| A
Panini Comics prometeu republicar no Brasil aquele que ainda é
considerado por muitos como um dos melhores mangás de samurai
de todos os tempos: Lobo Solitário. Criado na década
de 70 por Kazuo Koike (roteiros) e Goseki Kojima (desenhos), esse
popular e clássico mangá foi um dos primeiros do gênero
(excluindo o trabalho do genial Osamu Tesuka) a introduzir os quadrinhos
japoneses no mundo ocidental. A saga do samurai renegado Ito Ogami
e de seu filho, Daigoro, influenciou uma geração de
artistas tanto na Terra do Sol Nascente quanto no lado de cá
do planeta.
Publicada
pela revista semanal Kodansha, esta série teve 114
capítulos em 14 edições. Além dos quadrinhos,
Lobo Solitário teve, no Japão, diversas adaptações
para o cinema e tv durante os anos 70 e 80. Também foi produzido
um anime cujos episódios chegaram a ser exibidos no Brasil
por um curto período no SBT durante os anos 80.
Em
linhas gerais, a trama da série é a seguinte:
Na
época do Japão feudal, existiam vários senhores
feudais que estavam sob as ordens do Shogun, o mais poderoso e importante
dentre os senhores feudais. Embora o Imperador ainda fosse respeitado
como figura de poder e ascendência divina, era o Shogun quem
efetivamente governava o país. Para manter seu domínio,
o Shogun designou três famílias para ocuparem os cargos
de ninjas, assassinos e executores.
A
família Kurokawa ficou com o cargo de ninja, devido à
sua própria tradição. Os ninjas eram responsáveis
por observar todos os feudos no Japão, incluindo os senhores
feudais. Qualquer atitude suspeita era informada ao Shogun. Se algum
dos subordinados tramasse se opor, se rebelar ou se voltar contra
o Shogun, o clã dos assassinos (título dado à
família Yagyu) era acionado e o traidor era prontamente executado.
Em princípio, a família Yagyu também mantinha
o título de executores. Os executores eram responsáveis
por auxiliar os nobres senhores feudais que se arrependessem de
sua traição ao Shogun em um ritual chamado harakiri,
ou usando um nome mais respeitável, seppuku. O seppuku é
um ritual onde a pessoa pega uma lâmina e começa a
cortar o ventre, eviscerando-se. Para "aliviar" o senhor
feudal ou qualquer outro que fizesse o ritual, o Executor ceifava
a cabeça do condenando, deixando uma aba de pele do pescoço
sem ser cortada para que a cabeça não rolasse no chão.
Depois
de anos mantendo o título de executores, os Yagyu foram substituídos
pelos Ogami na tarefa por decisão do Shogun, que realizou
um teste envolvendo o samurai Ito Ogami e o mais jovem dos Yagyu,
Retsudo. Inconformados com a perda do título, os Yagyu tramaram
contra Ito e sua família, forjando provas que levaram o Shogun
a crer que Ogami havia lhe traído. Os Yagyu também
assassinaram a esposa de Ito, que, mesmo agonizando, deu a luz a
Daigoro Ogami.
Assim,
Ito parte, juntamente com seu filho, em uma jornada de ódio
e violência para limpar seu nome e vingar a morte de sua esposa
e de sua família, percorrendo a espinhosa trilha do assassino.
Frank
Miller foi um dos artistas dos quadrinhos americanos que mais se
rendeu ao genial trabalho de Koike e Kojima. Miller não apenas
incorporou a linguagem de mangá aos seus mais famosos trabalhos
como Cavaleiros das Trevas, Ronin e Demolidor,
como foi o responsável pelas capas e textos de introdução
de cada edição norte-americana de Lobo Solitário,
que saiu nos Estados Unidos pela First Comics durante a década
de 80.
Outra
obra de destaque inspirada pelo mangá é a fantástica
graphic novel Estrada
para Perdição, publicada em 1998 pela DC
Comics, através do selo Paradox Press. A história
dessa revista é mais ou menos a seguinte: Michael O´Sullivan,
conhecido como Anjo da Morte, é um assassino
profissional que trabalha para Mr. Looney, gângster subordinado
a Al Capone. Certa noite, o filho mais velho de Sullivan, Michael
Jr., presencia um assassinato cometido por Connor, filho de Looney.
