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Beagá, 04 de julho de 2005 d.C.
 
Live 8 na TV
Por Menina Enciclopédia
 

Sábado, na TV, o que mais se comentou e se assistiu foi ao Live 8, versão renovada do Live Aid de 20 anos atrás. Vou dividir este texto em análises distintas:

Política

Ok, eu não sou nenhuma entendida em política internacional e blábláblá, quem quiser que escreva melhor sobre isso. Talvez meu texto seja extremamente ingênuo sobre esse assunto, mas vou dar meu pitaco sim!

Todo mundo esperando para ver suas bandas favoritas e ouvindo os discursos dos astros que pediam para que na reunião do G8, em Edimburgo, as pessoas participassem e fizessem pressão em cima dos oito poderosos chefões do mundo.

Eu senti, nas palavras de Bob Geldof, um pouco de demagogia ou então ele é muito ingênuo. Puxar o saco de Tony Blair, pra mim, estragou as “bases” da campanha logo de cara - mal havia começado os shows e já senti mal-estar e desprezo pelo evento. Afinal, o primeiro-ministro da Inglaterra disse que vai conversar com os outros poderosos do G8 para rever o que pode ser feito pela África. É muita falsidade! Política.

Vamos ver: se Tony Blair é tão bonzinho, por que ele apoiou a invasão americana ao Iraque? Vai dizer que não há milhares (ou milhões) de pessoas morrendo de fome e sede, doentes, fora a violência e muita miséria no Iraque decorrentes da guerra, graças ao slogan dos americanos “levar a democracia para um povo sob tirania”?

Dizer que Tony Blair vai bater na tecla do aquecimento global (não nos esqueçamos, o Reino Unido é uma ilha, logo será um dos primeiros países prejudicados se as calotas de gelo dos pólos derreterem) e no perdão da dívida dos países pobres (o país dele é um dos que mais reclama na Europa da imigração de pessoas desses ditos países pobres, dos quais a Inglaterra entre outros no passado sugaram tudo o que foi possível para se tornarem as grandes potências que são hoje e depois os deixaram a Deus dará), tudo muito bonito se você não ler as entrelinhas.

Não arrecadar dinheiro e sim tentar obrigar que os verdadeiros chefões abrissem a mão parece coisa de Robin Hood: tirar dos ricos para dar aos pobres. Seria Bob Geldof descendente do herói de Sherwood?

Ok, eu senti uma ponta de emoção ao ver a garota que dizem ter sido salva pelo evento há 20 anos - com suas imagens de criança desnutrida e hoje, uma moça cheia de vida, até Madonna quase chorou. Só que tudo isso me lembrou algo como o “Criança Esperança”, muito blábláblá, muita gente assistindo só pra ver os artistas e pouca iniciativa. Ou vão querer me enganar que astros decadentes foram até lá só por caridade? Muitos estavam lá só para falar “oi, vocês lembram de mim? Vou lançar um cd novo, comprem!”

Transmissão

A MTV Brasil me surpreendeu em uma coisa: Léo Madeira mostrou que anda estudando e conhecendo música e estava mais a par de tudo que rolava entre os vjs que participaram da transmissão ao vivo (Penélope, Marina e Rafa). Comecei a reconsiderá-lo no meio daquele joio de vjs da MTV.

Claro que eles cometeram uma gafe feia: chamar Kofi Anan de Nelson Mandela foi um fiasco, mesmo porque, minutos antes, Will Smith estava com uma camiseta com a foto desenhada de Nelson Mandela e dava, só pela camiseta, para ver que não era a mesma pessoa que foi ao público em Londres agradecer pela iniciativa do evento. O chato é que um vj confirmou o outro, não pensaram em nenhum minuto que poderiam estar errados. Ainda bem que perceberam a mancada e se corrigiram depois - alguém na produção deve tê-los corrigido.

O insuportável da exibição da MTV é que, apesar do patrocinador aparecer na tela durante toda a transmissão, eles ainda cortavam shows para passar a propaganda da tal empresa de telefonia que de viva não tem nada, é meio morta viva, quem tem essa tranqueira sabe. Pior era quando cortavam shows para ficarem no papo furado dos vjs e ainda tinha um chat da MTV com a audiência (plis! que idiotice!) e depois eles falavam “ah, ainda tem mais show de fulano, vamos pra lá”, e pegávamos o show no finalzinho ou o pior: “ah, vamos voltar ao show do sicrano, ah, já acabou, vamos falar de novo sobre...” e repetiam a mesma lengalenga. Marina não parava de falar que era um dia histórico. Parecia um robozinho com falando a mesma coisa sem parar, como numa gravação, acabava a fita e voltavam, encheu o saco! Fora que estragaram toda a graça: Léo e Penélope já disseram logo de cara que o primeiro show seria Paul McCartney e U2 cantando “Sgt. Pepper’s”, não deixaram que fosse surpresa para os espectadores.

