Sábado, na TV, o que mais se
comentou e se assistiu foi ao Live 8, versão renovada do
Live Aid de 20 anos atrás. Vou dividir este texto em análises
distintas:
Política
Ok, eu não sou nenhuma entendida em política internacional
e blábláblá, quem quiser que escreva melhor
sobre isso. Talvez meu texto seja extremamente ingênuo sobre
esse assunto, mas vou dar meu pitaco sim!
Todo mundo esperando para ver suas bandas favoritas e ouvindo os
discursos dos astros que pediam para que na reunião do G8,
em Edimburgo, as pessoas participassem e fizessem pressão
em cima dos oito poderosos chefões do mundo.
Eu senti, nas palavras de Bob Geldof, um pouco de demagogia ou
então ele é muito ingênuo. Puxar o saco de Tony
Blair, pra mim, estragou as “bases” da campanha logo
de cara - mal havia começado os shows e já senti mal-estar
e desprezo pelo evento. Afinal, o primeiro-ministro da Inglaterra
disse que vai conversar com os outros poderosos do G8 para rever
o que pode ser feito pela África. É muita falsidade!
Política.
Vamos ver: se Tony Blair é tão bonzinho, por que
ele apoiou a invasão americana ao Iraque? Vai dizer que não
há milhares (ou milhões) de pessoas morrendo de fome
e sede, doentes, fora a violência e muita miséria no
Iraque decorrentes da guerra, graças ao slogan dos americanos
“levar a democracia para um povo sob tirania”?
Dizer que Tony Blair vai bater na tecla do aquecimento global (não
nos esqueçamos, o Reino Unido é uma ilha, logo será
um dos primeiros países prejudicados se as calotas de gelo
dos pólos derreterem) e no perdão da dívida
dos países pobres (o país dele é um dos que
mais reclama na Europa da imigração de pessoas desses
ditos países pobres, dos quais a Inglaterra entre outros
no passado sugaram tudo o que foi possível para se tornarem
as grandes potências que são hoje e depois os deixaram
a Deus dará), tudo muito bonito se você não
ler as entrelinhas.
Não arrecadar dinheiro e sim tentar obrigar que os verdadeiros
chefões abrissem a mão parece coisa de Robin Hood:
tirar dos ricos para dar aos pobres. Seria Bob Geldof descendente
do herói de Sherwood?
Ok, eu senti uma ponta de emoção ao ver a garota
que dizem ter sido salva pelo evento há 20 anos - com suas
imagens de criança desnutrida e hoje, uma moça cheia
de vida, até Madonna quase chorou. Só que tudo isso
me lembrou algo como o “Criança Esperança”,
muito blábláblá, muita gente assistindo só
pra ver os artistas e pouca iniciativa. Ou vão querer me
enganar que astros decadentes foram até lá só
por caridade? Muitos estavam lá só para falar “oi,
vocês lembram de mim? Vou lançar um cd novo, comprem!”
Transmissão
A MTV Brasil me surpreendeu em uma coisa: Léo Madeira mostrou
que anda estudando e conhecendo música e estava mais a par
de tudo que rolava entre os vjs que participaram da transmissão
ao vivo (Penélope, Marina e Rafa). Comecei a reconsiderá-lo
no meio daquele joio de vjs da MTV.
Claro que eles cometeram uma gafe feia: chamar Kofi Anan de Nelson
Mandela foi um fiasco, mesmo porque, minutos antes, Will Smith estava
com uma camiseta com a foto desenhada de Nelson Mandela e dava,
só pela camiseta, para ver que não era a mesma pessoa
que foi ao público em Londres agradecer pela iniciativa do
evento. O chato é que um vj confirmou o outro, não
pensaram em nenhum minuto que poderiam estar errados. Ainda bem
que perceberam a mancada e se corrigiram depois - alguém
na produção deve tê-los corrigido.
O insuportável da exibição da MTV é
que, apesar do patrocinador aparecer na tela durante toda a transmissão,
eles ainda cortavam shows para passar a propaganda da tal empresa
de telefonia que de viva não tem nada, é meio morta
viva, quem tem essa tranqueira sabe. Pior era quando cortavam shows
para ficarem no papo furado dos vjs e ainda tinha um chat da MTV
com a audiência (plis! que idiotice!) e depois eles falavam
“ah, ainda tem mais show de fulano, vamos pra lá”,
e pegávamos o show no finalzinho ou o pior: “ah, vamos
voltar ao show do sicrano, ah, já acabou, vamos falar de
novo sobre...” e repetiam a mesma lengalenga. Marina não
parava de falar que era um dia histórico. Parecia um robozinho
com falando a mesma coisa sem parar, como numa gravação,
acabava a fita e voltavam, encheu o saco! Fora que estragaram toda
a graça: Léo e Penélope já disseram
logo de cara que o primeiro show seria Paul McCartney e U2 cantando
“Sgt. Pepper’s”, não deixaram que fosse
surpresa para os espectadores.
