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Depois
dos X-Men, do Homem-Aranha e do Demolidor, mais um personagem da
Marvel Comics chega aos cinemas em grande estilo: Hulk. Criado em
1962 por Stan Lee (roteiros) e Jack Kirby (desenhos), o Hulk não
é uma personagem que possa ser descrita como um herói. Se Lee já
vinha provocando uma reviravolta no mundo dos quadrinhos através
de um processo de humanização de seus heróis (Quarteto Fantástico,
Homem-Aranha) tornando-os mais próximos de seus leitores, com o
Hulk ele foi um pouco mais além. Bebendo de fontes clássicas do
terror como Frankstein e, principalmente, o Médico e o Monstro (Dr.
Jekyll e Mr. Hyde), ele criou o Dr. Robert Bruce Banner e seu alter-ego,
o descontrolado e selvagem Hulk.
Bruce
trabalhava para o governo norte-americano pesquisando uma bomba
de raios gama mais destrutiva que atômica (lembrem-se que a história
se passava durante a Guerra Fria e radiações estavam na moda). Quando
a bomba foi ser testada, Banner percebeu que um garoto, Rick Jones,
estava na área de teste; ele conseguiu salvar o garoto, mas foi
atingido pelos raios gama.
Inicialmente,
Banner se tornava o Hulk assim que anoitecia, mas depois sua transformação
começou a ser vinculada ao seu estado de humor. Uma curiosidade
é que a cor inicial do Hulk era cinza, mas por um erro de impressão,
na segunda edição da revista, ele passou a ser verde, cor adotada
até hoje - descontando uma variação cinza do Hulk, sacana e espertalhona,
conhecida como Sr. Tira-Teima, manifestada por Banner durante um
período. Também não se pode deixar de dizer que Hulk em inglês quer
dizer algo grande e corpulento, descrição perfeita para o monstro.
Banner
era apaixonado pela filha do chefão da base militar, Betty Ross.
Seu pai, General Ross, se tornou também o perseguidor implacável
da contraparte monstruosa de seu genro. Bem, é verdade que o General
já não gostava de Bruce e a existência do Hulk só piorou as coisas.
Durante
um bom tempo, o Hulk, junto com o Aranha, foi um dos personagens
mais famosos da Marvel entre aqueles que não liam HQs. Ele estrelou
uma série animada na década de 60 (feita nos mesmos moldes de outras
pérolas do período como Thor e Homem de Ferro).
Mas
foi o seriado da década de 70 que tornou o personagem ainda mais
popular. Bill Bilxy era David Banner, o nome foi modificado de Bruce
para David na transposição para a televisão sob a alegação que David
era um nome mais másculo, além de fazer alusão a alcunha "Golias
esmeralda" atribuída ao Hulk. Sacou? Davi e Golias... Lou Ferregino,
um alterofilista, era a personificação monstruosa e verde do enraivecido
doutor. O seriado não tinha muito a ver com os quadrinhos, seguindo
um padrão anteriormente consagrado pela série O Fugitivo.
Banner, acusado por um crime que não cometeu, é perseguido por um
jornalista. Em cada episódio, David Banner mudava de cidade e nome,
ajudava alguém, e nos momentos de maior nervosismo se transformava
no monstrão, quebrava tudo e resolvia os problemas. A série fez
um enorme sucesso na época, deu origem a mais uma publicação em
quadrinhos e a filmes tenebrosos na década de 80.
Nos
quadrinhos, o Hulk teve papel importante em diversos acontecimentos
da história da Marvel. Foi membro fundador dos Vingadores, fez parte
dos Defensores, o popular mutante Wolverine surgiu em uma de suas
revistas. Também foi criada uma versão feminina sua, a Mulher Hulk
(She-Hulk), na verdade sua prima, a advogada Jennifer Walters, que
recebeu o sangue irradiado do primo em uma transfusão de emergência.
Mas, ao contrário de Bruce, Jen pode controlar suas transformações.
Ela fez parte do Quarteto Fantástico e Vingadores, e durante um
tempo estrelou um título próprio desenhado e roteirizado por John
Byrne (X-Men, Super-Homem).
Na
década de 80, uma nova série de desenhos animados foi feita. Betty
agora era uma cientista como Bruce, caracterização aproveitada no
filme. Também foi a primeira aparição animada da Mulher-Hulk. E,
na década seguinte, apareceu uma outra série de desenhos, bem fraquinha
na minha opinião. Era praticamente co-estrelada pela prima de Banner.
