Sem dúvida, uma das melhores
séries de TV dos últimos tempos é 24 Horas,
exibida na Fox (para quem tem “TV a Gato”) e na Globo.
Se você gosta de ação, intrigas, situações
complicadas que exigem decisões às vezes drásticas
por parte dos personagens, reviravoltas acontecendo a todo momento,
você vai gostar mesmo de 24 (nome original da série).
Jack Bauer (Kiefer Sutherland) é um agente especial da UCT
(Unidade Contra Terrorismo) de Los Angeles que, a cada temporada,
vive verdadeiros dias (24 horas ininterruptas) de cão. Quem
não assiste à série ou apenas acompanha alguns
trechos pode achar que não é tudo isso. Mas a partir
do momento que se começa a assistir aos episódios
da série, fica difícil de conter o vício: o
ritmo da história é ágil e nervoso, quando
você vê já está familiarizado com os personagens
e curioso pra saber o que farão para deter os terroristas
que ameaçam os Estados Unidos.
Maniqueísmo? Todo americano é bom e todo mulçumano
é ruim? Isso não existe, a série é mais
“realista”, nesse ponto. As reviravoltas e as surpresas
da série ficam, algumas vezes, por conta justamente desse
aspecto. O programa sempre se divide em dois ambientes distintos:
a UCT, seus agentes na unidade e fora dela, e a outra parte da série
é sobre as intrigas do poder, ambientadas em Washington.
Cada ato terrorista pode gerar intrigas na política que podem
custar caro, como ao presidente David Palmer na terceira temporada.
Percebi que dessa vez “Washington” tem uma participação
menor na série e as operações da UCT se tornaram
mesmo prioritárias. Isso é bom, pois ficava muito
chato quando cortavam uma ação importante para mostrar
as puxadas de tapete na Casa Branca. Era mais ou menos assim: todo
mundo empolgado vendo alguém na UCT sendo desmascarado e
de repente mudavam a cena para o pessoal murcho engomadinho da politicagem.
Acho que na segunda temporada essa foi a parte mais chata, quando
homens do governo articularam o impeachment de David Palmer. Não
vou dizer que Sherry Palmer, a megera ex-mulher do presidente Palmer,
não fez falta nas intrigas desta atual temporada - ah, ela
fez! Apesar de tanto papo, o legal nessa parte “burocrática”
da história é justamente você perceber o quanto
a política é um jogo muito sujo - e a diplomacia entre
países também. Não existem “aliados”
na hora do “vamos ver”.
O maior problema de 24 Horas é que o andamento
da série é sempre o mesmo. Se você for relembrando
as temporadas anteriores, acaba por não haver tanto mistério
no que irá se desenrolar no roteiro. Parece que está
na hora de os roteiristas criarem novas alternativas, pois se não
fosse toda a ação e o ritmo nervoso, a série
não despertaria interesse algum, porque muitos aspectos se
repetiram nessa última temporada exibida pela Globo.
Senão, vejamos:
• Sempre há um ataque
pronto a acontecer em Los Angeles e a UCT consegue descobrir minutos
antes, Jack Bauer entra em cena e salva as pessoas que seriam envolvidas,
ou uma boa parte;
• Um jovem, de preferência
um adolescente, sempre se mete em uma encrenca que está ligada
aos atos terroristas (Kim Bauer no primeiro ano, a loirinha meiguinha
que se envolve em terrorismo no segundo, o garoto que vende drogas
no terceiro ano, Behrooz Araz que se envolve com uma americana -
ou é a americana que se dá mal por gostar do Behrooz?
- no quarto ano);
• O primeiro ataque terrorista
não é o principal a acontecer, os terroristas têm
sempre um “plano b”;
• Algum funcionário da
UCT tem um parente que é vítima dos ataques terroristas:
Adam, no terceiro ano (sua irmã), o chato do Edgar Stiles
(a mãe), no quarto ano;
• Há sempre um espião
agindo dentro da UCT, algumas vezes eles não são tão
reconhecíveis de cara, como a nossa querida Nina Meyers,
a malvada das malvadas (outra que deixa saudades na trama);
• Tem sempre um “pulador
de cerca” na história, e ele acaba se dando mal por
isso: no terceiro ano, um homem dormiu com a amante no hotel em
que foi jogada a “toxina” que acabaria matando um monte
de gente; no quarto ano, o militar que não sabe que sua amante
é ligada aos terroristas é usado para roubar um avião
da base área onde trabalhava. Parece até lição
de moral, como no caso dos adolescentes: parece que querem “moralizar”
o expectador, como se dissessem “vejam o que acontece com
pula a cerca”;
• Jack Bauer sempre tem que escolher
entre salvar “milhões de pessoas” e a vida de
alguém (que o digam George Manson, Ryan Chapelle e Paul Hayes).