Rafa nem é preciso falar que ficou ainda mais atrapalhado
do que já é e atropelava a Marina a todo momento (o
que não era nada ruim). Penélope reparava que a calça
do cantor country estava justa demais e dividia os “documentos”
do cara, ou então que a calcinha da Beyonce era branca e
combinava com a roupa branca que a cantora usava.
Muita gente que disseram que ia passar pelos shows não ganhou
nem uma recapitulação, como The Cure e Placebo que
se apresentariam em Paris, nadinha. Só mostraram 300 vezes
a barriga lipoaspirada da Shakira na mesma cidade.
Shows
Os franceses, italianos e canadenses foram os que tiveram mais
azar com os shows. Nem vou citar os americanos porque eles devem
adorar o que viram, então não foi tão ruim
pra eles ver uma bandinha com um negro, um descendente de hispânicos
e uma falsa magra (aquele rostão cheio não me engana)
repetindo a mesma coisa milhões de vezes em cima de uma das
surf musics mais famosas da história. Até eu faria
sucesso assim.
O primeiro show tão esperado e comentado de Paul McCartney
e U2 não foi grande coisa, eu achei bem frio, talvez tenha
sido um pouco por culpa da edição das imagens que
chegavam até nós, mal tinha um close deles cantando
juntos ou do telão com uma animação versão
da capa do Sgt. Pepper’s, foi fraco e sem graça.
Se foi histórico, só para quem estava lá.
Os que mais animaram o público foram Coldplay e Richard
Ashcroft em Londres, Pet Shop Boys na Rússia, Green Day em
Berlim (já esperava isso deles, vi o show deles aqui em Sampa
em 98, eles agitam muito a platéia), nos Portões de
Brandenburgo (que lugar lindo é aquele??? Não posso
morrer sem ir lá!). O A-ha deu um show de profissionalismo
ao continuar a música mesmo sem retorno de som (também
em Berlim); Madonna, Robbie Willians (o cara é realmente
a rainha por lá) e The Who, todos no Hyde Park, foram o destaque.
Acho que o Pink Floyd não animou, causou sim uma espécie
de comoção aos presentes. E claro, Paul McCartney
com U2 (estou falando do público presente, não de
mim) e o final tendo George Michael com todos os astros cantando
“Hey Jude”.
Momento bizarro: Elton John cantando T. Rex com Pete Doherty, ex-vocal
do Libertines. O cara realmente está mal das pernas, só
Elton John pra dar uma força - o que causou muitos comentários
“ambíguos” por parte dos vjs da MTV (leia-se
Penélope), ainda mais com o selinho que os dois (Elton e
Pete) trocaram no final da apresentação.
O interessante foi ver que muitas artistas realmente participam
de campanha beneficentes e que aquilo foi só mais um projeto
(como Annie Lennox), diferente de uma Mariah Carrie da vida que
leva pro show um coro de crianças negras para se dizer consciente
e pra que todos se lembrem que ela existe depois de tantos cds e
filme encalhados.
Outra coisa, o público: em Londres, percebia-se que muitos
espectadores tinham idade pra ter participado do primeiro show e
estavam lá com filhos ou sozinhos para dar novamente apoio
à campanha, gente que foi lá pra conferir tudo de
novo.
Enfim, foi uma oportunidade para se ver grandes shows, quando não
cortados pelos nossos queridos vjs da MTV Brasil. Ou seja, entre
mortos e feridos, sobraram uns shows mutilados muito legais!
Os meus preferidos
•
Coldplay e Richard Ashcroft cantando “Bittersweet Symphony”
em Londres;
•
Stereophonics (e olha que eu nem acho eles grande coisa, mas fizeram
um show muito bom, pelo pouco que passaram) em Londres;
•
R.E.M com Michael Stipe cantando com uma faixa azul pintada nos
olhos em Londres;
•
Green Day, esse show eles exibiram inteiro, em Berlim;
•
Brian Wilson com “Good Vibration” em Berlim;
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A-há em Berlim e Pet Shop Boys na Rússia (para vocês
me chamarem de brega, mas eu, quando pré-adolescente, gostava
de ouvir músicas deles rsss);
•
Snow Patrol com “Run” (minha favorita) em Londres;
•
Scissor Sister (que agora tive certeza que a vocalista não
canta nada, só o cara) em Londres;
•
Madonna (todo o show, mas “Like a Prayer” foi muito
bom!) em Londres;
•
The Who e Pink Floyd em Londres;
•
Paul McCartney cantando só Beatles em Londres.
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