique ao ouvir um comentário que a banda era melhor quando tinha dois guitarristas. Eles tocam esse domingo no Black Jack. Veremos.

Assisti à metade final do set do Moldest, banda que o Sukrilius rasgou elogios tempos atrás. O show foi bem legal, considerando que peguei a banda num mau momento, tendo problemas no som. Guitar band muito boa, tinha um montão dessas aqui por São Paulo há uns cinco anos, não sei onde foram parar.

Demo bem legal a da banda Elma, daqui de SP. Vi o show e é bem bom. O esquisito é que não tem vocal.

Eu adoro a segurança de grandes eventos. Semanas atrás rolou o Fórum Cultural Mundial, cuja solenidade de abertura aconteceu no Teatro Municipal e teve a presença da Dona Marta, do nosso presidente humorista e do governador que “cuida de gente” mantendo altas taxas de criminalidade. Pois bem, havia um cordão de isolamento para que o povão não fosse incomodar as “otoridade” ali presentes. Bastou descolar um terno e ir de táxi até a frente do teatro para que eu fosse saudado pela patuléia com gritos de “ladrão”, no melhor estilo Maluf. Eu logo aproveitei o momento para mandar beijos para a massa, antes de cair para dentro. Bastou uma história e uma reclamação com a desorganização para que eu entrasse e presenciasse um monte de discurso chato prometendo coisas que não vão dar em nada.

Achei engraçado nosso shownistro da cultura, que chamou a Dona Marta de “prefeita do estado de São Paulo”, além do stand up comedy do Lula, que tem carreira promissora de animador de auditório após sair da granja do torto. Pelo menos teve coquetel.

Aquela música do “afoxé” do Paulo Ricardo é piada, né? Parece que ele acordou pela manhã e mandou a mulher comprar dois quilos de modernidade na padaria.

Dia 11 de setembro o Linkin Park toca em São Paulo. E aí, você acha que todas as músicas do Linkin Park são iguais?

Você acha que a Coca-Cola tem folha de coca? Acha que a empresa está acima da lei?

 
Indiegesto é correspondente do ABACAXI ATÔMICO na terra da Dona Marta. E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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