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Beagá, 03 de outubro de 2005 d.C.
 

Seção nostalgia: A Fantástica Fábrica de Chocolates, de 1971

Por Lulu Carabina
 

Eu tenho pouquíssimas lembranças deste filme, que acabou se tornando um verdadeiro “clássico da Sessão da Tarde”. Me lembro da estranha sensação que tinha ao ver as crianças simplesmente desaparecendo ao longo da excursão pela fábrica, dos cabelos desgrenhados e do olhar esbugalhado do Willy Wonka de Gene Wilder. E só. É muito estranho isso, você saber que viu um filme, mas não se lembrar de quase nada... Estranha como a Fábrica de Chocolates Wonka.

A Fantástica Fábrica de Chocolates

A primeira versão de A Fantástica Fábrica de Chocolates foi feita em 1971, dirigida por Mel Stuart. O filme conta a história de Charlie, um menino pobre, que sustenta praticamente sozinho a sua família - a mãe e os quatro avós que não se levantam há 20 anos, passando todo o tempo deitados em uma única cama.

Um dia, um estranho evento que acabará mudando para sempre a vida de Charlie é anunciado: Willy Wonka, dono da fábrica de doces Wonka, vai fornecer um suprimento vitalício de chocolate e abrir sua fábrica para os cinco felizardos que encontrarem um cupom dourado dentro de uma de suas barras de chocolate, vendidas por todo o mundo.

Wonka é excêntrico e tem sua personalidade envolta em mistério: um dia, revoltado com a espionagem dos seus segredos industriais, ele resolveu fechar as portas de todo o seu império, e ele nunca mais foi visto por ninguém.

O mundo inteiro se agita, todos querendo encontrar o tal chocolate premiado. Pessoas compram verdadeiros estoques, ricaços participam de leilões de caixas, seqüestradores cobram resgate em barras Wonka, e todo tipo de loucuras por causa das barras premiadas.

Mas enfim, os cinco sortudos aparecem. São eles: Veruca Salt, Violet Beauregarde, Mike Teevee, Augustus Comilão e o próprio Charlie, é claro.

As cinco crianças encontram um cupom dourado com a seguinte inscrição: “CUPOM DOURADO WONKA. Saudações a você, o sortudo ganhador desse Cupom Dourado do senhor Willy Wonka. Apresente esse cupom nos portões da fábrica às dez da manhã do primeiro dia de outubro, e não chegue atrasado. Você pode trazer com você um membro de sua família... E apenas um... Mais ninguém. Nem em seus sonhos mais loucos você não poderia imaginar as maravilhosas SURPRESAS que esperam por VOCÊ”.

No dia primeiro de outubro, os “escolhidos” e mais uma multidão de curiosos estão na frente da fábrica, todos ansiosos para verem Willy Wonka. Ele aparece e abre as portas de sua fantástica fábrica para os “felizardos” e seus respectivos acompanhantes. E é aqui que a bizarra excursão começa.

Durante todo o percurso, o Willy Wonka se mostra cada vez mais sinistro e suas falas parecem mais um apanhado de frases de efeito. Os segredos mais absurdos da Fábrica Wonka vão sendo revelados: cômodos estranhos, geringonças esquisitas, num mundo repleto de nonsense e piadas literais. Contudo, o mais estranho é a ordem dada aos convidados pelo dono da fabrica: “Ninguém deve tocar no que não for convidado a tocar, e que minhas instruções devem ser seguidas à risca!”.

Mas os visitantes são uma amostra do que pode haver de pior no comportamento humano. Veruca é esnobe e mimada, e grita “Eu quero um desse!” para tudo o que vê. Violet é maníaca por chicletes, e não pára de mascar e fazer bolas a todo momento. Mike é viciado em televisão. E Augustus é guloso. Apenas Charlie é bonzinho no quinteto, e consegue passar mais da metade do passeio olhando para tudo, com a boca aberta.

O que acontece é que cada uma das crianças se mete em situações que acabam em desastre. Augustus, o primeiro a sumir do mapa, se empolga quando vai beber um pouco do rio de chocolate da fábrica, cai lá dentro e acaba indo parar no cano... que leva para a sala de suspiros. Nesse momento surgem os Oompa Loompas cantando e somem com o garoto e seu parente que o acompanha. Esses seres verdes e baixinhos são os indefesos habitantes da terra dos Loompas, um lugar desolado e cheio de feras. Wonka “adotou” alguns e transformou-os funcionários de sua fábrica.

