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Beagá, 02 de agosto de 2004 d.C.
 

O retorno da Turma da Mônica à tela grande

Por Katchiannya Cunha e Menina Enciclopédia

 

A pré-estréia de Cine Gibi, O Filme - Turma da Mônica

Por Menina Enciclopédia

Tive a oportunidade de assistir à pré-estréia do novo longa metragem da Turma da Mônica, produzido pelos Estúdios Maurício de Sousa Produções e da Paramount, com distribuição da UIP. Como todo mundo por aqui, também cresci com os personagens da Turma da Mônica e foi uma experiência nova assistir e resenhar sobre a turminha. Vamos lá:

O Cine Gibi é o retorno às telas dos personagens mais famosos de Maurício de Sousa: Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, que são os destaques. Além deles, Jotalhão, Louco e Franjinha também estão lá.

A produção conta ainda com as participações de Luciano Huck, Wanessa Camargo, Fernanda Lima, Pedro e Thiago e do próprio pai da Mônica, Maurício de Sousa.

A história é a seguinte: os quatro amigos vão ao cinema para assistir à estréia deles na telona. Resolvem então ir de limusine (na verdade, uma caixa de papelão), aqui encontram Luciano Huck, que os acompanha. Durante o percurso, cantam sobre como é bom ir ao cinema, quando várias cenas protagonizadas pelos personagens, homenageando a sétima arte, são mostradas, citando filmes como Matrix, O Senhor dos Anéis, Guerra nas Estrelas, Cantando na Chuva, Romeu e Julieta (um clássico dos quadrinhos da Turma da Mônica, então há duas referências aqui), Os Embalos de Sábado à Noite, Gladiador, entre outros. É uma das melhores seqüências do filme.

Chegando ao cinema descobre-se que Franjinha é o inventor de um liquidificador gigante no qual se colocam as revistinhas da turma, que são transformadas em filmes. Se contarmos esse comecinho e o desenrolar da ida dos personagens ao cinema, temos sete historinhas, as outras seis foram anteriormente publicadas em quadrinhos e escolhidas para o longa, são as projetadas por Franjinha na tela.

O interessante é que a única ligação que as histórias têm umas com as outras é o fato de a turma da Mônica estar assistindo ao filme, como se houvesse várias histórias dentro de uma única: a turminha e suas traquinagens dentro do cinema. Isto quer dizer que a história está mesmo no que eles discutem entre um filminho e outro e os convidados que encontram - quando vão à sala de projeção falar com Franjinha, ou ainda quando Magali vai comprar um “lanchinho”. As historinhas, como sempre, são muito boas, não é só criança que vai rir. Todo mundo se diverte das trapalhadas, brincadeiras, gozações que eles aprontam na tela.

“Os poréns” que tenho ao filme são exatamente os “links” para as participações especiais. Acho que estas destoam do filme, não têm a ver, são totalmente desnecessárias. Percebe-se o amadorismo destes ditos artistas nas cenas em que aparecem, totalmente sem a menor familiaridade no bate papo com os personagens animados. Isso não tem nenhum propósito. Pensei que esse recurso talvez tenha sido usado para levar ao cinema não só as crianças, mas os pré-adolescentes fãs desses astros, que nessa fase acham a Turma da Mônica coisa de criancinha... Ainda assim, desnecessário e chato.

Depois da exibição do filme, seguiu-se uma coletiva de imprensa com o desenhista, o diretor do filme, produtores e o pessoal ligado aos estúdios da Paramount e a UIP. Destaco alguns pontos comentados por lá:

A Turma da Mônica começou a ser exibida, a partir do dia 27 de junho, no canal pago Cartoon Network, com historinhas inéditas, se tornando assim um atrativo para levar a criançada a conhecer melhor o universo desses personagens e querer vê-los no cinema.

O sucesso dos desenhos nas TVs de outros países como a Itália - o que mais surpreendeu Maurício de Sousa por lá é o estrondoso sucesso de Chico Bento: quando entram no ar os desenhos do nosso caipirinha mais ilustre, a RAI 2 tem sua audiência aumentada em 5 pontos. Em 15 meses, os quadrinhos da Mônica e do Cipollino (Cebolinha) esgotaram-se nas bancas italianas.

Lá também deve estrear o filme - assim como se espera a exibição em outros países como Portugal, França, Espanha, México - e os artistas que participam serão trocados por astros locais com apelo popular.

Devem estrear ainda longas com roteiros inéditos de Horácio, Chico Bento, Mônica numa viagem no tempo e o remake de A Princesa e o Robô, inspiradíssimo em Guerra nas Estrelas, além de outros filmes no estilo Cine Gibi.

Sobre o mercado nacional de quadrinhos, Maurício de Sousa acredita que deveria haver uma organização da classe para fortalecer o mercado nacional e mais pessoas especializadas para trabalhar na área; ele está em negociações com o Ministério da Cultura para a abertura de um centro especializado em quadrinhos, uma espécie de escola para formar desenhistas e roteiristas.

