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Beagá, 07 de abril de 2003 d.C.
 

A Volta do moderno Robin Hood

Por Katchiannya Cunha

 

Chegou às bancas brasileiras a aguardada minissérie do Arqueiro Verde, escrita por Kevin Smith. Figurinha carimbada do público cinematográfico (dirigiu, entre outros, Dogma e Procura-se Amy), o trabalho de Smith nos quadrinhos não é desconhecido do público brasileiro, uma vez que a Abril publicou na extinta Marvel 2000 seu fenomenal arco de histórias estrelado pelo Demolidor.

Depois de mostrar competência na Casa das Idéias, foi a vez da DC requisitar seus talentos para renovar uma velha personagem. Kevin Smith - que também pode ser chamado de "homem bombril", pois tem mil e uma utilidades - trouxe de volta dos mortos o Arqueiro Verde original e transformou o seu título em um dos mais vendidos no período de lançamento. Antes de analisarmos a série escrita por Smith, vale a pena darmos uma retrospectiva na personagem.

Atualmente, a origem do Arqueiro comumente aceita é a de que o milionário entediado Oliver Queen um dia caiu de seu iate durante uma viagem e ficou preso em uma ilha, dependendo de um rústico arco para sobreviver. Depois de certo tempo, pessoas estranhas chegaram nessa mesma ilha. Queen, descobrindo que elas na verdade eram traficantes de drogas, consegue prende-las, sendo depois resgatado pela guarda costeira. Ao voltar à civilização, vestido de Robin Hood, salva de um assalto os participantes de uma festa à fantasia. Após esse evento, associado com a grande crítica social que desenvolveu em seu exílio forçado, resolve se tornar um herói. Depois de um tempo, adota o jovem Roy Harper (atual Arsenal) e transforma-o em seu parceiro.

O Arqueiro Verde, como a maioria das personagens da DC, é originário da Era de Ouro. Criado em 1941 por Mort Weisinger (roteiro) e George Papp (desenho), era publicado inicialmente na revista More Fun Comics. O Arqueiro nada mais era, nessa época, que uma versão do Batman travestida de Robin Hood. Como ele, tinha um parceiro mirim Ricardito (Speedy), além de outros apetrechos similares aos que Batman usava nessa época, como um carro-flecha, um flechacóptero e até mesmo (em alguns números) habitava numa caverna. Suas flechas de mil e uma utilidades nos remetiam aos badulaques do cinto do Homem-Morcego. Como Bruce Wayne, Oliver também era um milionário. Mas, apesar de ser praticamente um xerox do Batman, fazia um relativo sucesso no período.

Foi nos anos 70 que as coisas realmente começaram a mudar para a personagem. Em uma de suas melhores e mais badaladas fases (desenhado por Neal Adams, responsável também pelo cavanhaque que se tornou marca característica de Ollie), ele se juntou ao Lanterna Verde/Hal Jordan e à sua amada Canário Negro para uma road trippin' através dos Estados Unidos, na qual enfrentavam traficantes e lidavam de frente com questões sociais, algumas relativamente polêmicas para a época. Vale ressaltar também que, nesse período, seu ex-pupilo Ricardito tornou-se viciado em heroína - tal história mostrou-se revolucionária quando de sua publicação.

Outra obra de destaque lançada com a personagem foi a minissérie Caçadores, publicada aqui pela Abril Jovem. Nela, temos um Oliver Queen mais envelhecido, não mais um milionário, residindo em Seattle (sua base original de operações era Star City, e durante um tempo atuou em Boston) com Dinah Lance, a Canário Negro. O tom é pesado (nessa série, Canário foi torturada e violentada por traficantes), mais próximo do estilo Vertigo que dos quadrinhos de heróis tradicionais.

Após a morte de Queen em uma explosão, seu filho Connor Hawke assume seu manto mas, não tendo a mesma empatia do pai, não chega a fazer muito sucesso. É aí que entra Kevin Smith e sua série. Agora, Oliver Queen aparece desmemoriado em sua cidade natal, Star City. Após salvar a vida de Stanley, um velho milionário excêntrico, este passa a ajuda-lo para que volte a combater o crime. Entretanto, nada é o que parece.

