Lembra
daquele filme do Stallone (O Demolidor, se não me
engano) que se passa no futuro e que todos são politicamente
corretos, meio abobalhados e escutam jingles de comerciais dos anos
90 ao invés de música? Pois é, esse filme parece
ser profético, já que é mais ou menos isso
que se vê pela noite aqui por São Paulo. Virou moda
tocar jingles de comercial dos anos 80, Balão Mágico,
Xuxa e afins, e a pista ir ao delírio.
Muito
se discutiu sobre a erotização precoce das crianças
bem como o “amadurecimento” precoce das mesmas, alimentado
por Xuxas, Angélicas, É o Tchan’s da vida. Mas
o que aparenta é que essa geração parou lá
nos seus 11 anos de idade. Presenciando esse fenômeno in
loco, é surreal ver a infantilização dessa
galera.
Se eu fosse me meter a um Arnaldo Jaborismo barato,
apelaria para aquele papo de que essa turma busca uma coisa lúdica
perdida em tempos tão brutos como os de hoje. Mas prefiro
achar que esse pessoal é um bando de idiotas mesmo.
Sobre esse filme ser profético, havia uma
piada sobre o Arnold Shwarzenegger ter sido eleito presidente dos
EUA. Ele já é governador.
Showzão
foi o festival Synthetic Solution, que aconteceu
aqui em São Paulo no último dia 17 de abril. O festival
abre portas para grupos que misturam música eletrônica
com rock, pendendo para o lado mais pesado. Um pequeno resumo do
que rolou:
Dollflesh: Banda paulistana que já fez tour
pelos EUA. Não gostei por lembrar demais Marylin Manson.
Os caras são profissionais pra caramba, mas não engoli.
Karkinoz: Grupo mineiro e mais extremo da noite,
dividiu opiniões, mas eu não vi/ouvi por estar me
embebedando.
Skulk Partition Root: Duas palavras, PUTA SHOW.
A banda transformou o lugar num misto de rave com ringue de vale-tudo.
A música dos caras e a energia da banda no palco é
simplesmente contagiante, é vergonhoso que a “grande
mídia indie” ainda não tenha prestado atenção
neles. O Skulk ainda conseguiu o milagre de tocar Information Society
e ficar bom. Inacreditável.
The Worman: Banda em franca ascensão aqui
nesses lados, teve a responsa de tocar depois do Skulk Partition
Root e pegou o palco “ensaboado”. A banda apresentou
várias músicas novas, e opta por uma sonoridade, digamos,
mais densa. Destaque para a vocalista, que berra desgraçadamente
bem e deixa muito marmanjo “mauzão” no chinelo.
UDR: Meus heróis mineiros fizeram um tributo
ao Tim Maia e não deram as caras. Coisa feia...
Destaque também para a qualidade do som,
projeções no fundo do palco e a mulherada bonita.
Destaque negativo para quem fingiu que o evento não existia
na hora de divulgar, parece que querem que o pessoal acredite que
banda e evento independente só existe se tem força
da Brasil 2000. Coisa feia...
Para
finalizar esse assunto, o Synthetic Solution tem um site para divulgar
bandas e artistas brasileiros e sul americanos que façam
música eletrônica extrema. Se você se interessa
pelo tema ou tem uma banda no estilo, vale dar uma conferida: www.syntheticsolution.com.br.
Não tenho nada contra o Seu Jorge, acreditem.
Acho sua história fascinante, apesar de não gostar
da música que ele faz (o Farofa Carioca era terrível).
Mas que o disco com versões em português de David Bowie
tem tudo para ser o campeão do Troféu ABACAXI ATÔMICO
2005, isso tem.
Fizeram
um tributo virtual brasileiro ao Faith No More. Idéia pra
lá de interessante, e tem até artista independente
do nível da Pitty! Ainda não ouvi, você pode
baixar o tributo aqui.
Quando eu escutar, digo o que achei.
Passei pela Av. Paulista durante as “comemorações”
do dia do trabalho, e não é que era justo na hora
do Jota Quest? Foi surreal ver aquela horda de desempregados cantando
alegremente “está faltando emprego no Planeta dos Macacos”.
Mais surreal ainda foi um cara da CUT elogiar a “sensibilidade
social” de Rogério Flausino. Esse mundo tá perdido
mesmo.
Aliás, o que se falou do Senna essa semana
não tá escrito. Vou falar também. Quando ele
morreu, eu estava dormindo e não dei a mínima.
Respondam. Se numa hipótese remota o White
Stripes deixasse de existir assim, do dia para a noite, sobre o
que o Jornal da MTV iria falar?
Vai
chorar que não vai para Curitiba ver o show do Pixies? Gaste
menos e confira o Napalm Death aqui em SP mesmo. Além dos
caras serem praticamente os pais do Death/Grind, continuam fazendo
discos relevantes. Mande o indie/pop/rock às favas. O show
será dia 08, na lendária Ledslay (Av. Celso Garcia,
5765, próximo a Estação Tatuapé). Maiores
informações, acesse: www.tumbarecords.com.br
e www.mutilationrecords.com.br.
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