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Beagá, 10 de janeiro de 2005 d.C.
 
O que mais aconteceu...
Por Menina Enciclopédia
 

Outra coisa que repercutiu bastante foi a história das “Sandálias da Humildade”, com a turma do Pânico na TV perseguindo o apresentador e estilista Clodovil Hernandes. Muitas personalidades foram “convidadas” pelo programa a calçar as tais sandálias, e Clodovil foi quem mais se mostrou resistente à idéia de calçá-las. Nesta história, também conseguiu destaque brigando com a trupe da Jovem Pan 2. Na verdade, os dois lados ganharam em ibope e falatório pela imprensa - e ganhou mais ainda a Rede TV! por ter os dois programas apresentados em sua grade de programação.

Clodovil é a figura polêmica: sem papas na língua, controverso (se diz espiritualista, mas está sempre com sua metralhadora giratória apontada a quem ele não vir com bons olhos) e orgulhoso. Logo se percebe porque o pessoal do Pânico o escolheu para virar a estrela do quadro das sandálias.

Clodovil os acusou, os xingou e baixou o nível em seu programa, depois ficou sem ir gravar... E os caras cada vez mais ganhando destaque e fama. Correu um boato de que eles só perseguiram tanto o estilista porque a Rede TV! não quer mais o apresentador no seu casting - dizem, e isso parece bem evidente, que ele é uma pessoa intragável, de difícil relacionamento. Disseram por aí que a emissora queria que ele pedisse a conta e fosse embora... Mas ele está lá: firme e forte soltando os cachorros em quem o impedir de falar o que quiser.

Com tudo isso, o programa dos radialistas da Jovem Pan 2 ganhou destaque na mídia e agora colhe os frutos com os índices de audiência, quase batendo Fausto Silva e Gugu Liberato nas tardes de domingo, que agora parecem não ser tão mais as mesmas...

Outro programa que anda repercutindo bastante é O Aprendiz, da Rede Record, apresentado por Roberto Justus, ex-Galisteu, ex-Eliana, publicitário-empresário-apresentador-modelo. Sinceramente, não vi nada de tão “UAU” nesse programa para tanta comoção: é apenas mais um reality show, só isso! Talvez o fato de nas grandes cidades e regiões metropolitanas do Brasil a procura por emprego ser uma questão tão relevante, e a corrida na briga por uma vaga possa ter chamado tanta atenção das pessoas para este programa.

O reality é uma cópia de programa americano apresentado por Donald Trump, The Apprentice, exibido na tv paga no canal People and Arts (“people and arts”??? onde tem arte nisso???). Justus é a figura do canastrão que pensa que está abafando. No começo do programa, “declama” textos no melhor estilo auto-ajuda de botequim (apesar de que auto-ajuda, qualquer uma, é ruim e idiota e parece ser conselho de bêbado mesmo...). Ele parece aquelas modelos-atrizes que estréiam em novela das oito da Globo falando como se ainda estivessem lendo (lembram do meu texto sobre a atuação de Eric Marmo?). É por aí: “vamos a mais uma prova ponto as duas equipes vírgula...”.

A diferença para um Big Brother Brasil é que há duas equipes já demarcadas, não é como no reality da Globo que as pessoas vão fazendo suas “panelinhas”, e há provas entre as equipes. Essas provas são a máquina registradora (agora, me lembrei de “Money”, do Pink Floyd...) do programa: o desafio é quase sempre “ajudar” uma empresa a melhorar seu marketing, sua logística etc e, claro, indiretamente, a marca está na TV em rede nacional para se beneficiar com isso, tanto que os intervalos comerciais demoram a acontecer... Tudo é movido por uma propaganda, tudo gira em torno de uma marca. Além da história de que um dos participantes é casado com uma anunciante, isso mostrou a “realidade” do programa.

Todas as disputas entre participantes e picuinhas são dignas de qualquer outro reality show, mas com cara de dinâmica de grupo, já que o prêmio final é uma vaga de emprego numa empresa de Roberto Justus. A coisa mais imbecil que ouvi foi uma participante comentando sobre a outra garota de sua equipe: “ela não está rendendo bem, não está produzindo”, parecia que falava de uma máquina, linguagem bem normal para o pessoal de RH e gerentes de empresas. Talvez eu seja humanista demais, pois odeie essa fala...

Na final, teve direito a ligação de Donald Trump no celular para a vencedora. Roberto Justus fez seu draminha (à la Ratinho e Gugu) e a Record contabilizou os lucros e promete uma segunda edição para o programa.

E, falando em reality show, está começando mais uma bomba: o novo Big Brother Brasil...

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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