Sabe aqueles textos que sempre têm
na escola, um fazendo referência ao outro e tal? Os dois programas
sobre os quais vou falar têm muito disso. Demorei pra falar
sobre o segundo Hoje é Dia de Maria e sobre a novela
Bang Bang, então eu falo agora dos dois de uma só
vez.
Eu não gostei da segunda minissérie Hoje é
dia de Maria. Claro que o cenário, o elenco, a direção
e toda a parte técnica continuaram impecáveis. O problema
é que eu odeio musical. Tá, talvez goste de uns quatro
filmes só, mas para o resto eu não tenho saco. Pra
mim, o que aconteceu com a minissérie acontece na maioria
dos musicais: música demais pra encher lingüiça
e história de menos. Fica aquela enrolação
de cantar, cantar, dançar, dançar e a história
não flui. Eu não tenho paciência mesmo pra isso.
No entanto, o que sobrou da história era muito interessante
pelas “influências”. Cada cena tinha uma homenagem
ao cinema, aos contos de fadas, às histórias da nossa
cultura popular. Só que misturar tudo isso com musical ficou
chato, a história mesmo se perdeu. Até gostei da Maria
imitando a menina da caixinha de fósforos da história
de Hans Christian Andersen; mas ela andando pela cidade coberta
de neve em pleno Brasil foi estranho para quem não sabia
qual era a referência ali.
E talvez este tenho sido o grande problema dessa segunda versão:
foi feita para um público que conhecia muito mais de literatura,
cinema, mitologia grega (as mulheres que tecem, medem e cortam o
fio da vida) e artes em geral, o que exclui a maioria da população.
Sendo assim, se você não atura musical e fica sem entender
bulhufas do que está acontecendo, não vê o programa
até o fim mesmo. Bem, eu pelo menos vi até o último
episódio. Achei as referências interessantes, mas era
música demais para o meu gênio rabugento. Não
via a hora de acabar os episódios, pra falar a verdade só
vi a minissérie até o fim pra escrever aqui e pra
ver se poderia mudar de opinião a respeito dela - o que não
aconteceu.

Bang Bang também é cheio de referências.
A primeira cena da novela, em animação, me lembrou
Kill Bill - e não me pareceu ser a única
referência a este filme: Diana Bullock aprendendo artes marciais
com um chinês também, entre outras passagens. Só
que no final das contas, lembrei que as principais referências
contidas tanto no filme de Tarantino quanto na novela são
os filmes de faroeste - mais especificamente o western spaghetti
de Sergio Leone e cia. limitada. Na novela, tem sempre alguém
querendo se vingar de outrem. A cena do duelo inicial lembrou bons
faroestes dirigidos por John Ford e estrelados por John Wayne. Ah,
o nome do ator mais famoso do Velho Oeste de Hollywood também
inspirou um personagem (“Joe Wayne”) nos primeiros capítulos.
Mas também os Beatles são uma referência forte
na atual novela das sete. Tem a mocinha Penny Lane (seria a Penny
Lane de Quase Famosos?), pra provar que a rua em Liverpool
contagiou a todos; Yoko Bell, a gueixa japonesa que chega à
cidade; a diligência que se chama “Yellow Submarine”;
ou ainda o personagem Néon, que canta músicas dos
Beatles no “sallon” da cidade.
Outra referência bem clara são os personagens Billy
the Kid e Jesse James travestidos de “Denaides”, as
donas de uma pensão: se isso não foi inspirado em
Quanto Mais Quente Melhor, filme de Billy Wilder com Marilyn
Monroe e Jack Lemmon, eu mudo meu apelido! Ah, detalhe curioso:
esse/as dois/uas personagens, interpretados por Kadu Moliterno e
Evandro Mesquita, foram considerados por uma pesquisa feita pela
Globo os preferidos pela audiência.
Quanto à atuação, Bruno Garcia está
me decepcionando como Ben Silver e Fernanda Lima não deixa
seu sobrenome em vão: sem graça como a fruta, tá
difícil pra ela emplacar uma fisionomia que consiga convencer
alguém de que é uma atriz. Mas nada que todo mundo
já não esperasse... |