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| Beagá,
Domingo, 06 de outubro de 2002 d.C. |
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Por
Katchiannya Cunha Mais mudanças no mercado de quadrinhos nacional... Com o anúncio de que a Panini passaria a publicar os quadrinhos mais comerciais da DC Comics, a Brainstore resolveu assumir totalmente seu jeito Vertigo de ser. Quer dizer, não totalmente Vertigo... A proposta atual da Brainstore é se concentrar nas publicações mais "alternativas" da editora americana, o que realmente significa investir em publicações da linha Vertigo, a parte de quadrinhos adultos da DC. Além de dar continuidade às publicações das séries Sandman e Preacher, a editora também pretende retomar a série Hellblazer, estrelada pelo canalha mais simpático dos quadrinhos, John Constantine. Só que os planos da Brainstore são um pouco mais amplos. Ela também pretende trazer para o Brasil as aventuras de super-heróis da DC; entretanto, vai se concentrar nos heróis mais "cult" da editora americana, como o Desafiador (Deadman, que já teve um especial publicado pela editora Globo nos idos da década de 90), o Espectro ou a Patrulha Destino. Mas o melhor de tudo é que a editora se dispôs a trazer novamente as aventuras do Starman para as terras tupiniquins. Não que as outras publicações devam ser desmerecidas, afinal de contas são todas de altíssima qualidade - especialmente as aventuras de Constantine, escritas pelo sempre fantástico Garth Ennis. Mas a questão é que Jack Knight, o alter-ego do Starman, é um dos heróis mais maltratados pelas editoras nacionais. O que é uma pena, pois sua série é um dos mais interessantes quadrinhos de super-heróis dos últimos tempos. Starman foi brevemente publicado aqui no Brasil, primeiramente pela Editora Magnum em 97 e depois pela Tudo em Quadrinhos (TEQ), em 99. Em ambas as ocasiões suas revistas foram anunciadas como minisséries, e nenhuma das duas editoras se dispôs a dar continuidade à publicação, o que deixou os sortudos que adquiriram as revistas com água na boca e um desejo de "quero-mais" que só agora vai ser saciado.
Mas o que Starman tem de tão especial? Bem além de ser uma série bastante premiada e consagrada nos Estados Unidos, ela é extremamente bem escrita, empolgante e cativante. Profundo conhecedor da história das HQs da DC, especialmente do período da Era de Ouro, Robinson constrói uma trama extremamente bem amarrada, na qual desde o primeiro número praticamente todos os detalhes da história de cada edição são importantes para a compreensão da história como um todo, como um enorme quebra-cabeças que aos poucos vamos montando. Além disso, ele teve a brilhante idéia de não desprezar as versões anteriores dos heróis, mas sim utiliza-los e interliga-los como se fossem uma grande e tradicional dinastia de heróis, tendo o primeiro Starman, Ted Knight, como seu patriarca. Ademais, sua construção das personagens e de suas interrelações é impecável. Especialmente com relação ao protagonista, Jack Knight. Jack é a encarnação de quase tudo que um fã fanático e colecionador deve ser (coisa que a maioria dos leitor de quadrinhos é). Fanático por filmes antigos, especialmente filmes de horror B, e qualquer coisa antiga que seja colecionável (aliás, meio pelo qual se sustenta, já que é dono de uma loja de antiguidades, a Knight's Past), Jack é um cara descolado, que nunca quis ser super-herói, tem problemas com o pai e o irmão, é meio galinha mas ao mesmo tempo romântico, dá uma de durão, mas no fundo tem um coração de ouro. Enfim, um ser humano cheio de qualidades e defeitos como qualquer um de nós. Não dá para o leitor deixar de se identificar com ele.
