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| Beagá,
Domingo, 28 de julho de 2002 d.C. |
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Por
Katchiannya Cunha Antes das revistas em quadrinhos surgirem, existiam as tiras (comic strips) que saiam nos jornais. Inicialmente, elas eram relegadas apenas às páginas dominicais (que ainda têm um tratamento diferenciado); com o tempo, passaram a ser diárias e viraram quase uma mania nacional. Diferente do Brasil, onde a predominância das tiras cômicas é notável, nos Estados Unidos os temas das tirinhas são os mais variáveis possíveis, passando pelas cômicas (como Peanuts e Dilbert), pelas de ficção científica (como as clássicas Flash Gordon e Buck Rogers), as de detetive (como Dick Tracy), chegando àquelas com enredos quase típicos de novelas (como Gasoline Alley) e as tiras de heróis (Fantasma e Homem-Aranha). Isso só para citar os exemplos mais famosos. Diversos e talentosos artistas surgiram desse meio, como Alex Raymond, Lee Falk, Winson Mc Cay, Hal Foster, Charles Schultz, só para citar alguns, e outros, famosos no mundo das Hqs, ou começaram como artistas de tirinhas ou transitam pelos dois meios, tais como Stan Lee, John Romita Sr. ou Terry Moore.
Querendo mudar a situação, a editora Opera Graphica lançou a revista Stripmania (R$ 5,90 - formato magazine). Além das boas intenções, a publicação possui uma estrutura e seleção de histórias bem acima da média que outras publicações que tentaram algo parecido - só para citar a recente publicação de algumas tiras de Os Sobrinhos do Capitão, bastante decepcionante. Outro diferencial é que a revista destaca exatamente as tiras de ação e aventura, de heróis.
A primeira história conta a versão da origem do herói para as tiras. Em linhas gerais, não é muito diferente da que foi publicada originalmente em Amazing Fantasy #15, tirando alguns pequenos detalhes como o fato de Peter estar mais diretamente relacionado ao acidente que tornou radioativa a aranha que o picou, ou não destacar tanto sua vida escolar, ou mostrar mais diretamente a situação que levou à morte de Tio Ben. A segunda história é sobre o primeiro encontro entre Kraven e o Aranha. Nela somos brindados com a presença de Mary Jane, que é apresentada como o interesse amoroso do herói. É aí que percebemos que a cronologia das tiras não tem nenhuma relação nem é mera cópia das cronologias das revistas do herói, já que Betty Brant não é mais a primeira namorada do herói e também não tem uma Liz Allen para "competir" com ela. Mais que os roteiros de Lee, o destaque vai para a arte sempre magnífica de John Romita Sr. Nas revistas, o Aranha foi inicialmente desenhado por Steve Ditko, mas a arte de JR pai foi a que marcou a personagem e influenciou vários artistas que posteriormente trabalharam com o herói. A presença dele só reforça ainda mais a qualidade da tirinha. Outro herói publicado
foi o Príncipe Valente - na realidade, a história em questão não é sobre
Valente, mas sobre seu filho mais velho, Arn. Criada por Hal Foster em
1937 e publicada até hoje, Príncipe Valente é uma das mais antigas
tiras ainda em circulação e pode ser considerada uma grande novela épica
ilustrada. A última história da edição é uma tira de Tarzan, a mais fraca das apresentadas. Ao invés de apresentar histórias com os artistas clássicos do Homem-Macaco, Hal Foster e Burne Hogarth, publicaram o trabalho de Russ Manning, da década de 60. Manning também foi um artista de destaque na trajetória quadrinística do rei das selvas mas, apesar de sua arte competente, a história apresentada na edição não empolga. Além das tiras, a revista também traz artigos referentes às histórias publicadas e/ou sobre seus autores, além de matérias sobre o mundo dos quadrinhos. Como um todo, Stripmania é uma boa publicação e vale uma conferida. Agradecimentos à Banca Nona Arte (UFMG, Campus Pampulha - próxima da entrada da Av. Antônio Carlos. Telefone: 96524091). Notas
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