Parecia
um desfile de pessoas bizarras: muita água oxigenada, cabelos
armados, chapinha (menos do André 3000, do Outkast, que cortou
a juba, e Lenny Kravitz, que usou chapéu) e roupas que nem
os personagens do Pedro Almodóvar usariam. Claro, eu estou
falando daquele pessoal do tal “pagode/axé americano”,
mais conhecidos como do R&B e Hip Hop de quinta.
Beyonce sentada na frente com o rapper Jay-Z pareciam
a prostituta e o cafetão - ela está ficando branca
como o Michael Jackson ou é só impressão minha?
Foi impressão minha também que Marina
Person não estava gostando nada de passar seu final de domingão
comentando a cerimônia daqui do Brasil?
A cena
em que Shaquille O’Neill é recebido pela platéia
com lenços nas mãos sendo agitados foi, com certeza,
plagiada das torcidas de futebol brasileiro ou só eu que
acho?
Aquele Usher e seus óculos do Waldick Soriano
acham que eu acreditei que ele cantou ao vivo debaixo de uma chuvinha
fake em que seu microfone funcionou?
Playback
não faltou, isso deu pra perceber logo. Ao vivo, só
as bandas de rock no segundo bloco do programa e alguns rappers
- foram tantos grupos de pagode que eu nem sei quem era quem, fora
que todos são muito iguais nos trejeitos, roupas e nas letras
que misturam violência e sexo. E mais suas dançarinas,
que lembravam a boquinha da garrafa do axé com uns bons quilos
a mais.
Alicia
Keys foi receber o prêmio com ar blasè, cara de quem
nunca esperava (e achava tudo um saco) e foi a única que
não “chapou” o cabelinho, a única que
quis preservar um pouco as raízes verdadeiras do R&B,
e apresentou uma homenagem a Ray Charles, falecido há alguns
meses. Pelo menos ela não tocou com o celular, como no Rock
in Rio Lisboa, só para imitar o clipe – como muitas
apresentações da noite.
Aqui,
como na abertura das Olimpíadas,
também o celular fez a festa: na apresentação
da cantora Jéssica Simpson (quem?!? Nem quero saber! Era
ruim demais mesmo...) os celulares da platéia próxima
ao palco ficavam acesos enquanto ela cantava um cover de Robbie
Williams. Parecia comercial de empresa de celular: “Compra
o meu!” “Não! O meu! É mais bonito!”.
Puffy Daddy se exibia a todo o momento com a camiseta
“Vote or Die”, além das filhas dos candidatos
a presidente George W. Bush e John Carrey falarem ao público
da importância do voto e para que votassem nas eleições
de novembro.
O melhor da noite:
•
A
vitória de melhor banda de rock para o Jet, os caras mandaram
muito bem na arena que foi montada em Miami e foram receber o prêmio
com caras de quem já tinham festejado muito nos bastidores...
•
Os
Beastie Boys com um broche desenhado um “W” com uma
faixa vermelha por cima, foram bem sutis e queriam dizer “votem,
mas não no W. Bush”.
O Outkast
fechou a noite com o hit de “Hey Ya” - que ninguém
mais agüenta - numa performance imitando uma sala de votação
e muitas bexigas caíram no estádio (que era enorme
e que mostrou shows em vários palcos lá montados),
além de cartazes com os dizerem “vote” “choose”
e “outkast”. Tudo para empolgar e tentar conscientizar
um publico totalmente alienado (gostar do Eminem é o que,
então?) para que dêem sua contribuição
à cidadania.

Já
que o papo é eleição, o horário político
começou e a palhaçada também. Enéas
e cia. ltda. já se tornaram clichê, quem está
“bombando” agora é Osmar Lins, candidato a prefeito
pelo Partido dos Aposentados (PAN) e que já tem seu bordão
digno de participar de algum programa humorístico: “Óleo
de Peroba neles!”. Não vai ganhar a eleição
para a Prefeitura de São Paulo, mas já vai se tornar
famoso e se eleger em outra para deputado, quem sabe? Repetirá
o feito do Enéas “ele é engraçado, vou
votar nele!”. E assim caminham a política no Brasil
e seus eleitores...

Falando
ainda em MTV: a MTV 2 deverá ser inaugurada depois do Carnaval
aqui no Brasil e terá sinal em canal aberto. Para quem não
sabe, a MTV 2 é mais voltada à música, especiais
musicais, documentários e ao público de 25 a 40 anos.
Segundo o diretor-superintendente da emissora, André Mantovani,
a emissora será como a “MTV no começo”.
Vamos esperar pra ver...
Ver
também o horror que vai ser a premiação nacional:
Zezé di Camargo e Luciano disputando clipe de MPB dá
a dimensão do que é MPB. E nos clipes internacionais,
o The Calling concorrer com dois clipes e um do Santana com a participação
do vocalista me cheira a querer que eles ganhem a qualquer custo.
Eu vou torcer para a revelação ser o Gram e pronto,
já está ótimo...

E encerrando,
falando em mais eleição e escolhas... Saiu o resultado
do Troféu Santa Clara, que premia os piores da TV pela
Folha de São Paulo, confiram!
|