Ano passado eu escrevi um texto que
trouxe uma certa polêmica: dei uma geral na visão da
mulher nos videoclipes da Britney e da Beyonce, por exemplo, e o
quanto a visão de mulher objeto continua imperando na TV,
mesmo que ela tente se fazer de dominadora - ao menos, no caso dos
clipes dessas duas.
Meu amigo de site Henry Chinaski foi o primeiro
a chiar e colocou o seu ponto de vista... Bem, se quiserem entender
o “babado”, leiam a minha coluna,
a coluna dele sobre o
tema e a outra coluna que escrevi
depois, na tréplica...
Acho que ainda há muito o que falar sobre
a mulher na TV e essa visão machista. Mas vamos por partes.
Cena de Mad Maria: a personagem Luíza,
interpretada por Priscila Fantin, apanha duramente do Ministro J.
de Castro, feito por Antônio Fagundes, fica com o rosto todo
marcado, amanhece com ele, no maior love, e diz para a empregada
“Ele me ama”. Grande! Uma mulher é espancada
pelo amante na minissérie global e ainda diz que o cara a
ama.
Claro que isso pode ser uma cena que exista mesmo
no livro do qual a trama é inspirada, só que, talvez,
isso poderia ter sido “podado” da trama atual, não
tem nada de “politicamente correto” nos tempos de hoje.
Afinal, sabemos que muita gente não sabe separar realidade
da ficção e muito menos entender um contexto histórico.
Mesmo assim, eu não entendo esse contexto histórico
de uma mulher apanhar pra valer, se entregar ao próprio carrasco
logo depois da sova e no outro dia de manhã falar que o homem
que a espancou a ama. Não entendo...
Para as mulheres da época em que se passa
a minissérie, quem sabe isso não fosse algo normal?
Precisavam do dinheiro dele, não sabiam viver sem ser a mando
de um homem, saíam da casa do pai e iam direto pra casa do
marido e viviam à sua sombra - mesmo que fossem mais inteligentes
e espertas que eles, como a personagem Amália (Cássia
Kiss), esposa do próprio J. de Castro.
O fato é que, apesar da mulher ganhar novas
perspectivas na TV em alguns programas e que haja a denúncia
dos maus-tratos sofrido por elas, como no último Globo
Repórter, a própria “Grande Irmã”
(como bem definiu o Sukrilius
no seu texto - a análise dos “braços”
desse polvo ficou muito boa!) se contradiz ao mostrar um cena como
essa em um de seus programas.
Se ela quer mostrar que a personagem mesmo apanhando
é apaixonada pelo ministro, não precisava exagerar,
não precisava colocar a Fantin sem nenhum expressão
falando essas belas palavras... Paradoxal pensar nessa cena e no
Globo Repórter.
Só para esclarecer o “sem expressão”:
acho que o erro já está na atriz, que não demonstrou
um pingo de emoção na cena. Apenas disse um “ele
me ama” totalmente artificial, sem saber transmitir algum
tipo de sentimento. Aí eu me pergunto: a personagem disse
isso pra valer ou foi só da boca pra fora para a empregada?
Falta uma direção mais presente ou talento à
atriz para desempenhar melhor o papel e demonstrar que a personagem
é tão ingênua ou tão sacana que pensa
desse jeito.
Outro ponto que eu queria levantar, agora no quesito
comerciais: fiquei esperando por um anúncio que revidasse
a primeira propaganda - como não aconteceu, reclamo eu aqui.
Um comercial de cerveja em que há um casamento
e o noivo diz ao padre que não sabe se casa com a garota,
afinal de contas se a mulher com o passar dos anos ficar feia e
gorda, como ele fica?
O pai da noiva ri com a esposa do lado, gorda e
velha, que acha ruim, claro.
Daí a questão: o pai da noiva também
está velho, barrigudo e careca, não se toca e ainda
fica contra a própria filha? É um comercial, é
para ter graça e é assim que se vende essa porcaria
de cerveja.
Mas é extremamente machista e egoísta
você pensar que os homens também não envelhecem,
também não engordam e pior: ficam carecas - coisa
que dificilmente acontece com as mulheres... Ainda temos uma vantagem!
Pensei que a cerveja faria um comercial de desforra
da noiva... Pois eles haviam feito um em que a esposa cutucava o
marido, mas dessa vez não aconteceu. Lamentável! E
aí a cultura de que o homem sempre é o bom e “imutável”
permanece...
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