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Beagá, 26 de setembro de 2005 d.C.
 

Porque gostei tanto de A Fantástica Fábrica de Chocolate?

Por Lulu Carabina
 

Talvez porque eu não tenha nenhuma lembrança da “Fábrica” original. Talvez porque o filme de Tim Burton pareça para mim um filme novo, não uma refilmagem de algo que já existia antes. Talvez porque eu tenha um gosto estranho e goste de fábulas meio bizarras...

Mas a questão é que eu gostei deste filme. Achei divertido e muito inteligente. Tudo bem, não é a coisa mais legal, mais sensacional que assisti até hoje. Inclusive, gostei mais de Sin City (Ei! Isso pode render outra coluna!), mas mesmo assim, me diverti muito.

Bem, chega de “rasgação de seda” e vamos falar do filme!...

Charlie e a fábrica de chocolate

Charlie Bucket é um menino pobre que, apesar de morar num casebre miserável e suas refeições serem sempre uma rala sopa de repolhos, tem uma família - a mãe, o pai e os quatro avós inválidos - repleta de amor. Ele mora perto de uma fábrica de doces cujo dono, o excêntrico Willy Wonka, vive lá dentro, recluso há 15 anos. Depois de uma demissão em massa, causada pela espionagem promovida por seus concorrentes, nunca mais ninguém foi visto entrando ou saindo da fábrica.

A esperança chega para Charlie quando Wonka anuncia que irá abri-la para a visitação de cinco crianças acompanhadas de um familiar, crianças que encontrarem um bilhete dourado nas barras de chocolate vendidas pelo mundo afora. Quem encontrasse o bilhete teria o direito de conhecer a fábrica e todos os seus segredos.

Em alguns dias, vão surgindo os sortudos: o alemão guloso Augustus Gloop, a americana ambiciosa e “mascadora de chicletes” Violet Beauregarde, a inglesa esnobe mimada Veruca Salt e o americano “sabe-tudo” e viciado em televisão Mike Teavee. Charlie quase perde as esperanças. Mas, em um golpe de sorte, ele encontra uma nota de dólar, compra uma única barra de chocolate e encontra lá o último bilhete. No dia seguinte, Charlie e seu avô, ao lado das outras crianças e seus respectivos responsáveis, estão diante dos portões da fábrica e então conhecem o bizarro Willy Wonka.

Aos poucos, os convidados vão descobrindo que as coisas dentro da fábrica são ainda mais estranhas do que eles eram capazes de imaginar. Além disso, as crianças que se comportam mal aprendem uma lição, através das situações realmente sinistras em que se metem, e são eliminadas.

Quer saber como acaba essa história? Vá ver o filme!!!!

A Fantástica Fábrica de Filmes de Tim Burton

Se a gente pensar um pouco, vai perceber que na verdade Tim Burton nasceu para fazer este filme. O diretor está totalmente à vontade em seu terreno favorito, o das (bizarras) fábulas cinematográficas. No estranho mundo de Burton, nada é o que parece: as pessoas são estranhas, os cenários são mega-coloridos e às vezes parecem ser de gelatina, tudo é propositadamente exagerado.

E a grandiosa fábrica de Willy Wonka só poderia mesmo ser retratada com a ajuda dos efeitos digitais mais recentes. Visualmente, a refilmagem de Tim Burton é um espetáculo impressionante, com cenários fenomenais como o jardim comestível com sua cascata de chocolate “porque a cascata é o grande segredo do sabor de nossos chocolates” e a expressionista e humilde casa da família Bucket.

Além de traduzir em imagens os cenários imaginados pelo escritor Roald Dahl, Tim Burton também expandiu conceitos do livro. O diretor realizou uma interpretação própria do texto de Dahl, explorando o passado de Wonka para “descobrir” porque ele se tornou o solitário fabricante de doces. Assim, o Willy Wonka criado por Burton e encarnado por Johnny Depp é, ao mesmo tempo, sinistro, trágico e hilariante.

Contudo, o mais surpreendente nessa Fábrica são os novos Umpa-Lumpas - todos interpretados pelo anão Deep Roy. Os ritmos, figurinos e coreografias se alternam freneticamente e heavy metal, rap, Beatles, entre várias outras referências, se sucedem na tela.

Todas as canções do filme, assim como as próprias vozes dos Umpa-Lumpas, são de Danny Elfman. Esse nome lhe parece familiar? É porque ele era o vocalista da banda Oingo Boingo...

Na minha opinião, a nova Fantástica Fábrica de Chocolates definitivamente não é um filme infantil e as referências que Tim Burton faz a filmes como Psicose, 2001 - Uma Odisséia no Espaço e Edward Mãos de Tesoura (este, dirigido por ele próprio) não nos deixam esquecer que aquele universo todo não passa de mais uma invenção hollywoodiana.

Fantásticas Curiosidades Curiosas

Para gravar as seqüências de dança dos Oompa Loompas, Deep Roy teve que filmar todos os passos várias vezes, apenas alterando um pouco o movimento e a expressão facial. Depois, as imagens gravadas foram agrupadas na tela.

O ator que interpreta Augustus Gloop não é assim tão gordo quanto parece. O menino usou um enchimento e teve que aprender a nadar para conseguir filmar a cena em que se debate no rio de chocolates.

Os cenários da fábrica, como o do Jardim feito de doces, foram confeccionados e pintados à mão.

Toda a filmagem foi acompanhada pela viúva do escritor Roald Dahl que colaborou e deu apoio ao filme.

Para o rio e a cachoeira foram usados mais de 760 mil litros de chocolate líquido. O rio de chocolate tinha quase um metro de profundidade e foi feito com corantes alimentícios, água e fibra dietética de celulose. A Nestlé providenciou 1850 barras de chocolate verdadeiro para os sets de filmagens.

As dúzias de esquilos que atacam Veruca Salt se dividiam em três grupos: 40 bichinhos adestrados, uma parte criada por computação gráfica e um grupo de esquilos-robôs.

As canções dos Oompas foram compostas por Danny Elfman, que conseguiu manter quase intacta, na letra, a poesia original escrita por Roald Dahl.

Martin Scorsese, Gary Ross, Rob Minkoff e Michael Caton Jones foram cogitados para dirigir o filme.

Robin Williams, Dustin Hoffman, Nicolas Cage, Steve Martin, Christopher Walken e Michael Keaton estiveram cotados para interpretar Willy Wonka.

Este é o quarto filme em que Tim Burton e Johnny Depp trabalham juntos. Os outros foram Edward Mãos de Tesoura (1990), Ed Wood (1994) e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999).

Johnny Depp declarou que se inspirou na fase de reclusão do diretor Howard Hughes e também no glamour dos astros de rock dos anos 70 para compor o personagem Willy Wonka - por mais que a gente ache que pareça mais com o Michael Jackson...

Este é o terceiro filme de Tim Burton com Helena Bonham Carter. Os outros foram Planeta dos Macacos (2001) e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003).

Johnny Depp ficou tão impressionado com a atuação do garoto Freddie Highmore em Em Busca da Terra do Nunca (2004) que convenceu a Tim Burton a escalá-lo no papel de Charlie.

O personagem Dr. Wonka foi criado especialmente para o filme, para dar ao personagem Willy Wonka um pouco de história familiar.

Além de ter gostado muito mesmo deste filme, fiquei com uma vontade muito grande de achar a A Fantástica Fábrica de Chocolates, de 1971, para matar a saudade e relembrar. O único problema é que, depois de ver tudo isso, dá uma vontade enorme de comer chocolate...

É isso aí!
 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor) e Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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