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Beagá, 22 de setembro de 2003 d.C.
 

A Volta da Guerra das Galáxias

Por Katchiannya Cunha

 

Com o revival dos anos 80, muitas são as séries animadas que estão voltando com força total - seja nos quadrinhos, seja em novas animações, como Thundercats, He-Man, Transformers, Comandos em Ação e Tartarugas Ninjas. Umas dessas séries animadas das antigas (ainda lembrada com muito carinho pelos fãs) está chegando em quadrinhos no Brasil através da Panini Comics. Trata-se de Robotech.

Exibida por aqui no fim dos anos 80 e início da década de 90 pela Rede Globo, Robotech era na realidade a junção de três animes japoneses: Super Dimensional Fortress Macross, Super Dimensional Cavalry Southern Cross e Genesis Climber Mospeada, que em princípio não possuíam nenhuma relação entre si a não ser o fato de serem animes mecha (de robôs gigantes) que envolviam batalhas espaciais. A responsável por essa bagunça foi a produtora americana Harmony Gold, que comprou os direitos da bem sucedida série japonesa Macross para exibi-la nos States. Na época, havia uma regra idiota de que uma animação deveria ter no mínimo 65 episódios por temporada para ir ao ar, e como Macross só tinha 36, resolveram costura-la com as demais séries fazendo algumas edições, adaptando nomes e alterando a ordem de alguns fatos.

E apesar dessa manobra Frankstein, a série fez muito sucesso nos Estados Unidos, especialmente seu primeiro arco de histórias que diz respeito exatamente ao Macross original - dos três animes, este foi o que praticamente sofreu o menor número de cortes. Precisamente este arco de histórias foi o exibido pela Globo (e um pedaço da segunda parte, calcada em Southern Cross). Posteriormente, a Record e a Gazeta/CNT exibiram a versão original de Macross (também chamada de Guerra das Galáxias) sem os cortes, mantendo o nome das personagens e as músicas originais em japonês. A série original Macross deu origem a diversas outras séries no Japão, que infelizmente nunca chegaram a serem exibidas por aqui.

Em Macross, no ano de 1999 uma enorme nave alienígena cai na Terra. Prenúncio de uma provável invasão. Com esse receio, os cientistas do planeta começam a investigar a nave e se apropriar de sua tecnologia, o que resultará nos caças Valkyrie, capazes de se transformar em robôs, e no cargueiro espacial SDF-1 Macross, que possui a mesma capacidade. Dez anos depois, a Terra está sob o ataque da raça alienígena Zentraedi (Zentraady, no original), que veio ao nosso planeta em busca da nave perdida. Muito maiores que os habitantes da terra, os Zentraedis parecem não desenvolver o uso das emoções, nem relações afetivas, especialmente as amorosas, o que os deixa chocados diante dos humanos.

Por um acidente, durante um ataque o SDF-1 Macross e uma cidade próxima são transportados para os confins do sistema solar. Agora, eles tentam se adaptar aos conflitos entre as populações civil e militar da nave, ao mesmo tempo em que tentam voltar para casa e derrotar os alienígenas em seu caminho.

Contudo, o foco principal da história não é exatamente as batalhas espaciais, mas sim as relações estabelecidas entre as personagens, em especial no triângulo amoroso vivido pelo piloto Rick Hunter/Hikaru Hishizo, a cantora Lynn Minmei e a primeira oficial da nave, Lisa Hayes/Misa Hayase. Tanto Rick quanto Lisa se tornam soldados por influências de membros de suas famílias. Ela inspirada por seu pai, um famoso comandante, e ele por seu irmão mais velho Roy Fokker, um dos melhores pilotos da frota, que infelizmente morre quase que no começo da série.

Outras personagens importantes são o Capitão Henry Gloval, que comanda a SDF-1 Macross, o piloto Maximillian Genius e sua esposa Millia. Millia era na realidade uma Zentraedi, que foi reduzida ao tamanho humano para espionar a nave, acaba se apaixonando por Max e se casando com ele.

