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Beagá, 13 de fevereiro de 2006 d.C.
 
Non Stop
Por Menina Enciclopédia
 

Sem dúvida, uma das melhores séries de TV dos últimos tempos é 24 Horas, exibida na Fox (para quem tem “TV a Gato”) e na Globo. Se você gosta de ação, intrigas, situações complicadas que exigem decisões às vezes drásticas por parte dos personagens, reviravoltas acontecendo a todo momento, você vai gostar mesmo de 24 (nome original da série).

Jack Bauer (Kiefer Sutherland) é um agente especial da UCT (Unidade Contra Terrorismo) de Los Angeles que, a cada temporada, vive verdadeiros dias (24 horas ininterruptas) de cão. Quem não assiste à série ou apenas acompanha alguns trechos pode achar que não é tudo isso. Mas a partir do momento que se começa a assistir aos episódios da série, fica difícil de conter o vício: o ritmo da história é ágil e nervoso, quando você vê já está familiarizado com os personagens e curioso pra saber o que farão para deter os terroristas que ameaçam os Estados Unidos.

Maniqueísmo? Todo americano é bom e todo mulçumano é ruim? Isso não existe, a série é mais “realista”, nesse ponto. As reviravoltas e as surpresas da série ficam, algumas vezes, por conta justamente desse aspecto. O programa sempre se divide em dois ambientes distintos: a UCT, seus agentes na unidade e fora dela, e a outra parte da série é sobre as intrigas do poder, ambientadas em Washington. Cada ato terrorista pode gerar intrigas na política que podem custar caro, como ao presidente David Palmer na terceira temporada.

Percebi que dessa vez “Washington” tem uma participação menor na série e as operações da UCT se tornaram mesmo prioritárias. Isso é bom, pois ficava muito chato quando cortavam uma ação importante para mostrar as puxadas de tapete na Casa Branca. Era mais ou menos assim: todo mundo empolgado vendo alguém na UCT sendo desmascarado e de repente mudavam a cena para o pessoal murcho engomadinho da politicagem. Acho que na segunda temporada essa foi a parte mais chata, quando homens do governo articularam o impeachment de David Palmer. Não vou dizer que Sherry Palmer, a megera ex-mulher do presidente Palmer, não fez falta nas intrigas desta atual temporada - ah, ela fez! Apesar de tanto papo, o legal nessa parte “burocrática” da história é justamente você perceber o quanto a política é um jogo muito sujo - e a diplomacia entre países também. Não existem “aliados” na hora do “vamos ver”.

O maior problema de 24 Horas é que o andamento da série é sempre o mesmo. Se você for relembrando as temporadas anteriores, acaba por não haver tanto mistério no que irá se desenrolar no roteiro. Parece que está na hora de os roteiristas criarem novas alternativas, pois se não fosse toda a ação e o ritmo nervoso, a série não despertaria interesse algum, porque muitos aspectos se repetiram nessa última temporada exibida pela Globo.

Senão, vejamos:

Sempre há um ataque pronto a acontecer em Los Angeles e a UCT consegue descobrir minutos antes, Jack Bauer entra em cena e salva as pessoas que seriam envolvidas, ou uma boa parte;

Um jovem, de preferência um adolescente, sempre se mete em uma encrenca que está ligada aos atos terroristas (Kim Bauer no primeiro ano, a loirinha meiguinha que se envolve em terrorismo no segundo, o garoto que vende drogas no terceiro ano, Behrooz Araz que se envolve com uma americana - ou é a americana que se dá mal por gostar do Behrooz? - no quarto ano);

O primeiro ataque terrorista não é o principal a acontecer, os terroristas têm sempre um “plano b”;

Algum funcionário da UCT tem um parente que é vítima dos ataques terroristas: Adam, no terceiro ano (sua irmã), o chato do Edgar Stiles (a mãe), no quarto ano;

Há sempre um espião agindo dentro da UCT, algumas vezes eles não são tão reconhecíveis de cara, como a nossa querida Nina Meyers, a malvada das malvadas (outra que deixa saudades na trama);

