Essa era a pergunta que a maior parte
da população brasileira se fez durante os últimos
tempos (três meses? Mais? Não sei... não contei)
- com tanta coisa mais importante pra se perguntar...
O caso é que eu não acompanhei a novela,
mas para não deixar vocês, fiéis leitores, sem
saber o que rolou de mais tosco, resolvi fazer um esforço
e assistir ao final de Celebridades.
Todo final de novela é aquela chatice que
todo mundo já sabe que vai acontecer: casaizinhos que se
formam ou que, finalmente, ficam juntos: um monte de casamentos
e de gravidezes (nossa! Não me lembro de ter escrito esse
plural antes, parece tão estranho...). O que realmente o
“povo quis saber” - parafraseando o sábio Sérgio
Mallandro - era quem havia matado o personagem de Hugo Carvana.
A última semana de novela elevou o Ibope
a 60%, feito que a Globo não conseguia há tempos em
novelas das oito (que começa às nove), mas já
discuti isso em outro texto sobre novelas. Tudo para se descobrir
quem era o assassino da novela, houve até premiação
em rádios para quem acertasse. O fato é que as rádios
e outros veículos de comunicação que fizeram
promoções se deram mal, vão ter que premiar
gente adoidado. Afinal, o óbvio matou Lineu, a personagem
Laura, de Cláudia Abreu.
Não houve nenhuma surpresa. A personagem
má era a assassina e o público, que esperava por um
desfecho à Agatha Christie ou à Hitchcock, ou mesmo
um desfecho como em Vale Tudo, novela do mesmo autor, ficou
se sentindo lesado. “Eu esperava mais”, era o que todo
mundo dizia no sábado.
Laura morrer foi o crime dos crimes: uma grande
parte dos telespectadores torcia pela personagem; nem tanto pelo
seu mau caráter, mas pela atuação da atriz
que soube roubar a novela para si. Não era mais a história
de Maria Clara Diniz, chique e famosa, era a novela da Laura - que
deve ter lido várias vezes O Príncipe, de
Machiavel (leia e veja como se “fabrica” políticos)
e levava às últimas conseqüências a máxima
“os fins justificam os meios”. Malu Mader teve uma interpretação
tão fraca que ela própria se apagou na novela (também
já falei sobre isso em outro texto): ninguém queria
torcer por sua personagem, só quando ela bateu na personagem
da sua arqui-rival Cláudia Abreu.
Saber que Laura matou Lineu não surpreendeu,
só estarreceu. O pior é que nenhum personagem teve
uma daquelas famosas reviravoltas ou fez com que o público
se animasse com o desfecho da trama: tudo muito clichê e banal.
O que eu adoro é falar das gafes! Essa eu
tive o apoio da família e de colegas que assistiram para
me cantar algumas bolas, tais como: o personagem Queirós
foi morto por Laura também? Bem, eu nem sabia que o Otávio
Muller tinha morrido na trama, nem sabia quem era esse Queirós,
porém o que todo mundo falou foi o seguinte: ela não
explicou bulhufas sobre como matou e porque matou o personagem,
só que ele sabia demais.
A cena de morte da maligna personagem também
foi muito cômica: primeiro ela contou tudo o que sabia, nos
mínimos detalhes, e só depois morreu abraçada
ao seu amado amante (também parafraseando, mas aqui o Rei
RC). Pense bem, se há todo um cerco policial a um local,
o que acontece? Sempre há uma ambulância, ninguém
foi socorrer Laura e leva-la às pressas ao hospital: ela
ficou ali, estrebuchando e contando pro delegado e pro Marcos Palmeira
como cometeu os crimes.
Uma das cenas mais estranhas: Maria Clara foi à
pensão onde morava o ex-segurança de Lineu, Caetano
(este poderia ser testemunha ocular do crime) e como a babá
da filha de Malu Mader sabia que ela estava naquela pensão
se isso era um segredo? Como ela chegou até lá, toda
estropiada, falando que Laura havia seqüestrado Nina? Ela é
paranormal? Isso já é um serviço pra Cajabis
Canabis, nosso editor parapsicólogo...
Outra cena: Ana Paula, irmã invejosa da doce
e romântica mocinha da novela, se torna muambeira (rico que
vira pobre é tão comum como personagem do mal morrer)
o pessoal do núcleo pobre a enxota do local onde está
vendendo seus trecos e uma pessoa na multidão de figurantes
joga um ovo no vidro do carro da irmã invejosa. Na seqüência,
quando o carro é mostrado indo embora, o vidro está
limpo. Carro importado é tão bom assim que limpa em
segundos as sujeiras? Isso que é tecnologia!
Até o ministro Gilberto Gil compareceu ao
final da trama fazendo um show, cantando “A Paz” para
as celebridades do elenco e uma música mais “samba”
para o pessoal que trabalha atrás das câmeras. Algum
preconceito aí? Por que celebridades e pessoas normais não
se misturaram na festa? A pergunta que não quer calar.
Se vocês viram mais falhas nesse último
capítulo, me escrevam e eu divulgo aqui! Não vale
a cena que a Maria Clara bateu na Laura (porque essa foi muito tosca!),
só do último capítulo!
Ah! Mas o Lineu não morreu: a Brahma o ressuscitou!
Vejam o novo comercial do “ná ná ná ná”...

Ok,
ok! Farei o sacrifício de assistir ao começo da nova
novela com a Suzana Vieira recauchutada pela lipo - mas aquela capa
da revista Dieta Já é photoshop, isso ninguém
me engana! Opa, esperem um pouco: se a revista é sobre dieta,
por que uma pessoa que faz lipo está na capa??? Bem, depois
eu conto o que achei da nova choradeira das nove...

Outra pergunta que não quer calar:
Terça-feira, dia 22 de junho, eu fiquei em
dúvida: Alexandre Frota falava sobre seu “filme”
no Superpop de Luciana Gimenez e Paulo Maluf tentava se
safar das acusações que vem sofrendo no programa de
Gilberto Barros. Minha questão: qual dos dois é o
mais pornográfico?
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