| O
Cartoon Network trouxe mais uma interessante novidade para sua grade
de programação. Trata-se da nova série estrelada
por Astro Boy, personagem originalmente criado por Osamu
Tesuka.
Tesuka
é o responsável por tornar os quadrinhos japoneses
o que são hoje. Pioneiro na área, foi ele quem definiu
os elementos fundamentais do mangá: os desenhos estilizados,
a narrativa cinematográfica, e é claro, os famosos
olhos grandes, inspirados no tradicional teatro de máscaras
japonês, o Kabuki. Tesuka foi um dos mais produtivos artistas
nipônicos: auxiliado por vários assistentes, ele produzia
cerca de 300 páginas de quadrinhos por mês para várias
revistas, chegando a produzir 150 mil páginas durante toda
sua carreira, além de criar mais de 500 obras.
Alguns
de seus personagens são conhecidos aqui no Brasil pelo pessoal
“das antigas”, como Jungle Tatei e Ribon
no Kishi, mais conhecidos como Kimba, o Leão Branco,
e A Princesa e o Cavaleiro, criados nos anos 50 e transformados
em desenho na década de 60, além de outros, como o
divertido Dom Drácula (alguém se lembra dele no Clube
da Criança, da extinta Rede Manchete?). Não é
à toa que Tesuka é conhecido pelos seus conterrâneos
como “Manga no Kamisama”, ou “o deus do mangá”.
Astro
Boy tem um papel muito importante na trajetória de Tesuka
e na história dos quadrinhos e desenhos japoneses. Publicado
na revista Shonen Magazine, entre 1963 e 1968, além
de se tornar um estrondoso sucesso editorial, Astro Boy
também foi um dos primeiros desenhos animados da TV japonesa,
inaugurando a longa e sólida tradição de se
transformar revistas de sucesso em animes quase simultaneamente
ao seu lançamento. O primeiro desenho do Astro Boy, feito
em preto e branco, foi exibido no Japão de 1963 a 1966, contando
ao todo com 193 episódios em preto e branco. Em 1964 foi
realizado um longa-metragem de animação para o cinema
e diversas séries live-action (com atores). E todo esse alarde
em relação a essa animação não
se restringiu à Terra do Sol Nascente. Astro Boy
foi exportado para outros países, como os Estados Unidos,
repetindo sua trajetória de sucesso nos lugares em que passou.
Infelizmente, Astro Boy não chegou a ser exibido
no Brasil. Muitas foram as imitações do pequeno herói
robótico, incluindo uma criada pelo próprio Tesuka:
Jetter Mars ou O Menino Biônico, como ficou
conhecido por aqui. Na década de 80, uma segunda série
animada, agora colorida, foi lançada, contando com 52 episódios.
O
desenho exibido atualmente no Cartoon Network, de segunda a sexta
às 16:30 hs, é a terceira versão da história.
Essa nova série é uma parceria da Tezuka Productions
e Sony Pictures Entertainment. Um de seus principais roteiristas
é Sadayuki Murai, que trabalhou em um dos mais interessantes
animes já exibido na tv brasileira: Cowboy Bebop
(Locomotion).
Os
criadores desta nova série utilizaram como base a história
criada por Tesuka há mais de 30 anos, mas não pretendem
seguir rigidamente o que foi visto no mangá original, nem
no anime dos anos 60. Pretendem explorar e explicitar os aspectos
mais dramáticos da saga do pequeno robô e expandir
suas aventuras, criando sagas completamente novas. Utilizando técnicas
que combinam acetato e retoques feitos em computador, seus realizadores
também procuram dar um ar nostálgico, retrô
e saudosista ao desenho, apesar de aparentemente se tratar de uma
aventura essencialmente futurista.
A história
de Astro Boy lembra muito um dos últimos sucessos cinematográficos
de Steven Spielberg: Inteligência Artificial. No
ano de 2030, um cientista decide criar um menino-robô feito
à imagem e semelhança de seu filho, que morrera algum
tempo antes, em um acidente de carro. Em princípio, tudo
saí às mil maravilhas e a empreitada é um sucesso.
É criado, assim, o Astro Boy ou Tetsuwan Atomu - “Poderoso
Átomo”, no original. Tendo um reator nuclear dentro
de seu corpo como fonte de energia (vamos lembrar que a história
original foi criada nos anos 60, quando a energia atômica
era tida como a energia do futuro e principal alternativa aos derivados
do petróleo), Astro Boy possuía extraordinários
poderes, como superforça e capacidade de voar. Contudo, o
cientista percebe o grande erro que cometera ao tentar desafiar
a ordem natural da vida e conclui que, apesar da semelhança
física, o pequeno robô nunca poderia substituir seu
falecido filho. E daí comete um erro ainda maior, na minha
opinião: irresponsavelmente, abandona o poderoso e inocente
robô à própria sorte. Contudo, o destino sorri
para Astro, que é encontrado por outro cientista e adotado
por ele. Seu novo “pai” lhe ensina o que é certo
e errado, fazendo com que o menino-máquina entenda a velha
e conhecida lição de que com grandes poderes também
vem grandes responsabilidades. Sendo assim, Astro Boy passa a dedicar
sua vida (ou sei lá como chamamos a existência de um
robô...) a ajudar a humanidade.
