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Salve,
abacaxinautas. Sentiram saudades? Não? Entendo. Vamos colocar nossa
conversa fiada em dia. Tem pra todo mundo:
Zack
de La Rocha finalmente deu sinal de vida. Acesse www.zackdelarocha.com
e baixe o MP3 de "March of Death", feita em parceria com o DJ Shadow.
É ducarái, tipo um Rage Against The Machine eletrônico.
Ouviram
a música nova dos Beastie Boys? Está lá no site
oficial deles. Achei que parece sobra do Hello Nasty.
Vi
o clipe da banda Squadra, conterrânea dos meus companheiros abacaxeiros.
Achei bem ruim. Um abacaxinauta nos mandou um email ano passado
pedindo que a gente investigasse uma história cabeluda envolvendo
a contratação deles e tal, mas nem é para tanto. Só acho que se
eles fossem independentes e andassem com as pessoas certas, aposto
que achariam a banda legal, comparariam a vocalista com alguma riot
girl gringa e chamariam a banda de "indie fofinha" e demais adjetivos.
Tudo
o que eu sempre quis dizer nesse espaço, mas não tive competência,
foi dito pelo baixista da banda dipnoi nesta
entrevista. Copiei e colei na caruda mesmo. Imprimam, coloquem
na parede do quarto e leiam diariamente antes de saírem de casa:
"Acho que o underground é muito mais parecido com o mainstream do
que a molecada gostaria de acreditar. A música é a última consideração
envolvida em qualquer coisa. Uma banda que não tenha escrito sequer
uma música é capaz de, na base do lobby, dos amigos certos ou do
interesse monetário, conseguir shows e matérias em revistas e sites.
O que está gravado num disco é muito menos importante do que todos
os fatores que eu citei anteriormente. Criatividade é uma exceção,
quase uma aberração, e a curiosidade do público por coisas novas
é microscópica. Pra usar um termo idiota (na falta de um mais adequado),
hype é 99 por cento do que conta. Pode ser em cima de um artista
bom ou ruim, isso é o de menos. Como diz um amigo meu, as pessoas
vão acreditar que você é o que você (ou alguém mais influente) disser
que é. É uma mistura de nepotismo com cinismo bastante deprimente,
e me deixa com dó de quem vive a ilusão do 'underground' ser um
antídoto à grande mídia, quando na verdade é um meio onde a imagem
vem antes, da mesma forma. É a mesma coisa, só que mais perversa,
já que é disfarçada de algo autêntico. Todo mundo sabe que os Backstreet
Boys são armação, mas pouca gente sabe de coisas parecidas no meio
do rock independente, que estão lá. Não é pra dizer que todo mundo
está mentindo o tempo todo, ou que ninguém goste de verdade do que
faz e das bandas que divulga, e acho que se aplica mais aos nomes
grandes do que aos zines e casas de show pequenos. Mas ainda assim,
comparando com a percepção ingênua que o pessoal tem, a diferença
é grande, e talvez por isso eu esteja pegando um pouco pesado."
Assisti
uma apresentação dos Titãs no Chacrinha em um flashback do programa
Ensaio Geral, do Multishow. Não dá para não dar risada ao
ver os hoje sérios, sisudos e geniais Arnaldo Antunes e Nando Reis
fazendo umas coreografias ri-dí-cu-las. No entanto, aquela palhaçada
toda parecia mais natural do que eles parecem hoje. Percebe-se que
o rock brasileiro dificilmente será levado a sério, pois sempre
foi vendido nesse esquema circense, com os músicos fingindo que
estão tocando e fazendo traquinagens. Não que na Europa e EUA não
existam(iam) dublagens e presepadas, mas em muitos "programas de
auditório" de lá as bandas tocam ao vivo, como tem que ser. O único
programa que tratava o músico como músico, não como macaco de circo
(Musikaos), subiu no telhado. Dá para ser feliz assim?
Li
um panfleto anti-guerra que é demais, saca só um trecho: "Quebrar
McDonalds não é a solução. Vamos atingir os EUA aonde eles são mais
sensíveis, no bolso. NÃO COMPRE CARROS GM E FORD OU CHRYSLER. OPTE
POR CARROS RENAUT OU VOLKSWAGEN POIS SÃO MARCAS FRANCESAS E ALEMÃS,
PAÍSES QUE SE OPÕEM À GUERRA...". Genial.
Acho
que o Arnaldo Antunes leu esse panfleto, já que o cara fez um jingle
para um carro da Renault. Não prestei muita atenção na letra, mas
estou certo que o cara fala "goiabada" na música. Vejo que os caras
vão vender carros à beça por aqui.
A Abril
Music subiu no telhado. Bancar a volta do Ritchie e do Kiko Zambianchi
realmente não foi uma boa estratégia. Marcos Maynard, presidente
da extinta gravadora, disse à Folha de São Paulo que a "pirataria
é o câncer". Bem, espinafrar somente o Maynard é bobagem, mas essa
competência com que TODA a indústria tem lidado com a pirataria
é como tratar câncer com porangaba.
Cacete,
vi o Jota Quest tocando Roberto Carlos de terno e gravata numa atitude
totalmente "rock n' roll". Desse jeito, a Bizarre acaba contratando
os caras.
