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Beagá, 08 de março de 2004 d.C.
 
Mulher na TV
Por Menina Enciclopédia
 

Vi, dia desses, um cartaz sobre uma passeata na Praça da Sé, em São Paulo, do Dia Internacional da Mulher. O cartaz era de uma ONG, TVer, que busca a qualidade na TV - tarefa árdua essa!

A manchete do cartaz falava algo como "mulher, diga não à mercantilização do seu corpo na TV!". Isto é, a passeata comemoraria o "nosso dia" e tentaria conscientizar a todos especificamente quanto à desvalorização da mulher nessa mídia.

Tudo isso veio ao encontro de umas coisas que eu já estava pensando em escrever desde que andei assistindo a alguns clipes na MTV. É, vendo aqueles clipes vulgares da Britney Spears, Beyonce (que eu nem sei como se pronuncia isso...).

Vamos voltar lá pelos idos de 1997, mais ou menos, quando surgiram as Spice Girls e vieram com uma historinha de "girl power". O que elas queriam parecer ser em seus clipes? As garotas que mandavam e que botavam banca, Geri Helliwell encenou até uma mão boba no príncipe Charles...

Mas... lembro-me bem de uma frase de Shirley Manson, vocalista do Garbage, quando a MTV Europa fez uma enquete com astros "O que você acha das Spice Girls?", Shirley foi curta e grossa: "umas idiotas manipuladas pela gravadora que acham que têm algum poder de verdade..."
Miss Manson disse tudo. Só espero que ela não morda a língua e entre nessa também...

Quem são as Spice Girls, mesmo??

Pois é, é isso! "Muito barulho por nada" - como o título daquela peça de Shakespeare...

Na verdade, só servia pra mostrar o quanto elas eram descartáveis, não só elas como essas figurinhas que preenchem o espaço da programação das TVs dedicadas à música. Por mais que elas queiram parecer ser as donas do pedaço, elas são o pedaço, de carne, que se usa e joga fora, como a música que cantam e o talento que tem. Han??? que talento??

Ah, a Beyonce tem talento! Pra ser contorcionista de algum circo ou sair na Playboy com "poses nunca dantes vistas" na edição americana. Porque foi isso que vi nos clipes: um ela se contorce com as pernas pra tudo quanto é lado e NÃO CANTA NADA! Num outro, numa cama, ela geme e faz caras e bocas e movimentos simulando uma transa. E eu pergunto: Cadê a música? Isso é ser poderosa ou ser um objeto?

De outro lado, você vê a Britney dando uma de agente secreto, imitando Alias (é, ela usa até peruca ruiva...) e querendo mostrar que bota qualquer homem no chinelo, mas... dançando com roupa transparente? Quem acredita?

Essas "cantoras" só estão aí na tela pra dar um espetáculo, são só as tais "show girls", como alguns podem dizer, eu diria "go go girls" mesmo... Mas o grande problema é o que a vocalista do Garbage disse: elas pensam que mandam e são manipuladas, tentam passar a mensagem de "garotas, sintam inveja de mim, eu sou poderosa, me imitem!" mas não passam de mulheres-objeto da nova geração. Produto de consumo em larga escala e, quando as gravadoras e a mídia se enjoarem delas, outras aparecerão fingindo ser as "meninas superpoderosas".

E outras vão entrando na mesma vala comum: Jewel, que tinha um som meio folk/country legalzinho (ah, o pessoal de música do Abacaxi que nomeie melhor o som que ela fazia) mas entrou nessa de dar "gritinhos r&b" e mostrar o corpo - como também andam fazendo Pinky, que se dizia a incorruptível, acima das Aguilleras da vida, e Avril Lavigne, que posou para uma foto de seu novo dvd sentada na privada por "sugestão" da gravadora e tenta mostrar ao mesmo tempo que é superpoderosa no skate, mantendo uma bela chapinha no cabelo sem estragar os esmaltes das unhas (tudo muito fake...). Lá na Inglaterra, além da australiana Kilie Minogue (que entrou nessa faz tempo), temos Sophie Ellis Baxtor, que tentou fazer um som mais dance porém sem apelos e agora já entrou na onda.

Do Brasil eu nem vou falar nada... a Aguillera deve ter aprendido com a Carla Perez ou qualquer outra dançarina de axé a "coreografia" de "Dirrty".

Bem, só por esses exemplos dá pra se perceber o quanto a mulher é desvalorizada na TV. É incrível como séculos se passam e continua-se a só se valorizar o corpo feminino, parece que as mulheres não têm nenhum outro atributo. E o que é pior: isso acontece com o apoio das ditas musas, que acham que fazem um favor e um bem representando as outras mulheres...

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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