Os telejornais têm mudado muito sua cara na TV. Bem, não só os telejornais, mas os programas de jornalismo em geral, que têm misturado “variedades” e “amenidades” com notícias “sérias”. Dá até um certo mal-estar assistir a alguns desses noticiosos pelos temas e pelos jornalistas que os apresentam.
Ana Paula Padrão deve ter gostado muito, ano passado numa chamada do seu telejornal, ainda na Globo, de que iria dar uma notinha sobre a separação de Luma de Oliveira. Agora, no SBT, ela repete aos quatro cantos: “nada como a independência”. Vamos ver até quando. Silvio Santos pode mudá-la de horário umas vinte mil vezes e ela nem vai poder reclamar: “nada como esse super salário”. Mas há outros casos, também.
Como é deprimente ver Paulo Henrique Amorim, que foi por anos correspondente nos EUA na Globo falando de política e economia, dar notícias como “Vera Fisher terminou mais um namoro. Depois de uma semana ela ligou para o namorado terminando tudo.” Ou mesmo comentando sobre o bronzeado da outra apresentadora que divide o programa com ele na Record, ou ainda tentar alcançar Ana Hickman para ficar na mesma altura que ela.
Ainda na Record, Britto Junior é outro que apresenta um programa na parte da manhã com a modelo Ana Hickman e fica lá, falando sobre bebês, mostrando cenas que editam com bebês para parecem engraçadas, mas não tem graça nenhuma - só os dois apresentadores lá vendo e rindo com sorriso amarelo, como se pensassem “quem foi o idiota que disse que essas cenas toscas têm graça e eu ainda tenho que dar risada? Porcaria...”
Claro que o dinheiro que ganham é o que vale. Mas será que profissionais de respaldo precisariam se rebaixar a tanto? Acho que eu sou muito ingênua com as pessoas mesmo.
Na outra ponta, temos Marcelo Rezende tentando ganhar credibilidade e apresentando o telejornal da Rede TV. E ainda comentando sobre a “candidatura à candidatura” ao Oscar do filme de Zezé de Camargo e Luciano: “ah, meu amigo Zezé, vou ficar torcendo por vocês!” (Se depender da minha torcida...)
Falando neste filme, até a esnobe Marina Person fica pagando pau pros sertanejos no Cine MTV: “que bom que é ver um filme brasileiro em primeiro lugar nas bilheterias brasileiras!”. Certo, e afinal o que a gente ganha com isso? |