q
Página principal de O Balaio
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 07 de julho de 2003 d.C.
 

Hulk esmaga Homenzinhos

Por Katchiannya Cunha

 

Depois dos X-Men, do Homem-Aranha e do Demolidor, mais um personagem da Marvel Comics chega aos cinemas em grande estilo: Hulk. Criado em 1962 por Stan Lee (roteiros) e Jack Kirby (desenhos), o Hulk não é uma personagem que possa ser descrita como um herói. Se Lee já vinha provocando uma reviravolta no mundo dos quadrinhos através de um processo de humanização de seus heróis (Quarteto Fantástico, Homem-Aranha) tornando-os mais próximos de seus leitores, com o Hulk ele foi um pouco mais além. Bebendo de fontes clássicas do terror como Frankstein e, principalmente, o Médico e o Monstro (Dr. Jekyll e Mr. Hyde), ele criou o Dr. Robert Bruce Banner e seu alter-ego, o descontrolado e selvagem Hulk.

Bruce trabalhava para o governo norte-americano pesquisando uma bomba de raios gama mais destrutiva que atômica (lembrem-se que a história se passava durante a Guerra Fria e radiações estavam na moda). Quando a bomba foi ser testada, Banner percebeu que um garoto, Rick Jones, estava na área de teste; ele conseguiu salvar o garoto, mas foi atingido pelos raios gama.

Inicialmente, Banner se tornava o Hulk assim que anoitecia, mas depois sua transformação começou a ser vinculada ao seu estado de humor. Uma curiosidade é que a cor inicial do Hulk era cinza, mas por um erro de impressão, na segunda edição da revista, ele passou a ser verde, cor adotada até hoje - descontando uma variação cinza do Hulk, sacana e espertalhona, conhecida como Sr. Tira-Teima, manifestada por Banner durante um período. Também não se pode deixar de dizer que Hulk em inglês quer dizer algo grande e corpulento, descrição perfeita para o monstro.

Banner era apaixonado pela filha do chefão da base militar, Betty Ross. Seu pai, General Ross, se tornou também o perseguidor implacável da contraparte monstruosa de seu genro. Bem, é verdade que o General já não gostava de Bruce e a existência do Hulk só piorou as coisas.

Durante um bom tempo, o Hulk, junto com o Aranha, foi um dos personagens mais famosos da Marvel entre aqueles que não liam HQs. Ele estrelou uma série animada na década de 60 (feita nos mesmos moldes de outras pérolas do período como Thor e Homem de Ferro).

Mas foi o seriado da década de 70 que tornou o personagem ainda mais popular. Bill Bilxy era David Banner, o nome foi modificado de Bruce para David na transposição para a televisão sob a alegação que David era um nome mais másculo, além de fazer alusão a alcunha "Golias esmeralda" atribuída ao Hulk. Sacou? Davi e Golias... Lou Ferregino, um alterofilista, era a personificação monstruosa e verde do enraivecido doutor. O seriado não tinha muito a ver com os quadrinhos, seguindo um padrão anteriormente consagrado pela série O Fugitivo. Banner, acusado por um crime que não cometeu, é perseguido por um jornalista. Em cada episódio, David Banner mudava de cidade e nome, ajudava alguém, e nos momentos de maior nervosismo se transformava no monstrão, quebrava tudo e resolvia os problemas. A série fez um enorme sucesso na época, deu origem a mais uma publicação em quadrinhos e a filmes tenebrosos na década de 80.

Nos quadrinhos, o Hulk teve papel importante em diversos acontecimentos da história da Marvel. Foi membro fundador dos Vingadores, fez parte dos Defensores, o popular mutante Wolverine surgiu em uma de suas revistas. Também foi criada uma versão feminina sua, a Mulher Hulk (She-Hulk), na verdade sua prima, a advogada Jennifer Walters, que recebeu o sangue irradiado do primo em uma transfusão de emergência. Mas, ao contrário de Bruce, Jen pode controlar suas transformações. Ela fez parte do Quarteto Fantástico e Vingadores, e durante um tempo estrelou um título próprio desenhado e roteirizado por John Byrne (X-Men, Super-Homem).

Na década de 80, uma nova série de desenhos animados foi feita. Betty agora era uma cientista como Bruce, caracterização aproveitada no filme. Também foi a primeira aparição animada da Mulher-Hulk. E, na década seguinte, apareceu uma outra série de desenhos, bem fraquinha na minha opinião. Era praticamente co-estrelada pela prima de Banner.

