Bem, vamos chamar essa série
de textos de uma pequena retrospectiva...
Marcos
Mion voltou à MTV com seu Um Vj, Um Ator, Umas Mentiras.
No site,
eles definem o programa assim:
Sim,
Salabim! (????!!!!)
Marcos
Mion volta abusando do seu poder de atuação. O chamado
"docudrama", uma mistura de documentário com ficção,
mostra a trajetória do apresentador na televisão.
Os VJs e funcionários dão seus depoimentos e ajudam
a contar como tudo começo (sic) e terminou.
No "Um VJ, Um Ator, Umas Mentiras..." o Mion estará
querendo voltar para a MTV (ou será que ele não quer?).
Resta saber o que irá fazer para convencer a alta cúpula
da MTV.
Vocês engoliram essa? Nem eu!
O programa
é um “Essa é sua vida!” (o tal do “docudrama”),
a saga da pequena carreira artística do ator-vj da sua ida
para a MTV, quando saiu da Rede Globo, no tempo que era ator coadjuvante
da série Sandy & Jr., até sua volta à
emissora musical, depois de sua passagem pela Band.
Toda a humildade do vj fica bem evidente: primeiro
ele aparece, já na abertura, no lugar dos quatro presidentes
americanos, no Monte Rushmore. Depois, é uma sucessão
de canastrice e arrogância. Mion, num teatro no estilo romano,
fala para uma platéia vazia, como se estivesse declamando
poemas ou obras de grandes dramaturgos, fingindo sofrer e se emocionar
com sua própria história forjada. Daí continua
a encenação: amigos e familiares do vj dão
depoimentos de como era seu trabalho e representam a si mesmos para
demonstrarem como tudo aconteceu.
Mion alterna o cara inseguro com o convicto, o alegre
com o depressivo, tudo para colocar em prática a máxima
de que ele é uma pessoa que fez escolhas, nem sempre boas,
mas é dono de seu destino (essa foi horrível, ahah).
O teatrinho montado não convence, seja pela
atuação dele, seja pelos tais depoimentos dos amigos
que aparecem - tem até uma amiga vira-casaca que, depois
de ajudá-lo, enjoa da chatice do cara (qualquer um se enjoaria)
e tem idéias homicidas...
Mas o que menos convence mesmo é a idéia
fixa de Marcos Mion de se fazer de vítima. Em todos os momentos,
este é o papel que ele desempenha: primeiro, o cara sonhador
que sai da Globo para ser astro na MTV, depois o astro que é
mal compreendido na TV dos Civita e vai para a Band, onde se torna
um bonequinho nas mãos do ibope da emissora do Morumbi. Sempre
os chefes e diretores fazem o papel de maus, alguns são representados
apenas por pernas sentadas numa cadeira de executivo, outros dão
depoimentos falando que sabiam que a idéia dele não
iria dar certo, representam o pessimismo que o destruiu (oh, que
drama!!!).
Draminha chinfrim, atuação ruim, elenco
amigo que não entende nada de representação
e propaganda demais para pouca porcaria - com ares de “o maior
espetáculo da terra”: arrogância rules!
Se for para depender desse tipo de dramaturgia para
a MTV se estabelecer nesse campo, é melhor fechar as portas
logo... Será que eles não perceberam com aquelas vinhetas
de gente famosa (nem tanto né) contra a Aids que o negócio
já era muito fraco?

Mudando de assunto mas continuando no drama: outra
coisa que ficou exposta maciçamente na TV foi o caso do jogador
do São Caetano Serginho, que morreu durante um jogo do campeonato
Brasileiro.
Os
maravilhosos programas esportivos pareciam se tratar de programas
do naipe Cidade Alerta: todos eram médicos entendidos
no assunto, todos eram advogados que conheciam as leis nesse caso,
todos eram donos da verdade e só falavam besteiras...
Lembro-me de ter visto o médico Osmar Oliveira
ser cortado de sua fala de médico que entende do assunto
pelo (também bem humilde) apresentador de mesas de boteco
na tv Milton Neves. O apresentador se achava mais gabaritado a falar
do assunto do que o próprio doutor que tentava explicar o
ocorrido, então cortou a fala do médico porque achava
que a explicação do especialista não era a
correta, não poderia ser... Milton Neves, como apresentador
esportivo, deveria saber do que estava falando...
Outro “apresentador”, da mesma emissora,
é um ex-juiz de futebol que se faz de cherifão. Dono
da verdade absoluta, berra a plenos pulmões bordões
do tipo “como poderia ser aquilo, é um absurdo, o governo
não faz nada”, aquelas falas bem características
de quem só entende de fazer drama para conseguir ibope e
que pode, em uma eleição, se eleger a custa dos “fracos
e oprimidos” que acreditam em tão emotivas palavras.
Às vezes muda-se o estilo do programa, mas
não se muda o jeito como querem prender o telespectador:
através de emoção sensacionalista, barata e
que só visa a audiência. E o jogador? “Bem, ele
deu ibope, o que mais vamos querer? Vamos ver se achamos outro drama
pra contar agora, esse já está batido”.
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