No
começo do mês de fevereiro, o diretor do departamento
de justiça que cuida da classificação de programas
na TV, Mozart Rodrigues da Silva, foi exonerado do cargo por ter,
como diz a Folha
de São Paulo, "errado a classificação"
(de horário e faixa etária) de alguns programas ditos
jornalísticos, os famosos telejornais policiais. Ou seja,
o horário por volta das 17:30h é muito bom para se
apresentar cenas de crimes e cadáveres na TV e ele estava
errado quando quis que eles fossem exibidos após às
21h. O caso ilustra como o jogo do poder das redes de TV é
forte e a somatória audiência + lucros é igual
a "o que é ética?".
Segundo
a reportagem, Mozart Rodrigues teria passado por cima, com essa
decisão, até do Ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos. Entretanto, o jogo político foi mais além,
parlamentares ligados a uma grande "igreja" teriam recorrido
do despacho após essa medida - já que um dos programas
de maior repercussão nessa área é de uma rede
de TV pertencente a eles. Engraçado, pessoas ditas religiosas
não seriam as primeiras a serem contra esse tipo de telejornal
ou a se manifestar para que a exibição fosse num horário
em que "nossas crianças não assistissem"?
Resolvi falar desse assunto não tanto pelos
casos envolvendo a política e a manipulação
do poder de emissoras mas, sim, do porquê desses programas
fazerem tanto sucesso.
Alguns vão dizer que é programa que
só pobre vê. Não é bem assim: conheço
pessoas ditas de "classe", cultas etc etc que não
deixam de assistir a esses cidades alerta da vida. E não
é só coisa de país subdesenvolvido, nos Estados
Unidos e Japão esses programas são bem "cultuados",
alguns - me parece - podem ser vistos até nas TVs pagas por
aqui.
Um
exemplo clássico da violência cultuada na TV americana:
assista ao documentário Tiros em Columbine, de Michael
Moore, lá você verá cenas de Cops,
por exemplo, além de algumas reflexões que Mr. Moore
faz sobre essa questão.
A verdade (apesar de não ser nem psicóloga
e nem socióloga para traçar um perfil correto) é
que as pessoas gostam de ver crimes, histórias chocantes
e tudo que possa existir nesse quesito. Somos meio que urubus na
carniça. Nenhuma novidade...
O grande
problema é que as pessoas não têm um freio:
já ouvi algumas vezes no metrô e outras conduções/coletivos
jovens mães conversando entre si sobre os filhos e achando
legal que as crianças gostem de ver a Turma do Gueto
na Record, que o filhinho de 3 anos já fala que quer "dar
um pipoco" no pai; que acha uma graça a filhinha que
fica acordada até tarde para ver o Linha Direta.
"Joselitas", eu diria. Afinal, que noção
tem uma mãe que deixa seus filhos acordados até tarde
vendo esse tipo de programa e achando legal a criança se
"identificar" com os personagens e situações
desses "shows"?
Adianta
mesmo mudar de horário? Pode
ser que sim, menos pessoas iriam assistir, mas se você cresce
engolindo esse tipo de "cultura", o horário não
vai interferir em nada, você vai querer sempre ser um urubu,
ou pior, ser parte integrante das reportagens.
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