Estive na gravação do
acústico do D2 e posso garantir: assistir à gravação
é infinitamente mais chato do que ver pela TV. Fui no segundo
dia, ou seja, não foi o dia em que o D2 estava na manguaça
e cantou tudo errado. Apesar da produção estar bastante
tranqüila, havia um temor no ar de que ele voltasse a encher
a cara, e o goró no backstage estava sendo controlado. D2
matou quase tudo de primeira, só errou a última música,
que teve que repetir (ainda fez piada com o fato de no dia anterior
estar bem louco e ter errado quase tudo). Um dos caras do Black
Eyed Peas (uma figura, por sinal) participou em uma música
e o B Negão cantou Contexto, do Planet Hemp (um dos pontos
altos do acústico). D2 usou tudo o que tinha direito: naipe
de metais, piano, percussão, backing vocals femininos, cordas
e um cara que fazia beat box.
O que funcionou: o cara do beat box, que simplesmente
rouba a cena, e o naipe de metais que deu um peso na coisa toda.
O que não funcionou: o quarteto de cordas usado em “Eu
tive um sonho” que ficou brega pra cacete.
Teve hora que o show virou uma roda de samba, e
o filho do D2 se lança na frente do Troféu Abacaxi
2005 como pior participação em disco. O engraçado
é que ele parece se sentir constrangido na hora de cantar,
o que pelo menos indica que ele tem autocrítica (menos mal).
Em tempo: o arranjo reggae da música que ele canta ficou
legal pra caramba.
Se o show tivesse mais músicas do primeiro
disco solo do D2, seria mais legal, mas não foi dos piores
acústicos. Gustavo Black Alien fez uma falta danada.
Minha sincera opinião sobre a briga Chorão
e Marcelo Camelo é: HÁ HÁ HÁ HÁ
HÁ HÁ HÁ!!!
Meio mundo reclama que o pop/rock/mpb nacional é
essa bolha amorfa em que todo mundo é amigo de todo mundo,
que o corporativismo come solto bem como a política do tapinha
nas costas etc. Daí, quando o pau come entre dois artistas,
o pessoal fica “chocado”, “revoltado” e
pipocam textos e mais textos contra a “barbárie”,
a “ignorância”, a “falta de diálogo”
e por aí vai. Quando o tempo fechou entre um grupo de pagode
e o LS Jack, o que se viu foi uma tonelada de ironias, mas o que
aconteceu? Peraí, a vítima foi Marcelo Camelo e o
agressor, Chorão. O símbolo da suposta tosquice desceu
o cacete no símbolo da suposta intelectualidade jovem que
agrada do indie weezerzeiro à Maria Rita. Parem o mundo!
Aposto que, se o Chorão tivesse levado a pior nessa treta,
não haveria um décimo da comoção que
esse episódio causou.
Que role o conflito e o pau coma. Se isso fizer
com que a música dê uma chacoalhada e deixe de ser
inofensiva, ótimo, caso o contrário (o que é
bem provável), eu tenho motivo para dar risada.
Falando
em dar risada com a desgraça dos outros, é ou não
é cômico ver
o Glen Danzing tomar um couro?
O cruel é que, depois dessa, um monte de
gente esperta que não suporta Los Hermanos acaba simpatizando
com o Chorão.
Aliás, o Chorão desenterrar um jingle
do “Ana Jullia” para uma propaganda de celular no maior
esquema “o porco falando do toucinho” foi classe A.
No final das contas, ficou bonito para as duas bandas,
já que os fãs de Los Hermanos (e 110% da imprensa)
passaram a venerar mais a banda, e os fãs do Charlie Brown
acharam super rebelde a atitude do seu líder. O pessoal do
departamento de marketing das gravadoras das duas bandas deve estar
contente.
Mas realmente gostaria de saber o que foi que o
Camelo falou para o Chorão. Questionou o fato dele fazer
propaganda da Coca-Cola ou quis tirar onda de que o Chorão
não sabe fazer poesia e ele sabe?
Essa briga besta acabou ofuscando a coisa mais bisonha
do mês. O vocalista do LS Jack em coma após uma lipoaspiração.
Na boa, se esse cara morrer, terá uma morte mais imbecil
que o cara do Catedral.
Para quem não sabe, o guitarrista do Catedral
foi atingido por um pneu que havia se desprendido de um carro que
vinha na direção contrária ao seu. Sinal de
que nem Deus devia gostar da banda.
Deixa eu ver se eu entendi direito. Primeiro os
Doors montam uma banda com o vocalista do The Cult. Depois o Rage
Against the Machine monta uma banda com o vocalista do Soundgarden
e o Guns n’ Roses chama o cara do Stone Temple Pilots. Agora
me vem o Jerry Cantrel e diz que tem feito jams com os integrantes
remanescentes do Alice in Chains e de que há a possibilidade
deles procurarem um vocalista para montar uma banda. Por favor,
alguém tome uma providência.
Assisti
pela primeira vez ao show do Ludovic.
É intenso pra caramba e, apesar de ter rolado muito problema
técnico, foi bom. Nos melhores momentos eles soam como uma
mistura de Joy Division com Ramones, e nos piores soam como o Titãs
em Cabeça Dinossauro. Só não entendi porquê
o vocalista deu chilique ao ouvir um comentário que a banda
era melhor quando tinha dois guitarristas. Eles tocam esse domingo
no Black
Jack. Veremos.
Assisti à metade final do set do Moldest,
banda que o Sukrilius rasgou elogios tempos atrás. O show
foi bem legal, considerando que peguei a banda num mau momento,
tendo problemas no som. Guitar band muito boa, tinha um montão
dessas aqui por São Paulo há uns cinco anos, não
sei onde foram parar.
Demo
bem legal a da banda Elma,
daqui de SP. Vi o show e é bem bom. O esquisito é
que não tem vocal.
Eu adoro a segurança de grandes eventos.
Semanas atrás rolou o Fórum Cultural Mundial, cuja
solenidade de abertura aconteceu no Teatro Municipal e teve a presença
da Dona Marta, do nosso presidente humorista e do governador que
“cuida de gente” mantendo altas taxas de criminalidade.
Pois bem, havia um cordão de isolamento para que o povão
não fosse incomodar as “otoridade” ali presentes.
Bastou descolar um terno e ir de táxi até a frente
do teatro para que eu fosse saudado pela patuléia com gritos
de “ladrão”, no melhor estilo Maluf. Eu logo
aproveitei o momento para mandar beijos para a massa, antes de cair
para dentro. Bastou uma história e uma reclamação
com a desorganização para que eu entrasse e presenciasse
um monte de discurso chato prometendo coisas que não vão
dar em nada.
Achei engraçado nosso shownistro da cultura,
que chamou a Dona Marta de “prefeita do estado de São
Paulo”, além do stand up comedy do Lula, que tem carreira
promissora de animador de auditório após sair da granja
do torto. Pelo menos teve coquetel.
Aquela música do “afoxé”
do Paulo Ricardo é piada, né? Parece que ele acordou
pela manhã e mandou a mulher comprar dois quilos de modernidade
na padaria.
Dia
11 de setembro o Linkin Park toca em São Paulo. E aí,
você
acha que todas as músicas do Linkin Park são iguais?
Você
acha que a Coca-Cola tem folha de coca? Acha que a empresa está
acima da lei?
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