Mas na opinião dele, patrulhar cidades nem pensar: isso é coisa para a polícia, heróis são para situações de crise. E, como o próprio Ted costuma dizer, heróis atraem crises. Além disso, depois de se tornar herói, Jack não aprende de uma hora para a outra a ser um herói completamente seguro de si e profundo conhecedor de seus poderes. Ele vive metendo os pés pelas mãos e, apesar dos acertos, continua sem ter certeza se quer ser herói ou se nasceu mesmo para isso, o que dá certa consistência e credibilidade para a personagem. E não é apenas a personagem principal da série que é bem construída e trabalhada: as coadjuvantes também se mostram bastante interessantes. Todas elas, mesmo as que não foram originalmente criadas por Robinson, são tão ambíguas, humanas e cheias de nuances como qualquer um de nós. Merecem serem citados Nash, a filha do Névoa, no início uma garota tímida e retraída, que se torna uma psicopata obcecada por Jack; Shade, um vilão mais ou menos regenerado; dos O'Dare, uma família de policiais, cuja amizade com os Knight vem da época em que Ted era herói; e Sadie Falk, o interesse amoroso do herói, que esconde um surpreendente segredo. E é claro, toda a galeria de antigos Starmen, que direta ou indiretamente estão ligados a Jack. Por isso mesmo vale a pena falar um pouco sobre cada um deles.
O segundo Starman surgiu em 1951 do Universo DC, mas teve uma curta carreira. Foi publicado na Starman 80 Page Giant #1, e seu uniforme remete a uma antiga história do Batman, em que Bruce Wayne passa a ter fobia de morcegos e luta contra o crime usando o uniforme de Starman. Mas no decorrer da série, acabamos por descobrir que esse Starman é muito mais próximo da família Knight do que supomos. O terceiro Starman, publicado pela Abril com o nome de Zênite, era o extraterrestre Mikaal Tomas, criado por Gerry Conway e Mike Vosburg. Veio para a Terra como membro de uma tropa invasora do planeta. Ele e sua namorada Lyysa passaram a lutar ao lado dos terráqueos, mas ela morreu e ele passou a viver na Terra. Acabou se envolvendo com drogas nos anos 70 e desapareceu, surgindo anos depois (1988) acorrentado, drogado e com amnésia em um circo de aberrações, sendo resgatado por Jack e tornando-se membro adotivo da família Knight. O quarto e o quinto Starmen foram, respectivamente, o Príncipe Gavyn, criado por Paul Levitz e Steve Ditko, e Will Payton, criado por Roger Stern e Tom Lyle. Um era príncipe alienígena e foi atirado no espaço após sua irmã assumir o trono. Foi então resgatado e treinado por M'ntorr, de quem recebeu braceletes especiais que canalizavam energia cósmica, redirecionando-a como raios de calor ou energia. Acabou sacrificando sua vida para salvar seu planeta na Crise das Infinitas Terras. O outro era o jovem Will Payton, que ganhou seus poderes enquanto acampava e foi atingido por um raio vindo do céu. Algumas de suas histórias foram publicadas na DC 2000. Chegou a cruzar com David, em Opal City, na época em que este também usava o codinome de Starman. Foi dado como morto durante uma batalha com o vilão Eclypso. Entretanto, ele estava vivo e preso - pasmem - no planeta de Gavyn. O sexto (e não menos importante) Starman foi David Knight, cuja primeira aparição se deu na revista de Will, a Starman v.1 #26 (1990). É o filho mais velho de Ted Knight, e morreu nas primeiras páginas de Starman v.2 #1. Em vida não foi muito amigo de Jack, chegando a ter inveja dele, mas agora, depois de morto, faz visitas anuais ao irmão, nas histórias conhecidas como Talking With David. A primeira delas sai aqui no Brasil na Starman #1, da TEQ.
Se ainda assim nada do que eu disse te convenceu da excelente qualidade da série, então dê uma conferida quando ela chegar nas bancas. Starman vai ser publicada na revista mensal Dark Heroes, juntamente com Deadman, Esquadrão Suicida, Patrulha Destino, e O Espectro. Dicas de Sites: http://www.brainstore.com.br http://www.omelete.com.br/quadrinhos/news/base_para_news.asp?artigo=3377 Opal City: Home
Of Starman The Unofficial
Starman Homepage Alex Tam's Starman
Compendium The Opal City Chronicles Payton Place: The
Starman Homepage A Fonte do DCU |
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