| Kingdom
Comics
Dicas alternativas
de quadrinhos alternativos




|
"Made
in Japan" Por
Katchiannya Cunha
Todo
mundo no Brasil sabe da existência dos quadrinhos japoneses, quase
todo mundo sabe que eles são conhecidos como mangá, mas, ironicamente,
pouca gente (descontando colecionadores, fanáticos e afins) realmente
leu uma história em quadrinhos japonesa. A verdade é que muito poucos
mangás foram publicados aqui no Brasil, e a grande maioria dos brasileiros
conhece-os através de seus filhotes televisivos: os animes - o que
é uma pena. Não que a presença dos animes seja ruim, muito pelo
contrário, a animação japonesa, no geral, é fantástica, mas, na
sua maioria, os animes são versões reduzidas e um pouco alteradas
das histórias originais. Além disso, vale mesmo a pena conhecer
o trabalho de alguns artistas japoneses.
Diferente dos quadrinhos
americanos a que estamos acostumados, os mangás são grossos como
livros, com centenas de páginas, e são lidos da direita para a esquerda.
A maioria das histórias é impressa em preto e branco e, geralmente,
várias séries de autores diferentes são publicadas em uma mesma
revista. Os traços dos quadrinhos japoneses, em sua maioria, são
bastante estilizados e simplificados, a narrativa é quase cinematográfica
(como se fosse algo visto quadro a quadro). Nos
chamados mangás de história longa, alguns com milhares de páginas,
os artistas japoneses buscam estender sua narrativa por muitos capítulos
de modo a explorar as nuances psicológicas das personagens e tornar
a história mais interessante e detalhada. No
Japão, a grande maioria da população lê quadrinhos, de modo que
eles são divididos pela idade e pelo sexo do leitor. Por exemplo,
a revista Shonen Jump, responsável pela publicação de algumas
séries conhecidas no Brasil por seus animes, como Cavaleiros
do Zodíaco, Dragon Ball ou Yu Yu Hakushô, é uma revista
voltada para o público adolescente masculino. Já a Nakayoshi,
da editora Kodansha (uma das maiores editoras do Japão, responsável
pela publicação de, entre outros, Sailor Moon), busca atender
ao público feminino da mesma faixa etária. O
responsável por tornar os quadrinhos japoneses o que são hoje se
chama Osamu Tesuka. Foi ele quem definiu os elementos fundamentais
do mangá: o desenho estilizado, a narrativa cinematográfica, e é
claro, os famosos olhos grandes. Além disso, Tesuka foi um dos mais
produtivos artistas nipônicos: auxiliado por vários assistentes,
ele produzia cerca de 300 páginas de quadrinhos por mês para várias
revistas, chegando a produzir 150 mil páginas durante toda sua carreira,
além de criar mais de 500 obras.
Alguns de seus personagens
são conhecidos aqui no Brasil pelo pessoal “das antigas”, como Tetsuwan
Atom, Jungle Tatei e Ribon no Kishi, mais conhecidos
como Astro Boy, Kimba, o Leão Branco e A Princesa
e o Cavaleiro, criados nos anos 50, e transformados em desenho
na década de 60, além de outros, como o divertido Dom Drácula
- alguém aí se lembra dele no Clube da Criança, da extinta
Manchete? Não é à toa que Tezuka é conhecido pelos seus conterrâneos
como “Manga no Kamisama”, ou “o deus do mangá”. Mas,
com certeza, o mangá mais famoso no Brasil é Akira, de Katsuhiro
Otomo. Otomo possui um estilo não tão estilizado como o da maioria
dos artistas do Japão, sendo até acusado por alguns de ser um pouco
“ocidentalizado”. Mas isso pouco importa, a questão principal é
que Akira é um grande mangá, com uma ótima arte e uma excelente
história. Publicado originalmente em 1982, na revista Young Magazine,
da Kodansha, foi uma das primeiras HQs japonesas a fazer sucesso
no mercado norte-americano. Sem falar que deu origem a um dos melhores
longas da animação japonesa de todos os tempos, em 1992.
No Japão, é praticamente
“obrigatório” que um mangá de sucesso se transforme em videogames,
animes, novelizações, filmes de longa metragem e brinquedos. Ás
vezes (ultimamente muito freqüentemente), o inverso acontece: um
videogame ou um jogo se transformar em mangá e/ou anime (ou um mangá
ser criado para promover um jogo), algumas vezes com uma excelente
qualidade (como, por exemplo, Zillion), outras nem tanto.
Como
normalmente uma série de sucesso é reiimpressa, não existe, no Japão,
um mercado para números atrasados ou antigos, como aqui ou nos Estados
Unidos, de modo que as convenções de quadrinhos que ocorrem por
lá são muito mais para vender fanzines (dojinshi) que para qualquer
outra coisa. Os fanzines japoneses primam por sua excelente qualidade
e acabamento e tratam tanto de paródias e paráfrases de séries conhecidas
quanto de temas idealizados por seu autor.
Nos últimos anos, alguns
artistas americanos se mostraram bastante influenciados seja pelo
estilo de desenho, seja pelo estilo narrativo dos japoneses. Dentre
eles, podemos citar Joe Madureira, conhecido aqui por desenhar os
X-Men, cuja revista BattleChasers lembra bastante,
e intencionalmente, mangás de fantasia no estilo de Rayearth
e Fushigi Yuugi; ou Humberto Ramos, de Um Mundo sem Adultos,
publicada pela Abril (Melhores do Mundo # 30), e da excelente
Crimson, a história de um (contrariado) vampiro adolescente;
ou ainda Frank Miller, que dispensa apresentações, fã confesso de
Lobo Solitário, principalmente com seu Ronin e com
Big Guy and Rusty The Boy Robot.
