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Beagá, 01 de dezembro de 2003 d.C.
 
"I want my MTV..."
Por Menina Enciclopédia
 

Como cantava a música, eu também quero a minha MTV! É, porque essa que está aí, na TV, eu não reconheço, perdeu a identidade - se é que ela tinha uma...

Lembro desse clipe, da música acima, e de como parecia ser um deslumbre essa coisa de assistir um canal todo dedicado à música (para criança tudo é deslumbre). Das possibilidades que se poderia ter: vários programas com estilos variados e muita, muita música.

Como ela demorou a chegar aqui, existiam vários programas de clipes espalhados pelas TV, o que mais durou, com certeza, foi o Som Pop, da TV Cultura de São Paulo. Mas com a abertura do canal da Abril os outros foram perdendo espaço. Ela chegou meio que discreta, quem tinha TV UHF em 1990? O estilo tentava ser igual ao americano, muitas cores - muita afetação, eu diria - e pouco envolvimento com o vídeo. Assim surgiu a MTV e seus VJs.

O grande problema da MTV é: ela nos deixou órfãos, foi como se alguém importante na adolescência e começo da vida adulta, dos primeiros telespectadores, morresse. Agora só dá para lembrar dos tempos em que se podia ver bandas bacanas a todo o momento na programação e, o melhor, clipes, música!

Ué? Não é "Music Television"? Então! Cadê a música?

Comecei a assistir para valer lá pelo final de 94 e ela foi me influenciando... fui gostando de umas bandas que pareciam diferentes mas que estavam a todo o momento na programação: um tal de Blur, que era bem animadinho e engraçado ("Parklife"), um clipe que usou efeitos como os que seriam sensação em Matrix (Suede, em "Wild One's"). Conhecia mais clipes de bandas como as dos grunge e rock/pop americano enquanto outras novas brasileiras iam aparecendo, ganhando espaço: Raimundos, Skank, entre os mais conhecidos.

Os Vjs tinham uma cultura razoável de música, era bom ouvir Gastão Moreira comentar os clipes, era um dos poucos que tinha intimidade com o vídeo, parecia que ele estava do seu lado conversando, um papo informal e cheio de informação. O Fábio Massari também sabia do que falava, assim como a Soninha era simpática e conhecia as bandas que apresentava. Nada do que vemos hoje: vjs que não sabem o que estão fazendo ali, que se percebe claramente que estão lendo o teleprompter (Leo Madeira é o caso mais grave...). Quando você vê a Didi no ar, o que pensa? Que ela é bonita? Bem, os garotos mais interessados no visual podem até achar isso, mas e o conteúdo? Na verdade, o que é conteúdo numa TV que só deveria exibir clipes? Bem, a verdade é que a TV nasceu para ser apenas entretenimento, mas todo entretenimento tem que ter um conteúdo, no caso, cultura pop.

Aí você assiste à Didi, à Sarah, que não manjam nada que do estão falando. Tá, do KLB elas parecem manjar, as fãs estão toda hora mandando e-mails pra elas (aprendem por osmose), assim como os telespectadores aprenderam a gostar de tudo o que aparecer como "a sensação do momento".

Fomos "sufocados" por uma programação sem sentido, sem nada que pudesse nos prender, só nos deixar indignados: como as bandas que apareciam no começo da MTV podem ter sido jogadas num canto, debaixo do tapete? Hoje em dia, você só pode vê-las, se tiver sorte, de madrugada (das 2 às 7 h) ou gravando o Lado B, também para notívagos. Nunca mais pude ver um clipe do Pulp durante o dia - e eu fui "bombardeada" por "Do You Remember the First Time?" em outros tempos. Esse clipe ainda está na videoteca da MTV ou botaram fogo? É ou não é acabar com a alegria dos antigos "teleouvintes"? Mas os atuais não pensem que venceram a parada: logo seus ídolos também serão trocados pelos ídolos da nova geração - não sei como pode mas, se continuar assim, serão ainda piores tanto o som quanto a tv.

 
Menina Enciclopédia é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em São Paulo. E-mail: meninaenciclopedia@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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