Rafa nem é preciso falar que ficou ainda mais atrapalhado do que já é e atropelava a Marina a todo momento (o que não era nada ruim). Penélope reparava que a calça do cantor country estava justa demais e dividia os “documentos” do cara, ou então que a calcinha da Beyonce era branca e combinava com a roupa branca que a cantora usava.

Muita gente que disseram que ia passar pelos shows não ganhou nem uma recapitulação, como The Cure e Placebo que se apresentariam em Paris, nadinha. Só mostraram 300 vezes a barriga lipoaspirada da Shakira na mesma cidade.

Shows

Os franceses, italianos e canadenses foram os que tiveram mais azar com os shows. Nem vou citar os americanos porque eles devem adorar o que viram, então não foi tão ruim pra eles ver uma bandinha com um negro, um descendente de hispânicos e uma falsa magra (aquele rostão cheio não me engana) repetindo a mesma coisa milhões de vezes em cima de uma das surf musics mais famosas da história. Até eu faria sucesso assim.

O primeiro show tão esperado e comentado de Paul McCartney e U2 não foi grande coisa, eu achei bem frio, talvez tenha sido um pouco por culpa da edição das imagens que chegavam até nós, mal tinha um close deles cantando juntos ou do telão com uma animação versão da capa do Sgt. Pepper’s, foi fraco e sem graça. Se foi histórico, só para quem estava lá.

Os que mais animaram o público foram Coldplay e Richard Ashcroft em Londres, Pet Shop Boys na Rússia, Green Day em Berlim (já esperava isso deles, vi o show deles aqui em Sampa em 98, eles agitam muito a platéia), nos Portões de Brandenburgo (que lugar lindo é aquele??? Não posso morrer sem ir lá!). O A-ha deu um show de profissionalismo ao continuar a música mesmo sem retorno de som (também em Berlim); Madonna, Robbie Willians (o cara é realmente a rainha por lá) e The Who, todos no Hyde Park, foram o destaque. Acho que o Pink Floyd não animou, causou sim uma espécie de comoção aos presentes. E claro, Paul McCartney com U2 (estou falando do público presente, não de mim) e o final tendo George Michael com todos os astros cantando “Hey Jude”.

Momento bizarro: Elton John cantando T. Rex com Pete Doherty, ex-vocal do Libertines. O cara realmente está mal das pernas, só Elton John pra dar uma força - o que causou muitos comentários “ambíguos” por parte dos vjs da MTV (leia-se Penélope), ainda mais com o selinho que os dois (Elton e Pete) trocaram no final da apresentação.

O interessante foi ver que muitas artistas realmente participam de campanha beneficentes e que aquilo foi só mais um projeto (como Annie Lennox), diferente de uma Mariah Carrie da vida que leva pro show um coro de crianças negras para se dizer consciente e pra que todos se lembrem que ela existe depois de tantos cds e filme encalhados.

Outra coisa, o público: em Londres, percebia-se que muitos espectadores tinham idade pra ter participado do primeiro show e estavam lá com filhos ou sozinhos para dar novamente apoio à campanha, gente que foi lá pra conferir tudo de novo.

Enfim, foi uma oportunidade para se ver grandes shows, quando não cortados pelos nossos queridos vjs da MTV Brasil. Ou seja, entre mortos e feridos, sobraram uns shows mutilados muito legais!

Os meus preferidos

Coldplay e Richard Ashcroft cantando “Bittersweet Symphony” em Londres;
Stereophonics (e olha que eu nem acho eles grande coisa, mas fizeram um show muito bom, pelo pouco que passaram) em Londres;
R.E.M com Michael Stipe cantando com uma faixa azul pintada nos olhos em Londres;
Green Day, esse show eles exibiram inteiro, em Berlim;
Brian Wilson com “Good Vibration” em Berlim;
A-há em Berlim e Pet Shop Boys na Rússia (para vocês me chamarem de brega, mas eu, quando pré-adolescente, gostava de ouvir músicas deles rsss);
Snow Patrol com “Run” (minha favorita) em Londres;
Scissor Sister (que agora tive certeza que a vocalista não canta nada, só o cara) em Londres;
Madonna (todo o show, mas “Like a Prayer” foi muito bom!) em Londres;
The Who e Pink Floyd em Londres;
Paul McCartney cantando só Beatles em Londres.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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