Se os desenhos de Phillip Hester deixam a desejar, o roteiro e os diálogos de Smith compensam qualquer coisa. Mais experiente e menos prolixo que no Demolidor, ele mostra aqui porque é apontado como um dos mais proeminentes roteiristas atuais. Sendo um fã e respeitando a inteligência dos demais fãs, Kevin não só tenta amarrar toda a cronologia da personagem, como também busca nos seus momentos mais gloriosos (artisticamente falando) a inspiração para o seu retorno. Falar demais vai estragar a surpresa da história, mas só para dar uma canja, já no primeiro número algumas importantes pistas são lançadas sobre quem está envolvido no retorno de Queen.

Outra façanha de Smith foi construir a história do retorno do Arqueiro ao mundo dos vivos de um modo original e sem parecer estúpido, como as milhares de ressurreições ocorridas na Marvel (que já viraram motivo de chacota para os fãs) ou o esdrúxulo retorno do Super-Homem. E mais um aspecto fascinante da história é essa amnésia de Queen. Oliver é um cara preso ao passado, aproximadamente nos anos 80, e é hilariante ver sua inaptidão com a tecnologia de nossos dias.

Depois que Kevin Smith encerrou com sucesso sua participação no título, Brad Meltzer, autor de livros de grande sucesso nos Estados Unidos, assumiu a publicação, e parece também estar alcançando um bom êxito com a personagem. Quanto a Smith, além de estar dirigindo um novo filme (Jersey Girl, com Ben Affleck e Jeniffer Lopez) e trabalhando como responsável na minissérie da Gata-Negra, ele vai assumir um dos títulos mensais do Homem-Aranha para a Marvel.

Sem sombra de dúvidas, essa série é recomendável para todos aqueles que gostam de quadrinhos, mesmo não sendo fãs do Arqueiro. Principalmente, para aqueles que se decepcionaram com Cavaleiros das Trevas, pois assim terão a chance de lembrar que ainda existe competência, inteligência e respeito aos fãs no mundo dos escritores de super-heróis.

Nota: A série de TV Birds of Prey vai ser cancelada. Apesar dos bons índices de audiência na estréia, eles não se mantiveram nos episódios seguintes, desanimando os produtores a realizar uma nova temporada. Enquanto isso, Smallville (também conhecida como Clark´s Creek) continua de vento em popa.

Dicas de sites:

Sobre o Arqueiro Verde

Gibi - Artigo
http://www.a-arca.com/gibi/nasbancas/ gibi_arqueiro_verde_review_23032002.asp
Resenha sobre a série de Kevin Smith.

SciFi: Green Arrow
http://scifi.ign.com/articles/315762p1.html
Site com resenhas de todos os números da série original.

http://www.pjfarmer.com/secret/marvelous/
greenarrow.htm

Site americano com dados sobre a personagem.

http://www.greenarrowfansite.com/resource/history/
goldenage.html

Site sobre a versão da personagem na Era de Ouro e na antiga Terra Paralela.

Arco e Flechas
http://www.thorbresciani.hpg.ig.com.br/arco.htm
http://www.thorbresciani.hpg.ig.com.br/
arqueiro_verde.htm

Site com dados sobre a personagem.

Omelete
http://www.omelete.com.br/quadrinhos/news/
base_para_news.asp?artigo=1463
Artigo sobre a participação do personagem na clássica Liga da Justiça.

Arsenal
http://www.angelfire.com/ca2/novostitas/ar.html
Site dedicado ao seu fiel escudeiro.

Quadrinhos Universo HQ
http://www.universohq.com/quadrinhos/
n27082001_02.cfm

http://www.universohq.com/quadrinhos/
n09022002_01.cfm

Artigos sobre a série e seu autor.

HQ Maniacs - Tudo Sobre Quadrinhos - Reviews - Revistas...
http://www.hqmaniacs.com/
reviews_green_arrow_7.html

Resenha sobre a série.

Para quem quiser saber mais um pouco sobre o trabalho de Smith, tanto no cinema quanto nos quadrinhos, recomendo os seguintes artigos e o site:

http://www.omelete.com.br/quadrinhos/artigos/
base_para_artigos.asp?artigo=33

http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/
base_para_artigos.asp?artigo=749

http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/
base_para_artigos.asp?artigo=537

http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/
base_para_artigos.asp?artigo=928

http://www.viewaskew.com/
Site oficial dos filmes de Smith.

 

 

 

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