Assistir TV não é um
entretenimento puro e simples: é rir das falhas e se indignar
com a burrice alheia... Juntei algumas pérolas que eu andei
vendo não só ultimamente, mas que guardei na memória
há algum tempo:
Silvio
Santos é a figura mais bizarra. Um cara que mora
nos States, não sabe nada de inglês e nem se indigna
a aprender a falar um “Thank you” direito... O mais
legal são as gafes no Show do Milhão, essas
eu não me esqueço de jeito nenhum porque são
hilárias.
A pergunta era sobre escritores e uma das alternativas
era Edgar Allan Poe, que ele insistentemente chamava de “Edgar
Allan Põe”, isso mesmo, como se houvesse um til e fosse
do verbo “pôr”; em outra questão sobre
autores, havia Jorge Luis Borges, que ele identificou como “esse
é brasileiro”, ou lia “Lewis Carroll” como
“Carol”, é, de Carolina; ou que o livro “O
Falcão Maltês só pode ter sido escrito por Mark
Twain”, com uma ajuda dessas quem não perde o milhão?
Numa das últimas edições desse
programa, o homem do baú disse: “qual o nome da ex-primeira
ministra da Inglaterra?”, e na alternativa correta ele lia
como “Margareth Teacher” - a única vez que ele
tentou pronunciar uma palavra em inglês e errou!!! Olha só
o Silvio anunciando o Grammy, por exemplo: “Fiquem agora com
o ‘grámi’”.
Mas
o SBT é o canal das gafes: passam aquelas novelas toscas
mexicanas e a novidade é uma de época que se chama
Amor Real (olha o nome!!!). Numa cena em que o dono da
fazenda olha pela varanda, vêem-se os tijolos dos degraus
da casa: tijolo de cimento, aquele cinza. Bem, se a novela é
do século XIX, acredito que seriam feitos de barro os tijolos
e teriam a cor vermelha ou marrom, não de cimento e cinza.
Tosquice à mexicana.
E programa
que tem o “padrão Globo de qualidade” também
não deixa de ser tosco: ano passado, na série Carga
Pesada, os personagens salvavam de um acidente de caminhão
o motorista e o colocavam em cima da carga para transportá-lo
até um hospital. Todo mundo sabe - e quem não sabia
acabou aprendendo errado - que não se deve mexer em pessoas
num acidente, só a equipe de resgate, porque é preciso
imobilizar o acidentado, e eles não só pegaram o cara
de qualquer jeito como colocaram-no em cima da carga! Sim, chacoalhando
enquanto levavam o homem pro hospital! E, claro, o sujeito saiu
ileso...
Astride
Fontenelle é outra que parece estar regredindo,
depois de bons momentos na MTV (o que acontece com esse povo que
sai da MTV?). Agora, apresenta o seu Melhor da Tarde entrevistando
um homem dono de um ganso campeão e elogia a ave da seguinte
maneira: “que PÊLO lindo ele tem!” E aí
completa: “ai, tem certeza que ele não vai me MORDER?”.
A querida
de todos os críticos de TV não poderia ficar de fora:
Luciana Gimenez é uma gafe ambulante, vou
destacar apenas essa pérola: “O casal matou a moça,
tiveram liberdade condicional, saíram da cadeia e a moça
AINDA continua morta.” Como ressuscitarão Daniela Perez?
Essa é a dúvida da morena que deveria fazer a propaganda
da Super Interessante.
Farei
aqui um adendo: que propaganda mais preconceituosa é essa
que diz que loira que lê “a super” fica inteligente
e morena? Já mandei minha reclamação para o
Conar (www.conar.org.br)
e, sempre que você também se sentir lesado com esses
comerciais, acesse, vá até a seção de
reclamações e rasgue o verbo!
Lembro-me
no Metropolis, da TV Cultura de São Paulo, a antiga
apresentadora Laura Wie comentando o show do Oasis
no Rock in Rio 3: “os irmãos ‘Guélenger’”
e "Laiam ‘Guélenger’". Falando no Rock
in Rio 3, lembrei de uma coisa horripilante, a apresentação
do Márcio Garcia, na Globo: "Noel Gallagher
tem como ídolo Johnny 'Mérr'", ou seja, Johnny
Marr, dos Smiths...
Mas
de qualquer maneira, entre todos, o vencedor é o Clodovil,
com toda a certeza... Sobre a Luma de Oliveira e o caso com o bombeiro:
"(Luma de Oliveira) estava com fogo no rabo e chamou um bombeiro
para apagar o fogo com sua mangueira, oras!" Ele conversava
com um comandante do corpo de bombeiros que TENTAVA falar sobre
a ética na corporação (separar vida profissional
e particular) e teve que ouvir coisas desse naipe...
E essa eu guardo de outro programa que ele teve
há um tempo e não me lembro em que emissora: “Mas
doutora, ela não vai sair pra ver o namorado, marido etc
dela com cheiro de bacalhau!”. Clodovil Hernandez conversava
com uma ginecologista famosa, a Dra. Albertina, do Hospital das
Clínicas de São Paulo, que falava sobre higiene íntima.
A médica, simplesmente, não sabia o que falar para
conseguir desfazer a “sutileza” do apresentador, mas
deve ter pensado em sair correndo dali e nunca mais voltar a um
programa apresentado por esse senhor...
Vejam que o bom senso, a inteligência, o tato,
a discrição são muito presentes na TV brasileira,
assim como o pensar antes de falar e fazer...
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