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Beagá, 02 de janeiro de 2006 d.C.
 
“Intertextualidade”
Por Menina Enciclopédia
 

Sabe aqueles textos que sempre têm na escola, um fazendo referência ao outro e tal? Os dois programas sobre os quais vou falar têm muito disso. Demorei pra falar sobre o segundo Hoje é Dia de Maria e sobre a novela Bang Bang, então eu falo agora dos dois de uma só vez.

Eu não gostei da segunda minissérie Hoje é dia de Maria. Claro que o cenário, o elenco, a direção e toda a parte técnica continuaram impecáveis. O problema é que eu odeio musical. Tá, talvez goste de uns quatro filmes só, mas para o resto eu não tenho saco. Pra mim, o que aconteceu com a minissérie acontece na maioria dos musicais: música demais pra encher lingüiça e história de menos. Fica aquela enrolação de cantar, cantar, dançar, dançar e a história não flui. Eu não tenho paciência mesmo pra isso.

No entanto, o que sobrou da história era muito interessante pelas “influências”. Cada cena tinha uma homenagem ao cinema, aos contos de fadas, às histórias da nossa cultura popular. Só que misturar tudo isso com musical ficou chato, a história mesmo se perdeu. Até gostei da Maria imitando a menina da caixinha de fósforos da história de Hans Christian Andersen; mas ela andando pela cidade coberta de neve em pleno Brasil foi estranho para quem não sabia qual era a referência ali.

E talvez este tenho sido o grande problema dessa segunda versão: foi feita para um público que conhecia muito mais de literatura, cinema, mitologia grega (as mulheres que tecem, medem e cortam o fio da vida) e artes em geral, o que exclui a maioria da população. Sendo assim, se você não atura musical e fica sem entender bulhufas do que está acontecendo, não vê o programa até o fim mesmo. Bem, eu pelo menos vi até o último episódio. Achei as referências interessantes, mas era música demais para o meu gênio rabugento. Não via a hora de acabar os episódios, pra falar a verdade só vi a minissérie até o fim pra escrever aqui e pra ver se poderia mudar de opinião a respeito dela - o que não aconteceu.

Bang Bang também é cheio de referências. A primeira cena da novela, em animação, me lembrou Kill Bill - e não me pareceu ser a única referência a este filme: Diana Bullock aprendendo artes marciais com um chinês também, entre outras passagens. Só que no final das contas, lembrei que as principais referências contidas tanto no filme de Tarantino quanto na novela são os filmes de faroeste - mais especificamente o western spaghetti de Sergio Leone e cia. limitada. Na novela, tem sempre alguém querendo se vingar de outrem. A cena do duelo inicial lembrou bons faroestes dirigidos por John Ford e estrelados por John Wayne. Ah, o nome do ator mais famoso do Velho Oeste de Hollywood também inspirou um personagem (“Joe Wayne”) nos primeiros capítulos.

Mas também os Beatles são uma referência forte na atual novela das sete. Tem a mocinha Penny Lane (seria a Penny Lane de Quase Famosos?), pra provar que a rua em Liverpool contagiou a todos; Yoko Bell, a gueixa japonesa que chega à cidade; a diligência que se chama “Yellow Submarine”; ou ainda o personagem Néon, que canta músicas dos Beatles no “sallon” da cidade.

Outra referência bem clara são os personagens Billy the Kid e Jesse James travestidos de “Denaides”, as donas de uma pensão: se isso não foi inspirado em Quanto Mais Quente Melhor, filme de Billy Wilder com Marilyn Monroe e Jack Lemmon, eu mudo meu apelido! Ah, detalhe curioso: esse/as dois/uas personagens, interpretados por Kadu Moliterno e Evandro Mesquita, foram considerados por uma pesquisa feita pela Globo os preferidos pela audiência.

Quanto à atuação, Bruno Garcia está me decepcionando como Ben Silver e Fernanda Lima não deixa seu sobrenome em vão: sem graça como a fruta, tá difícil pra ela emplacar uma fisionomia que consiga convencer alguém de que é uma atriz. Mas nada que todo mundo já não esperasse...

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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