Embora tratando de temas
extremamente variados, sejam aventuras espaciais ou temas mitológicos
de outras culturas, ou ainda de esportes os mais variados, a narrativa
do mangá está profundamente ligada aos costumes, valores e cultura
japonesa, e é uma boa forma de começar a conhecer uma cultura bem
diferente da nossa.
Mangás lançados no
Brasil - Para procurar em sebos:
Lobo Solitário:
publicado pela Cedibra em 89 (9 edições) e depois pela Nova Sampa
em 92 (12 edições), de Kazuo Koike e Goseki Kojima. Foi publicada
no Japão na década de 70, e conta a história de Ito Ogami, o executor
oficial do Shogun, acusado injustamente de traição, passa a vagar
pelo Japão ao lado de seu filho, Daigoro. Um excelente mangá, que
trata com fidelidade o painel do Japão Feudal e seus rígidos códigos
de honra.
Mai, a Garota Psíquica:
conta as aventuras de uma garota com poderes paranormais. Minissérie
em oito partes, publicada pela Abril em 1992. Criado por Kazuya
Kodo e Ryoishi Ikegami.
Crying Freemam:
publicado pela Nova Sampa, em 92 (apenas quatro edições), de Kazuo
Koike. Conta a história de um homem, Yo, transformado em assassino
contra a vontade por uma misteriosa seita chinesa chamada “Os Filhos
do Dragão”, e que chora após matar suas vítimas. Sua amada, Emu
O`Hara, é uma jovem canadense, a quem ele fora incumbido de matar.
Foi transformado em filme, estrelado por Mark Dacascos (do seriado
O Corvo).
Para procurar em lojas
especializadas e bancas:
Akira:
de Katsuhiro Otomo, publicado originalmente pela Globo, a partir
de 89, vem sendo republicado em edições encadernadas. Conta a história
dos amigos Kaneda e Tetsuo, em um futuro pós-apocalíptico, cuja
figura enigmática de Akira é o ponto chave da narrativa. Leia ou,
pelo menos, veja o filme. Gen,
Pés Descalços: história quase autobiográfica de Keiji Nakazawa
sobre o bombardeio de Hiroshima e seus sobreviventes. Saiu aqui
pela Conrad, em edições encadernadas. Ranma
½ : da desenhista Rumiko
Takahashi, sai pela Editora Animangá, bimestralmente. É uma das
minhas HQs preferidas. Ranma Saotome, após treinar com seu pai na
área das Mil Nascentes Malditas, na China, e cair em uma delas,
se transforma em mulher toda vez que molhado com água fria, e em
homem, quando molhado com água quente. Isso sem contar outras diversas
personagens que também foram a essas nascentes e se transformam
em seres beeem mais inusitados. Divertidíssimo.
Além disso, existem diversas
publicações nacionais que tratam sobre mangá e tem histórias criadas
por autores e desenhistas brasileiros, como Tsunami ou Mangá
X. Sem falar das versões mangá do Homem-Aranha e dos
X-Men, lançadas pela Mythos. Para quem lê inglês, existe
ainda a possibilidade de encomendar as versões americanas de alguns
mangás, publicadas por algumas editoras, como a Dark Horse, Antartic
Press ou a Viz.
Sugestões de Sites:
www.abrademi.com
Site da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações
- Abrademi. Contém fotos, galerias, informações sobre eventos, concursos,
etc.
www.fortunecity.com/lavendar/trousers/498
Projeto ZW 8266: trata sobre anime e mangá no Brasil, além de
ter galerias de imagens, fanzines e bate-papo.
www.aol.com.br/crono/anime-br/
Anime-BR: lista de discussão sobre animes e mangás.
http://aniparadise.simplenet.com/apc/
Anime Power Clube do Brasil - APC: fã-clube virtual de anime
e mangá.
www.geocities.com/Tokyo/Ginza/7950/
WildLook Mangázine: contém reportagens, fan fictions, lista de lojas
especializadas em anime e mangá, etc.
www.animebr.cjb.net/
Site brasileiro que explica as diferenças entre animes e mangás,
além de ter informações sobre séries famosas, comentários sobre
revistas, horários em que podem ser vistos no país, links, etc.
www.terravista.pt/Bilene/4460/
Outra lista de discussão brasileira sobre anime e mangá.
http://orbita.starmedia.com/~fanzinetupiniquim
Fanzine Tupiniquim: além de matérias sobre animes e mangás,
inclui quadrinhos de criações próprias, com fichas de personagens.
Agradecemos a permissão para utilizar algumas figuras nessa matéria.
www.geocities.com/Tokyo/Brigde/1158
Site com traduções de mangás e de letras de música de animes.
www.ex.org/
Site com entrevistas, matérias e resenhas sobre diversos animes
e mangás.
www.geocities.com/Tokyo/6427/start.htm
Site com guias de episódios e sinopses, fan fiction, entre outras
coisas.
www.geocities.com/Tokyo/8069/
Guia para os iniciantes na artes dos mangás, com informações sobre
mangás famosos e nem tanto.
www.mit.edu:8001/people/rei/Anime.html
Site especializado em animes e mangás.
www.jai2.com
Site de Frederick L. Schodt, autor americano de Manga! Manga!
The World of Japanese Comics e Dreamland Japan – “guias
oficiais” para quem quer conhecer a origem e a história das HQs
japonesas. Contêm informações sobre o Japão, mangás, tecnologia,
história e literatura.
www.tokyokid.com/chibipop/
Chibi-Pop Manga: revista virtual bimestral sobre o tema.
www.eigomanga.com/
Site sobre mangás e revistas em quadrinhos online independentes.
Colunas
Anteriores:
22/10:
A Dois Passos do Paraíso
15/10:
Mutatis Mutantis |