Outra
coisa que repercutiu bastante foi a história das “Sandálias da Humildade”,
com a turma do Pânico na TV perseguindo o apresentador e
estilista Clodovil Hernandes. Muitas personalidades foram “convidadas” pelo
programa a calçar as tais sandálias, e Clodovil foi
quem mais se mostrou resistente à idéia de calçá-las.
Nesta história, também conseguiu destaque brigando
com a trupe da Jovem Pan 2. Na verdade, os dois lados ganharam
em ibope e falatório pela imprensa - e ganhou mais ainda
a Rede TV! por ter os dois programas apresentados em sua grade
de programação.
Clodovil é a figura polêmica: sem papas na língua,
controverso (se diz espiritualista, mas está sempre com
sua metralhadora giratória apontada a quem ele não
vir com bons olhos) e orgulhoso. Logo se percebe porque o pessoal
do Pânico o escolheu para virar a estrela do quadro das sandálias.
Clodovil os acusou, os xingou e baixou o nível em seu programa,
depois ficou sem ir gravar... E os caras cada vez mais ganhando
destaque e fama. Correu um boato de que eles só perseguiram
tanto o estilista porque a Rede TV! não quer mais o apresentador
no seu casting - dizem, e isso parece bem evidente, que ele é uma
pessoa intragável, de difícil relacionamento. Disseram
por aí que a emissora queria que ele pedisse a conta e fosse
embora... Mas ele está lá: firme e forte soltando
os cachorros em quem o impedir de falar o que quiser.
Com tudo isso, o programa dos radialistas da Jovem
Pan 2 ganhou destaque na mídia e agora colhe os frutos com os índices
de audiência, quase batendo Fausto Silva e Gugu Liberato
nas tardes de domingo, que agora parecem não ser tão
mais as mesmas...
Outro programa que anda repercutindo bastante é O
Aprendiz, da Rede Record, apresentado por Roberto Justus,
ex-Galisteu, ex-Eliana, publicitário-empresário-apresentador-modelo.
Sinceramente, não vi nada de tão “UAU” nesse
programa para tanta comoção: é apenas mais
um reality show, só isso! Talvez o fato de nas grandes cidades
e regiões metropolitanas do Brasil a procura por emprego
ser uma questão tão relevante, e a corrida na briga
por uma vaga possa ter chamado tanta atenção das
pessoas para este programa.
O
reality é uma cópia de programa americano apresentado
por Donald Trump, The Apprentice, exibido na tv paga no
canal People and Arts (“people and arts”??? onde tem
arte nisso???). Justus é a figura do canastrão que
pensa que está abafando.
No começo do programa, “declama” textos no melhor
estilo auto-ajuda de botequim (apesar de que auto-ajuda, qualquer
uma, é ruim e idiota e parece ser conselho de bêbado
mesmo...). Ele parece aquelas modelos-atrizes que estréiam
em novela das oito da Globo falando como se ainda estivessem lendo
(lembram do meu texto sobre a atuação de Eric Marmo?). É por
aí: “vamos a mais uma prova ponto as duas equipes
vírgula...”.
A diferença
para um Big Brother Brasil é que
há duas equipes já demarcadas, não é como
no reality da Globo que as pessoas vão fazendo suas “panelinhas”,
e há provas entre as equipes. Essas provas são a
máquina registradora (agora, me lembrei de “Money”,
do Pink Floyd...) do programa: o desafio é quase sempre “ajudar” uma
empresa a melhorar seu marketing, sua logística etc e, claro,
indiretamente, a marca está na TV em rede nacional para
se beneficiar com isso, tanto que os intervalos comerciais demoram
a acontecer... Tudo é movido por uma propaganda, tudo gira
em torno de uma marca. Além da história de que um
dos participantes é casado com uma anunciante, isso mostrou
a “realidade” do programa.
Todas as disputas entre participantes e picuinhas
são dignas
de qualquer outro reality show, mas com cara de dinâmica
de grupo, já que o prêmio final é uma vaga
de emprego numa empresa de Roberto Justus. A coisa mais imbecil
que ouvi foi uma participante comentando sobre a outra garota de
sua equipe: “ela não está rendendo bem, não
está produzindo”, parecia que falava de uma máquina,
linguagem bem normal para o pessoal de RH e gerentes de empresas.
Talvez eu seja humanista demais, pois odeie essa fala...
Na final, teve direito a ligação de Donald Trump
no celular para a vencedora. Roberto Justus fez seu draminha (à la
Ratinho e Gugu) e a Record contabilizou os lucros e promete uma
segunda edição para o programa.
E,
falando em reality show, está começando mais
uma bomba: o novo Big Brother Brasil... |