Andei dando uma olhada na novela da
Record, Metamorphoses, e a única coisa que posso
dizer é isso: ARGH!
Tudo bem, tudo bem! Eu não gosto de ver cirurgias,
pessoas sendo abertas, sucção de gordura. Eu acho
de profundo mau gosto tudo isso...
Vamos lá: astros globais + atores que tentam
estar sempre “na contra-mão” (não trabalhar
na Globo, “quem desdenha...”) numa novela que quis fazer
“uma plástica na novelas”. A idéia pode
ter sido boa, porém só serve para me dizer: “prefira
fazer dieta e ginástica a ser um corpo inerte numa mesa de
operação exibido para o Brasil todo”.
Logo que começou, virou frisson, muitas pessoas
ficaram curiosas e foram assistir; marmanjos decidiram acompanhar
a novela só para ver uns peitos antes e depois do silicone
- escutei isso no metrô, os caras comentavam que assistiram
só para ver peito, como se estivesse em falta na tv...
O que realmente se vê: Luciano Szafir, o cirurgião
plástico com a cara de sempre - “o nada vive aqui”,
sua “interpretação” costumeira; amores
são separados por intrigas (nossa! Isso é novo!),
Luciane Adami chorando, enquanto demora uns dez minutos lendo uma
carta escrita por Gianfrancesco Guarnieri. Cenas longas, intermináveis,
em que prevalece a música e não a atuação,
em que os personagens ficam se olhando, fazendo cirurgia, trabalhando,
e a trilha sonora dá a força - sempre MPB. O problema
é que não há história, apenas cenas
banais cortadas pela música, só fazem propaganda do
cd da novela.
Os atores parecem estar em começo de carreira,
você percebe as marcações das cenas -quando
se tem de ir de um lado para o outro, parece que contam os passos,
tudo dá a impressão de falso, forçado, ou como
se estivessem ensaiando um número. As expressões são
as piores: nenhum deles mostra qualquer emoção em
cena (estou falando dos atores, não do Szafir!), daí
as cenas são frias, insossas.
Nos jornais, há algum tempo se fala numa
briga entre a autora e a firma que realiza a novela para a Rede
Record. Até onde soube, pessoas foram demitidas ou se desligaram
da produção, esse pode ser o motivo do mal-estar que
os atores mostram em cena, assim como a direção da
trama.
É claro, o pior de tudo foi ver uma cirurgia
que acredito ser de lipoescultura: uma mulher, deitada de costas,
e um aparelho que parece uma mangueira de aço sendo enfiado
em vários pontos próximos à costela e quadris
da paciente (ou seja, nos pneus) sugando gordura. E aquele corpo
imóvel ali, só balançava a pele enquanto se
sugava a gordura, parecia algo muito bizarro, um filme B de terror
seria mais engraçado. Só aparecia o rosto do grande
cirurgião Szafir (sem expressão alguma, claro!) e
cortavam para as outras cenas, que eram da operação
real.
Eu não gostei. Podem dizer que sou fresca,
mas se eu gostasse dessas coisas seria médica de cirurgia
plástica, ganharia rios de dinheiro desse povo que gosta
de levar anestesia geral sem necessidade e trataria o corpo dos
outros como um pedaço de banha/pelanca em rede nacional.
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