Vi
o Interpol tocando ao vivo no Saturday Night Live. Sem graça...
Alguém
por favor me diga se existe banda mais chata, horrenda, irritante,
escrota, nojenta, mala e mela-cueca do que o Dashboard Confessional.
Conseguiram desbancar o Creed, o que eu achava até então impossível.
Alguém
me explique a utilidade daquele cara de dreadlock do Tihuana. Aliás,
o vocalista do Tihuana, que queria ser sósia do Fred Durst, agora
quer ser sósia do vocal do Linkin Park. Personalidade é isso aí.
Repararam
como o Chorão, do Charlie Brown Jr., se descreve em suas músicas
como se ele fosse o Deus do Amor, que sabe tratar as mulheres de
maneira única, etc? Será que ele não tem noção que a mulherada só
dá para ele porque ele canta no Charlie Brown Jr.? Santa ingenuidade.
Falando
em ingenuidade, é engraçado como tem um monte de banda aqui em São
Paulo adotando um visual retrô, dizendo querer "recuperar a ingenuidade
da jovem guarda" em suas músicas. Vejam bem, ingenuidade não é coisa
que se recupera, é a mesma coisa que querer fazer operação para
"recuperar a virgindade": perdeu, já era. Agora, vir com esse papinho
se fazendo de "cool" é tão babaca e mongo quanto o Caetano Veloso
dizer que vai gravar Nirvana para parecer moderno.
Assisti
ao clipe dos Aliados 13. O vocalista, que fica dando cambalhota,
faz ginástica olímpica - ele aparece no clipe fazendo vários exercícios
e tal. Se o Charlie Brown Jr. ficou com a marca registrada de ser
a "banda do skate", com o Chorão repetindo "skate na veia dos irmão"
à torto e a direito, suspeito que o Aliados 13 quer ter a imagem
da "banda dos ginastas". Só não sei se o cara gritar "ginástica
olímpica na veia dos irmão" vá surtir algum efeito. Talvez para
a família Hipólito, quem sabe.
Ler
Arnaldo Jabor demais dá nisso. Alguém viu o discurso antiguerra
do Marcos Mion, semana passada? Cômico. Resumindo, ele disse que
o fim da civilização é certo após a guerra. Até o anão chorou.
Concordo
com o Henry a respeito do oba-oba em cima do Bukowski. E acrescento:
é muito engraçado como o pessoal que diz amar o Lester Bangs parece
esquecer disso quando um ídolo indie aporta por aqui, tamanho o
afã de lamber o saco e depois sair espalhando por aí (seja via blog,
seja por matérias).
Vi
um trecho de um show do Audioslave na CNN e caramba, o negócio tá
muito bom. Só que o Chris Cornell está com uma presença de palco
tão empolgante quanto um vaso. Mas quando o cara abre a boca...
sai de baixo.
Foi
só aparecer uma pá de banda chupinhando a sonoridade pós punk, que
a galera "dazantiga" resolveu voltar para pegar sua fatia do bolo.
O Liquid Liquid voltou para uma tour. Pensando bem, nada mais justo.
Estão
sabendo que o Carlinhos Brown e o João Donato conseguiram do Ministério
da Cultura a liberação para a captação de UM MILHÃO, QUATROCENTOS
E VINTE E QUATRO MIL, TREZENTOS E SETENTA E QUATRO REAIS para gravar
um disco? No final da era FHC, o valor liberado era de R$ 808.478,60,
mas foi autorizado o aumento em janeiro. Nosso ministro da cultura
tropicalista diz não conhecer esse caso de boiada ao tribalista
. Sugiro que a direção do ABACAXI ATÔMICO convide Carlinhos Brown
para ser nosso colaborador na Bahia. Quem sabe assim a gente não
consegue mais uns trocados? Sua coluna poderia se chamar "Dendê-plutônico".
Uma
coisa besta que sempre aparece quando falam do (alto) custo de algum
disco é: "Bleach, do Nirvana, custou $600,00". O disco que
revolucionou a década e bla-bla-bla foi o Nevermind, não
o Bleach. Mudem o disco (literalmente), por favor.
Finalmente
assisti ao 24 Hour Party People, filme que retrata a cena
de Manchester. Mesmo não sendo o maior fã do mundo das bandas daquele
período, o filme me agradou muito. É bem engraçado e não cai naquele
esquema de idolatria estúpida como The Doors.
O que
Carlinhos Brown e Manchester têm em comum? Nada. Só vão fazer parte
da promoção que eu vou lançar aqui, para a gente começar o ano com
o pé direito. Valendo uma fita de vídeo com o filme 24 Hour Party
People, respondam: o que você faria se conseguisse um patrocínio
de R$ 1.424.374 para gravar um disco junto com o Carlinhos Brown?
A melhor resposta leva a fita, capriche. Não esqueça de colocar
seu endereço completo no email.
Quer
ler um texto interessante sobre a tal máfia do dendê? Então clique
aqui. Já vou avisando que o texto é bastante parcial, mas dá
para ter uma idéia. Não deu para falar todo o papo atrasado, semana
que vem eu conto sobre os shows que fui, os que não fui (a maioria),
sobre a programação nova da MTV, Beira Mar, Eminem, novidades do
mundim da música e mais as besteiras usuais. Inté.
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