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Beagá, 09 de junho de 2003 d.C.
 

Campbell's Angels*

Por Katchiannya Cunha

 

Como todos os fãs de seriados de tv já devem estar sabendo, essa é a última temporada de Buffy-A Caça-Vampiros, e como na televisão mal um seriado acabou já se busca outro que possa substitui-lo (de preferência, com o mesmo ou maior sucesso que seu antecessor), a rede de TV que produz a série nos Estados Unidos, UPN, está procurando alguém que possa superar os feitos de Sarah Michelle Geller.

Talvez inspirada pelo sucesso de Alias, famosa série de espionagem estrelada por Jennifer Garner (a Elektra do filme do Demolidor), parece que a provável candidata seria uma série baseada nas HQs: Danger Girl. Entretanto, diferente da seriedade e dramaticidade de Alias, a série de quadrinhos se mostra muito mais bem-humorada.

Outros fatores podem ter influenciado essa escolha da UPN: o já chamado efeito Smallville (série que conta a adolescência do Super-Homem), que traz em si a idéia de que um seriado baseado em HQs pode se tornar um sucesso, e os filmes das Panteras (Charlie's Angels), baseados na antiga série de TV, a qual por sua vez parece também ter inspirado Danger Girl.

Danger Girl mistura todos os clichês imagináveis e não imagináveis de histórias de espionagens sem, por causa disso ou exatamente por causa disso, deixar de ser divertidíssima. Se você quer ler uma revista em quadrinhos apenas com a intenção de relaxar, "desligar o cérebro", sem se preocupar em reflexões morais ou dramas e tramas complexos, Danger Girl é uma excelente pedida.

Criada por J. Scott Campbell, desenhista conhecido aqui no Brasil por seu trabalho na revista Gen13 (publicada pela Editora Globo) ou por suas capas para a revista do Homem-Aranha (atualmente publicada pela Panini), a série, juntamente com Battle Chasers, de Joe Madureira, e Crimson, de Humberto Ramos (já publicado no Brasil), inaugurou o selo Cliffhanger, da WildStorm Productions, pertencente ao consagrado desenhista Jim Lee (X-Men, Batman: Hush).

Danger Girl narra as aventuras de agentes secretas da agência Danger Girl, que tentam impedir que um desses típicos impérios secretos e malignos com um "quê" nazista consiga reunir antigos artefatos místicos capazes de lhe darem o poder de dominar o mundo. Como já disse, algo no estilo da antiga série de TV As Panteras (Charlie's Angels), mas em escala global e, é claro, com uns toques de 007 e Indiana Jones no meio.

Os personagens principais da série são:

Abbey Chase: uma americana especialista em antiguidades, quase uma Indiana Jones de saias, foi a última a se juntar ao grupo. Aliás, a história da revista começa exatamente com o ingresso de Abbey. Audaciosa, boa de luta e no uso de armas de fogo, seus conhecimentos em antiguidades vão ser essenciais na busca dos artefatos místicos.

Sydney Savage: originária da Austrália, é a mais esquentadinha do grupo, mas nem por isso menos eficiente. Tem um visual que lembra bastante o da Uma Thurman no filme Os Vingadores, este por sua vez baseado em uma série inglesa homônima, também sobre espionagens e coisas afins. Sua arma favorita é um chicote - selvagem, não? :o) -, e parece ter tido um envolvimento com o "galã" da série, Johnny Barracuda.

Silicon Valerie: especialista em Comunicações Eletrônicas e computadores, Val pode ser considerada o cérebro do grupo e dificilmente sai em trabalho de campo. É a mais jovem de todas, ainda adolescente, e mesmo sendo tão inteligente se comporta como uma menina de sua idade, sendo inclusive fã dos Hanson e do Leonardo Di Caprio (vá entender como alguém tão inteligente pode ser fã desse povo...). Parece ter uma quedinha pelo Johnny Barracuda.

Natalia Kassle: a agente russa e especialista no uso de armas brancas (facas e afins) parece ser a mais misteriosa e provocante membro da Danger Girl.

