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Beagá, 04 de outubro de 2004 d.C.
 

Seguindo a trilha do assassino

Por Katchiannya Cunha

 

A Panini Comics prometeu republicar no Brasil aquele que ainda é considerado por muitos como um dos melhores mangás de samurai de todos os tempos: Lobo Solitário. Criado na década de 70 por Kazuo Koike (roteiros) e Goseki Kojima (desenhos), esse popular e clássico mangá foi um dos primeiros do gênero (excluindo o trabalho do genial Osamu Tesuka) a introduzir os quadrinhos japoneses no mundo ocidental. A saga do samurai renegado Ito Ogami e de seu filho, Daigoro, influenciou uma geração de artistas tanto na Terra do Sol Nascente quanto no lado de cá do planeta.

Publicada pela revista semanal Kodansha, esta série teve 114 capítulos em 14 edições. Além dos quadrinhos, Lobo Solitário teve, no Japão, diversas adaptações para o cinema e tv durante os anos 70 e 80. Também foi produzido um anime cujos episódios chegaram a ser exibidos no Brasil por um curto período no SBT durante os anos 80.

Em linhas gerais, a trama da série é a seguinte:

Na época do Japão feudal, existiam vários senhores feudais que estavam sob as ordens do Shogun, o mais poderoso e importante dentre os senhores feudais. Embora o Imperador ainda fosse respeitado como figura de poder e ascendência divina, era o Shogun quem efetivamente governava o país. Para manter seu domínio, o Shogun designou três famílias para ocuparem os cargos de ninjas, assassinos e executores.

A família Kurokawa ficou com o cargo de ninja, devido à sua própria tradição. Os ninjas eram responsáveis por observar todos os feudos no Japão, incluindo os senhores feudais. Qualquer atitude suspeita era informada ao Shogun. Se algum dos subordinados tramasse se opor, se rebelar ou se voltar contra o Shogun, o clã dos assassinos (título dado à família Yagyu) era acionado e o traidor era prontamente executado. Em princípio, a família Yagyu também mantinha o título de executores. Os executores eram responsáveis por auxiliar os nobres senhores feudais que se arrependessem de sua traição ao Shogun em um ritual chamado harakiri, ou usando um nome mais respeitável, seppuku. O seppuku é um ritual onde a pessoa pega uma lâmina e começa a cortar o ventre, eviscerando-se. Para "aliviar" o senhor feudal ou qualquer outro que fizesse o ritual, o Executor ceifava a cabeça do condenando, deixando uma aba de pele do pescoço sem ser cortada para que a cabeça não rolasse no chão.

Depois de anos mantendo o título de executores, os Yagyu foram substituídos pelos Ogami na tarefa por decisão do Shogun, que realizou um teste envolvendo o samurai Ito Ogami e o mais jovem dos Yagyu, Retsudo. Inconformados com a perda do título, os Yagyu tramaram contra Ito e sua família, forjando provas que levaram o Shogun a crer que Ogami havia lhe traído. Os Yagyu também assassinaram a esposa de Ito, que, mesmo agonizando, deu a luz a Daigoro Ogami.

Assim, Ito parte, juntamente com seu filho, em uma jornada de ódio e violência para limpar seu nome e vingar a morte de sua esposa e de sua família, percorrendo a espinhosa trilha do assassino.

Frank Miller foi um dos artistas dos quadrinhos americanos que mais se rendeu ao genial trabalho de Koike e Kojima. Miller não apenas incorporou a linguagem de mangá aos seus mais famosos trabalhos como Cavaleiros das Trevas, Ronin e Demolidor, como foi o responsável pelas capas e textos de introdução de cada edição norte-americana de Lobo Solitário, que saiu nos Estados Unidos pela First Comics durante a década de 80.

