Debate não é uma coisa
nova, sempre deve ter existido na TV. Com as eleições,
ainda temos os debates políticos que são uma grande
lavação de roupa suja, como todos os outros programas
desse gênero, tirando raras exceções.
Ultimamente, canais como Rede TV e Bandeirantes
não têm nada para exibir no horário “nobre
depois da novela” e apostam em Luciana Gimenez e Gilberto
Barros para animarem todo santo dia sua grade (Adriane Galisteu
apresentava duas ou três vezes por semana a mesma fórmula,
na Record, e agora está indo para o SBT). E, para manter
o gás dos programas diários, valem-se da velha história
do debate sobre temas da semana ou outros de interesse público
duvidoso.
Um dia da semana o Leão faz o seu “Tudo
o que você sempre quis saber sobre sexo, mas teve medo de
perguntar”; em outro, comenta fatos rotineiros e manchetes
desse povo que insiste em querer aparecer de algum jeito na mídia;
um outro dia traz candidatos a famosos.
Luciana
aposta no mesmo repertório e dá chance para que a
“Loira da Ferrari” e a “Darlene do Ministério”
se expliquem na TV e ouçam o que os convidados do Super
Pop acham do que elas fizeram. O que se vê é uma
grande baixaria, com fotos de biquíni da brasiliense em poses
nada ingênuas (como ela diz ser) e com um corpo de deixar
a Débora Secco com raiva de usarem o nome da personagem dela
para apelidar a tal do ministério.
Discussões batidas como pena de morte, uso
de drogas, entre outras, sempre aparecem por lá, com aqueles
convidados de sempre, aqueles que todo mundo sabe que a opinião
é polêmica - ou só o jeito como eles falam já
chama a atenção e dá audiência.
Várias vezes você poderá reparar
que a apresentadora da Rede TV! fica com uma cara de Homer Simpson
durante as discussões. Não entendeu? É assim,
ela fica com cara de quem está muito longe dali e nem está
prestando atenção na papagaiada que o pessoal diz
no seu programa. É como se ela estivesse pensando “Hummm,
rosquinhas!”, como o patriarca da família Simpson.
Os convidados falando, quebrando o pau, e ela com a mesma cara,
daí ela corta para mostrar a pesquisa, porque afinal de contas
“a voz do povo é a voz de Deus” (oh, Deus! Quem
inventou isso? Quem foi o marqueteiro???), sobre o que os telespectadores
pensam sobre o assunto debatido. Só que ela está tão
enturmada com a discussão que corta os debatedores no meio
da briga, no meio do “raciocínio” dos caras.
O diretor deveria orientá-la melhor por aquele ponto que
os apresentadores usam no ouvido, mas talvez ele também não
esteja prestando atenção numa discussão tão
batida...
Levar
no programa caras como Toninho do Diabo é uma piada! - ainda
exibiram o clipe dele, aquele do “Eu taco fogo”, dos
Piores Clipes do tempo do Mion na MTV. E lá nem
é o circo, porque eles é que riem do telespectador...
Além de não haver nada mais apelativo do que discutir
os “filmes” de Alexandre Frota e Rita Cadillac - eles
mostram cenas “mais fraquinhas” das “películas”
e isso, com certeza, faz outros “Homers” babarem no
sofá com sua cerveja na mão e pensarem: “Cerveeeeja!”.
Fiquei aqui pensando: como o padre Quevedo, uma
pessoa culta (não estou falando de sua crença religiosa,
não me cabe discutir sobre isso), vai a um programa desses?
Ele se queima muito (olha o palavreado infame!). Talvez ele tente,
de alguma forma, mostrar ali seu conhecimento - que não é
reconhecido, afinal tratam-se de debates boçais, feitos por
boçais e assistidos por um público que se deixa ser
boçal.
E não
é só isso! Você ainda tem a Márcia aos
domingos! Sim, sim! Ela está lá na Bandeirantes também
levando nossa amiga “Darlene do Ministério” e
discutindo com convidados que são os mesmos da Luciana Gimenez.
Hummm, engraçado isso... Vejamos: Liliane Ventura (jornalista
que trabalha também na Rede Mulher, canal 42 em São
Paulo, um ramo do império do senhor Macedo) e Paulo Barbosa
(radialista da Rádio Tupi AM, de São Paulo) sempre
estão em um e outro programa... É assim: o que você
não viu durante a semana no Super Pop, você
pode conferir no Jogo da Vida da dona Goldschmidt. Que
excelente pedida!
João
Kleber também já andou fazendo belos debates no seu
Tarde Quente. No melhor estilo Márcia, levou um
dito médico para discutir sobre homossexualidade com alguns
gays que estavam no palco e um “doutor” discorria sobre
o assunto. Ele sabia falar tão bem e tinha argumentos tão
brilhantes que desconfio muito de que ele seja mesmo médico,
parecia mais um “ator contratado” para viver o papel.
Era deprimente e a baixaria era total...
Mas
nem só de debates baixaria vive a TV: você também
pode ver debates estilo Revista Nova no programa da Adriane
Galisteu. Alguns temas abordados: eles não gostam que a mulher
demore a se arrumar, porque eles deixam a tampa da privada levantada
depois do xixi, qual a mulher mais sexy na opinião deles
e delas. Uma espécie de revista fútil feminina com
um toque de “Sexolândia” (quadro antigo do Domingão
do Faustão), além de incorporar brincadeiras e um
repórter (Zé Luiz, locutor da Rádio 89FM de
São Paulo, que tem um programa ridículo, idiota, que
imita o Pânico, da Jovem Pan) que sai às ruas
perguntando às pessoas o que eles acham de temas tão
importantes para a vida de toda a humanidade, como os citados acima...
Os convidados já são mais fashion,
um povinho mais de artistas das novelas da emissora, vjs, jornalistas,
modelos etc. Tudo bem clean e in e sem que se tenha que pensar muito,
só assistir como uma espécie de Homer mais metido
a chique: “Lagooosta!”.
E ainda
tem o Meninas Veneno, na MTV, em que o debate existencial
das garotas sempre gira em torno do seu amado que não quer
sair para passear, que é mais novo e quer sair só
com os amigos, que está morando do outro lado do Atlântico,
garotas que mostram que o grande problema de suas vidas é:
onde está meu namorado, meu noivo, meu marido? Nem Margie
Simpson se preocupa tanto... Aqui, os convidados são amigos
do namorado e amigas da namorada e cada um puxa a sardinha para
o seu amigo enquanto Marina Person faz cara de Montgomery Burns
querendo colocar o dedo no botão que poderia abrir um alçapão
nos pés dos convidados e os jogasse aos jacarés...
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