Muita
coisa aconteceu na TV durante essas duas semanas que se passaram,
graças às Olimpíadas. Meus amigos do Esporte
Esportivo têm muito mais cacife para analisar
as coisas, mesmo assim vou comentar a partir da minha visão
de mera telespectadora. Comecemos pela cerimônia de abertura:
O espetáculo teve momentos interessantes,
principalmente a parte que contava a história da Grécia
através de vários carros alegóricos. Mas no
geral, festa de abertura e encerramento são um saco, é
chato, chato, chato... Ainda mais ficar vendo aqueles atletas todos
com celulares e câmeras de foto e vídeo nas mãos,
dando tchauzinho para as câmeras e olhando pelas lentes ou
nem dando tchauzinho, só com o telefone na orelha mesmo...
Parecia um bando de deslumbrados, filmando e tirando fotos de gente
que nunca viu na vida e nunca mais vai ver, falando ao telefone
“mãe, você tá me vendo na TV? Eu tô
bonito?”. Foi a festa do telefone celular!
Se era uma falta de respeito ao evento aquele pessoal
egocêntrico que mais parecia turistas que chegavam ao Paraguai,
pior fez a Globo, que ligou para os telefones dos atletas para conversar
com eles enquanto a festa acontecia.
Na Band eles deram mais destaque às equipes
que desfilavam e contavam a história desses paises nas outras
Olimpíadas, enquanto a Globo preferia exibir os brasileiros
por suas câmeras exclusivas. Comentários sobre atletas
e equipes do Brasil: aquele blábláblá de sempre,
TODOS são favoritos, todos são os melhores em suas
modalidades, todos vão arrasar os adversários... O
povão até acredita e depois se decepciona, porque
era Primeiro de Abril. É, eu acreditei nessa em Atlanta,
2000, achava que as brasileiras do basquete eram as melhores do
mundo e não conseguia entender como aquelas norte-americanas
jogavam daquele jeito. De onde elas haviam saído??? É
porque ninguém (leia-se Globo) havia mostrado os jogos delas
nem comentado o quanto as estadunidenses eram as melhores. E isso
se repete todo ano em diversas categorias - se você entra
na onda das emissoras, se dá mal! Peguem o exemplo das brasileiras
do futebol. Ouvir uma das jogadoras falar para o repórter
que elas iriam “comer as americanas” foi estupidez,
afinal foram elas mesmas que viraram hambúrguer... Como o
pessoal do futebol diz: “quem não faz, toma!”,
mesmo que tenha sido roubado.
José Luiz Datena ganhou fácil nos
quesitos “abobrinhas” (transmitindo o jogo de vôlei
masculino Brasil e Itália, ele disparou: "O jogador
Vermiglio! Será que o nome dele vem de vermelho?" Alguém
deveria ter avisado ao sujeito que, em italiano, "vermelho"
se escreve "rosso"...) e “quem irrita mais um telespectador”.
Acostumado a transmissões de notícias policiais, seu
repertório era sempre “bala” (com sentido de
munição). “Ela ainda tem um arsenal contra...”,
entre outras expressões ditas nesse sentido. Só faltou
chamar as italianas (Brasil x Itália, vôlei feminino)
de meliantes, dada a sua indignação com a vitória
das européias no primeiro set. Dizia coisas como “pode
deixar, quem vai comer a pizza, no final, somos nós!”,
tudo dito com muita raiva, ele queria vingança, queria sangue!
A cada ponto no vôlei ele gritava com fúria,
não sei como agüentou até o final das Olimpíadas.
Cada ponto era como se fosse um gol, mas não acontecem cerca
de 200 gols numa partida de futebol (contando gols do adversário),
então isso deixava qualquer fã do esporte irritado
e preferindo o Galvão Bueno. Coitada da Ana Moser, que era
sempre a comentarista ao lado do Datena...
Outra coisa irritante é eles passarem comerciais
em qualquer tempo técnico, seja qual esporte for. Odeio isso,
parece que além do técnico adversário quebrar
a concentração dos jogadores com esse pedido de tempo,
também nós perdemos a concentração para
ter que ver a “Anã Arósio” ou a venda
de câmeras digitais num site qualquer.
No mais, a repórter da Globo Delissè
Teixeira queria porque queria arrancar a explicação
de Daiane dos Santos por ela não ter ganho nenhuma medalha,
não tendo feito uma boa apresentação na final
da ginástica. Daiane estava visivelmente abatida com o acontecido,
com cara de quem queria chorar, e a repórter insistindo,
perguntando como uma criança: “mas por que não?”.
Simancol faz bem, minha filha!
Ainda sobre a Globo e as Olimpíadas: em três
cinemas da cidade de São Paulo (Top Cine 1 e 2, Cine Morumbi
Shopping 1, 2, 3 e 4 e Espaço Unibanco 1, 2 e 3), a emissora
exibe uma espécie de clipe (antes da sessão de cinema)
com imagens em alta definição da abertura do evento.
Eles querem com isso mostrar o futuro da TV, a era digital, e que
a emissora já está se preparando para isso. As imagens
são realmente impressionantes graças à qualidade
digital.
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