No fim de tudo, apesar de todas as guerras e batalhas, o que faz com que a guerra acabe é o poder do amor, mais claramente uma canção de Minmei que, ouvida pelos Zentraedi, desperta neles sentimentos e emoções que os alienígenas acreditavam não mais existir.

A revista lançada pela Panini é inspirada justamente nesta parte da história. Produzida totalmente nos Estados Unidos por americanos, Robotech conta o que aconteceu depois e antes da série televisiva. A história começa em 2015, com o agora Capitão Hunter num primeiro momento enfrentando rebeldes Zentraedi. Posteriormente, a história muda de rumo e somos levados de volta a 1999, aos tempos em que Rick e seu irmão Roy Fokker viviam no circo voador da família, e logo depois ao momento em que ocorrerá o evento Macross (a queda da nave).

Neste primeiro número, para quem é fã da série animada mal deu para matar saudades das personagens. Tudo, personagens, as situações e os eventos importantes, estão sendo apresentados praticamente na base do conta-gotas. Para quem nunca assistiu ou ouviu falar sobre o anime fica difícil entender qual será o rumo da história.

Ainda assim dá para se envolver com a história em certos momentos, especialmente naqueles que mostram o relacionamento entre os irmãos Rick e Roy, uma mistura de cumplicidade, admiração e amizade. Quem era fã do anime também acaba por aproveitar muito mais alguns pequenos detalhes da revista - como, por exemplo, o fato de que o almirante Hayes era inimigo do Capitão Gloval, levando-se em consideração que posteriormente estarão do mesmo lado e a filha de Hayes, Lisa, será o braço direito de Gloval no SDF-1 Macross.

Talvez o que realmente tenha faltado é a Panini fazer uma introdução do que foi Robotech, apresentando a animação e os personagens à nova geração e relembrando certos fatos aos antigos fãs. Afinal, tem quase uns dez anos que o desenho foi exibido no Brasil pela última vez.

Quanto aos desenhos, a qualidade é variável, do bom ao mediano, típica do pseudo-mangá norte-americano. Mas, levando-se em conta o preço da revista (R$ 1,99) e a qualidade da história original, vale a pena adquiri-la, nem que seja para matar saudades (os velhos fãs) ou para conhecer (os possíveis novos fãs).

Para quem quiser conhecer a história "real", eu recomendo vasculhar a locadora mais próxima, pois alguns episódios foram lançados em vídeo. É claro que o ideal seria a série ser exibida novamente na TV. Se Cavaleiros do Zodíaco voltou (apesar de ser um marco na história dos animes no Brasil, não é tão bom assim), por que não uma série tão bacana quanto Robotech/Macross?

Dicas de Sites

http://www.paninicomics.com.br

http://www.robotech.com/

http://www.qualityware.com.br/
home/adriano/robotech_macross.htm

http://www.planetaesbornia.com.br/

http://www.animepro.com.br/a_news/agosto_2002/
n_robotech_dc.html

http://www.sit.wisc.edu/~nmedbery/real_video

http://www.nauticom.net/www/cheffox/Robotech

http://www.fjtc.hpg.com.br/

http://www.hostseguro.com/~mxyzpltk/
resenha.php?id=4&PHPSESSID=b00
aeaddc6d420b591dbc24aff10e186

http://www.qualityware.com.br/home/adriano/
links_anime.htm

http://www.hqmaniacs.com/lanc_details.asp?lrv_ID=560

http://robotech.simplenet.com/

http://www.sobresites.com/anime/macross.htm

Além de escrever para o Abacaxi, estou com um blog sobre quadrinhos chamado O Som de Suas Asas. Quem quiser passar lá para dar uma conferida, fique à vontade! Endereço: www.osomdesuasasas.blogger.com.br.

 

 

 

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