Não é por acaso que uma das cenas mais nervosas de
toda a série tenha acontecido no terceiro ano, quando Bauer
é forçado a matar Ryan Chapelle - se você não
assistiu, desculpe, mas já é um episódio da
terceira temporada, você está mesmo por fora (aliás,
durante os episódios muitas pessoas são mortas em
nome de milhões).
Nesse quarto ano da série, especificamente, aparecem alguns
árabes ajudando a UCT para demonstrar que nem todo árabe
e/ou mulçumano é terrorista, uma boa idéia
já que milhões deles devem sofrer um preconceito horroroso
nos Estados Unidos sem culpa - isso já havia sido mencionado
na segunda temporada, quando um agente de uma embaixada árabe
ajudava a UCT, mas foi morto por “cidadãos americanos”
que o identificaram como culpado pelos ataques terroristas daquela
ocasião.
A série também tenta mostrar que os próprios
norte-americanos não são santos. Muitos dos ataques
terroristas que acontecem são planejados ou têm envolvidos
em seu planejamento ianques, que por algum motivo se “decepcionaram”
com sua pátria.
E a melhor parte da temporada que evidenciou bem esse “somos
todos iguais” foi quando o árabe Navi Araz manda que
matem seu filho, Behrooz, por temer sua fraqueza ao agir. Em contrapartida,
o próprio secretário de defesa dos States, James Heller,
demonstra seu lado terrorista ao mandar torturar seu filho, pois
acham que ele mente sobre não dizer quem poderia estar envolvido
em seu seqüestro. Tanto “mocinhos” como “bandidos”
usam as mesmas armas e agem da mesma forma - quem é quem?
Difícil dizer. E o que evidencia isso mais ainda é
o final dessa quarta temporada, nada auspicioso para nosso herói
Jack Bauer...
Há um detalhe muito discutido que todo mundo fica falando
por aí sem ao menos verificar: é a questão
da duração dos episódios da série. Como
ela se passaria em tempo real, cada episódio equivaleria
a uma hora do dia. Sendo assim, 24 episódios corresponderiam,
ipsis literis, às tais 24 horas. Andam dizendo que
a Globo corta trechos dos episódios, daí estes não
seriam exibidos em sua totalidade. Não vou poder ficar contra
a Globo dessa vez - tá certo que condensaram dois episódios
da segunda temporada em apenas um logo no primeiro dia de exibição.
Mas eu resolvi tirar essa história a limpo. Achei a série
em DVD e fui eu lá cronometrar cada episódio - mas
isso nem foi necessário: na caixa do DVD já vem a
inscrição “45 minutos por episódio”
e já pensei logo de cara: “esse
povo escreve pra lá e pra cá sem ter certeza do que
fala, vai pesquisar como eu fiz!” Ao assistir, percebi
que alguns episódios, contando com o “recapitula”
no começo, chegam a 40 minutos incluindo os créditos
finais. Outra coisa que reparei é que quando exibem o “tempo
real” do episódio em 4:10, por exemplo, o visor do
meu aparelho de DVD marcava 9 minutos de exibição
- um minuto foi então “surrupiado”, logo conclui-se
que o tempo não é tão real assim. Realmente,
24 Horas deve ter umas 18 horas mesmo, de verdade, mas
a gente releva. O que a tv não mostra deve ser o tempo do
Jack ir ao banheiro, comer alguma coisa, espirrar...
Melhor cena pra mim: o desfecho da terceira temporada, com Jack
chorando, descarregando toda a tensão que havia passado naquele
dia. Parece que os produtores e roteiristas demonstraram que ele
só pôde mostrar que é um ser humano quando tudo
terminou e a ficha caiu. Memorável! Mostrou que Mr. Bauer
não é uma máquina - nem o Kiefer, e se ele
quiser passar lá em casa, é só me perguntar
o endereço!
Como não tenho tv por assinatura, tenho agora é esperar
pela exibição da quinta temporada na tv aberta mesmo...
Parece muito atraente, pelo que li
do primeiro episódio no site da Fox.
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