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Como
cantava a música, eu também quero a minha MTV! É, porque essa que
está aí, na TV, eu não reconheço, perdeu a identidade - se é que
ela tinha uma...
Lembro
desse clipe, da música acima, e de como parecia ser um deslumbre
essa coisa de assistir um canal todo dedicado à música (para criança
tudo é deslumbre). Das possibilidades que se poderia ter: vários
programas com estilos variados e muita, muita música.
Como
ela demorou a chegar aqui, existiam vários programas de clipes espalhados
pelas TV, o que mais durou, com certeza, foi o Som Pop, da
TV Cultura de São Paulo. Mas com a abertura do canal da Abril os
outros foram perdendo espaço. Ela chegou meio que discreta, quem
tinha TV UHF em 1990? O estilo tentava ser igual ao americano, muitas
cores - muita afetação, eu diria - e pouco envolvimento com o vídeo.
Assim surgiu a MTV e seus VJs.
O grande
problema da MTV é: ela nos deixou órfãos, foi como se alguém importante
na adolescência e começo da vida adulta, dos primeiros telespectadores,
morresse. Agora só dá para lembrar dos tempos em que se podia ver
bandas bacanas a todo o momento na programação e, o melhor, clipes,
música!
Ué?
Não é "Music Television"? Então! Cadê a música?
Comecei
a assistir para valer lá pelo final de 94 e ela foi me influenciando...
fui gostando de umas bandas que pareciam diferentes mas que estavam
a todo o momento na programação: um tal de Blur, que era bem animadinho
e engraçado ("Parklife"), um clipe que usou efeitos como os que
seriam sensação em Matrix (Suede, em "Wild One's"). Conhecia
mais clipes de bandas como as dos grunge e rock/pop americano enquanto
outras novas brasileiras iam aparecendo, ganhando espaço: Raimundos,
Skank, entre os mais conhecidos.
Os
Vjs tinham uma cultura razoável de música, era bom ouvir Gastão
Moreira comentar os clipes, era um dos poucos que tinha intimidade
com o vídeo, parecia que ele estava do seu lado conversando, um
papo informal e cheio de informação. O Fábio Massari também sabia
do que falava, assim como a Soninha era simpática e conhecia as
bandas que apresentava. Nada do que vemos hoje: vjs que não sabem
o que estão fazendo ali, que se percebe claramente que estão lendo
o teleprompter (Leo Madeira é o caso mais grave...). Quando você
vê a Didi no ar, o que pensa? Que ela é bonita? Bem, os garotos
mais interessados no visual podem até achar isso, mas e o conteúdo?
Na verdade, o que é conteúdo numa TV que só deveria exibir clipes?
Bem, a verdade é que a TV nasceu para ser apenas entretenimento,
mas todo entretenimento tem que ter um conteúdo, no caso, cultura
pop.
Aí
você assiste à Didi, à Sarah, que não manjam nada que do estão falando.
Tá, do KLB elas parecem manjar, as fãs estão toda hora mandando
e-mails pra elas (aprendem por osmose), assim como os telespectadores
aprenderam a gostar de tudo o que aparecer como "a sensação do momento".
Fomos
"sufocados" por uma programação sem sentido, sem nada que pudesse
nos prender, só nos deixar indignados: como as bandas que apareciam
no começo da MTV podem ter sido jogadas num canto, debaixo do tapete?
Hoje em dia, você só pode vê-las, se tiver sorte, de madrugada (das
2 às 7 h) ou gravando o Lado B, também para notívagos. Nunca mais
pude ver um clipe do Pulp durante o dia - e eu fui "bombardeada"
por "Do You Remember the First Time?" em outros tempos. Esse clipe
ainda está na videoteca da MTV ou botaram fogo? É ou não é acabar
com a alegria dos antigos "teleouvintes"? Mas os atuais não pensem
que venceram a parada: logo seus ídolos também serão trocados pelos
ídolos da nova geração - não sei como pode mas, se continuar assim,
serão ainda piores tanto o som quanto a tv.
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