América é uma
novela muito chata!
Quando a trama começou com a direção de Jayme
Monjardim, tudo lembrava demais O Clone: a música
de abertura parecia ser a mesma dos personagens da novela anterior
de Glória Perez. E a abertura também era muito sem
graça.
O que mais me irritava era o problema de cada pessoa estar num
canto e ficar tudo muito solto, eu não sabia aonde tinha
ido tal personagem: ele estaria no Rio, Miami ou no Mato Grosso?
O engraçado é que Paulo Goulart disse que ia atrás
da filha, Sol, (ele estava no Rio) e daí a pouco estava na
casa da irmã, em Boiadeiros, e seu Corcel 1 estava na porta
da fazenda de Eliane Giardini – isso que é carro poderoso!
Em poucas semanas, a própria Glória Perez demonstrou
sua insatisfação com a direção da trama
e pediu a cabeça de Monjardim. Mudaram a abertura e a música,
os locais estão sendo especificados, Débora Secco
parou de sussurrar e sua personagem tem menos cara de coitada. Mas
continua levando o seu souvenir da Estátua da Liberdade aonde
quer que vá, nossa! Ela passa por tanta coisa e o vidro do
negócio não quebrou! Tudo que é americano é
demais de bom!
Mesmo assim, a novela não prende a atenção,
só de quem está acomodado a ver novela e nem pensa
em mudar de canal, já está grudado ali na poltrona
há anos...
Há muitas coisas incorretas na trama. Por exemplo: como
os americanos, mexicanos, cubanos, brasileiros, todos se entendem
perfeitamente? Ninguém tem sotaque, a não ser aquela
coisa meio forçada que não convence ninguém.
Eu já achava isso o fim da picada em Mad Maria –
que, aliás, não comentei por aqui, mas foi uma grande
porcaria de minissérie. Bem água com açúcar,
ignorou o principal, a história da Ferrovia Madeira Mamoré,
prendendo-se a intriguinhas do poder por causa da Priscila Fantin
– Tony Ramos e Antonio Fagundes brigando pra saber quem pegava
mais a menina... Ah, sim, e os sotaques que não existiam
entre ingleses, irlandeses, americanos e os próprios brasileiros!
Parece que todo mundo fala uma língua universal na trama...
seria a Novilíngua?
Os americanos conversam em português entre si (tudo bem,
seria um saco assistir à novela toda legendada) só
que, ao final da conversa, eles se despedem em inglês! Pra
que isso? Por que a mexicana dona da pensão conversa normalmente
com os brasileiros lá hospedados? Só porque um dos
hóspedes é brasileiro e mora lá há anos?
Colocaram mexicanos, cubanos, brasileiros todos num balaio só,
como se fôssemos realmente todos iguais. Isso é uma
visão muito americanizada, não?
E o que dizer de um cara que ganha uma bolsa de estudos nos Estados
Unidos e a mulher e o filho preferem ficar numa pensão. Não
gostam do lugar onde estão de jeito nenhum... Ficassem no
Brasil, ora! Afinal, oh, como eles sofrem! Com uma bolsa de estudos
lá fora são realmente sofredores!
O pior é ver Marcelo Novaes fazer o papel de rapazinho do
interior que veio prestar vestibular em São Paulo. Tá
atrasado uns 20 anos. Só agora ele terminou o Ensino Médio?
A Globo não tem ator nessa faixa de idade não? Tá
todo mundo ocupado na Malhação? Só
tem tio pra fazer papel de jovem inocente e sonhador que já
tá ficando de barba branca?
Já o cabelo da Mariana Ximenes dá a entender que
ela era punk em 78 e assistia aos Pistols, parece um passarinho
que morreu eletrocutado no cabo de alta tensão da rua.
Ok, agora me expliquem: como é que alguém atravessa
a fronteira com o México, perto da Califórnia, do
Novo México, do Arizona ou do Texas (onde há o tal
deserto) e vai parar como mágica em Miami, no estado da Flórida
(a milhares de quilômetros de distância dali)? Depois
de perceberem esse furo, colocaram uma personagem falando que havia
ficado escondida num navio, mas se ninguém tivesse reclamado
deixariam assim, afinal a capital do Brasil é Buenos Aires
mesmo...
Ei, na próxima coluna eu falo sobre Cambalacho,
ops! A Lua me Disse.
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