| A
pré-estréia de Cine Gibi, O Filme - Turma da Mônica
Por Menina Enciclopédia
Tive a oportunidade de assistir à pré-estréia
do novo longa metragem da Turma da Mônica, produzido pelos
Estúdios Maurício de Sousa Produções
e da Paramount, com distribuição da UIP. Como todo
mundo por aqui, também cresci com os personagens da Turma
da Mônica e foi uma experiência nova assistir e resenhar
sobre a turminha. Vamos lá:
O Cine
Gibi é o retorno às telas dos personagens mais
famosos de Maurício de Sousa: Mônica, Cebolinha, Cascão
e Magali, que são os destaques. Além deles, Jotalhão,
Louco e Franjinha também estão lá.
A produção conta ainda com as participações
de Luciano Huck, Wanessa Camargo, Fernanda Lima, Pedro e Thiago
e do próprio pai da Mônica, Maurício de Sousa.
A
história é a seguinte: os quatro amigos vão
ao cinema para assistir à estréia deles na telona.
Resolvem então ir de limusine (na verdade, uma caixa de papelão),
aqui encontram Luciano Huck, que os acompanha. Durante o percurso,
cantam sobre como é bom ir ao cinema, quando várias
cenas protagonizadas pelos personagens, homenageando a sétima
arte, são mostradas, citando filmes como Matrix,
O Senhor dos Anéis, Guerra nas Estrelas,
Cantando na Chuva, Romeu e Julieta (um clássico
dos quadrinhos da Turma da Mônica, então há
duas referências aqui), Os Embalos de Sábado à
Noite, Gladiador, entre outros. É uma das melhores
seqüências do filme.
Chegando ao cinema descobre-se que Franjinha é
o inventor de um liquidificador gigante no qual se colocam as revistinhas
da turma, que são transformadas em filmes. Se contarmos esse
comecinho e o desenrolar da ida dos personagens ao cinema, temos
sete historinhas, as outras seis foram anteriormente publicadas
em quadrinhos e escolhidas para o longa, são as projetadas
por Franjinha na tela.
O interessante
é que a única ligação que as histórias
têm umas com as outras é o fato de a turma da Mônica
estar assistindo ao filme, como se houvesse várias histórias
dentro de uma única: a turminha e suas traquinagens dentro
do cinema. Isto quer dizer que a história está mesmo
no que eles discutem entre um filminho e outro e os convidados que
encontram - quando vão à sala de projeção
falar com Franjinha, ou ainda quando Magali vai comprar um “lanchinho”.
As historinhas, como sempre, são muito boas, não é
só criança que vai rir. Todo mundo se diverte das
trapalhadas, brincadeiras, gozações que eles aprontam
na tela.
“Os
poréns” que tenho ao filme são exatamente os
“links” para as participações especiais.
Acho que estas destoam do filme, não têm a ver, são
totalmente desnecessárias. Percebe-se o amadorismo destes
ditos artistas nas cenas em que aparecem, totalmente sem a menor
familiaridade no bate papo com os personagens animados. Isso não
tem nenhum propósito. Pensei que esse recurso talvez tenha
sido usado para levar ao cinema não só as crianças,
mas os pré-adolescentes fãs desses astros, que nessa
fase acham a Turma da Mônica coisa de criancinha... Ainda
assim, desnecessário e chato.

Depois da exibição do filme, seguiu-se
uma coletiva de imprensa com o desenhista, o diretor do filme, produtores
e o pessoal ligado aos estúdios da Paramount e a UIP. Destaco
alguns pontos comentados por lá:
•
A Turma da Mônica começou a ser exibida, a partir do
dia 27 de junho, no canal pago Cartoon Network, com historinhas
inéditas, se tornando assim um atrativo para levar a criançada
a conhecer melhor o universo desses personagens e querer vê-los
no cinema.
•
O
sucesso dos desenhos nas TVs de outros países como a Itália
- o que mais surpreendeu Maurício de Sousa por lá
é o estrondoso sucesso de Chico Bento: quando entram no ar
os desenhos do nosso caipirinha mais ilustre, a RAI 2 tem sua audiência
aumentada em 5 pontos. Em 15 meses, os quadrinhos da Mônica
e do Cipollino (Cebolinha) esgotaram-se nas bancas italianas.
•
Lá
também deve estrear o filme - assim como se espera a exibição
em outros países como Portugal, França, Espanha, México
- e os artistas que participam serão trocados por astros
locais com apelo popular.
•
Devem
estrear ainda longas com roteiros inéditos de Horácio,
Chico Bento, Mônica numa viagem no tempo e o remake de A
Princesa e o Robô, inspiradíssimo em Guerra
nas Estrelas, além de outros filmes no estilo Cine
Gibi.
•
Sobre
o mercado nacional de quadrinhos, Maurício de Sousa acredita
que deveria haver uma organização da classe para fortalecer
o mercado nacional e mais pessoas especializadas para trabalhar
na área; ele está em negociações com
o Ministério da Cultura para a abertura de um centro especializado
em quadrinhos, uma espécie de escola para formar desenhistas
e roteiristas.
•
O
pai da Mônica também não vê problemas
entre os mangás e os quadrinhos nacionais, acha que um aprende
com o outro. E que ele próprio já conseguiu uma parceria
com a produtora de Osamu Tesuka, o mais famoso criador de mangás
do Japão (leiam o texto de Katchiannya Cunha sobre Astro
Boy);
•
Os
próximos longas utilizarão computação
gráfica e a volta ao cinema de seus personagens se dá
pela ótima fase do cinema nacional;
•
Perguntado
sobre a atualidade e sucesso de seus desenhos, Mauricio acredita
haver uma magia que não sabe nomear, mas que algumas histórias
relançadas em quadrinhos são atualizadas, pelo menos
no vocabulário.
E eu
fiquei imaginando como as crianças de hoje ainda se identificam
com a turma da Mônica: afinal, que criança ainda brinca
no quintal ou no terreno vazio que serve de campinho de futebol
com seus amigos? Ninguém mais tem quintal, todo mundo tem
só o espaço amargo do “playground” - lembrei
agora do livro Os Meninos da Rua Paulo, leiam, eu recomendo!
Os personagens da turma da Mônica recuperam um tempo que já
está se tornando “áureo” e que talvez
a criança que vá até lá assistir o filme
adoraria conhecer, mas deva pensar que é só fantasia
de cinema.

