| Vi, dia desses, um cartaz sobre uma
passeata na Praça da Sé, em São Paulo, do Dia
Internacional da Mulher. O cartaz era de uma ONG, TVer, que busca
a qualidade na TV - tarefa árdua essa!
A manchete do cartaz falava algo como "mulher,
diga não à mercantilização do seu corpo
na TV!". Isto é, a passeata comemoraria o "nosso
dia" e tentaria conscientizar a todos especificamente quanto
à desvalorização da mulher nessa mídia.
Tudo isso veio ao encontro de umas coisas que eu
já estava pensando em escrever desde que andei assistindo
a alguns clipes na MTV. É, vendo aqueles clipes vulgares
da Britney Spears, Beyonce (que eu nem sei como se pronuncia isso...).
Vamos voltar lá pelos idos de 1997, mais
ou menos, quando surgiram as Spice Girls e vieram com uma historinha
de "girl power". O que elas queriam parecer
ser em seus clipes? As garotas que mandavam e que
botavam banca, Geri Helliwell encenou até uma mão
boba no príncipe Charles...
Mas... lembro-me bem de uma frase de Shirley Manson,
vocalista do Garbage, quando a MTV Europa fez uma enquete com astros
"O que você acha das Spice Girls?", Shirley foi
curta e grossa: "umas idiotas manipuladas pela gravadora que
acham que têm algum poder de verdade..."
Miss Manson disse tudo. Só espero que ela não morda
a língua e entre nessa também...
Quem são as Spice Girls, mesmo??
Pois é, é isso! "Muito barulho
por nada" - como o título daquela peça de Shakespeare...
Na verdade, só servia pra mostrar o quanto
elas eram descartáveis, não só elas como essas
figurinhas que preenchem o espaço da programação
das TVs dedicadas à música. Por mais que elas queiram
parecer ser as donas do pedaço, elas são o pedaço,
de carne, que se usa e joga fora, como a música que cantam
e o talento que tem. Han??? que talento??
Ah, a Beyonce tem talento! Pra ser contorcionista
de algum circo ou sair na Playboy com "poses nunca dantes vistas"
na edição americana. Porque foi isso que vi nos clipes:
um ela se contorce com as pernas pra tudo quanto é lado e
NÃO CANTA NADA! Num outro, numa cama, ela geme e faz caras
e bocas e movimentos simulando uma transa. E eu pergunto: Cadê
a música? Isso é ser poderosa ou ser um objeto?
De outro lado, você vê a Britney dando
uma de agente secreto, imitando Alias (é, ela usa até
peruca ruiva...) e querendo mostrar que bota qualquer homem no chinelo,
mas... dançando com roupa transparente? Quem acredita?
Essas "cantoras" só estão
aí na tela pra dar um espetáculo, são só
as tais "show girls", como alguns podem dizer, eu diria
"go go girls" mesmo... Mas o grande problema é
o que a vocalista do Garbage disse: elas pensam que mandam e são
manipuladas, tentam passar a mensagem de "garotas, sintam inveja
de mim, eu sou poderosa, me imitem!" mas não passam
de mulheres-objeto da nova geração. Produto de consumo
em larga escala e, quando as gravadoras e a mídia se enjoarem
delas, outras aparecerão fingindo ser as "meninas superpoderosas".
E outras vão entrando na mesma vala comum:
Jewel, que tinha um som meio folk/country legalzinho (ah, o pessoal
de música do Abacaxi que nomeie melhor o som que ela fazia)
mas entrou nessa de dar "gritinhos r&b" e mostrar
o corpo - como também andam fazendo Pinky, que se dizia a
incorruptível, acima das Aguilleras da vida, e Avril Lavigne,
que posou para uma foto de seu novo dvd sentada na privada por "sugestão"
da gravadora e tenta mostrar ao mesmo tempo que é superpoderosa
no skate, mantendo uma bela chapinha no cabelo sem estragar os esmaltes
das unhas (tudo muito fake...). Lá na Inglaterra, além
da australiana Kilie Minogue (que entrou nessa faz tempo), temos
Sophie Ellis Baxtor, que tentou fazer um som mais dance porém
sem apelos e agora já entrou na onda.
Do Brasil eu nem vou falar nada... a Aguillera deve
ter aprendido com a Carla Perez ou qualquer outra dançarina
de axé a "coreografia" de "Dirrty".
Bem, só por esses exemplos dá pra
se perceber o quanto a mulher é desvalorizada na TV. É
incrível como séculos se passam e continua-se a só
se valorizar o corpo feminino, parece que as mulheres não
têm nenhum outro atributo. E o que é pior: isso acontece
com o apoio das ditas musas, que acham que fazem um favor e um bem
representando as outras mulheres...
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