| Foi o primeiro telejornal brasileiro
exibido em rede nacional e ao vivo. Estreou às 19h56 do dia 1º de
setembro de 1969 (segunda-feira). O locutor Hilton Gomes abriu
o programa com a frase: “O Jornal Nacional da Rede
Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil novo,
inaugura-se neste momento: imagens e sons de todo o país”.
A Rede Globo, com apenas quatro anos de vida e
em fase de consolidação,
apostou no novo sistema de microondas da Embratel e fez o primeiro
programa simultaneamente transmitido para várias cidades
brasileiras.
Até aquele momento, cada capital tinha sua própria
grade de programação, e programas gravados em São
Paulo ou no Rio de Janeiro eram exibidos com dias de atraso em
outras praças, para dar tempo das fitas chegarem via ônibus
ou avião.
Os idealizadores do telejornal foram Alice Maria,
diretora da emissora, e Armando Nogueira, hoje comentarista esportivo
de jornais
e televisão. Da primeira edição do telejornal,
restam apenas duas fotos. Da primeira fase do jornal, em preto-e-branco
até os primeiros anos da década de 70, não
sobrou nada.
Alguns vídeos começaram a ser guardados a partir
de 1973, mas também não foi tudo desta década
que sobrou. A Globo, no entanto, tem todas as edições
do jornal desde o final da década de 70.
As caras do Jornal Nacional
Cid Moreira foi o apresentador que ficou mais tempo à frente
do telejornal: 27 anos, de sua estréia até 1996.
Conta-se que uma vez ele chegou atrasado no estúdio por
causa de uma partida de tênis e acabou apresentando o programa
vestido com um calção.
Entretanto, nestas mais de três décadas de história,
o jornal já teve diversos apresentadores. Sérgio
Chapelin teve até uma breve passagem pelo SBT, em 1983.
Ele foi substituído por Celso Freitas, mas retornou alguns
anos depois.
Em 1992, após 23 anos no ar, pela primeira vez uma mulher
apresentou o jornal: Valéria Monteiro, que também
podia ser vista no Jornal Hoje e já havia passado
pelo Fantástico,
em 1991, foi ao ar junto com Cid Moreira. Depois dela vieram Sandra
Annenberg, Ana Paula Padrão, Monica Waldvogel, Lilian Witte
Fibbe e Carla Vilhena.
No
dia 1º de abril de 1996, estrearam como âncoras
os jornalistas William Bonner e Lílian Witte Fibe. Em 30
de março de 1998, a apresentadora voltou para o Jornal
da Globo e deu lugar à Fátima Bernardes, que
comandava o Jornal Hoje e prossegue até hoje na bancada junto com
o marido. E em 23 de novembro de 2002, um fato inédito:
pela primeira vez em 33 anos, um apresentador negro na bancada
do telejornal - o ribeirão-pretano Heraldo Pereira. Fora do estúdio, a jornalista Glória Maria foi a
responsável por uma mudança no estilo de reportagem
apresentado pelo programa. Em 1982, ela mostrou como era a experiência
de andar de asa delta pulando do alto da Pedra Bonita, no Rio de
Janeiro (RJ).
No início dos anos 90, o dramalhão
infantil Carrossel,
exibido no SBT (eu confesso que também assisti aquilo, mas
eu era criança e não tinha muito senso crítico...),
ameaçou, pela primeira vez na história, o eterno
campeão de audiência da Globo. Correndo atrás
do prejuízo, o jornal começou a apresentar um grande
número de material investigativo e aumentou sua duração
de 30 para 50 minutos, contando com os intervalos. A estratégia
deu certo e o Jornal Nacional voltou à sua cômoda
posição de campeão absoluto do IBOPE. Atualmente,
com uma média de 40 pontos diários, ainda é um
dos programas mais assistidos da televisão brasileira.
Entre as reportagens do Jornal Nacional que
mais marcaram sua história está a entrevista com Paulo César
Farias, empresário envolvido no escândalo que tirou
Fernando Collor de Mello da Presidência do país, realizada
por Roberto Cabrini. Sua exibição rendeu 80 pontos
de audiência e uma matéria na revista Veja,
cuja manchete era “PC se entrega à Globo”.
O jornalão da situação
Durante a campanha pelas eleições
diretas, em 1984, o JN foi acusado de não cobrir o megacomício realizado
na Praça da Sé, em São Paulo (SP). O programa
exibiu imagens do encontro, mas o texto usado dava a entender que
ele fazia parte das celebrações do aniversário
de 430 anos da cidade. Os comícios menores, promovidos em
Curitiba, Vitória, Salvador e Campinas, não foram
ao ar porque o fundador da Globo, Roberto Marinho, achava que os
atos poderiam “ser um fato de inquietação nacional”.
Já em 1989, o jornal levou ao ar uma edição
considerada tendenciosa do debate entre os candidatos à presidência
Fernando Collor de Mello e Luís Inácio Lula da Silva.
Collor aparecia em seus melhores momentos e ganhava 1 minuto e
meio a mais de espaço do que Lula.
O filho de Roberto Marinho, João Roberto Marinho, declarou à revista Veja em
agosto de 2004 que “é preciso ter em mente
que aquela era a primeira eleição para presidente
na era da televisão de massa. Não passa pela minha
cabeça que os equívocos tenham sido cometidos por
má-fé”.
E os presentes...
O aniversário de 35 anos do programa foi comemorado com
o lançamento do livro Jornal Nacional - A Notícia
faz História. A Globo contratou um time de historiadores
para escrever a obra. O livro revista os momentos que marcaram
o telejornal nesse período.
Além disso, a Globo Vídeo, em parceria com a Som
Livre, lançou um DVD. Nele, estarão 14 séries
especiais exibidas desde 2001 e 63 reportagens que marcaram a história
do país. São mostradas também cenas de bastidores
do telejornal, desde a chegada do apresentador e editor-chefe,
William Bonner, na emissora, até a reunião de pauta
e a correria para colocar o jornal no ar.
Enquanto isso, na redação...
• Os repórteres do jornal recebem uma ajuda
de custo anual para comprar roupas.
• A apresentadora Fátima Bernardes usa um figurino cedido
pela Globo. Já seu marido, o também apresentador
William Bonner, veste seus próprios ternos e gravatas.
• O tema de abertura, “The Fuzz”, de Frank Devol, já sofreu
vários arranjos e segue até hoje nas vinhetas do
telejornal.
• Após anos no estúdio, o jornal é apresentado
ao vivo de um mezanino na redação da Rede Globo,
no Rio de Janeiro.
• A matéria cobrindo o parto de Sasha, filha da apresentadora
Xuxa, durou 10 minutos. Reportagens especiais têm em média
4 minutos.
 O site oficial do Jornal Nacional é http://jornalnacional.globo.com/.
A gente pode até não gostar, mas não
tem jeito: o Jornal Nacional marcou definitivamente
a história
do telejornalismo brasileiro... Fazer o quê, né?
É isso aí!
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