Apenas
uma pergunta
Por Katchiannya Cunha
Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro
que, como muitos de vocês, eu cresci lendo os gibis da Turma
da Mônica. Vi todos os filmes estrelados pela turminha quando
eu era pequena e até mesmo hoje em dia quando uma HQ da Turma
da Mônica me cai nas mãos, não perco a oportunidade
de ler e confesso que me divirto bastante.
De forma alguma estou questionando a qualidade do
trabalho de Maurício de Sousa. O que quero explicitar aqui
é uma coisa que realmente me incomoda nas revistas da Turma
da Mônica e me é totalmente incompreensível.
Em
nenhuma das histórias publicadas em suas revistas os nomes
dos desenhistas, escritores, coloristas ou letristas aparecem. Para
um leitor menos informado, fica a impressão de que é
o Maurício de Sousa que escreve e desenha todas as aventuras
da Turma da Mônica, embora ele próprio já tenha
afirmado em mais de uma entrevista que atualmente é responsável
apenas pelas histórias do dinossauro Horácio.
Quer dizer, se o próprio pai da Mônica
admite que exista toda uma equipe de colaboradores por trás
das revistas, inclusive muitas vezes eles mesmos brincam com isso
dentro das próprias histórias em quadrinhos da turma,
por que o nome desses artistas não aparece no começo
de cada história?
Na
entrevista para a imprensa após a exibição
fechada de Cine Gibi - O Filme, Maurício de Sousa
afirmou que os nomes dos redatores e desenhistas não aparecem
em cada historinha para não prejudicar visualmente os quadrinhos,
mas que estão todos lá no final, no expediente da
revistinha.
Para
mim, acostumada durante anos a ler HQs de super-heróis, é
um pouco estranho achar que os créditos iniciais atrapalham
o andamento da história. O leitor acostuma com aquilo facilmente,
além do mais já vi muitas formas divertidas e criativas
de inserir os créditos que acabaram até por enriquecer
a narrativa. Por exemplo, em uma história do Hulk o quadro
inicial mostrava cartazes de procurados, e os nomes dos procurados
eram exatamente os dos criadores da história.

Mas
se o problema é a estética, por que não separar
uma página inicial em cada revista, colocando o nome da história
e abaixo o nome de quem a fez, como a editora Abril costumava fazer
em especiais e coletâneas e especiais da Marvel e da DC? Poucas
pessoas lêem o expediente, e mesmo lendo não dá
para saber quem especificamente escreveu e desenhou aquela história
que eu amei, mesmo se essa pessoa for o próprio Maurício.
A questão é que eu acho que as histórias
em quadrinhos são uma produção cultural rica
e fecunda. São um meio de comunicação típico
do século XX e XXI e refletem a nossa sociedade. Os realizadores
são artistas que deveriam ser valorizados, mesmo (ou talvez
especialmente) aqueles que trabalham com revistas em quadrinhos
infantis. Exatamente por isso eu não entendo por que os nomes
desses artistas ficam "escondidos" na última página
das revistas. E, se pararmos para pensar, esse não é
um tipo de atitude exclusiva dos estúdios Maurício
de Sousa, mas da maioria dos estúdios brasileiros que trabalham
com crianças.
Por quê?
Existem tantos artistas bacanas que trabalham com
produções infantis que têm tanto a contribuir.
Carl Barks e Dan Rosa, da Disney, o próprio Maurício,
estão aí para exemplificar. E é por isso que
eu lamento o fato de a maioria deles não serem conhecidos.
Não hesito em novamente perguntar por que eles não
aparecem nos créditos iniciais das histórias.
Mais
uma vez digo que não estou julgando ou criticando o Maurício
de Sousa, afinal o trabalho dele é referência para
a infância de muita gente, inclusive a minha. Apenas tento
entender uma prática editorial que, para mim, não
faz sentido. Apenas isso.

Dicas
de sites:
Portal
da Turma da Mônica
http://www.monica.com.br/
A odisséia
dos quadrinhos infantis brasileiros: Parte 2: O predomínio
de Maurício de Sousa e a Turma da Mônica
http://www.eca.usp.br/agaque/agaque/ano2/numero2/
artigosn2_1v2.htm
Artigo
do Omelete sobre o Cine Gibi
http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/
base_para_artigos.asp?artigo=2062
Artigo
sobre o filme
http://www.anba.com.br/noticia.php?id=3515

Além
de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado
O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida,
fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.
|