O pai da Mônica também não vê problemas entre os mangás e os quadrinhos nacionais, acha que um aprende com o outro. E que ele próprio já conseguiu uma parceria com a produtora de Osamu Tesuka, o mais famoso criador de mangás do Japão (leiam o texto de Katchiannya Cunha sobre Astro Boy);

Os próximos longas utilizarão computação gráfica e a volta ao cinema de seus personagens se dá pela ótima fase do cinema nacional;

Perguntado sobre a atualidade e sucesso de seus desenhos, Mauricio acredita haver uma magia que não sabe nomear, mas que algumas histórias relançadas em quadrinhos são atualizadas, pelo menos no vocabulário.

E eu fiquei imaginando como as crianças de hoje ainda se identificam com a turma da Mônica: afinal, que criança ainda brinca no quintal ou no terreno vazio que serve de campinho de futebol com seus amigos? Ninguém mais tem quintal, todo mundo tem só o espaço amargo do “playground” - lembrei agora do livro Os Meninos da Rua Paulo, leiam, eu recomendo! Os personagens da turma da Mônica recuperam um tempo que já está se tornando “áureo” e que talvez a criança que vá até lá assistir o filme adoraria conhecer, mas deva pensar que é só fantasia de cinema.

Apenas uma pergunta

Por Katchiannya Cunha

Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que, como muitos de vocês, eu cresci lendo os gibis da Turma da Mônica. Vi todos os filmes estrelados pela turminha quando eu era pequena e até mesmo hoje em dia quando uma HQ da Turma da Mônica me cai nas mãos, não perco a oportunidade de ler e confesso que me divirto bastante.

De forma alguma estou questionando a qualidade do trabalho de Maurício de Sousa. O que quero explicitar aqui é uma coisa que realmente me incomoda nas revistas da Turma da Mônica e me é totalmente incompreensível.

Em nenhuma das histórias publicadas em suas revistas os nomes dos desenhistas, escritores, coloristas ou letristas aparecem. Para um leitor menos informado, fica a impressão de que é o Maurício de Sousa que escreve e desenha todas as aventuras da Turma da Mônica, embora ele próprio já tenha afirmado em mais de uma entrevista que atualmente é responsável apenas pelas histórias do dinossauro Horácio.

Quer dizer, se o próprio pai da Mônica admite que exista toda uma equipe de colaboradores por trás das revistas, inclusive muitas vezes eles mesmos brincam com isso dentro das próprias histórias em quadrinhos da turma, por que o nome desses artistas não aparece no começo de cada história?

Na entrevista para a imprensa após a exibição fechada de Cine Gibi - O Filme, Maurício de Sousa afirmou que os nomes dos redatores e desenhistas não aparecem em cada historinha para não prejudicar visualmente os quadrinhos, mas que estão todos lá no final, no expediente da revistinha.

Para mim, acostumada durante anos a ler HQs de super-heróis, é um pouco estranho achar que os créditos iniciais atrapalham o andamento da história. O leitor acostuma com aquilo facilmente, além do mais já vi muitas formas divertidas e criativas de inserir os créditos que acabaram até por enriquecer a narrativa. Por exemplo, em uma história do Hulk o quadro inicial mostrava cartazes de procurados, e os nomes dos procurados eram exatamente os dos criadores da história.

Mas se o problema é a estética, por que não separar uma página inicial em cada revista, colocando o nome da história e abaixo o nome de quem a fez, como a editora Abril costumava fazer em especiais e coletâneas e especiais da Marvel e da DC? Poucas pessoas lêem o expediente, e mesmo lendo não dá para saber quem especificamente escreveu e desenhou aquela história que eu amei, mesmo se essa pessoa for o próprio Maurício.

A questão é que eu acho que as histórias em quadrinhos são uma produção cultural rica e fecunda. São um meio de comunicação típico do século XX e XXI e refletem a nossa sociedade. Os realizadores são artistas que deveriam ser valorizados, mesmo (ou talvez especialmente) aqueles que trabalham com revistas em quadrinhos infantis. Exatamente por isso eu não entendo por que os nomes desses artistas ficam "escondidos" na última página das revistas. E, se pararmos para pensar, esse não é um tipo de atitude exclusiva dos estúdios Maurício de Sousa, mas da maioria dos estúdios brasileiros que trabalham com crianças.

Por quê?

Existem tantos artistas bacanas que trabalham com produções infantis que têm tanto a contribuir. Carl Barks e Dan Rosa, da Disney, o próprio Maurício, estão aí para exemplificar. E é por isso que eu lamento o fato de a maioria deles não serem conhecidos. Não hesito em novamente perguntar por que eles não aparecem nos créditos iniciais das histórias.

Mais uma vez digo que não estou julgando ou criticando o Maurício de Sousa, afinal o trabalho dele é referência para a infância de muita gente, inclusive a minha. Apenas tento entender uma prática editorial que, para mim, não faz sentido. Apenas isso.

Dicas de sites:

Portal da Turma da Mônica
http://www.monica.com.br/

A odisséia dos quadrinhos infantis brasileiros: Parte 2: O predomínio de Maurício de Sousa e a Turma da Mônica
http://www.eca.usp.br/agaque/agaque/ano2/numero2/
artigosn2_1v2.htm

Artigo do Omelete sobre o Cine Gibi
http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/
base_para_artigos.asp?artigo=2062

Artigo sobre o filme
http://www.anba.com.br/noticia.php?id=3515

Além de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida, fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.

 

 

 

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