Já reparam que esse pessoal
dono de loja em programa/canal de vendas quer aparecer mais que
o produto? A tia daquela loja de edredons já é famosa,
por seu jeito de perua e a voz irritante, mas há outros muito
mais esdrúxulos.
Um cara, dono de uma loja de artigos para automóveis,
usa uns óculos tipo Bono Vox, percebe-se que ele quer ser
o Bono, usa o cabelo igual, quer manter a “pinta de pop star”
e não percebe que está meio “passado”
pro papel. Eu sei que o Bono não tem 20 anos, mas o “garoto
propaganda” da loja deveria comprar um espelho de carro do
seu próprio estabelecimento para se enxergar melhor, pensar
bem e constatar que é muito ridículo o papel que ele
faz. O engraçado é o cara ficar sempre de frente para
a câmera: não olha para os produtos que quer vender,
nem para o apresentador do canal de vendas, que tenta dialogar com
ele e ser natural. Bem, essa parte não é exclusiva
desse “Bono Vox Cover”, tantos outros fazem isso, mas
essa é realmente uma figura bizarra com seus óculos
“Zooropa”.
Outra loja anunciante, para não pagar modelos,
apresenta seus modelitos vestidos pelos próprios funcionários.
Ou seja: os vendedores colocam as camisetas e desfilam com caras
de “esse unha de fome mal paga meu salário e ainda
quer que eu pague mico na tv?!”, todos constrangidos e não
gostando nem um pouco da situação.
O pior apresentador de programas desse tipo é,
com certeza, o cara - vejam bem, “O” cara - da clínica
estética. Sim! Aquele cara mesmo! Imaginem a situação:
você, garota, está lá na Clínica Estética
para ficar bonita, aí aparece esse sujeito para fazer o comercial
do lugar e fica ali vendo você deitada de costas, biquíni
e com um aparelho massageando seus glúteos, enquanto ele
mostra o poder da aparelhagem, e seu corpo lá de cobaia.
Em alguns momentos, o apresentador mostra o trabalho das profissionais
(sempre muito sorridentes, dá até pra desconfiar que
sejam funcionárias do lugar) que estão lhe atendendo
e ele passa a mão pelo contorno do local massageado. Calma!
Ele não toca, só “sobrevoa” com a mão
o local para mostrar como ficou. Você gostaria de ir num lugar
desses? E os rapazes, gostariam? Bem, claro que devem se tratar
de pessoas pagas para ficar ali de modelo. De qualquer maneira,
que dá uma má impressão ir num lugar onde um
homem faz um comercial desses com cara de feliz (claro...), ah,
isso dá...
Mas não é só isso! O apresentador
conversa com o pessoal que diz ter emagrecido e ficado mais bonito
graças à clínica. Aquela coisa bizarra de sempre,
aquelas fotos “antes e depois” que ninguém, em
sã consciência, deveria engolir.
Falando em engolir, lembro-me daqueles programas
de vendas norte-americanos de produtos que são o maior 171.
São mal dublados e horrorosos, ninguém merece ver
tipos anabolizados com sorrisos e alegria falsos, assim como o apresentador
e sua platéia, que batem palmas alucinados e fazem caras
e bocas de surpresa (?!?) com os efeitos milagrosos dos produtos.
Outros programas que vendem bem são os religiosos.
Emissoras como Band e Gazeta (da Fundação Casper Líbero,
famosa e conceituada faculdade da área de Jornalismo de São
Paulo, olha a ironia!) venderam seus horários nobres a esse
tipo de programa que deve dar uma boa audiência e pagar muito
bem a elas.
Há pouco tempo, abriu uma emissora nova,
a CBI (Central Brasileira de Informação) exibida em
São Paulo na rede aberta no canal 14. Uma parceria entre
SESC, SESI entre outros. Programas de informação sobre
empregos, empresas, nos intervalos só comerciais de ONGs
e outros órgãos públicos, documentários,
entrevistas que são repetidas à exaustão -
tudo bem, o canal começou agora, não deve ter muito
material. Só que há um detalhe: “venderam”
o horário após às 23 horas para as tele-vendas.
Tudo bem, todo mundo precisa se manter, não é?
E se eu disser que em alguns dias da semana a tele-vendas
é de um site de sex shop? Sim, meninos e meninas! Após
às 23 horas, pode-se vender na tv produtos para aumentar
o pênis, com fotos do aparelho num pênis real; cremes,
vibradores etc. Uma moça apresenta os produtos de maneira
bem confortável: um dia, de biquíni; no outro, deitada
de barriga para baixo num cobertor felpudo e nua. Não! Ela
não estava nua! Ela usa sempre, como a Feiticeira, um véu
no rosto.
Então eu fiquei pensando: “e eu que
imaginei que essa emissora iria trazer algo de bom pra tv, iria
ser outra TV Cultura”. Enganei-me. É assim mesmo, a
tv sempre nos engana, vemos um oásis e quando chegamos perto...
era miragem!
E podem deixar, marmanjos, não se acanhem!
Eu sei que vocês vão conferir o programa da mocinha
do véu depois de lerem este artigo...
|