Qual a graça de A Praça
é Nossa e Zorra Total? Eu não consigo
achar nenhuma. E não é difícil perceber que
tem gente que ri com esses dois programas. Vou ser politicamente
incorreta (eu já avisei antes de me arremessarem uma pedra!):
não parece um asilo na TV? Tanto os atores como as piadas.
É claro que há humoristas que, apesar da idade, estão
aí na ativa e são muito melhores que uma Heloisa Perissè
(que, sinceramente, é uma chata!), como Ronald Golias, que
dá de cem a zero nela. Com toda a certeza!
O problema é que esses artistas se prenderam
a uma fórmula velha, simplesmente se acomodaram. Se você
assistir ao Video Show, verá aqueles arquivos da
Globo com programas humorísticos dos anos 70 e a piada e
o tipo do personagem é o mesmo que usam hoje. Um dia eu vi
exatamente isso. Lembram do personagem do humorista Paulo Silvino
em que ele respondia apenas uma parte do que a pessoa queria saber,
aí ele dava uma bebericada em seu drink e terminava com o
bordão “não espera eu molhar o bico!”?
Pois então, um personagem de uns desses antigos programas
fazia a mesma coisa, só que ele não bebia, usava outro
artifício que não me lembro mais. Achei aquilo de
uma tremenda cara de pau do próprio Vídeo Show,
como se dissessem: “vocês engoliam isso naquela época
e ainda continuam engolindo!”. Dão risada na nossa
cara.
Os programas se prendem aos bordões, coisa
que tem graça nas primeiras vezes. Depois, eles vão
se desgastando até se tornarem chatos e insuportáveis
de se ouvir.
E há quantos anos Canarinho está naquele
telefone da praça falando besteiras para o cara que conversa
com outras pessoas e é mal interpretado? Quantos anos Nair
Bello ri de tudo e não faz sua cena direito porque explode
em gargalhadas? Há quantos anos o Zé Bonitinho é
o Zé Bonitinho? Há quanto tempo não fazem aquele
quadro de dois amigos (ou duas amigas) que vão paquerar outra
dupla de amigas (ou amigos) e um repete o que o outro fala, só
que isso dá em confusão? Quantas vezes você
não viu a fulana “burra e gostosa” que tem que
fazer algo e mostra seu “talento” porque a saia é
muito curta?
E as cenas de escolinhas com o professor perguntando
e os alunos respondendo errado? Até Os Trapalhões
faziam isso, mas mudavam o local para o quartel do Sargento Pincel.
E, na verdade, a Escolinha do Professor Raimundo é
da época da tal famosa Rádio Nacional, que descobriu
todos esses humoristas e depois nada se renovou.
Citei Os Trapalhões e Renato Aragão
é outro que vive das piadas dos anos 70 e 80 - fase áurea
do programa desses quatro fantásticos, ao menos aos olhos
de todos nós que crescemos com eles. A criançada que
assiste A Turma do Didi acredita que tudo aquilo é
novo, como aquele desenho do Pica-Pau que passa todo dia
na TV.
Entretanto, há uma diferença entre
o humor da Praça e da Zorra. Parece que
não, mas tem. Carlos Alberto de Nóbrega gosta de trabalhar
sempre com o “sentido dúbio” das coisas, levando
tudo para o cunho sexual, suas piadas sempre caem nessa mesma perspectiva
(se é que há alguma...). Os redatores da Zorra
também levam isso a sério, mas, além disso,
procuram trabalhar com o humor chanchada e ingênuo que seus
atores estão acostumados a fazer desde a época do
rádio ou até mesmo da Atlântida.
Outra coisa: o que faz uma menina de uns dez anos
na Praça? Não há uma restrição
a isso, como já houve nas novelas? Num programa de humor
tão grosseiro criança entra?
O mais insuportável de tudo é ver
o Carlos Alberto rir. É incrível! As piadas são
mais velhas que ele, ele já as ouviu milhares de vezes no
banco daquela praça (ou via o seu pai ouvir), e mesmo assim
o sujeito ainda “morre” de rir! Pior ainda, ri forçado,
dá para perceber. Então, por que não mudar?
Por que não fazer algo mais prazeroso? Até pra ele,
afinal, se tem que forçar o riso toda hora...
Por que os jovens humoristas não tentam dar
uma revigorada no humor? Falta inteligência para eles? Para
muitos, não. Falta espaço? Não, a Globo sempre
tenta dar uma reformulada nas noites de sexta. O que talvez aconteça
é que o público tenha se acostumado com o humor rasteiro
da Praça e a só rir de bordões da
Zorra. Quando algo novo aparece, é mal entendido,
o humor parece difícil ou depois vai se desgastando muito
rapidamente, mas disso eu falo na próxima coluna...
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