Bem,
eis que uma nova chance de se catapultar para o estrelato surge
para o Verdão graças a essa onda de adaptações de quadrinhos para
o cinema. E uma chance de ouro, diga-se de passagem, uma vez que
o encarregado do filme foi o fenomenal Ang Lee, responsável por
filmes sensacionais como O Tigre e o Dragão, Razão e Sensibilidade
e Tempestade de Gelo.
Lee
conseguiu mostrar que é possível fazer uma adaptação fiel de uma
personagem de quadrinhos sem se ater obsessivamente aos detalhes
de sua origem e cronologia. Ele conseguiu captar e abstrair o que
há de melhor e essencial no Hulk, que são as questões psicológicas
atreladas à personagem: a maneira como Banner reprime seus sentimentos,
sua relação conturbada com o pai, a incapacidade de amar Betty da
maneira que ela deseja. O Hulk não é nada mais nada menos que a
manifestação física e desenfreada de todos os desejos recalcados
e de todas as frustrações do cientista.
A história
do filme é um pouco diferente da dos quadrinhos. O Doutor David
Banner (Nick Nolte) trabalhava para o governo em experiências de
aperfeiçoamento genético. Envolvido por seu trabalho e ansioso por
um resultado, aplica em si mesmo o produto que vinha pesquisando.
Nada acontece. Pouco tempo depois, sua esposa fica grávida e ele
descobre que as mutações genéticas foram transmitidas a seu filho,
Bruce. Entrementes, ele acaba sendo despedido. Revoltado, coloca
fogo no laboratório. Uma tragédia acaba por acontecer a ele e sua
esposa e o pequeno Bruce é adotado.
Anos
depois, Bruce (Ed Bana), agora um renomando cientista, e sua ex-namorada
Betty Ross (Jennifer Connelly) estão realizando uma experiência
envolvendo o uso de raios gama. Exposto a esses raios, Bruce acaba
por manifestar a mutação, antes latente, e se transforma no gigantesco
Hulk.
O filme
é um pouco lento no começo, mas não que isso seja ruim. As seqüências
de ação, quando aparecem, são de tirar o fôlego, e o Hulk digital...
bem... ficou bastante legal e consegue passar toda a força da personagem,
mas não chega a ser algo tão excepcional quanto o Gollum, de O
Senhor dos Anéis. Diferente das atuais adaptações de quadrinhos,
as citações e participações especiais são poucas, mas estão lá:
seja no nome do pai de Banner, derivado da série de TV, ou os cães-hulk,
ou ainda as participações de Lou Ferregino e Stan Lee. A divisão
da tela em vários quadros para lembrar a estruturação de uma revista
em quadrinhos realmente ficou muito bacana, mas poderia ter sido
um pouco menos utilizada.
A atuação
dos atores também é um caso a parte. Ed Bana e Jenniffer Conelly
estão simplesmente fantásticos como Bruce e Betty. Todo aquele peso
emocional existente entre as personagens é transmitido aos expectadores
muitas vezes através de uma simples troca de olhares.
É
difícil dizer se Hulk é melhor que, por exemplo, Homem-Aranha,
que é minha versão preferida de um super-herói para o cinema. É
simplesmente diferente, pois não dá para descrevê-lo como um filme
de super-herói. Mas ainda assim é um bom filme.
E para
não dizer que estou sendo tendenciosa, confesso que nunca fui muito
fã do Hulk nos quadrinhos. Sempre achei que ele era uma boa personagem,
mas que só funcionava nas mãos de um grande roteirista. Ou no caso,
um grande diretor.
Dicas
de sites:
www.omelete.com.br
www.heroi.com.br
www.universohq.com
Sites com seções inteiras dedicadas ao Hulk, abordando suas origens,
publicações nos quadrinhos, desenhos animados, a série de TV e resenhas
do filme. No site da Herói ainda tem uma entrevista exclusiva
com o diretor do filme Ang Lee.
www.cinemacafri.com.br
www.agalaxia.com.br
Sites com resenhas sobre o filme.
http://www.ohulk.kit.net
http://www.brucebanner.pop.com.br/
http://www.thehulk.kit.net/
http://www.hulkfiction.hpg.ig.com.br/
http://www.thehulk.com/home_pt.html
Sites de fãs dedicados à personagem.

Além
de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado
O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida,
fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.
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