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| Beagá,
Domingo, 22 de dezembro de 2002 d.C. |
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Por
Katchiannya Cunha O natal, de uma forma ou de outra, é uma época memorável para todas as pessoas. Dentre essas "pessoas", é claro que os personagens de Histórias em Quadrinhos não poderiam ficar de fora. Super-Homem, Batman, Homem-Aranha, cada um deles já estrelou uma história que se passava no Natal. Uma das mais importantes sagas dos X-Men, a Saga da Fênix, foi iniciada em uma história natalina. Já é lugar comum ver nas bancas especiais natalinos de revistas em quadrinhos infantis, como da Turma da Mônica ou dos personagens da Disney. Portanto, já que todos adoram escrever e ler sobre o Natal, por que não criar uma revista em quadrinhos que seja somente sobre este tema? Pois essa foi a idéia de Paul Dini (roteiro) e DeStefano (desenhos), que criaram a revista Jingle Belle para a editora Oni Press. Dini e DeStefano são conhecidos muito mais por seus trabalhos como animadores do que como quadrinistas. Dini é responsável pelas séries de sucesso da Warner baseadas em personagens da DC Comics: Batman: The Animated Series, Superman: The Animated Series, Batman Beyond, Liga da Justiça e, do prestes a ser lançado, Novos Titãs. Seu trabalho é sempre sinônimo de qualidade, sendo premiado diversas vezes. Já DeStefano é conhecido como criador do desenho Ren & Stimpy, estrelado por uma das duplas mais escatológicas dos desenhos animados: um gato gordo e seboso e um chiuaua estressado. Ren & Stimpy pode ser conferido no canal pago Nickelodeon. Se em princípio essa combinação parece um tanto estranha, dada a enorme diferença de conteúdo existente entre os trabalhos desses dois artistas, no fim das contas ela demonstra ser perfeita. Jingle Belle conta a história da filha do Papai Noel. Imagine: ser filho do Papai Noel deve ser, provavelmente, o sonho de toda criança, certo? Afinal, milhares de brinquedos maravilhosos estariam a sua disposição todo o ano, não? Pois não é exatamente assim que Jingle Belle se sente... Afinal de contas, seu pai se preocupa muito mais com todas as outras crianças do mundo que com ela, e por mais que ela tente lhe chamar a atenção ou ajuda-lo com as encomendas de natal, as coisas sempre saem pelo avesso. Bem, apesar de se parecer uma tremenda crueldade por parte de Noel, as coisas não são bem assim... Vamos começar do princípio... Na série, Noel era um poderoso guerreiro (!?) do Ártico que, com a ajuda de vários animais, ajudou a libertar os duendes (elves) das garras do terrível Bruxo da Nevasca. No fim, ele acaba se casando com a rainha dos duendes, se estabelece como o provedor de brinquedos no Natal e tem uma filha, Jingle. Os anos passam e Jingle se torna uma adolescente, daquelas beeeeem adolescentes mesmo. Sabe, como a Claire, de My Wife and Kids (Sony), se é que vocês me entendem…
Jingle representa de forma bem-humorada tudo aquilo que se critica no natal (o consumismo, especialmente), enquanto seu pai tenta lhe ensinar as "coisas boas" da data (paz, amor, doação, família, etc). Uma das cenas mais hilariantes da primeira série da personagem é quando ela vai ao shopping substituir seu pai (ele foi parar em uma festa judaica, graças às armações da filha). Ao invés de atender às crianças, ela leva todas para um tour no shopping, enquanto ela tentar comprar milhares de roupas e sapatos para pagar com o salário que Papai Noel não cobra do shopping quando vai até lá. Mas uma das maiores mancadas da moça acontece quando ela se deixa enganar pelo Mago da Nevasca, dando-lhe novamente poder, de modo que ele domina novamente os duendes e Noel. É óbvio que no fim tudo dá certo, mas apesar de aprender um pouquinho a lição que seu pai quer lhe passar, Jingle continua com seu jeito destrambelhado de ser. Levando-se em conta o passado de animadores de seus criadores, pode-se dizer que Jingle Belle está muito mais para um desenho típico de Tex Avery (considerado um dos gênios da animação e responsável pelas melhores histórias do Droopy, fonte de inspiração dos criadores do filme O Máscara) que para um desenho da Disney. Algumas piadas são um pouco grotescas, mas só um pouquinho mesmo, nada que chegue no nível de um South Park ou até mesmo do Ren & Stimpy, do DeStephano. Por exemplo: em uma das cenas, Jingle usa feijões para impulsionar seu búfalo voador... Parece que a empreitada deu tanto sucesso que a personagem volta novamente a ser publicada neste ano, não em uma, mas em duas publicações: Jingle Belle's Cool Yule (encadernação, reimprimindo várias edições anteriores) e Jingle Belle's Winter Winding (one-shot). Na primeira, vários desenhistas como Sérgio Aragones (Groo), Bill Morrison (Simpsons Comics), Jill Thompson (Pequenos Perpétuos), Jeff Smith (Bone) e o próprio DeStefano se juntam para contar as desventuras de Jingle, seja quando ela contrata a Morte como Papai Noel substituto, seja quando ela resolve entrar para um time de hóquei, entre outras confusões. Na segunda, Jingle resolve, para o desespero do bom velhinho, montar uma banda de rock. Se você está cansado daquelas histórias melosas que povoam as tevês, livrarias e bancas de revista nesta época do ano, com certeza Jingle Belle é a solução: uma história realmente divertida e engraçada sobre o natal. É só procurar em uma importadora de quadrinhos. Vale a pena também dar uma olhada em seu site oficial, que é bastante divertido. No mais, desejo um Feliz Natal para todos e um ótimo 2003. :o)
Dicas de Sites: http://www.jinglebelle.com/ Oni Press Sites diversos com resenhas e notícias sobre Jingle Belle: http://www.figma.com/4cr/4cr_newsfeed/showmsg.mv?message=252
http://www.thefourthrail.com/reviews/critiques/080601/ |
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