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Beagá, 25 de abril de 2005 d.C.
 
Como diria o Chacrinha: “na TV nada se cria, tudo se copia”
Por Menina Enciclopédia
 

Eu sei, escrevi faz pouco tempo um texto sobre a “originalidade” que predomina na TV, mas o caso, agora, é que está rolando um culto aos anos 80 nesse aparelhinho que, francamente...

A mídia, de modo geral, trouxe à tona os anos 80 - como acontece toda década, o retorno às duas décadas anteriores é a nova sensação de sempre. Pelo fato de ter sido criança nos 80, eu me lembro bem daquela época e acho um saco e até pedante este retorno. Não consigo ver nada de legal nisso, assisto a tudo com um olhar de “putz, vão ressuscitar essa coisa? Por favor, não!!”

Comecemos pelo Gordo Freak Show: João Gordo “paga uma de fodão”(posso usar isso, chefe?), apresentando um programa que deveria ser uma coisa de deixar qualquer um de cabelo em pé, uma mistura de bizarrice e falta de noção total. O que eu vejo é o Show de Calouros do senhor Abravanel, principalmente o quadro tosco do Isto é Incrível, com toques de Perdidos na Noite - programa que era apresentado por Fausto Silva na Bandeirantes: pessoas tentando aparecer, cantando vestidas de palhaço, e um número estúpido com o cara que diz chorar sangue - ai que saudade do Homem Avestruz no programa do Sílvio...

O prêmio não poderia ser mais anos 80: discos (sim, vinis!) de Menudo, Fábio Jr. e assim vai. Os quadros são bobos, insossos, querem muito que você pense que o programa é “agitado”, mas é de dar sono. Ou você acha que vale a pena ficar com a TV ligada vendo um cara bobo da platéia girando uma roleta para saber se vai levar porrada de mentira do Trovão e sua trupe (eles não são dos Gigantes do Ringue? Acho que isso é anterior aos anos 80)? Ou ainda, se vai rolar um strip de alguma fulana gostosona (os coitados nunca ganham essa) ou qualquer outra besteira que o redator do programa tiver a “inteligência” de inventar. Mas tem algo de novo! Sim! Tem João Gordo jogando Counter Strike... Preferia a “Porta dos Desesperados” do Sérgio Mallandro.

E falando em Sérgio Mallandro (pra quem não sabe, ele ainda tem programa na TV...), outro dia ele mostrava o super show que fez na Trash 80 (um show que acontece todo fim de semana aqui em São Paulo só com as coisas mais toscas dessa referida década). Encheu lingüiça em seu programa (que acabou ficando “melhor” do que o normal) apresentando esse show em que cantava pérolas tais como “Vem fazer Glu-Glu” e “Farofa” (que ele já havia regravado na época). A recordação dos tempos áureos do sucesso dele no SBT como jurado do dono do Baú.

Falei tanto no dono do Baú e ele não pode ficar de fora: o que é esse programa de disputa de talentos domingo à noite senão um Show de Calouros sem alguns dos antigos jurados - como a Flor, eterna virgem que vive de luz solar, Mara Maravilha antes de encontrar Jesus, Décio Piccinini, que é só fofoqueiro agora, Wagner Montes, que dá uma de Ratinho na Record do Rio...

Pedro de Lara continua fazendo o mesmo tipo que não gosta de nada e os novos jurados continuam votando como os antigos, dizendo sempre a mesma coisa: “olha, você foi maravilhoso! Mas eu vou votar no outro...” Isso sem falar que a Folha de São Paulo já havia feito uma matéria, revelando que o vencedor do programa será sempre escolhido pelo super Silvio. Ai, que saudade da Araci de Almeida falando “vai levarrrrr déishhh paushhhh” com seu jeito debochado! E ainda: essa semana ele desenterra o Qual é a Música. Mais um pouco e ele traz de volta o Pablo, para fazer aquelas dublagens...

O pior de tudo, nesse programa, é que tudo, tudo é igual! Mudam um pouquinho o cenário (sempre tosco), mas as músicas usadas para serem decifradas, cantadas, uns 70% é a mesma base: as antigonas do velhos tempos! Um horror!!! Cara de pau, até!

Outros que ressuscitaram os anos 80 foram os caras do Pânico na TV. Eles colocaram uma banda (chamada “Viva a Noite”) no palco relembrando os clássicos de Nahim, Gugu, Balão Mágico, Trem da Alegria, Absinto, entre outras coisas, cantadas por um cara vestido de Bozo e uma backing vocal de Paquita. Agora, só falta a Globo ressuscitar o Globo de Ouro e tocar essas pérolas também. Quem gosta pra valer disso são os artistas que explodiram naquela época - e viraram poeira na década seguinte. Agora, com esse retorno, podem ganhar uns trocados e voltar a aparecer em todos os programas da noite que adoram explorar esse filão “por onde andará sicrano, vamos cantar com ele e relembrar”.

Pra encerrar, Hermes & Renato é o único programa que me faz lembrar e achar engraçados os anos 80, com o seu Gozo e a corrida dos cavalinhos muito da debochada...

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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