| Vou retomar hoje o assunto da penúltima
semana: as novelas. Estou dando um panorama de como elas são
repetitivas e não parecem encontrar uma "evolução
natural".
Agora
vamos para "il primo piatto": Celebridades. Tá
difícil engolir a Malu Mader de mocinha indefesa da história.
Será que é porque ela tá velha pro papel? Pode
ser... Ver uma atriz interpretar depois de tantos anos o mesmo papel
de moça ingênua e apaixonada não dá!
Os diálogos da personagem dela com a amiga, uma muambeira
(só em novela que socialite tem amizade com muambeira pobre...)
são o fim da picada: "ah, será que ele me ama?
Ah, estou tão feliz! estou ansiosa para revê-lo! Conto
os minutos!"
Se
a personagem fosse de uma adolescente eu até acreditava,
não que uma mulher não possa se apaixonar e falar
essas coisas, mas está soando muuuuito falso! Malu não
está com gás para a personagem ou o autor/diretor
estão forçando a barra!
Mais
uma cópia: Gilberto Braga está relembrando um pouco
de Vale Tudo, a personagem Laura e seu comparsa parecem
muito com a Maria de Fátima e o César (personagens
de Glória Pires e Carlos Alberto Ricelli, respectivamente).
São os mais sacanas, sem escrúpulos, dão golpe
em todo mundo, e tudo aquilo que vocês já sabem...
E a história vai se prendendo aos jogos de
intriga desses dois com um destaque para os famosos que apareceram
na trama e aquela velha pitada dos velhos folhetins, Alexandre Dumas
nunca foi tão repetido...
A abertura
é a pior! Chata demais! Parece abertura de seriado dos anos
70 - algo como As Panteras ou Dallas - é
muito brega aquelas letras "amor", "intriga",
"vingança" etc, muito bobo! E mostrando imagens
dos atores principais, muito cafona! A música é do
fundo do baú - como toda a trilha da novela, apesar de haver
releituras interessantes - mas a abertura não consegue alegrar
nem quem ganhou na mega sena... entediante!
O que
sempre acaba realmente dando pontinhos a mais no ibope de uma novela
é o famigerado "núcleo pobre": os personagens
engraçados (ou que se acham engraçados) e as tramas
menores se revezam por lá. O autor parece que quis ironizar
com o próprio telespectador com essa questão de todo
mundo querer ser uma estrela, ser famoso, e colocou nesse cenário
personagens bem típicos, os das suburbanas que querem, a
qualquer custo, conquistar a mídia; e o quanto o povo se
importa com as revistas de fofocas e o que fazem e "pensam"
seus ídolos. Mas o público que assiste parece não
ter percebido isso - ficou diluído esse tema, mas só
não vê quem não quer! - as pobretonas que querem
ser "modelo e atriz" viraram o destaque da trama - um
reflexo do coletivo? Talvez. Andy Warhol nunca poderia imaginar
que sua "previsão" fosse tão ansiada por
tantos...
Há
algum tempo, entrou no ar a nova minissérie da Globo,
Um Só Coração e lá vem mais clichê!
Ana Paula Arósio não se cansa de fazer o papel da
mocinha que sofre por seu amado durante toda a trama? Sempre terá
amores impossíveis e "de época"? Assim como
Maria Fernanda Candido, que sempre fará o mesmo papel de
musa dos homens, moderna e panfletária?? Não parece
que elas andam treinando muito a arte de interpretar (se é
que elas sabem o que é isso...), pois só se repetem.
Assim
como "o favorito de 10 entre 10 adolescentes", Erik Marmo,
que desempenha com maestria seu papel, diz seu texto com muita emoção,
numa atuação brilhante: "Yolanda vírgula
eu te amo ponto final". Decorou o texto direitinho!
A história deveria contar um pouco da História
da cidade de São Paulo: a "indústria cafeeira",
os imigrantes, os anarquistas, a elite paulistana e seus artistas
ilustres reforçados pela "Semana de Arte Moderna de
22", mas o que se vê é mais uma historinha de
amores impossíveis, tiranos, mocinho-herói e mocinhas
sonhadoras.
A trama
é tão "senso comum" quanto dizer que o Brasil
é pentacampeão, que o Seu Madruga morreu ou que a
irmã do Lino não vai deixar o Charlie Brown chutar
a bola. O final todo mundo já sabe sem precisar assistir.
Como
disse na primeira parte: "só pra inglês ver",
mas nem isso... é pra brasileiro, que não tá
fazendo nada melhor, assistir.
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