Outra obra de destaque inspirada pelo mangá é a fantástica graphic novel Estrada para Perdição, publicada em 1998 pela DC Comics, através do selo Paradox Press. A história dessa revista é mais ou menos a seguinte: Michael O´Sullivan, conhecido como Anjo da Morte, é um assassino profissional que trabalha para Mr. Looney, gângster subordinado a Al Capone. Certa noite, o filho mais velho de Sullivan, Michael Jr., presencia um assassinato cometido por Connor, filho de Looney. Connor resolve matar o menino, mas acaba matando por engano o filho mais novo e a esposa de Sullivan, que acaba fugindo com o filho mais velho, Michael. Juntos, pai e filho percorrem, literal e metaforicamente, uma estrada para Perdição - o nome de uma cidade onde O’ Sullivan pretende esconder Michael. Além de tudo, ele ainda busca vingança pela morte de sua família. Seu autor, Max Allan Collins, usou deliberadamente Lobo Solitário como fonte de inspiração para a sua história. Ele transpôs o Japão Feudal e seus rígidos códigos de honra para os anos da Lei Seca nos Estados Unidos, onde os clãs japoneses encontram correspondência nas famílias de mafiosos, e O´Sullivan faz as vezes de Ito Ogami, enquanto seu filho Michael ocupa o lugar de Daigoro. Essa graphic deu origem ao filme de mesmo nome (não tão bom quanto a revista), estrelado por Tom Hanks e Paul Newman.

Também Genndy Tartakovsky, criador do Laboratório de Dexter, faz uma homenagem a esse mangá em dois episódios de uma das melhores séries animadas da atualidade e recém ganhadora do Emmy: Samurai Jack. Em dos episódios da série (episódio XIX), Jack encontra as ruínas de sua terra natal e relembra sua infância. Em uma das cenas, temos a participação de Ogami e Daigoro, numa sensacional cena de luta. Já no episódio LII é o próprio samurai Jack que faz as vezes de ito Ogami, viajando com um bebê que salvara de um bando de ogros, tal qual o Lobo Solitário faz com seu “filhote” Daigoro.

Lobo Solitário chegou a ser publicado, de forma bastante descontinuada, aqui no Brasil, primeiro pela Cedibra em 89 (9 edições) e depois pela Nova Sampa em 92 (12 edições). Surgiram diversas notas na internet de que o mangá ganharia uma versão cinematográfica hollywoodiana e seria dirigida por Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho). O filme seria produzido pela Paramount Pictures e a Mutual Film Company. Mas ao contrário dos ardentes desejos dos fãs da série, o filme não se passaria no Japão Feudal, e sim nos dias de hoje. Nenhuma novidade sobre a produção foi divulgada depois desses rumores iniciais.

De qualquer forma, tornar-se ou não um filme hollywoodiano não faz tanta diferença assim para esta série, pois, mesmo depois de cerca de trinta anos de seu lançamento, Lobo Solitário ainda é lembrada e reverenciada por suas infinitas e sólidas qualidades artísticas e narrativas. E é exatamente por todos esses motivos que seu lançamento pela Panini será muito mais que um presente para os fãs de quadrinhos brasileiros. Devemos mesmo é nos sentir honrados pela oportunidade de lermos, na íntegra, a épica saga e obra-prima de Kazuo Koike e Goseki Kojima.

Dicas de sites:

www.mangax.com.br/revistas/1/4.shtml
www.mangax.com.br/manganews/2003/
0601_lobo_solitario_em_liveaction.shtml

www.universohq.com/Quadrinhos/2004/
n23012004_01.cfm

www.gibitela.hpg.ig.com.br/lobosolitario.htm
www.nihonsite.com/mang/secoes/news/
index.cfm?id=333&pagina=14

www.japaoonline.com.br/pt/manga9.htm
www.universohq.com/cinema/nc04062003_01.cfm
www.hq.cosmo.com.br/textos/quadrindex/
qlobosolitario.shtm

www.darkhorse.com/news/features/pg_feview/
sku_40092/item_40092a

www.animerica-mag.com/features/lonewolfandcub.html
www.animecornerstore.com/lonwolcubnov.html
www.greenmanreview.com/book/
book_koike_lonewolf.html

www.us.imdb.com/Title?0068817
www.stomptokyo.com/movies/sword-of-vengeance.html
www.jeremysilman.com/movies_tv_js/lone_wolf_cub.html
www.thezreview.co.uk/comingsoon/l/lonewolfandcub.htm
www.imp.leidenuniv.nl/~vvliet
www.en.wikipedia.org/wiki/Lone_Wolf_and_Cub

Além de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida, fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.

 

 

 

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