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Beagá, 28 de fevereiro de 2005 d.C.
 
Na TV, nada se cria, nada se transforma...
Por Menina Enciclopédia
 

Andei assistindo alguns programas e séries de TV e a impressão que tenho é que nos fazem de bobos! É tanta cópia de antigos formatos, histórias e personagens que chega a ser cansativo.

Comecemos com as novelas:

Malhação conta como novela? É tão bobo e idiota que nem dá pra comparar com qualquer coisa feita anteriormente. Consegue ser pior que todas as outras: jovens apaixonados separados por rivais, intriguinhas familiares, pais e mães bons samaritanos que acabam por apoiar todas as burrices dos filhos, professores de uma escola que mal sabem se expressar naturalmente (professores que são modelos e atrizes-robôs, eu diria), as mocinhas são sempre as loiras (de olhos claros, preferencialmente), o mocinho é o garotão da vez que não sairá do Domingão do Faustão ou do Caldeirão. Sai ano, entra ano e está lá o tal do Cabeção - até a família do cara já saiu da história, e ele lá... Sabe-se o porquê...

Novela das seis, Como uma Onda: uma mocinha que se casa com o vilão e ama o português bonitão. Aline Moraes é a bola da vez nas novelas até descobrirem uma outra jovem modelo e atriz que ganhe a predileção do público e que seja, de preferência, mais nova que ela - como o que aconteceu com Maria Fernanda Cândido, que está na trama, mas ninguém se lembra dela (graças a Deus!) e nem daquela votação ridícula que a elegeu a mulher mais bonita do século passado. Bem, votação como melhor atriz de qualquer coisa ela nunca ganharia mesmo. Ah! Engano meu: ela já ganhou um prêmio no cinema como atriz, né? A sem sal e sem açúcar da Gwyneth Paltrow também ganhou o Oscar num filme ainda mais sem graça que ela própria. Premiação, muitas vezes, não quer dizer absolutamente nada! Ainda mais o Oscar.

Draminha das 19 horas: homem perde a memória e vai para a Rússia sem se lembrar de seu amor da juventude, do qual foi separado, e sem saber que se tornou pai. Isso é tão batido em novela! Mocinha se apaixona e engravida do rapaz, mas sua família, poderosa, não o quer e daí ou somem com ela (mandam pro convento ou pra um país bem longe), ou tentam dar um fim nele, ou enfim obrigam a pobre mocinha a se casar com outro homem, que seria o bom, mas que se revela um dos vilões da trama - claro, ele não quer deixar que os dois pombinhos se reencontrem e voltem a ser felizes... Oh, que dureza!

Depois do Jornal Nacional tem a história da mulher forte, sofrida e que alcançou dinheiro e sucesso profissional - é só lembrar de Rainha da Sucata ou Vale Tudo, por exemplo. E, é claro, tem ainda alguma desgraça acontecendo na vida dela que precisa ser resolvida. E se não tiver na história a vilã que vive a inferniza-la, não é novela...

Suzana Vieira e aquele sotaque de novela baiana já deu o que tinha que dar, não acham? Com tantas atrizes nordestinas que poderiam fazer um sotaque natural... E o Dado Dolabela? Dirige o carro e conversa com o filhinho que está no banco de trás - enquanto tenta rouba-lo da mãe - como pode? Ele não bate aquele carro desse jeito?? Fora a canastrice... pra que tantas caras e bocas? Elas não vão enganar o público e fazer com que achem que ele é ator (muito menos cantor!). A Carolina Dieckman e o chorinho dela é outra coisa irritante. Todo mundo que não consegue chorar em novela fica lá, espremendo os olhos o mais que pode, com tanta força, pra ver se dói de verdade e aí quem sabe as lágrimas apareçam. Dá sim vontade de chorar - mas de medo da careta dela.

E quanto às séries? Já falei uma vez aqui de Alias e é redundante falar que é inspirada nas séries com agentes que já pipocaram pela TV, ou mesmo que aquele cara baixinho que inventa os aparelhos mais sofisticados de espionagem na série é uma cópia do inventor dos filmes de James Bond.

Fico irritada cada vez que a atriz Debra Messing faz caras e bocas (quando se faz de surpreendida) em Will and Grace, imitando os trejeitos de Lucille Ball, de I Love Lucy, e ainda por cima Debra também é ruiva - ou as duas se fizeram de ruiva...

E o que dizer da sensação dos adolescentes na TV paga: The O. C., uma novelona mexicana das mais bocós, sem sal (só faltou a Gwyneth lá!) e com umas peruas ricas mal amadas e sem laquê, porque até lá a moda é a prancha... mas a maquiagem é by Televisa com certeza! Um rapazinho bombado (aquele cara é totalmente disforme! Tem um tórax malhado e um pescocinho e uma cabeça de criança!), sem nenhum carisma para ser o “mocinho que errou uma vez na vida e quer o perdão”, além da mocinha, que não deve saber o que é comida há vários anos.

Histórias manjadas, atores e aspirantes a atores sem carisma e que ou imitam antigos astros ou não sabem atuar mesmo é o que se vê na televisão hoje em dia, e muita gente ainda acha legal. Ah, lembrei-me agora do Mion e do Antônio Fagundes, acho que eles fazem bronzeamento artificial no mesmo lugar - um local que se deixa passar do ponto... do ponto do senso do ridículo...

E o Carnaval, hein? É aquela coisa de sempre na TV (já escrevi sobre isso ano passado), mas o mais impressionante neste ano foi ver a Astrid na Band de zumbi. Sim, zumbi! E essa não era a fantasia dela!

A mulher deve ter apresentado todos os trio elétricos de Salvador ininterruptamente, porque era impressionante a sua cara de sono! A apresentadora tinha os olhos inchados e parecia não saber mais o que fazia ali, de tanto cansaço... Toda hora que você passava pela Band, estava ela lá, com suas olheiras, falando no microfone e apresentando um trio elétrico ou alguma “estrela”... Não sei como ela ainda se mantinha em pé, a impressão é que a qualquer momento ela iria dar um suspiro, desabafar algo como “deixem eu dormir, por favor! só uns cinco minutinhos!” e desmaiar em frente às câmeras.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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