A
série, que foi lançada no Japão em abril de
2003 e nos Estados Unidos em janeiro deste ano, terá inicialmente
25 episódios. Aparentemente, o desenho vem sendo um sucesso
estrondoso. Diversos produtos licenciados já foram lançados,
incluindo quatro milhões de trading cards colecionáveis.
Tal retorno acabou por estimular a Sony a desenvolver
um longa-metragem animando com a personagem, totalmente desenvolvido
através de computação gráfica. Para
comandar essa empreitada foi escolhido um dos maiores e mais importantes
nomes na área de desenhos animados da atualidade: Genndy
Tartakovsky.
Tartakovsky
é o criador de uma das mais divertidas séries animadas
dos últimos tempos: O Laboratório de Dexter,
que conta as aventuras do menino gênio Dexter e sua irmã
Dee-dee. Recheado de referências da cultura pop, inclusive
de animes e seriados live action japoneses, O Laboratório
de Dexter é um sucesso inquestionável.
Tartakovsky
também conseguiu a proeza de fazer na TV o que George Lucas
não consegue fazer no cinema: transformar a nova saga de
Star Wars em algo quase tão empolgante e fascinante
quanta a original, com a minissérie animada Star Wars
- Guerras Clônicas.
E
se tudo isso não bastasse, Genndy também é
o criador de Samurai Jack, um dos mais revolucionários
desenhos da atualidade. Em Samurai Jack o herói
é filho de um poderoso senhor feudal japonês, preso
em um futuro distante pelo maligno Abu. Agora, Jack procura um portal
para voltar no tempo e "desfazer o futuro que é Abu".
Samurai Jack também possui uma influência
japonesa (mais especificamente dos animes) na sua estruturação
e animação, mas vai muito, muito além disso.
A animação é primorosa, são traços
estilizados associados a movimentos perfeitos, feitos no geral com
animação tradicional, mas com um ou outro pequeno
detalhe em computação gráfica. Os roteiros
são eficientes, alguns fenomenais, mas a principal qualidade
do desenho vem da perfeita conjugação entre animação
e sonoplastia.
Com um currículo desses, não dá
nem para duvidar que o longa-metragem do Astro Boy dirigido por
Genndy Tartakovsky vai ser um dos melhores longas animados dos próximos
anos. Sem falar que, sendo o próprio Genndy fã de
animações japonesas, os fãs do pequeno robô
podem ficar tranqüilos, pois o pai do Dexter certamente saberá
respeitar a obra original.
O longa
será co-produzido por Don Murphy (Do Inferno), ao
lado de Lisa Henson e Kristine Belson (ambas da Jim Henson Pictures).
O roteiro foi escrito por Todd Alcott (Formiguinhaz) e
Ken Kaufman (Cowboys do Espaço). Ainda não
há data de lançamento prevista.
E
se isso tudo não fosse o suficiente para garantir a invasão
do pequeno robô, corre a boca pequena o boato de que a editora
Conrad estaria negociando a publicação dos mangás
originais de Astro Boy no Brasil. Ainda não é
nada oficial, mas não custa nada torcermos para que este
clássico e histórico mangá chegue a nossas
terras.
Por enquanto, resta-nos apenas curtir suas aventuras
na TV, e esperar.
Agradecimentos:
•
Menina
Enciclopédia, pela dica;
•
Banca
9ª Arte
Av. Antônio Carlos, 6627
Campus UFMG (Pampulha, Portão 1)
Tel.: (31) 9652-4091.
Dicas
de sites:
www.alphalink.com.au/~roglen/astroboy.htm
www.absoluteanime.com/astro_boy
www.cartoontown.ca/astroboy.htm
en.tezuka.co.jp/manga/sakuhin/m025/m025_01.html
www.astro-boy.net/
www.animewebpage.hpg.ig.com.br/animes/astroboy.htm
www.animenewsnetwork.com/encyclopedia/
anime.php?id=422
www.astroboy-online.com/history.php
www.abc-kid.com/astroboy
http://www.omelete.com.br/tv/news/
base_para_news.asp?artigo=9078
http://www.omelete.com.br/cinema/news/
base_para_news.asp?artigo=9127

Além
de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado
O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida,
fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.
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