No final, sobram apenas Charlie e seu avô, que também tinham cometido um deslize e, apesar de não terem sofrido algum acidente bizarro como aconteceu com as outras crianças, não caem nas graças de Wonka.

O excêntrico dono da fábrica fica irritado de vez, e desiste de fornecer o suprimento vitalício de chocolates para Charlie. O que acontece depois? Bem, eu não me lembro, por isso, se você quiser saber vai ter que pegar o filme para assistir...

O que houve com os visitantes da fábrica de chocolates?

Como geralmente acontece, quase todas as crianças não estão mais no show-business.

Peter Ostrum (Charlie) - Peter tinha 12 anos quando fez o personagem Charlie. E esse foi seu único trabalho como ator. O menino recebeu propostas para participar de outros filmes, mas desistiu da carreira artística. Acabou se formando em veterinária, em 1984, e hoje cuida de animaizinhos e de seus dois filhos.

Denise Nickerson (Violet) - Depois de Fantástica Fábrica, Denise tentou seguir carreira como atriz, mas sua última aparição foi em 1978. Atualmente, ela é enfermeira e tem um filho.

Julie Dawn Cole (Veruca Salt) - Ela continua trabalhando como atriz e agora mora na Inglaterra.

Paris Themmen (Mike Teevee) - Depois de tentar se manter fazendo pontas em filmes e participando de peças teatrais, aos 14 anos ele desistiu de atuar. Hoje divide seu tempo entre viagens pelo mundo, produções e direção de comerciais para a TV.

Michael Boullner (Augustus Gloop) - O menino gordinho cresceu sem continuar sua carreira de ator e hoje trabalha como contador.

Premiações

A Fantástica Fábrica de Chocolates não fez tanto sucesso na época do seu lançamento mas, com o tempo, acabou virando cult. O filme acabou “colhendo alguns louros”: recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Trilha Sonora, e a indicação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Ator de Comédia/Musical para Gene Wilder.

Curiosidades Deliciosamente Curiosas

Willy Wonka fala praticamente só usando referências literárias. Na versão legendada, quando ele diz “Is it my soul that calls me by my name” - é uma referência a Romeu e Julieta, de Shakespeare. “Where is fancy bred In the heart or in the head” é de outro livro de Shakespeare, O Mercador de Veneza. “The suspense is terrible, I hope it lasts” é da peça A Importância de ser Prudente, de Oscar Wilde.

Roald Dahl, o autor do livro original, tinha feito o roteiro do filme praticamente idêntico ao seu livro. Mas o roteirista David Seltzer o reescreveu, alterando praticamente a metade dele. Seltzer foi o responsável por fazer com que quase todas as falas de Wonka se tornassem referências literárias.

Não há um consenso sobre como seriam os Oompa Loompas. Nas primeiras versões do livro, eles são descritos como uma tribo de pequenos pigmeus importados da África. Em outras edições, eles são “uns hippies brancos e baixinhos”. Já nesse filme, são anões verdes com uma aparência de biscoito.

Essa é ótima: existe uma banda de rock que se chama Veruca Salt.

Fred Astaire foi cogitado para interpretar Willy Wonka, mas não ganhou o papel por estar “velho demais”. Você pode imaginar um Wonka dançarino?...

A foto do paraguaio que falsificou o cupom dourado que aparece no jornal é de Martin Bormann, o último homem que teve contato com Hitler. A produção pensou em usar uma foto do próprio Hitler, mas acabou optando por colocar a foto de Bormann. Só que a piada não fez muito sentido, já que o público não reconheceu o cidadão.

Bem, eu ainda não procurei pelo filme para recordar e entender porque ele se tornou um clássico da minha geração. Mas você não deve ser preguiçoso ou preguiçosa como eu. Todo mundo diz que o filme é mesmo incrível e eu acredito que eles devem ter razão. Tudo bem que o filme acabou envelhecendo, mas uma estória como essa acaba sempre conservando um certo apelo realista, nem que seja a moral da história: “Pais, aprendam a educar seus filhos. Filhos, aprendam a se comportar ou vocês vão se dar muito mal.”. Nos filmes e nos livros, costuma funcionar...

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor) e Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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