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Beagá, 30 de maio de 2005 d.C.
 
Pra americano ver
Por Menina Enciclopédia
 

América é uma novela muito chata!

Quando a trama começou com a direção de Jayme Monjardim, tudo lembrava demais O Clone: a música de abertura parecia ser a mesma dos personagens da novela anterior de Glória Perez. E a abertura também era muito sem graça.

O que mais me irritava era o problema de cada pessoa estar num canto e ficar tudo muito solto, eu não sabia aonde tinha ido tal personagem: ele estaria no Rio, Miami ou no Mato Grosso?

O engraçado é que Paulo Goulart disse que ia atrás da filha, Sol, (ele estava no Rio) e daí a pouco estava na casa da irmã, em Boiadeiros, e seu Corcel 1 estava na porta da fazenda de Eliane Giardini – isso que é carro poderoso!

Em poucas semanas, a própria Glória Perez demonstrou sua insatisfação com a direção da trama e pediu a cabeça de Monjardim. Mudaram a abertura e a música, os locais estão sendo especificados, Débora Secco parou de sussurrar e sua personagem tem menos cara de coitada. Mas continua levando o seu souvenir da Estátua da Liberdade aonde quer que vá, nossa! Ela passa por tanta coisa e o vidro do negócio não quebrou! Tudo que é americano é demais de bom!

Mesmo assim, a novela não prende a atenção, só de quem está acomodado a ver novela e nem pensa em mudar de canal, já está grudado ali na poltrona há anos...

Há muitas coisas incorretas na trama. Por exemplo: como os americanos, mexicanos, cubanos, brasileiros, todos se entendem perfeitamente? Ninguém tem sotaque, a não ser aquela coisa meio forçada que não convence ninguém. Eu já achava isso o fim da picada em Mad Maria – que, aliás, não comentei por aqui, mas foi uma grande porcaria de minissérie. Bem água com açúcar, ignorou o principal, a história da Ferrovia Madeira Mamoré, prendendo-se a intriguinhas do poder por causa da Priscila Fantin – Tony Ramos e Antonio Fagundes brigando pra saber quem pegava mais a menina... Ah, sim, e os sotaques que não existiam entre ingleses, irlandeses, americanos e os próprios brasileiros! Parece que todo mundo fala uma língua universal na trama... seria a Novilíngua?

Os americanos conversam em português entre si (tudo bem, seria um saco assistir à novela toda legendada) só que, ao final da conversa, eles se despedem em inglês! Pra que isso? Por que a mexicana dona da pensão conversa normalmente com os brasileiros lá hospedados? Só porque um dos hóspedes é brasileiro e mora lá há anos? Colocaram mexicanos, cubanos, brasileiros todos num balaio só, como se fôssemos realmente todos iguais. Isso é uma visão muito americanizada, não?

E o que dizer de um cara que ganha uma bolsa de estudos nos Estados Unidos e a mulher e o filho preferem ficar numa pensão. Não gostam do lugar onde estão de jeito nenhum... Ficassem no Brasil, ora! Afinal, oh, como eles sofrem! Com uma bolsa de estudos lá fora são realmente sofredores!

O pior é ver Marcelo Novaes fazer o papel de rapazinho do interior que veio prestar vestibular em São Paulo. Tá atrasado uns 20 anos. Só agora ele terminou o Ensino Médio? A Globo não tem ator nessa faixa de idade não? Tá todo mundo ocupado na Malhação? Só tem tio pra fazer papel de jovem inocente e sonhador que já tá ficando de barba branca?

Já o cabelo da Mariana Ximenes dá a entender que ela era punk em 78 e assistia aos Pistols, parece um passarinho que morreu eletrocutado no cabo de alta tensão da rua.

Ok, agora me expliquem: como é que alguém atravessa a fronteira com o México, perto da Califórnia, do Novo México, do Arizona ou do Texas (onde há o tal deserto) e vai parar como mágica em Miami, no estado da Flórida (a milhares de quilômetros de distância dali)? Depois de perceberem esse furo, colocaram uma personagem falando que havia ficado escondida num navio, mas se ninguém tivesse reclamado deixariam assim, afinal a capital do Brasil é Buenos Aires mesmo...

Ei, na próxima coluna eu falo sobre Cambalacho, ops! A Lua me Disse.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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