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Beagá, 04 de outubro de 2004 d.C.
 
Humor?
Por Menina Enciclopédia
 

Qual a graça de A Praça é Nossa e Zorra Total? Eu não consigo achar nenhuma. E não é difícil perceber que tem gente que ri com esses dois programas. Vou ser politicamente incorreta (eu já avisei antes de me arremessarem uma pedra!): não parece um asilo na TV? Tanto os atores como as piadas. É claro que há humoristas que, apesar da idade, estão aí na ativa e são muito melhores que uma Heloisa Perissè (que, sinceramente, é uma chata!), como Ronald Golias, que dá de cem a zero nela. Com toda a certeza!

O problema é que esses artistas se prenderam a uma fórmula velha, simplesmente se acomodaram. Se você assistir ao Video Show, verá aqueles arquivos da Globo com programas humorísticos dos anos 70 e a piada e o tipo do personagem é o mesmo que usam hoje. Um dia eu vi exatamente isso. Lembram do personagem do humorista Paulo Silvino em que ele respondia apenas uma parte do que a pessoa queria saber, aí ele dava uma bebericada em seu drink e terminava com o bordão “não espera eu molhar o bico!”? Pois então, um personagem de uns desses antigos programas fazia a mesma coisa, só que ele não bebia, usava outro artifício que não me lembro mais. Achei aquilo de uma tremenda cara de pau do próprio Vídeo Show, como se dissessem: “vocês engoliam isso naquela época e ainda continuam engolindo!”. Dão risada na nossa cara.

Os programas se prendem aos bordões, coisa que tem graça nas primeiras vezes. Depois, eles vão se desgastando até se tornarem chatos e insuportáveis de se ouvir.

E há quantos anos Canarinho está naquele telefone da praça falando besteiras para o cara que conversa com outras pessoas e é mal interpretado? Quantos anos Nair Bello ri de tudo e não faz sua cena direito porque explode em gargalhadas? Há quantos anos o Zé Bonitinho é o Zé Bonitinho? Há quanto tempo não fazem aquele quadro de dois amigos (ou duas amigas) que vão paquerar outra dupla de amigas (ou amigos) e um repete o que o outro fala, só que isso dá em confusão? Quantas vezes você não viu a fulana “burra e gostosa” que tem que fazer algo e mostra seu “talento” porque a saia é muito curta?

E as cenas de escolinhas com o professor perguntando e os alunos respondendo errado? Até Os Trapalhões faziam isso, mas mudavam o local para o quartel do Sargento Pincel. E, na verdade, a Escolinha do Professor Raimundo é da época da tal famosa Rádio Nacional, que descobriu todos esses humoristas e depois nada se renovou.

Citei Os Trapalhões e Renato Aragão é outro que vive das piadas dos anos 70 e 80 - fase áurea do programa desses quatro fantásticos, ao menos aos olhos de todos nós que crescemos com eles. A criançada que assiste A Turma do Didi acredita que tudo aquilo é novo, como aquele desenho do Pica-Pau que passa todo dia na TV.

Entretanto, há uma diferença entre o humor da Praça e da Zorra. Parece que não, mas tem. Carlos Alberto de Nóbrega gosta de trabalhar sempre com o “sentido dúbio” das coisas, levando tudo para o cunho sexual, suas piadas sempre caem nessa mesma perspectiva (se é que há alguma...). Os redatores da Zorra também levam isso a sério, mas, além disso, procuram trabalhar com o humor chanchada e ingênuo que seus atores estão acostumados a fazer desde a época do rádio ou até mesmo da Atlântida.

Outra coisa: o que faz uma menina de uns dez anos na Praça? Não há uma restrição a isso, como já houve nas novelas? Num programa de humor tão grosseiro criança entra?

O mais insuportável de tudo é ver o Carlos Alberto rir. É incrível! As piadas são mais velhas que ele, ele já as ouviu milhares de vezes no banco daquela praça (ou via o seu pai ouvir), e mesmo assim o sujeito ainda “morre” de rir! Pior ainda, ri forçado, dá para perceber. Então, por que não mudar? Por que não fazer algo mais prazeroso? Até pra ele, afinal, se tem que forçar o riso toda hora...

Por que os jovens humoristas não tentam dar uma revigorada no humor? Falta inteligência para eles? Para muitos, não. Falta espaço? Não, a Globo sempre tenta dar uma reformulada nas noites de sexta. O que talvez aconteça é que o público tenha se acostumado com o humor rasteiro da Praça e a só rir de bordões da Zorra. Quando algo novo aparece, é mal entendido, o humor parece difícil ou depois vai se desgastando muito rapidamente, mas disso eu falo na próxima coluna...

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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