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Beagá, 17 de maio de 2004 d.C.
 
Violência na TV
Por Menina Enciclopédia
 

No começo do mês de fevereiro, o diretor do departamento de justiça que cuida da classificação de programas na TV, Mozart Rodrigues da Silva, foi exonerado do cargo por ter, como diz a Folha de São Paulo, "errado a classificação" (de horário e faixa etária) de alguns programas ditos jornalísticos, os famosos telejornais policiais. Ou seja, o horário por volta das 17:30h é muito bom para se apresentar cenas de crimes e cadáveres na TV e ele estava errado quando quis que eles fossem exibidos após às 21h. O caso ilustra como o jogo do poder das redes de TV é forte e a somatória audiência + lucros é igual a "o que é ética?".

Segundo a reportagem, Mozart Rodrigues teria passado por cima, com essa decisão, até do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Entretanto, o jogo político foi mais além, parlamentares ligados a uma grande "igreja" teriam recorrido do despacho após essa medida - já que um dos programas de maior repercussão nessa área é de uma rede de TV pertencente a eles. Engraçado, pessoas ditas religiosas não seriam as primeiras a serem contra esse tipo de telejornal ou a se manifestar para que a exibição fosse num horário em que "nossas crianças não assistissem"?

Resolvi falar desse assunto não tanto pelos casos envolvendo a política e a manipulação do poder de emissoras mas, sim, do porquê desses programas fazerem tanto sucesso.

Alguns vão dizer que é programa que só pobre vê. Não é bem assim: conheço pessoas ditas de "classe", cultas etc etc que não deixam de assistir a esses cidades alerta da vida. E não é só coisa de país subdesenvolvido, nos Estados Unidos e Japão esses programas são bem "cultuados", alguns - me parece - podem ser vistos até nas TVs pagas por aqui.

Um exemplo clássico da violência cultuada na TV americana: assista ao documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, lá você verá cenas de Cops, por exemplo, além de algumas reflexões que Mr. Moore faz sobre essa questão.

A verdade (apesar de não ser nem psicóloga e nem socióloga para traçar um perfil correto) é que as pessoas gostam de ver crimes, histórias chocantes e tudo que possa existir nesse quesito. Somos meio que urubus na carniça. Nenhuma novidade...

O grande problema é que as pessoas não têm um freio: já ouvi algumas vezes no metrô e outras conduções/coletivos jovens mães conversando entre si sobre os filhos e achando legal que as crianças gostem de ver a Turma do Gueto na Record, que o filhinho de 3 anos já fala que quer "dar um pipoco" no pai; que acha uma graça a filhinha que fica acordada até tarde para ver o Linha Direta.

"Joselitas", eu diria. Afinal, que noção tem uma mãe que deixa seus filhos acordados até tarde vendo esse tipo de programa e achando legal a criança se "identificar" com os personagens e situações desses "shows"?

Adianta mesmo mudar de horário? Pode ser que sim, menos pessoas iriam assistir, mas se você cresce engolindo esse tipo de "cultura", o horário não vai interferir em nada, você vai querer sempre ser um urubu, ou pior, ser parte integrante das reportagens.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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