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Beagá, 10 de janeiro de 2005 d.C.
 

Há 35 anos, o Jornal é Nacional

Por Lulu Carabina
 

Foi o primeiro telejornal brasileiro exibido em rede nacional e ao vivo. Estreou às 19h56 do dia 1º de setembro de 1969 (segunda-feira). O locutor Hilton Gomes abriu o programa com a frase: “O Jornal Nacional da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil novo, inaugura-se neste momento: imagens e sons de todo o país”.

A Rede Globo, com apenas quatro anos de vida e em fase de consolidação, apostou no novo sistema de microondas da Embratel e fez o primeiro programa simultaneamente transmitido para várias cidades brasileiras.

Até aquele momento, cada capital tinha sua própria grade de programação, e programas gravados em São Paulo ou no Rio de Janeiro eram exibidos com dias de atraso em outras praças, para dar tempo das fitas chegarem via ônibus ou avião.

Os idealizadores do telejornal foram Alice Maria, diretora da emissora, e Armando Nogueira, hoje comentarista esportivo de jornais e televisão. Da primeira edição do telejornal, restam apenas duas fotos. Da primeira fase do jornal, em preto-e-branco até os primeiros anos da década de 70, não sobrou nada.

Alguns vídeos começaram a ser guardados a partir de 1973, mas também não foi tudo desta década que sobrou. A Globo, no entanto, tem todas as edições do jornal desde o final da década de 70.

As caras do Jornal Nacional

Cid Moreira foi o apresentador que ficou mais tempo à frente do telejornal: 27 anos, de sua estréia até 1996. Conta-se que uma vez ele chegou atrasado no estúdio por causa de uma partida de tênis e acabou apresentando o programa vestido com um calção.

Entretanto, nestas mais de três décadas de história, o jornal já teve diversos apresentadores. Sérgio Chapelin teve até uma breve passagem pelo SBT, em 1983. Ele foi substituído por Celso Freitas, mas retornou alguns anos depois.

Em 1992, após 23 anos no ar, pela primeira vez uma mulher apresentou o jornal: Valéria Monteiro, que também podia ser vista no Jornal Hoje e já havia passado pelo Fantástico, em 1991, foi ao ar junto com Cid Moreira. Depois dela vieram Sandra Annenberg, Ana Paula Padrão, Monica Waldvogel, Lilian Witte Fibbe e Carla Vilhena.

No dia 1º de abril de 1996, estrearam como âncoras os jornalistas William Bonner e Lílian Witte Fibe. Em 30 de março de 1998, a apresentadora voltou para o Jornal da Globo e deu lugar à Fátima Bernardes, que comandava o Jornal Hoje e prossegue até hoje na bancada junto com o marido. E em 23 de novembro de 2002, um fato inédito: pela primeira vez em 33 anos, um apresentador negro na bancada do telejornal - o ribeirão-pretano Heraldo Pereira.

Fora do estúdio, a jornalista Glória Maria foi a responsável por uma mudança no estilo de reportagem apresentado pelo programa. Em 1982, ela mostrou como era a experiência de andar de asa delta pulando do alto da Pedra Bonita, no Rio de Janeiro (RJ).

No início dos anos 90, o dramalhão infantil Carrossel, exibido no SBT (eu confesso que também assisti aquilo, mas eu era criança e não tinha muito senso crítico...), ameaçou, pela primeira vez na história, o eterno campeão de audiência da Globo. Correndo atrás do prejuízo, o jornal começou a apresentar um grande número de material investigativo e aumentou sua duração de 30 para 50 minutos, contando com os intervalos. A estratégia deu certo e o Jornal Nacional voltou à sua cômoda posição de campeão absoluto do IBOPE. Atualmente, com uma média de 40 pontos diários, ainda é um dos programas mais assistidos da televisão brasileira.

Entre as reportagens do Jornal Nacional que mais marcaram sua história está a entrevista com Paulo César Farias, empresário envolvido no escândalo que tirou Fernando Collor de Mello da Presidência do país, realizada por Roberto Cabrini. Sua exibição rendeu 80 pontos de audiência e uma matéria na revista Veja, cuja manchete era “PC se entrega à Globo”.

O jornalão da situação

Durante a campanha pelas eleições diretas, em 1984, o JN foi acusado de não cobrir o megacomício realizado na Praça da Sé, em São Paulo (SP). O programa exibiu imagens do encontro, mas o texto usado dava a entender que ele fazia parte das celebrações do aniversário de 430 anos da cidade. Os comícios menores, promovidos em Curitiba, Vitória, Salvador e Campinas, não foram ao ar porque o fundador da Globo, Roberto Marinho, achava que os atos poderiam “ser um fato de inquietação nacional”.

Já em 1989, o jornal levou ao ar uma edição considerada tendenciosa do debate entre os candidatos à presidência Fernando Collor de Mello e Luís Inácio Lula da Silva. Collor aparecia em seus melhores momentos e ganhava 1 minuto e meio a mais de espaço do que Lula.

O filho de Roberto Marinho, João Roberto Marinho, declarou à revista Veja em agosto de 2004 que “é preciso ter em mente que aquela era a primeira eleição para presidente na era da televisão de massa. Não passa pela minha cabeça que os equívocos tenham sido cometidos por má-fé”.

E os presentes...

O aniversário de 35 anos do programa foi comemorado com o lançamento do livro Jornal Nacional - A Notícia faz História. A Globo contratou um time de historiadores para escrever a obra. O livro revista os momentos que marcaram o telejornal nesse período.

Além disso, a Globo Vídeo, em parceria com a Som Livre, lançou um DVD. Nele, estarão 14 séries especiais exibidas desde 2001 e 63 reportagens que marcaram a história do país. São mostradas também cenas de bastidores do telejornal, desde a chegada do apresentador e editor-chefe, William Bonner, na emissora, até a reunião de pauta e a correria para colocar o jornal no ar.

Enquanto isso, na redação...

Os repórteres do jornal recebem uma ajuda de custo anual para comprar roupas.

A apresentadora Fátima Bernardes usa um figurino cedido pela Globo. Já seu marido, o também apresentador William Bonner, veste seus próprios ternos e gravatas.

O tema de abertura, “The Fuzz”, de Frank Devol, já sofreu vários arranjos e segue até hoje nas vinhetas do telejornal.

Após anos no estúdio, o jornal é apresentado ao vivo de um mezanino na redação da Rede Globo, no Rio de Janeiro.

A matéria cobrindo o parto de Sasha, filha da apresentadora Xuxa, durou 10 minutos. Reportagens especiais têm em média 4 minutos.

O site oficial do Jornal Nacional é http://jornalnacional.globo.com/.

A gente pode até não gostar, mas não tem jeito: o Jornal Nacional marcou definitivamente a história do telejornalismo brasileiro... Fazer o quê, né?

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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