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Beagá, 13 de setembro de 2004 d.C.
 
É de se debater
Por Menina Enciclopédia
 

Debate não é uma coisa nova, sempre deve ter existido na TV. Com as eleições, ainda temos os debates políticos que são uma grande lavação de roupa suja, como todos os outros programas desse gênero, tirando raras exceções.

Ultimamente, canais como Rede TV e Bandeirantes não têm nada para exibir no horário “nobre depois da novela” e apostam em Luciana Gimenez e Gilberto Barros para animarem todo santo dia sua grade (Adriane Galisteu apresentava duas ou três vezes por semana a mesma fórmula, na Record, e agora está indo para o SBT). E, para manter o gás dos programas diários, valem-se da velha história do debate sobre temas da semana ou outros de interesse público duvidoso.

Um dia da semana o Leão faz o seu “Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo, mas teve medo de perguntar”; em outro, comenta fatos rotineiros e manchetes desse povo que insiste em querer aparecer de algum jeito na mídia; um outro dia traz candidatos a famosos.

Luciana aposta no mesmo repertório e dá chance para que a “Loira da Ferrari” e a “Darlene do Ministério” se expliquem na TV e ouçam o que os convidados do Super Pop acham do que elas fizeram. O que se vê é uma grande baixaria, com fotos de biquíni da brasiliense em poses nada ingênuas (como ela diz ser) e com um corpo de deixar a Débora Secco com raiva de usarem o nome da personagem dela para apelidar a tal do ministério.

Discussões batidas como pena de morte, uso de drogas, entre outras, sempre aparecem por lá, com aqueles convidados de sempre, aqueles que todo mundo sabe que a opinião é polêmica - ou só o jeito como eles falam já chama a atenção e dá audiência.

Várias vezes você poderá reparar que a apresentadora da Rede TV! fica com uma cara de Homer Simpson durante as discussões. Não entendeu? É assim, ela fica com cara de quem está muito longe dali e nem está prestando atenção na papagaiada que o pessoal diz no seu programa. É como se ela estivesse pensando “Hummm, rosquinhas!”, como o patriarca da família Simpson. Os convidados falando, quebrando o pau, e ela com a mesma cara, daí ela corta para mostrar a pesquisa, porque afinal de contas “a voz do povo é a voz de Deus” (oh, Deus! Quem inventou isso? Quem foi o marqueteiro???), sobre o que os telespectadores pensam sobre o assunto debatido. Só que ela está tão enturmada com a discussão que corta os debatedores no meio da briga, no meio do “raciocínio” dos caras. O diretor deveria orientá-la melhor por aquele ponto que os apresentadores usam no ouvido, mas talvez ele também não esteja prestando atenção numa discussão tão batida...

Levar no programa caras como Toninho do Diabo é uma piada! - ainda exibiram o clipe dele, aquele do “Eu taco fogo”, dos Piores Clipes do tempo do Mion na MTV. E lá nem é o circo, porque eles é que riem do telespectador... Além de não haver nada mais apelativo do que discutir os “filmes” de Alexandre Frota e Rita Cadillac - eles mostram cenas “mais fraquinhas” das “películas” e isso, com certeza, faz outros “Homers” babarem no sofá com sua cerveja na mão e pensarem: “Cerveeeeja!”.

Fiquei aqui pensando: como o padre Quevedo, uma pessoa culta (não estou falando de sua crença religiosa, não me cabe discutir sobre isso), vai a um programa desses? Ele se queima muito (olha o palavreado infame!). Talvez ele tente, de alguma forma, mostrar ali seu conhecimento - que não é reconhecido, afinal tratam-se de debates boçais, feitos por boçais e assistidos por um público que se deixa ser boçal.

E não é só isso! Você ainda tem a Márcia aos domingos! Sim, sim! Ela está lá na Bandeirantes também levando nossa amiga “Darlene do Ministério” e discutindo com convidados que são os mesmos da Luciana Gimenez. Hummm, engraçado isso... Vejamos: Liliane Ventura (jornalista que trabalha também na Rede Mulher, canal 42 em São Paulo, um ramo do império do senhor Macedo) e Paulo Barbosa (radialista da Rádio Tupi AM, de São Paulo) sempre estão em um e outro programa... É assim: o que você não viu durante a semana no Super Pop, você pode conferir no Jogo da Vida da dona Goldschmidt. Que excelente pedida!

João Kleber também já andou fazendo belos debates no seu Tarde Quente. No melhor estilo Márcia, levou um dito médico para discutir sobre homossexualidade com alguns gays que estavam no palco e um “doutor” discorria sobre o assunto. Ele sabia falar tão bem e tinha argumentos tão brilhantes que desconfio muito de que ele seja mesmo médico, parecia mais um “ator contratado” para viver o papel. Era deprimente e a baixaria era total...

Mas nem só de debates baixaria vive a TV: você também pode ver debates estilo Revista Nova no programa da Adriane Galisteu. Alguns temas abordados: eles não gostam que a mulher demore a se arrumar, porque eles deixam a tampa da privada levantada depois do xixi, qual a mulher mais sexy na opinião deles e delas. Uma espécie de revista fútil feminina com um toque de “Sexolândia” (quadro antigo do Domingão do Faustão), além de incorporar brincadeiras e um repórter (Zé Luiz, locutor da Rádio 89FM de São Paulo, que tem um programa ridículo, idiota, que imita o Pânico, da Jovem Pan) que sai às ruas perguntando às pessoas o que eles acham de temas tão importantes para a vida de toda a humanidade, como os citados acima...

Os convidados já são mais fashion, um povinho mais de artistas das novelas da emissora, vjs, jornalistas, modelos etc. Tudo bem clean e in e sem que se tenha que pensar muito, só assistir como uma espécie de Homer mais metido a chique: “Lagooosta!”.

E ainda tem o Meninas Veneno, na MTV, em que o debate existencial das garotas sempre gira em torno do seu amado que não quer sair para passear, que é mais novo e quer sair só com os amigos, que está morando do outro lado do Atlântico, garotas que mostram que o grande problema de suas vidas é: onde está meu namorado, meu noivo, meu marido? Nem Margie Simpson se preocupa tanto... Aqui, os convidados são amigos do namorado e amigas da namorada e cada um puxa a sardinha para o seu amigo enquanto Marina Person faz cara de Montgomery Burns querendo colocar o dedo no botão que poderia abrir um alçapão nos pés dos convidados e os jogasse aos jacarés...

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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