Johnny Barracuda: não pertence exatamente à agência mas, hora ou outra trabalhando com elas, Johnny Barracuda é o "galã" da série. Com um ego do tamanho do mundo, arrogante, porém charmoso e sedutor, Johnny é um excelente agente secreto, e lembra muuuito, tanto no visual, quanto no jeito sedutor e irônico de ser, o agente secreto mais famoso do mundo: James Bond (especialmente nos filmes estrelados por Sean Connery). Tem uma queda por Abbey, que parece ser recíproca, embora ela tente disfarçar.

Deuce: Se Johnny é a versão jovem de Sean Connery, com certeza Deuce é a versão madura, principalmente se comparado com filmes mais recentes do ator. Ex-agente do MI6, parece estar aposentado, e se dedica atualmente apenas a comandar e coordenar o time de agentes da Danger Girl. É especialista em táticas, com vasta experiência.

Fora esses personagens, temos ainda o Secret Agent Zero, um mestre dos disfarces, cujas identidade e intenções para com o time são desconhecidas, sem falar em uma galeria de vilões, cada um mais estranho que o outro, não ficando nada a dever aos vilões de James Bond. E não dá para negar, Campbell com certeza deve ser fã de 007. Além disso, devido à importância desse agente na história do gênero espionagem, ele acaba sendo referência para qualquer coisa que se queira fazer nesse estilo.

Talvez o problema maior da série seja a periodicidade, já que ela começou a ser publicada nos Estados Unidos desde 99 e demorou muito mais de um ano para fechar o primeiro arco de histórias (no número 7 da revista). Publicação extremamente esporádica, o que pode dar uma baita dor de cabeça aos roteiristas da tevê se eles decidirem ser extremamente fiéis aos quadrinhos.

Além das histórias da série principal, existem algumas publicações especiais. Dentre elas, uma das melhores produzidas foi a minissérie Danger Girl: Kamikaze, escrita e desenhada por Tommy Yune, em que as espiãs da Danger Girl precisam ir até a Ásia, mais especificamente para Hong Kong, enfrentar uma misteriosa organização conhecida apenas como Kama Syndicate. Nessa minissérie, aparecem um novo vilão chamado ShoGunner e uma nova operativa na equipe, a misteriosa Mei.

A Abril, quando ainda estava no ramo de quadrinhos, prometeu publicar Danger Girl por aqui, até chegou a vincular alguns anúncios em suas revistas, mas no fim deixou todo mundo a ver navios.

De qualquer forma, fica uma questão: será que Danger Girl funcionará na telinha? Bem, para cada sucesso baseado em quadrinhos como Smallville existe um fracasso como Birds of Prey (estrelado pelas heroínas Caçadora, Oráculo e Canário Negro, da DC Comics, e que não era tão ruim assim) ou The Tick. Se a UPN resolver apostar suas fichas na criação de Campbell, só nos restará torcer para que o seriado chegue ao Brasil e conferir se vale a pena ou não acompanhar as aventuras de Abbey Chase e cia. semanalmente pela tv.

*Matéria publicada originalmente em janeiro de 2001, revista agora e republicada.

Dicas de sites:

http://www.geocities.com/Hollywood/Park/2658/
Site de fã sobre Danger Girl.

http://www.dangergirl.com
Site com galeria de imagens, message boards e resumos das revistas. Também contém links para vários outros sites relacionados, não apenas com Danger Girl, mas com as outras publicações da Cliffhanger e outros relacionados com quadrinhos.

http://www.wildstorm.com/
Site oficial da Wildstorm, com informações sobre a editora e sobre as revistas que estão sendo publicadas atualmente. Pode ser acessado indiretamente pelo site da DC Comics.

http://www.imagescentral.com/browse/dc/wildstorm/
cliffhanger/dangergirl/

http://knightweb.virtualave.net/comics/danger/
images.html
http://www.imagescentral.org/browse/dc/wildstorm/
cliffhanger/dangergirl/
Sites com galerias de imagens.

 

 

 

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