q
Página principal de O Balaio
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 17 de janeiro de 2005 d.C.
 
E ainda aconteceu na tv...
Por Menina Enciclopédia
 

Bem, vamos chamar essa série de textos de uma pequena retrospectiva...

Marcos Mion voltou à MTV com seu Um Vj, Um Ator, Umas Mentiras. No site, eles definem o programa assim:

Sim, Salabim! (????!!!!)

Marcos Mion volta abusando do seu poder de atuação. O chamado "docudrama", uma mistura de documentário com ficção, mostra a trajetória do apresentador na televisão. Os VJs e funcionários dão seus depoimentos e ajudam a contar como tudo começo (sic) e terminou.

No "Um VJ, Um Ator, Umas Mentiras..." o Mion estará querendo voltar para a MTV (ou será que ele não quer?). Resta saber o que irá fazer para convencer a alta cúpula da MTV.

Vocês engoliram essa? Nem eu!

O programa é um “Essa é sua vida!” (o tal do “docudrama”), a saga da pequena carreira artística do ator-vj da sua ida para a MTV, quando saiu da Rede Globo, no tempo que era ator coadjuvante da série Sandy & Jr., até sua volta à emissora musical, depois de sua passagem pela Band.

Toda a humildade do vj fica bem evidente: primeiro ele aparece, já na abertura, no lugar dos quatro presidentes americanos, no Monte Rushmore. Depois, é uma sucessão de canastrice e arrogância. Mion, num teatro no estilo romano, fala para uma platéia vazia, como se estivesse declamando poemas ou obras de grandes dramaturgos, fingindo sofrer e se emocionar com sua própria história forjada. Daí continua a encenação: amigos e familiares do vj dão depoimentos de como era seu trabalho e representam a si mesmos para demonstrarem como tudo aconteceu.

Mion alterna o cara inseguro com o convicto, o alegre com o depressivo, tudo para colocar em prática a máxima de que ele é uma pessoa que fez escolhas, nem sempre boas, mas é dono de seu destino (essa foi horrível, ahah).

O teatrinho montado não convence, seja pela atuação dele, seja pelos tais depoimentos dos amigos que aparecem - tem até uma amiga vira-casaca que, depois de ajudá-lo, enjoa da chatice do cara (qualquer um se enjoaria) e tem idéias homicidas...

Mas o que menos convence mesmo é a idéia fixa de Marcos Mion de se fazer de vítima. Em todos os momentos, este é o papel que ele desempenha: primeiro, o cara sonhador que sai da Globo para ser astro na MTV, depois o astro que é mal compreendido na TV dos Civita e vai para a Band, onde se torna um bonequinho nas mãos do ibope da emissora do Morumbi. Sempre os chefes e diretores fazem o papel de maus, alguns são representados apenas por pernas sentadas numa cadeira de executivo, outros dão depoimentos falando que sabiam que a idéia dele não iria dar certo, representam o pessimismo que o destruiu (oh, que drama!!!).

Draminha chinfrim, atuação ruim, elenco amigo que não entende nada de representação e propaganda demais para pouca porcaria - com ares de “o maior espetáculo da terra”: arrogância rules!

Se for para depender desse tipo de dramaturgia para a MTV se estabelecer nesse campo, é melhor fechar as portas logo... Será que eles não perceberam com aquelas vinhetas de gente famosa (nem tanto né) contra a Aids que o negócio já era muito fraco?

Mudando de assunto mas continuando no drama: outra coisa que ficou exposta maciçamente na TV foi o caso do jogador do São Caetano Serginho, que morreu durante um jogo do campeonato Brasileiro.

Os maravilhosos programas esportivos pareciam se tratar de programas do naipe Cidade Alerta: todos eram médicos entendidos no assunto, todos eram advogados que conheciam as leis nesse caso, todos eram donos da verdade e só falavam besteiras...

Lembro-me de ter visto o médico Osmar Oliveira ser cortado de sua fala de médico que entende do assunto pelo (também bem humilde) apresentador de mesas de boteco na tv Milton Neves. O apresentador se achava mais gabaritado a falar do assunto do que o próprio doutor que tentava explicar o ocorrido, então cortou a fala do médico porque achava que a explicação do especialista não era a correta, não poderia ser... Milton Neves, como apresentador esportivo, deveria saber do que estava falando...

Outro “apresentador”, da mesma emissora, é um ex-juiz de futebol que se faz de cherifão. Dono da verdade absoluta, berra a plenos pulmões bordões do tipo “como poderia ser aquilo, é um absurdo, o governo não faz nada”, aquelas falas bem características de quem só entende de fazer drama para conseguir ibope e que pode, em uma eleição, se eleger a custa dos “fracos e oprimidos” que acreditam em tão emotivas palavras.

Às vezes muda-se o estilo do programa, mas não se muda o jeito como querem prender o telespectador: através de emoção sensacionalista, barata e que só visa a audiência. E o jogador? “Bem, ele deu ibope, o que mais vamos querer? Vamos ver se achamos outro drama pra contar agora, esse já está batido”.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
O que mais aconteceu...
O que rolou e rola na TV
Humor? (segunda parte)
“This Is My Truth Tell Me Yours”
Humor?
Confira textos mais antigos...