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| Beagá,
Domingo, 11 de agosto de 2002 d.C. |
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Um "herói" como você nunca viu (a não ser quando se olha no espelho) Por
Katchiannya Cunha
Fanboy é uma minissérie de três partes (originalmente seis) e também é mais uma criação da dupla Mark Evanier/Sergio Aragonés. Nenhum dos dois é desconhecido dos leitores brasileiros: eles são responsáveis pelas histórias do Groo, o bárbaro mais idiota e engraçado dos quadrinhos. Também são deles os especiais Sérgio Aragonés destrói a DC e Sérgio Aragonés massacra a Marvel, nos quais satirizam os personagens e os clichês das duas maiores editoras americanas de quadrinhos. Aragonés também é conhecido por seus trabalhos para a revista Mad e Evanier é roteirista dos desenhos do Garfield, além de também ter escrito alguns episódios do "clássico" Caverna do Dragão. Em Fanboy os dois fazem uma espécie de homenagem, recheada de humor, ao mundo dos quadrinhos mas, principalmente, à figura mais importante - e muitas vezes esquecida - de toda a história das HQs: o fã. É claro que existem fãs e fãs de quadrinhos. Os graus de paixão e envolvimento com a arte seqüencial são variáveis. Existem aqueles que são fãs de determinado herói, compram quase tudo relacionado a ele, independente de quem é o roteirista ou o desenhista. Outros são, por outro lado, fãs incondicionais de determinado artista e fiéis somente a ele. E ainda existem aqueles que são chamados de "fãs profissionais", que não se prendem a um herói ou artista, mas são alucinados por quadrinhos em geral. Sabem tudo sobre quase tudo, não apenas em termos da cronologia de determinado herói, mas também quem desenhou e escreve e quando. Identifica um artista só de bater o olho em seu desenho, e sabem exatamente todas as notícias dos bastidores da indústria, não apenas as atuais, mas aquelas que se tornaram históricas. É esse último tipo de fã que Aragonés e Evanier retratam, mas apesar disso os fãs não tão radicais também acabam se identificando com a personagem.
As personagens são intencionalmente estereotipadas. Finster trabalha numa loja de quadrinhos gerenciada por um gordão seboso visto sempre com alguma comida nas mãos. Na loja, aparecem os tipos mais variáveis como Fuinha, o ladrão de gibis, ou um político corrupto que quer se promover pregando os malefícios dos comics (tal qual ocorreu durante os anos 50 nos Estados Unidos), ou os especialistas que hiperinflacionam os preços das revistas antigas (coisa que dificilmente ocorre aqui no Brasil). Além disso, Finster é apaixonado pela garota mais popular da escola, Kimberly, que por sua vez sai com o capitão do time de futebol americano da escola, não por amor, mas por uma questão de autopromoção. Há também a típica professora megera e a garota doce e boazinha, Sandy, que é apaixonada pelo herói, mas ele, em sua ignorância não percebe isso. É exatamente desse exagero nos clichês das situações e na estereotipia das personagens que os autores conseguem extrair seu humor, conseguindo, ainda assim, a proeza de não soar artificial. Outras características da série também são um achado, como por exemplo a forma como eles brincam com a linguagem dos quadrinhos e a forma como Finster interage com o leitor, "conversando" diretamente com ele, além de ter consciência de sua existência como personagem de HQ. Também são fantásticas as cartas de Finster, que abrem as edições, dirigidas aos leitores. Além de contextualizarem as histórias que se seguem, também dão uma visão geral da história dos quadrinhos americanos. Mas realmente o melhor de toda a série é que, por trás de todo o clima cômico e debochado, Evanier e Aragonés conseguem abordar temas sérios: discutem a questão da liberdade de expressão versus a censura e as atitudes de certos políticos que usam a polêmica para se promover, criticam o uso da violência para resolver problemas, apregoando que a inteligência, a lógica e o raciocínio são os melhores caminhos. A maior crítica, entretanto, é para o próprio fã de quadrinhos. A questão não é a paixão pela nona arte ou usá-la como referência para suas atitudes no mundo real, a questão está em se esconder nas HQs e esquecer de curtir as outras coisas boas da vida. Além de todas essas qualidades citadas, existe um atrativo a mais na série: a presença de artistas consagrados que dividem o lápis com Aragonés, tais como Frank Miller, Gil Kane, Jerry Ordway, Matt Haley, Bernie Wrightson, Dave Gibbons, Brian Bolland, Kevin Nolan, entre vários outros. Sem dúvida essa é uma das publicações mais bacanas do ano, que infelizmente não recebeu o merecido destaque. Vale a pena dar uma olhada e descobrir que existe um Finster em cada um de nós.
Dicas de sites: Sites Nacionais http://www.centraldequadrinhos.com/Por%20dentro/Noticias/html/ http://www.odarainternet.com.br/supers/quadrinhos/sergio-aragones-fanboy.htm http://www.universohq.com/quadrinhos/n07062002_04.cfm http://hq.cosmo.com.br/textos/hqcoisa/h0106_fanboy.shtm http://www.a-rca.com/gibi/news/news.asp?codcat=5&codigo=668 http://superman.topcities.com/comx/world/brazil/brainstore/met_fanboy.htm Sites americanos http://home.tampabay.rr.com/tcs/GrooMiscNGame.htm http://www.emeralddawn.com/book/fanboy.htm http://outer-rim.lweb.net/review/16comic4.htm |
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