Connor resolve matar o menino, mas acaba matando por engano o filho
mais novo e a esposa de Sullivan, que acaba fugindo com o filho
mais velho, Michael. Juntos, pai e filho percorrem, literal e metaforicamente,
uma estrada para Perdição - o nome de uma cidade onde
O’ Sullivan pretende esconder Michael. Além de tudo,
ele ainda busca vingança pela morte de sua família.
Seu autor, Max Allan Collins, usou deliberadamente Lobo Solitário
como fonte de inspiração para a sua história.
Ele transpôs o Japão Feudal e seus rígidos códigos
de honra para os anos da Lei Seca nos Estados Unidos, onde os clãs
japoneses encontram correspondência nas famílias de
mafiosos, e O´Sullivan faz as vezes de Ito Ogami, enquanto
seu filho Michael ocupa o lugar de Daigoro. Essa graphic deu origem
ao filme de mesmo nome (não tão bom quanto a revista),
estrelado por Tom Hanks e Paul Newman.
Também
Genndy Tartakovsky, criador do Laboratório de Dexter,
faz uma homenagem a esse mangá em dois episódios de
uma das melhores séries animadas da atualidade e recém
ganhadora do Emmy: Samurai Jack.
Em dos episódios da série (episódio XIX), Jack
encontra as ruínas de sua terra natal e relembra sua infância.
Em uma das cenas, temos a participação de Ogami e
Daigoro, numa sensacional cena de luta. Já no episódio
LII é o próprio samurai Jack que faz as vezes de ito
Ogami, viajando com um bebê que salvara de um bando de ogros,
tal qual o Lobo Solitário faz com seu “filhote”
Daigoro.
Lobo
Solitário chegou a ser publicado, de forma bastante
descontinuada, aqui no Brasil, primeiro pela Cedibra em 89 (9 edições)
e depois pela Nova Sampa em 92 (12 edições). Surgiram
diversas notas na internet de que o mangá ganharia uma versão
cinematográfica hollywoodiana e seria dirigida por Darren
Aronofsky (Réquiem para um Sonho). O filme seria
produzido pela Paramount Pictures e a Mutual Film Company. Mas ao
contrário dos ardentes desejos dos fãs da série,
o filme não se passaria no Japão Feudal, e sim nos
dias de hoje. Nenhuma novidade sobre a produção foi
divulgada depois desses rumores iniciais.
De
qualquer forma, tornar-se ou não um filme hollywoodiano não
faz tanta diferença assim para esta série, pois, mesmo
depois de cerca de trinta anos de seu lançamento, Lobo
Solitário ainda é lembrada e reverenciada por
suas infinitas e sólidas qualidades artísticas e narrativas.
E é exatamente por todos esses motivos que seu lançamento
pela Panini será muito mais que um presente para os fãs
de quadrinhos brasileiros. Devemos mesmo é nos sentir honrados
pela oportunidade de lermos, na íntegra, a épica saga
e obra-prima de Kazuo Koike e Goseki Kojima.
Dicas
de sites:
www.mangax.com.br/revistas/1/4.shtml
www.mangax.com.br/manganews/2003/
0601_lobo_solitario_em_liveaction.shtml
www.universohq.com/Quadrinhos/2004/
n23012004_01.cfm
www.gibitela.hpg.ig.com.br/lobosolitario.htm
www.nihonsite.com/mang/secoes/news/
index.cfm?id=333&pagina=14
www.japaoonline.com.br/pt/manga9.htm
www.universohq.com/cinema/nc04062003_01.cfm
www.hq.cosmo.com.br/textos/quadrindex/
qlobosolitario.shtm
www.darkhorse.com/news/features/pg_feview/
sku_40092/item_40092a
www.animerica-mag.com/features/lonewolfandcub.html
www.animecornerstore.com/lonwolcubnov.html
www.greenmanreview.com/book/
book_koike_lonewolf.html
www.us.imdb.com/Title?0068817
www.stomptokyo.com/movies/sword-of-vengeance.html
www.jeremysilman.com/movies_tv_js/lone_wolf_cub.html
www.thezreview.co.uk/comingsoon/l/lonewolfandcub.htm
www.imp.leidenuniv.nl/~vvliet
www.en.wikipedia.org/wiki/Lone_Wolf_and_Cub

Além
de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado
O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida,
fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.
|