Tem sempre um “pulador de cerca” na história, e ele acaba se dando mal por isso: no terceiro ano, um homem dormiu com a amante no hotel em que foi jogada a “toxina” que acabaria matando um monte de gente; no quarto ano, o militar que não sabe que sua amante é ligada aos terroristas é usado para roubar um avião da base área onde trabalhava. Parece até lição de moral, como no caso dos adolescentes: parece que querem “moralizar” o expectador, como se dissessem “vejam o que acontece com pula a cerca”;

Jack Bauer sempre tem que escolher entre salvar “milhões de pessoas” e a vida de alguém (que o digam George Manson, Ryan Chapelle e Paul Hayes). Não é por acaso que uma das cenas mais nervosas de toda a série tenha acontecido no terceiro ano, quando Bauer é forçado a matar Ryan Chapelle - se você não assistiu, desculpe, mas já é um episódio da terceira temporada, você está mesmo por fora (aliás, durante os episódios muitas pessoas são mortas em nome de milhões).

Nesse quarto ano da série, especificamente, aparecem alguns árabes ajudando a UCT para demonstrar que nem todo árabe e/ou mulçumano é terrorista, uma boa idéia já que milhões deles devem sofrer um preconceito horroroso nos Estados Unidos sem culpa - isso já havia sido mencionado na segunda temporada, quando um agente de uma embaixada árabe ajudava a UCT, mas foi morto por “cidadãos americanos” que o identificaram como culpado pelos ataques terroristas daquela ocasião.

A série também tenta mostrar que os próprios norte-americanos não são santos. Muitos dos ataques terroristas que acontecem são planejados ou têm envolvidos em seu planejamento ianques, que por algum motivo se “decepcionaram” com sua pátria.

E a melhor parte da temporada que evidenciou bem esse “somos todos iguais” foi quando o árabe Navi Araz manda que matem seu filho, Behrooz, por temer sua fraqueza ao agir. Em contrapartida, o próprio secretário de defesa dos States, James Heller, demonstra seu lado terrorista ao mandar torturar seu filho, pois acham que ele mente sobre não dizer quem poderia estar envolvido em seu seqüestro. Tanto “mocinhos” como “bandidos” usam as mesmas armas e agem da mesma forma - quem é quem? Difícil dizer. E o que evidencia isso mais ainda é o final dessa quarta temporada, nada auspicioso para nosso herói Jack Bauer...

Há um detalhe muito discutido que todo mundo fica falando por aí sem ao menos verificar: é a questão da duração dos episódios da série. Como ela se passaria em tempo real, cada episódio equivaleria a uma hora do dia. Sendo assim, 24 episódios corresponderiam, ipsis literis, às tais 24 horas. Andam dizendo que a Globo corta trechos dos episódios, daí estes não seriam exibidos em sua totalidade. Não vou poder ficar contra a Globo dessa vez - tá certo que condensaram dois episódios da segunda temporada em apenas um logo no primeiro dia de exibição.

Mas eu resolvi tirar essa história a limpo. Achei a série em DVD e fui eu lá cronometrar cada episódio - mas isso nem foi necessário: na caixa do DVD já vem a inscrição “45 minutos por episódio” e já pensei logo de cara: “esse povo escreve pra lá e pra cá sem ter certeza do que fala, vai pesquisar como eu fiz!” Ao assistir, percebi que alguns episódios, contando com o “recapitula” no começo, chegam a 40 minutos incluindo os créditos finais. Outra coisa que reparei é que quando exibem o “tempo real” do episódio em 4:10, por exemplo, o visor do meu aparelho de DVD marcava 9 minutos de exibição - um minuto foi então “surrupiado”, logo conclui-se que o tempo não é tão real assim. Realmente, 24 Horas deve ter umas 18 horas mesmo, de verdade, mas a gente releva. O que a tv não mostra deve ser o tempo do Jack ir ao banheiro, comer alguma coisa, espirrar...

Melhor cena pra mim: o desfecho da terceira temporada, com Jack chorando, descarregando toda a tensão que havia passado naquele dia. Parece que os produtores e roteiristas demonstraram que ele só pôde mostrar que é um ser humano quando tudo terminou e a ficha caiu. Memorável! Mostrou que Mr. Bauer não é uma máquina - nem o Kiefer, e se ele quiser passar lá em casa, é só me perguntar o endereço!

Como não tenho tv por assinatura, tenho agora é esperar pela exibição da quinta temporada na tv aberta mesmo... Parece muito atraente, pelo que li do primeiro episódio no site da Fox.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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