| As
novelas sempre foram o maior produto de exportação
da TV brasileira. Sejam boas ou não, elas são assistidas
em vários países do mundo e, em muitos deles, acompanhadas
religiosamente. Até Fidel Castro adorou Roque Santeiro
e quis conhecer pessoalmente os atores principais (Regina Duarte
e Lima Duarte).
Mas
nesses últimos tempos, acredito que as novelas brasileiras
tenham virado realmente "coisa só pra inglês ver"
(se eles agüentarem...). As últimas produções,
tirando as choradeiras do Manoel Carlos (Mulheres Apaixonadas,
Por Amor - duplo argh!), não têm obtido grandes
índices de audiência.
As novelas das
seis são um exemplo de que a grade da Globo está caindo
por terra: a audiência nesse horário é pequena,
perto de anos anteriores, e deixa os diretores da emissora de cabelo
em pé para tentar "capturar" novamente esses telespectadores.
Já
tentaram de tudo: novela de época, novela no Nordeste, novela
com tema central mais infantil, mais adolescente etc. Tudo para
formar um novo público no horário - já que
o "antigo" foi ganho pelos vários Cidade Alerta
da vida...
Mas se formos
analisar as histórias, veremos uma série de repetições
que dão até raiva: quantas vezes você já
não viu aquela história de que o casal que se ama
não pode ficar junto porque são irmãos (depois
descobrem que não são); ou a má que gosta do
mocinho e o embebeda, põe o cara na cama, já chapado
e dormindo, e no dia seguinte ele acorda com ela do lado e a mocinha
chega e os pega no "flagra"??? Cansa não? Manjadíssimo
não? Sem criatividade...
Nessa
atual novela das seis, Chocolate com Pimenta, além
de aparecer essas tramas manjadíssimas aí de cima,
ainda tem a música de abertura que é horrível!!!
E ainda fala assim: "Yin e Yang, pingue e pongue..." Caras
de pau!! Isso é uma piada do Seinfeld! Eu assisti
esse episódio! A NBC tá precisando saber disso...
A história
ainda tem um quê de "Senhora" e muito de outra novela,
"O Cravo e a Rosa" - que foi uma das poucas que teve popularidade
no horário; então, por que não repetir a fórmula
descaradamente?
A novela
das sete que terminou recentemente, Kubanacan, é
uma tortura! Isso é o que se pode chamar novela muito ruim!
Na verdade, o Carlos Lombardi (autor dessa tragédia, no pior
sentido da palavra), sempre perde o rumo de suas tramas, isso vem
de longe! E ele sempre ganha destaque porque algumas novelas, mesmo
com enredo péssimo, ficam famosas: Bebê a Bordo,
Perigosas Peruas.
Ele
sempre tenta partir de um mesmo pressuposto: um filme hollywoodiano.
Nessa, ele usou um pouco de Identidade Bourne (com Matt
Damon e Franca Potente - não é nenhum filme maravilhoso,
dá para assistir...): um cara é encontrado por pescadores
boiando no mar com amnésia, não sabe quem é.
O "Pedro Escamoso" da Globo faz esse papel.
Daí a
novela vira uma confusão dos diabos: dia sim, dia não
o mocinho vai pro hospital porque apanha de seus desafetos (nas
outras tramas também sempre acontece isso), mas ele nem sabe
porque são seus desafetos; aparecem vários filhos
para ele cuidar, várias mulheres apaixonadas, atores entram
e saem da história sem motivo aparente - parece que todo
o "cast" da Globo se muda para a novela e quanto mais
personagem aparece, menos história a novela tem. Acho que
no buraco negro não deve haver esse caos...
O final é
digno de todos os filmes em que há a tal máquina do
tempo, G.H. Wells que o diga...
Quando escrevi
este texto, essa nova novela ainda não tinha começado
mas, pelo que já deu pra sacar, é aquela história:
a pobre apaixonada pelo rico bonzinho namorado da rica má.
Só muda o cenário, o Maranhão - do Projac.
O que
poderia ser chamado de "prato principal" eu deixo para
a próxima coluna: "Descelebridades" e a Minissérie
Um Só Coração - o título já
mostra a dose fatal de açúcar da trama... Diabéticos,
se cuidem!
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