Bem, eis que uma nova chance de se catapultar para o estrelato surge para o Verdão graças a essa onda de adaptações de quadrinhos para o cinema. E uma chance de ouro, diga-se de passagem, uma vez que o encarregado do filme foi o fenomenal Ang Lee, responsável por filmes sensacionais como O Tigre e o Dragão, Razão e Sensibilidade e Tempestade de Gelo.

Lee conseguiu mostrar que é possível fazer uma adaptação fiel de uma personagem de quadrinhos sem se ater obsessivamente aos detalhes de sua origem e cronologia. Ele conseguiu captar e abstrair o que há de melhor e essencial no Hulk, que são as questões psicológicas atreladas à personagem: a maneira como Banner reprime seus sentimentos, sua relação conturbada com o pai, a incapacidade de amar Betty da maneira que ela deseja. O Hulk não é nada mais nada menos que a manifestação física e desenfreada de todos os desejos recalcados e de todas as frustrações do cientista.

A história do filme é um pouco diferente da dos quadrinhos. O Doutor David Banner (Nick Nolte) trabalhava para o governo em experiências de aperfeiçoamento genético. Envolvido por seu trabalho e ansioso por um resultado, aplica em si mesmo o produto que vinha pesquisando. Nada acontece. Pouco tempo depois, sua esposa fica grávida e ele descobre que as mutações genéticas foram transmitidas a seu filho, Bruce. Entrementes, ele acaba sendo despedido. Revoltado, coloca fogo no laboratório. Uma tragédia acaba por acontecer a ele e sua esposa e o pequeno Bruce é adotado.

Anos depois, Bruce (Ed Bana), agora um renomando cientista, e sua ex-namorada Betty Ross (Jennifer Connelly) estão realizando uma experiência envolvendo o uso de raios gama. Exposto a esses raios, Bruce acaba por manifestar a mutação, antes latente, e se transforma no gigantesco Hulk.

O filme é um pouco lento no começo, mas não que isso seja ruim. As seqüências de ação, quando aparecem, são de tirar o fôlego, e o Hulk digital... bem... ficou bastante legal e consegue passar toda a força da personagem, mas não chega a ser algo tão excepcional quanto o Gollum, de O Senhor dos Anéis. Diferente das atuais adaptações de quadrinhos, as citações e participações especiais são poucas, mas estão lá: seja no nome do pai de Banner, derivado da série de TV, ou os cães-hulk, ou ainda as participações de Lou Ferregino e Stan Lee. A divisão da tela em vários quadros para lembrar a estruturação de uma revista em quadrinhos realmente ficou muito bacana, mas poderia ter sido um pouco menos utilizada.

A atuação dos atores também é um caso a parte. Ed Bana e Jenniffer Conelly estão simplesmente fantásticos como Bruce e Betty. Todo aquele peso emocional existente entre as personagens é transmitido aos expectadores muitas vezes através de uma simples troca de olhares.

É difícil dizer se Hulk é melhor que, por exemplo, Homem-Aranha, que é minha versão preferida de um super-herói para o cinema. É simplesmente diferente, pois não dá para descrevê-lo como um filme de super-herói. Mas ainda assim é um bom filme.

E para não dizer que estou sendo tendenciosa, confesso que nunca fui muito fã do Hulk nos quadrinhos. Sempre achei que ele era uma boa personagem, mas que só funcionava nas mãos de um grande roteirista. Ou no caso, um grande diretor.

Dicas de sites:

www.omelete.com.br
www.heroi.com.br
www.universohq.com
Sites com seções inteiras dedicadas ao Hulk, abordando suas origens, publicações nos quadrinhos, desenhos animados, a série de TV e resenhas do filme. No site da Herói ainda tem uma entrevista exclusiva com o diretor do filme Ang Lee.

www.cinemacafri.com.br
www.agalaxia.com.br
Sites com resenhas sobre o filme.

http://www.ohulk.kit.net
http://www.brucebanner.pop.com.br/
http://www.thehulk.kit.net/
http://www.hulkfiction.hpg.ig.com.br/
http://www.thehulk.com/home_pt.html
Sites de fãs dedicados à personagem.

Além de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida, fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.

 

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
A Lenda da Jóia de Quatro Almas
Campbell's Angels
O Samurai, o Ronin, o Demônio e o Feiticeiro
Mutatis Mutantis (II)
Feito gatos e ratos
Confira textos mais antigos...