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Beagá, 03 de maio de 2004 d.C.
 
Por Indiegesto
 

Lembra daquele filme do Stallone (O Demolidor, se não me engano) que se passa no futuro e que todos são politicamente corretos, meio abobalhados e escutam jingles de comerciais dos anos 90 ao invés de música? Pois é, esse filme parece ser profético, já que é mais ou menos isso que se vê pela noite aqui por São Paulo. Virou moda tocar jingles de comercial dos anos 80, Balão Mágico, Xuxa e afins, e a pista ir ao delírio.

Muito se discutiu sobre a erotização precoce das crianças bem como o “amadurecimento” precoce das mesmas, alimentado por Xuxas, Angélicas, É o Tchan’s da vida. Mas o que aparenta é que essa geração parou lá nos seus 11 anos de idade. Presenciando esse fenômeno in loco, é surreal ver a infantilização dessa galera.

Se eu fosse me meter a um Arnaldo Jaborismo barato, apelaria para aquele papo de que essa turma busca uma coisa lúdica perdida em tempos tão brutos como os de hoje. Mas prefiro achar que esse pessoal é um bando de idiotas mesmo.

Sobre esse filme ser profético, havia uma piada sobre o Arnold Shwarzenegger ter sido eleito presidente dos EUA. Ele já é governador.

Showzão foi o festival Synthetic Solution, que aconteceu aqui em São Paulo no último dia 17 de abril. O festival abre portas para grupos que misturam música eletrônica com rock, pendendo para o lado mais pesado. Um pequeno resumo do que rolou:
Dollflesh: Banda paulistana que já fez tour pelos EUA. Não gostei por lembrar demais Marylin Manson. Os caras são profissionais pra caramba, mas não engoli.
Karkinoz: Grupo mineiro e mais extremo da noite, dividiu opiniões, mas eu não vi/ouvi por estar me embebedando.
Skulk Partition Root: Duas palavras, PUTA SHOW. A banda transformou o lugar num misto de rave com ringue de vale-tudo. A música dos caras e a energia da banda no palco é simplesmente contagiante, é vergonhoso que a “grande mídia indie” ainda não tenha prestado atenção neles. O Skulk ainda conseguiu o milagre de tocar Information Society e ficar bom. Inacreditável.
The Worman: Banda em franca ascensão aqui nesses lados, teve a responsa de tocar depois do Skulk Partition Root e pegou o palco “ensaboado”. A banda apresentou várias músicas novas, e opta por uma sonoridade, digamos, mais densa. Destaque para a vocalista, que berra desgraçadamente bem e deixa muito marmanjo “mauzão” no chinelo.
UDR: Meus heróis mineiros fizeram um tributo ao Tim Maia e não deram as caras. Coisa feia...

Destaque também para a qualidade do som, projeções no fundo do palco e a mulherada bonita. Destaque negativo para quem fingiu que o evento não existia na hora de divulgar, parece que querem que o pessoal acredite que banda e evento independente só existe se tem força da Brasil 2000. Coisa feia...

Para finalizar esse assunto, o Synthetic Solution tem um site para divulgar bandas e artistas brasileiros e sul americanos que façam música eletrônica extrema. Se você se interessa pelo tema ou tem uma banda no estilo, vale dar uma conferida: www.syntheticsolution.com.br.

Não tenho nada contra o Seu Jorge, acreditem. Acho sua história fascinante, apesar de não gostar da música que ele faz (o Farofa Carioca era terrível). Mas que o disco com versões em português de David Bowie tem tudo para ser o campeão do Troféu ABACAXI ATÔMICO 2005, isso tem.

Fizeram um tributo virtual brasileiro ao Faith No More. Idéia pra lá de interessante, e tem até artista independente do nível da Pitty! Ainda não ouvi, você pode baixar o tributo aqui. Quando eu escutar, digo o que achei.

Passei pela Av. Paulista durante as “comemorações” do dia do trabalho, e não é que era justo na hora do Jota Quest? Foi surreal ver aquela horda de desempregados cantando alegremente “está faltando emprego no Planeta dos Macacos”. Mais surreal ainda foi um cara da CUT elogiar a “sensibilidade social” de Rogério Flausino. Esse mundo tá perdido mesmo.

Aliás, o que se falou do Senna essa semana não tá escrito. Vou falar também. Quando ele morreu, eu estava dormindo e não dei a mínima.

Respondam. Se numa hipótese remota o White Stripes deixasse de existir assim, do dia para a noite, sobre o que o Jornal da MTV iria falar?

Vai chorar que não vai para Curitiba ver o show do Pixies? Gaste menos e confira o Napalm Death aqui em SP mesmo. Além dos caras serem praticamente os pais do Death/Grind, continuam fazendo discos relevantes. Mande o indie/pop/rock às favas. O show será dia 08, na lendária Ledslay (Av. Celso Garcia, 5765, próximo a Estação Tatuapé). Maiores informações, acesse: www.tumbarecords.com.br e www.mutilationrecords.com.br.

 
Indiegesto é correspondente do ABACAXI ATÔMICO na terra da Dona Marta. E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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