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Beagá, 13 de junho de 2005 d.C.
 
Sexo e Futilidade à Enésima Potência
Por Menina Enciclopédia
 

Elas são bonitas, chiques, independentes, descoladas, inteligentes (pelo menos em suas vidas profissionais), fúteis e mal amadas. Elas são Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda, as personagens principais de Sex and the City.

Exibido originalmente de 1998 a 2004 na TV americana e aqui na TV paga pela mesma HBO, depois pela Multishow e na TV aberta pela Rede 21, a série fez sucesso contando os casos amorosos dessas quatro balzaquianas nova-iorquinas com dinheiro e sem marido. Tudo é narrado por Carrie Bradshaw, jornalista que conta essas experiências em sua coluna, chamada “Sex and the City”, num jornal de Nova Iorque.

Os altos e baixos na vida dessas amigas são mostrados toda semana para um público muito fiel, mas será realmente que, quando do encerramento da série, no ano passado, a audiência torceu para um final feliz para elas? Não sei dizer ao certo, afinal elas não se enquadram no quesito “as mocinhas clássicas das séries”, o que pode explicar em parte o sucesso do seriado. Já o primeiro episódio tenta desvendar “por que tantas mulheres com tantas qualidades estão sozinhas?” Cada personagem, a seu modo, tentava dar respostas. Em princípio, era uma coisa até meio “sociológica” desvendar essas agruras da mulher moderna mas, é claro, uma série de TV não poderia se deter a isso.

Então esses questionamentos passaram a não fazer tanto sentido. Na série, quase não se fala ou se mostra Carrie escrevendo para o jornal, e quando isso acontece ela está apenas narrando o desenrolar do cotidiano dela e de suas amigas. Seu papel como jornalista ficou relegado a um segundo plano e sua obsessão por Mr. Big virou o alvo.

A futilidade tomou conta do seriado. No site oficial há uma coluna só para ver os modelitos de grife que as personagens usaram durante as seis temporadas da série, tudo se tornou muito fashion. Os relacionamentos amorosos/sexuais e as compras das personagens se tornaram o mote. E elas teriam mais o que dizer, já que, afinal de contas, existiam: a insegura e ansiosa (Carrie), a desesperada para casar (Charlotte), a desconfiada (Miranda) e a ninfomaníaca (Samantha). Até disseram a que vieram, mas as histórias se tornaram batidas, cheias de clichês, como a personagem Carrie não conseguir mais ser feliz no “amor” sem Mr. Big.

O que era inovador e “saidinho” para os patrões americanos, ganhou recalque e se tornou mais conservador ainda no encerramento de Sex and the City.

(Atenção: quem não viu ou não quer saber o final, não leia daqui pra frente!)

Samantha, que “comia” todos, teve câncer - seria isso uma espécie de punição à sua libertinagem? Daí o meu questionamento se todo mundo torceu mesmo pelas personagens. Charlotte, que tanto queria se casar, finalmente arranja marido, mas o casal não pode ter filhos. Miranda deixa seu lado totalmente independente para ser meio “mãezona”. E Carrie fica com Big.

As personagens, que estavam mais propensas a serem como mulheres reais, ganharam finais dignos de contos de fada (Carrie), ou então seus estilos de vida foram modificados (Miranda e Samantha), ou a sofredora mocinha sofre mais um pouco no final (Charlotte).

Finais conservadores, batidos, regados a muito merchandising de moda, depois de um começo de série honesto e realista. Sex and the City foi decepcionante.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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